O mistério dos pés do Rui | Vietname

O mistério dos pés do Rui | Vietname
Ao longo de dois meses a percorrer o sudeste asiático fomo-nos apercebendo do estranho comportamento de alguns locais quando o Rui tirava as botas. Inicialmente pensei que era coincidência mas com o passar do tempo, e a sucessão de acontecimentos, o comportamento recorrente da população deixou-me ficar com “pulga atrás da orelha”.
Em Singapura ou na Malásia não observamos qualquer tipo de comportamento discriminatório, talvez porque as botas ainda não estavam transpiradas, talvez porque a população é mais resistente, talvez porque… quem pode saber?
O mistério dos pés do Rui | Vietname
A verdade é que quando chegamos à Tailândia o mistério começou. O Rui ia para a praia, tirava as botas e nós ficavamos logo sozinhos. Isso era bom porque nas praias apinhadas de Koh Samui permitia alguma tranquilidade. No entanto, eu comecei a ficar preocupada. Não sentia nada de especial. Estaria a ficar insensível ao cheiro? Isso era altamente preocupante porque poderia aplicar-se também a mim. O mistério adensava-se
Nos comboios, a primeira coisa que fazemos é tirar as botas para descansar os pés. E, à medida que o tempo passava sentíamos que realmente havia algum cheiro. Mas, pior, sentíamos que as pessoas reagiam a esse cheiro. Se as minhas humildes sapatilhas permaneceram num nível olfativo que permitia a sobrevivência da população, o mesmo não se pode dizer das botas do Rui. O raio de influência do cheiro devia alcançar mais de 5 metros e com o passar dos tempos era evidente para nós e para os outros.
Quando chegamos ao Laos já viajávamos com uma arma química. Se os norte-americanos soubessem teriam comprado as botas do Rui! No entanto, foi no Vietname que a arma química atingiu a sua máxima eficácia. Mal o Rui tirava as botas as pessoas olhavam com um ar de reprovação e prontamente colocavam máscaras protectoras no nariz e boca. Era hilariante.
O mistério dos pés do Rui | Vietname
Apesar de eu ter sido muito exposta a este armamento não desenvolvi qualquer reacção (pelo menos até ao momento). É certo que a partir de uma determinada altura tive que me proteger.
As pessoas dizem-me frequentemente que sou “louca” mas… será que isso estará relacionado com este contacto?

Carla Mota

Geógrafa com uma enorme paixão pelas viagens e pelo mundo. Desde muito cedo que as viagens de exploração fazem parte da sua vida. A busca do conhecimento do mundo leva-a em direcção a culturas perdidas e ameaçadas, tentando percebe-las. Hoje é também líder de viagens de aventura na Nomad.

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