Visitar os TÚMULOS DE HUÉ | Poderia ser mais descansado? Podia, mas não era a mesma coisa! | VIETNAME

Visitar os TÚMULOS DE HUÉ | Poderia ser mais descansado? Podia, mas não era a mesma coisa! | VIETNAME

No mesmo dia em que chegamos a Hué, depois de deixarmos as mochilas no quarto do hotel, decidimos que ainda tínhamos tempo de visitar alguns dos túmulos reais que se situam a sul da cidade, serpenteando a paisagem tal como o rio. Como as Tours organizadas já tinham saído de manhã, só tínhamos hipótese de alugar um barco apenas para nós, junto do cais de embarque.

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Depois de alguma negociação junto de um operador de barcos em Hué, lá conseguimos combinar um preço mais ou menos justo pela viagem de barco, que deveria incluir o percurso de ida e volta, com paragem em 3 túmulos e um pagode, e o almoço a bordo. Cometemos depois o nosso primeiro erro: pagamos adiantado! Quando entramos no barco, a rapariga que iria servir de “guia” (acompanhada pelo rapaz que guiava o barco) prontamente nos apresentou o menu para o almoço… A pagar! Segundo erro: em vez de sairmos imediatamente do barco e pedirmos ao “chefe” o nosso dinheiro de volta, resolvemos ficar e passar sem o almoço.

O ritmo do barco era espantosamente lento e começámos a desconfiar como seria possível visitar tudo o que tínhamos acordado em Hué. A primeira paragem foi no pagode de Thien Mu, ou da Senhora Celestial, dominado por uma torre octogonal com sete pisos e um pavilhão onde se encontra um enorme sino de bronze, que pesa mais de 2 toneladas e que pode ser ouvido a mais de 10 km de distância! Foi deste pagode que partiu em 1963, em direcção a Saigão, o monge que mais tarde se imolaria na rua em protesto contra o regime de Diem.

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Retomando a viagem, descemos o rio em direcção ao túmulo de Tu Duc. A guia, no seu inglês muito deficiente, tentou-nos dizer-nos qualquer coisa acerca do percurso daqui para a frente. Parecia que não havia tempo para fazer tudo de barco, por isso iríamos fazer parte do percurso de motocicleta. Incrédulos, certificamo-nos que o custo das motocicletas estaria incluído no que pagamos. Sim, sim, foi a resposta.

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Depois de algum tempo a navegar, encostamos na margem e a guia saiu connosco. Subimos uma pequena ravina e encontrámos alguns locais. A menina então explicou-nos que teríamos de seguir em motocicleta mas que teríamos de ser nós a pagar! Passamo-nos… Depois de uma breve discussão, decidimos que não iríamos ceder e decidimos prosseguir a pé, perante os olhares incrédulos dos nossos interlocutores. A guia esperaria no barco enquanto nós visitávamos os túmulos. Tínhamos um pequeno problema… não sabíamos onde estávamos!

Fizemos alguns minutos a pé até chegarmos a uma estrada alcatroada e depois de perguntarmos pelo túmulo de Tu Duc, seguimos na direcção que nos indicaram. Ao fim de algum tempo, lá chegamos. Localizado numa colina, rodeado de lagos, o complexo é enorme.

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Este túmulo distingue-se dos outros, pois é o único que também serviu de residência ao imperador antes da sua morte. Tem assim muitas estruturas que normalmente estão associados a residências imperiais tais como reservas de caça, lagos e palácios. Como sabíamos que os túmulos fechavam às 17.30 h, não podíamos ver tudo ao pormenor. Assim, visitámos os principais pavilhões e seguimos caminho.

O problema é que era impossível visitar os outros túmulos deslocando-nos a pé; estavam demasiado longe. Só tínhamos uma alternativa: ir de motocicleta. Depois de mais uma negociação, conseguimos um preço razoável com duas senhoras, para nos levarem aos túmulos de Khai Dinh e Minh Mang. Claro que não pagámos adiantado!

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Depois de um percurso sinuoso pelo meio de arrozais e casas, atravessámos a ponte sobre o rio e lá chegamos ao túmulo de Minh Mang. Com a estrutura clássica dos túmulos reais chineses, é de uma beleza notável. Diferentes pórticos e pavilhões levam-nos a uma ponte de mármore e à colina onde se encontra o mausoléu do imperador Minh Mang, que morreu em 1841. Mas a “amazing race” tinha de continuar!

Subimos para as motocicletas e dirigimo-nos ao túmulo que nos faltava. O mausoléu do imperador Khai Dinh (1925), o penúltimo imperador Nguyen e o último a ser sepultado num túmulo real em Hué, foi construído em betão, combinando os estilos europeu e vietnamita.

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Erguendo-se numa colina íngreme, distribui-se por três níveis, sendo o pátio do segundo nível uma verdadeira maravilha, com as estátuas perfiladas em duas linhas, guardando o acesso ao local de repouso do imperador.

E com o sol quase a pôr-se, não deixámos passar a oportunidade de nos recrearmos a tirar inúmeras fotos.

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Quando descemos, as senhoras, talvez cansadas de esperar e esquecidas do que tinham combinado, queriam que nós pagássemos já. Depois de dizermos que só pagaríamos quando estivéssemos de volta, decidiram que queriam renegociar o preço que tínhamos acordado. Tivemos de ameaçar não pagar nada e irmos embora noutro transporte (a Carla ainda foi falar com um taxista que estava lá com outros turistas!) mas finalmente elas concordaram que nos deviam levar de volta.

Depois de voltarmos, não sem antes a mota da Carla ter parado a meio do caminho por ter ficado sem gasolina (!) e de mais uma vez nos pedirem mais dinheiro pelo transporte, lá pagamos o que tínhamos combinado e voltamos a pé até ao barco. Quando nos viram chegar, as pessoas estavam atónitas. Será que estes estrangeiros foram a pé visitar os túmulos?… “Quantos é que visitaram? Um?”, perguntou-nos a guia. Não, foram três. A pé?! Claro que não… E qual foi o preço que pagaram? Hás-de ter muito a ver com isso…

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No percurso de volta a Hué, pudemos apreciar o pôr-do-sol e, mesmo com um ritmo francamente superior ao da vinda, só chegamos a Hué já de noite. Já tínhamos decidido que isto não ficaria assim e que iríamos assustar o operador do barco. Fomos à agência em Hué e fizemos a nossa queixa, explicámos tudo o que tinha acontecido e dissemos que iríamos fazer uma queixa na polícia do turismo. Ainda foi chamar a chefe (que não falava inglês) e juntos disseram-nos que nos davam algum dinheiro de volta mas recusámos e voltámos costas. E, apesar de, no cômputo geral, termos pago mais do que teríamos se tivéssemos ido numa “tour” organizada, a verdade é que acabámos o dia a rir de tudo o que tínhamos passado e ficámos com mais uma história para recordar. É que viajar no Vietname também é isto. Podia ser mais descansado? Podia… Mas não era a mesma coisa! E em Hué foi mesmo assim…

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Carla Mota

Geógrafa com uma enorme paixão pelas viagens e pelo mundo. Desde muito cedo que as viagens de exploração fazem parte da sua vida. A busca do conhecimento do mundo leva-a em direcção a culturas perdidas e ameaçadas, tentando percebe-las. Hoje é também líder de viagens de aventura na Nomad.

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2 Comentários

  1. Anabela Carmo diz: Responder

    Antes de mais muito obrigada pela partilha das vossas viagens. Eu e o meu marido pensamos ir ao Vietname/Camboja/Laos mas não queremos ir em excursão por isso a minha busca por informação em vários blogs e estou a gostar imenso de ler o vosso, muito bem escrito, com muita informação útil e muito genuíno. Já estamos na casa dos 60 por isso estou a tentar fazer um roteiro à “nossa medida”. Nasci em Moçambique e antes de vir para Portugal ainda vivi no Zimbabué e viajar é o que mais gosto de fazer, mas só com o meu marido, sem amigos, nem família nem excursões, só nós dois e ao nosso ritmo. Acho que esta viagem à Ásia será a nossa última grande viagem, começa-nos a faltar forças para andar tantas horas de avião. Continuem a viajar e a partilhar as vossas experiências e eu vou continuar a seguir o vosso blog. Um abraço

    1. Carla Mota diz: Responder

      Obrigada pelas generosas palavras, Anabela. Viajar é mesmo um vício. Provavelmente a vossa próxima viagem será a primeira de uma nova fase. Belas e muitas viagens. Força.

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