DICAS para viajar no ZIMBÁBUE

zimbabue

Viajar no Zimbábue foi uma agradável surpresa. Quando aterrámos no aeroporto de Victoria Falls estávamos apreensivos porque umas semanas antes tinham havido distúrbios na zona do país que íamos visitar. Esses distúrbios foram o resultado de várias greves gerais que afectaram o país e que paralisaram os caminhos de ferro do Zimbábue durante vários meses. Tínhamos acompanhado a situação pela internet mas, apesar de as coisas estarem mais calmas, ainda sentíamos que podíamos estar no sítio errado, na hora errada. Com o passar dos dias fomos sentindo-nos mais à vontade e considerámos que viajar no país era seguro.


COMO CHEGAR


AVIÃO: Para chegar ao Zimbábue voamos desde Joanesburgo num voo que fez escala em Bulawayo. Foi aí que tiramos o visto de entrada dupla. O voo acabou por demorar mais do que o que estava previsto porque fez escala. Se fosse um voo directo teria demorado cerca de 1h30m. Assim, demoramos 4 horas entre Joanesburgo e Victoria Falls. O voo custou cerca de 120 euros e marcamos pela internet.

TERRA: O Zimbábue tem fronteira aberta com o Botswana e Zâmbia, e é possível atravessar e tratar dos vistos nas fronteiras. Nós atravessamos de Harare (capital do Zimbábue) para Lusaka (capital da Zâmbia) de autocarro. Apanhamos um autocarro no terminal de Harare, às 7am, que chegou a Lusaka às 3pm. A viagem custou 15USD/pessoa. O autocarro parou na fronteira e esperou que os passageiros tratassem dos vistos e dos carimbos no passaporte. A travessia foi fácil e a companhia que usamos, a King Lion, foi muito eficiente.

É também possível atravessar a fronteira entre Victoria Falls, no Zimbábue, e Livingstone, na Zâmbia. Para cruzar a fronteira basta ir a pé e atravessar a ponte, tratando dos vistos nos postos fronteiriços. A fronteira fica a 10 minutos a pé de Victoria Falls e a 10 minutos de táxi de Livingstone.


VISTOS


Para entrar no Zimbábue é necessário visto. Em 2015, tiramos um visto KAZA (visto combinado que permitia entradas múltiplas no Zimbábue e na Zâmbia), que custou 50USD/pessoa. Tiramos este visto na fronteira terrestre em Kasane, com o Botswana. Agora, em 2016, como tivemos que tratar do visto na primeira paragem no país (que foi em Bulawayo devido à escala do avião) não conseguimos tirar o visto KAZA e optámos por tirar um visto de entrada dupla por 45USD/pessoa.


TRANSPORTES


Viajar no Zimbábue é altamente compensador. A população é extremamente afável e prestável e há muita gente a falar inglês. As pessoas tentam sempre ajudar e havia sempre alguém pronto para nos dizer onde se apanhava o autocarro ou o táxi. Pode-se viajar de comboio, autocarro ou táxi, assim como em veículo próprio.

1. Comboio 

O Zimbábue tem algumas linhas de comboio dignas de registo. A mais mítica é a linha entre Victoria Falls e Bulawayo, provavelmente o comboio mais lento do mundo, já que demora 15 horas para percorrer 470 km. A partida de Victoria Falls estava marcada para as 19.00h. Para comprar os bilhetes basta comparecer na estação no próprio dia da viagem. Optámos pela primeira classe, e cada bilhete custou 12 USD para um compartimento de duas pessoas. A viagem foi memorável e podem ver a nossa experiência aqui. Há outras linhas de comboio, nomeadamente entre Bulawayo e Harare, a capital, mas nós não as usamos. Os comboios são fiáveis e seguros.

2. Autocarro

Viajar de autocarro em África é sempre uma aventura. Fizemos algumas viagens de autocarro no Zimbábue mas, felizmente, nunca tivemos que lidar com a confusão das estações. Sempre que chegámos à estação fomos de táxi e o próprio taxista deixou-nos ficar no autocarro certo. Só tivemos que esperar que enchesse para arrancar. Nas viagens que fizemos nunca esperámos muito tempo, no máximo uma hora e meia.  Os autocarros são confortáveis (para padrões africanos) e optámos sempre por comprar 3 bilhetes para poder levar as mochilas connosco. Fizemos de autocarro a viagem entre Bulawayo e Masvingo, que custou 8USD/pessoa e demorou 4h30m. Fizemos ainda a viagem entre Masvingo e Harare, que custou também 8USD/pessoa e demorou 4h45m. Pode ver as nossas aventuras na estrada aqui.

3. Táxi

Fizemos algumas viagens de táxi no país, especialmente dentro das cidades. Normalmente pedíamos ao motorista do autocarro que nos arranjasse um taxista e eles telefonavam sempre a um taxista conhecido. Quando o autocarro chegava já tínhamos um táxi à espera. Isto foi uma forma super eficiente de viajar e de fazer pequenas distâncias. Foi no autocarro que arranjámos o taxista que nos levou de Masvingo ao Grande Zimbábue (viagem pela qual pagamos 15 USD).  Para além disso viajámos de táxi dentro de Bulawayo e em Harare. Tivemos sempre muita sorte com os taxistas porque foram sempre pessoas muito sérias e simpáticas. Em Harare, o taxista teve imensa dificuldade em encontrar o nosso hotel e andou durante muito tempo às voltas sem nunca desistir. Depois de nos deixar no hotel, regressou no dia seguinte para nos buscar e levar ao terminal, mesmo às 4h30m da manhã!


O QUE VISITAR


Há imensa coisa para visitar no Zimbábue mas como não tínhamos muito tempo escolhemos conhecer aquilo que consideramos mais emblemático. Assim, visitámos:

1. Victoria Falls: Uma visita ás quedas de água de Vitória é incontornável. Vale a pena ver de perto e ouvir uma das maiores quedas de água do mundo. As dicas para visitar as Cataratas de Vitória estão neste post.

.

2. Ruínas do Grande Zimbábue: As ruínas do Grande Zimbábue são o que resta de uma civilização que floresceu na África Austral com uma dimensão territorial que incluía o actual Zimbábue e parte de Moçambique e Botswana. A cidade prosperou nos séculos XIII e XIV mas entrou em declínio ainda antes da chegada dos portugueses, que foram os primeiros ocidentais a relatar a sua existência.

.

3. Bulawayo: Apesar de a cidade ter poucas atracções para além do museu, vale a pena vir aqui só para fazer a viagem de comboio entre Victoria Falls e Bulawayo, o comboio mais lento do mundo. Próximo existe o parque de Matobo, que ao que parece merece uma visita. Nós não tivemos tempo.

.

4. Masvingo: Esta cidade é um lugar de passagem obrigatória para quem pretende visitar as ruínas do Grande Zimbábue. Pode-se ficar aqui alojado mas não vale a pena porque a oferta próximo das ruínas é muito mais interessante e para todas as carteiras.

.

5. Harare: A capital do Zimbábue merece uma visita. Não vale a pena demorar aqui muito tempo, até porque não há muito para ver, a não ser sentir o pulso de uma capital africana com tudo o que isso tem de bom e/ou de mau.

.


ONDE DORMIR


Há várias ofertas de alojamento nas diferentes cidades do Zimbábue e normalmente para todas as carteiras. Os locais onde ficamos alojados foram:

1. Victoria Falls

Optámos pelo Vitoria Falls Safari Lodge porque trata-se de um alojamento de grande qualidade (talvez o melhor da cidade), com cabanas tradicionais com vista sobre pontos de água, onde os animais afluem ao fim de tarde.


O lodge está localizado a alguns quilómetros do centro de Victoria Falls mas isso não é um problema porque há autocarros gratuitos que fazem o percurso entre o lodge e a cidade, e as quedas de água, a todas as horas ao longo do dia. A viagem demora cerca de 20 minutos e, portanto, ficar aqui foi genial. O nosso quarto era um mini apartamento com quarto, sala, varanda sobre um ponto de água e duas casas de banho.

2. Harare

Em Harare, ficámos alojados num boutique hotel, uma pequena guesthouse com um ambiente de luxo e muito requintado na parte nova da cidade, a Kingsmead Guesthouse. Optámos por um alojamento de qualidade na capital porque sabíamos que nos outros lugares do país isso seria mais difícil de conseguir. Foi uma óptima escolha porque permitiu-nos uma excelente noite de sono, um bom banho e um tratamento vip. Fomos recebidos pela Nikkita, a jovem que trabalhava na guesthouse, que, como era tarde, telefonou para uma pizzaria e nos encomendou uma pizza. Comprámos na guesthouse um bom vinho sul-africano e desfrutámos de um serão maravilhoso na companhia de Aldrik, o dono.

A guesthouse é maravilhosa. Tem um espaço exterior soberbo com uma pequena piscina, sofás e espreguiçadeiras. Os espaços comuns são óptimos, quer exteriores, quer interiores. Uma sala gigantesca com uma lareira acesa fez as nossas delícias na noite que lá passamos.

O nosso quarto era bastante grande (acho que o maior que tivemos nesta viagem) e deu para espalhar toda a tralha e refazer as mochilas. A cama, essa, foi a melhor cama onde já dormimos! E não é exagero. O colchão era verdadeiramente bom, ortopédico e até tinha aquecimento para as noites mais frias. Foi uma óptima escolha.

3. Grande Zimbábue

Há algumas opções de alojamento aqui mas, como quando chegámos às ruínas não tínhamos reserva em lado nenhum, optámos por ficar no primeiro local que encontrámos.  Ficámos nos dormitórios do Campground. Tentámos ficar nas cubatas mas como estavam todas ocupadas, alojamo-nos nos dormitórios. Cada cama custou 10 USD e como estávamos sozinhos no dormitório acabámos por não ficar muito mal. No entanto, convém dizer que este foi o local onde encontrámos as piores casas de banho de África. Estavam sujíssimas e cheias de macacos. Ainda não sei se o lavatório tinha água porque não tive coragem de abrir a torneira para lavar lá os dentes! Tem, no entanto, um pequeno restaurante, com preços muito convidativos e comida caseira e boa que vale a pena experimentar.

PROCURE AQUI ALOJAMENTO NO ZIMBABUE


ONDE COMER


Restaurante Boma: Bem perto do lodge onde ficamos alojados está o restaurante Boma, uma instituição em Victoria Falls e nas Cataratas de Vitória. Este restaurante é famoso pelos seus Braai (grelhados sul-africanos) e pelo ambiente festivo e espectáculos de danças tradicionais. À chegada ao restaurante vestem-nos e pintam-nos a preceito para uma noite verdadeiramente tribal. É aconselhável marcar mesa com antecedência porque o restaurante tem lugares limitados e é muito procurado. O serviço de restaurante é buffet e há imensas iguarias para experimentar. Os mais audazes podem começar pelos vermes tradicionais.

Para quem gosta de comidas mais clássicas também não faltam escolhas. De entrada, as impalas e o crocodilo destacam-se entre as seis delicatesses que surgem na mesa. As carnes grelhadas são as rainhas da festa, com bife de “pumba”, porco, frango, etc. Não perca o maravilhoso estufado de caça, o Potjies Umzimbeli, e os variadíssimos e deliciosos acompanhamentos como arroz de manteiga de amendoim, saladas,  legumes, sadza, massas, etc.

A refeição é maravilhosa mas o espaço em si também, com espectáculos de dança e uma parte interactiva em que somos convidados a aprender a tocar tambor e a dançar. Esta é uma excelente introdução a África e um óptimo local para começar ou terminar uma viagem pelo continente.


Antes de viajarmos para o Zimbábue espreitámos as dicas do Samuel, do site Dobrar Fronteiras. Dê também ali uma olhadela.

Atreva-se e explore o Zimbábue. Há aqui todo um mundo novo a descobrir!

Carla Mota

Geógrafa com uma enorme paixão pelas viagens e pelo mundo. Desde muito cedo que as viagens de exploração fazem parte da sua vida. A busca do conhecimento do mundo leva-a em direcção a culturas perdidas e ameaçadas, tentando percebe-las. Hoje é também líder de viagens de aventura na Nomad.

More Posts - Facebook - Google Plus - Flickr - YouTube

.

PROGRAME A SUA VIAGEM

  Faça as suas reservas através das parcerias do nosso blogue. Você NÃO PAGA MAIS, nós ganhamos uma pequena comissão. Assim conseguimos manter o blogue com opiniões isentas.

Resultado de imagem para hotel icon Reserve o hotel no Booking.com e encontre as melhores promoções. Reserve e cancele sempre que necessitar.

Resultado de imagem para tourism iconMarque os seus bilhetes nos monumentos e tours, evitando filas usando o Get Your Guide.

Resultado de imagem para casa icon Se procura uma casa ou apartamento pode usar o Airbnb. Se se registar com o nosso link terá 30€ de crédito grátis.

Imagem relacionada  Reserve os seus voos com a Skyscanner. Garanta os melhores preços.

Resultado de imagem para car icon  Alugue carro usando o RentalCars, comparando e escolhendo o melhor preço antes de viajar.

Resultado de imagem para saúde icon  Faça seguro de viagem na Iati Seguros ao menor preço do mercado e com seguros especializados para viajantes. Se usar este link gozará de 5% de desconto.

Resultado de imagem para livro icon  Usamos os guias de viagem da Lonely Planet para preparar as nossas viagens. Se faz o mesmo, pode comprá-los online. Sai mais barato e os portes são grátis a partir dos 35€.

4 Comentários

  1. THAYS GUERRA diz: Responder

    Olá . mt legal! Estou querendo fazer namibia e victoria falls . vc fez esse trajeto ? Como foi? Avião , carro, autocarro? Obrigada!!

    1. Carla Mota diz: Responder

      Nós fomos de camião em overland. Fizemos a Faixa de Caprivi. Temos os artigos aqui no blogue. Está no separador da Namibia.

  2. Que viagem maravilhosa!

    1. Carla Mota diz: Responder

      Obrigada, Daiana. 😀

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.