CHERNOBYL E PRIPYAT | Visitar o maior desastre nuclear do mundo

CHERNOBYL | Visitar o palco do maior desastre nuclear do mundo

Visitar Chernobyl (Chornobyl, em ucraniano) é algo a não perder se gostar de conhecer lugares únicos no Mundo. É verdade que Chernobyl não faz parte dos roteiros turísticos mais comuns, mas a Central Nuclear de Chernobyl e a cidade fantasma de Pripyat são dois locais verdadeiramente singulares, com um forte impacto visual e capazes também de nos fazer reflectir sobre a história e a política, assim como a ciência e o seu impacto no ambiente.

Valerá a pena visitar Chernobyl? Qual o risco de visitar Chernobyl? Quais as implicações de saúde se visitar Chernobyl? Como visitar Chernobyl? O que visitar em Chernobyl? O que aconteceu realmente em Chernobyl? As respostas a todas estas perguntas sobre Chernobyl e muitas mais, estão neste artigo.

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O acidente nuclear de Chernobyl deu-se num contexto de Guerra Fria, quando o encobrimento de informações preciosas era fulcral para cada um dos blocos adversários, EUA-Europa Ocidental e URSS-Europa de Leste. A URSS não partilhava informações, muito menos aquelas relativas à energia nuclear. Alguns especialistas sabiam que os reactores de Chernobyl tinham falhas na sua concepção, sendo instáveis em situações de funcionamento a potências muito baixas, mas essa informação foi mantida em segredo, e nem mesmo os funcionários da central nuclear de Chernobyl tinham conhecimento disso. Estava criada a receita para o desastre de Chernobyl.

O acidente nuclear de Chernobyl

A cidade de Chernobyl fica na Ucrânia, a cerca de 100 km a norte de Kiev, a capital, e a poucos quilómetros da fronteira com a Bielorrússia. A Central Nuclear de Chernobyl foi construída a cerca de 15 km da cidade de Chernobyl, nas margens do rio Pripyat, nos anos 70 do século XX. A central de Chernobyl tinha quatro reactores, o primeiro entrando em funcionamento em 1977 e o quarto em 1983. A cidade de Pripyat foi fundada em 1970, quase ao lado da central nuclear de Chernobyl, com o objectivo de albergar os trabalhadores da Central Nuclear de Chernobyl e, em 1986, tinha mais de 49.000 habitantes.

A 26 de Abril de 1986, a central nuclear de Chernobyl foi palco do maior acidente nuclear da história, com origem na explosão do reactor nº4 de Chernobyl, libertando uma grande quantidade de poeiras e materiais radioactivos para a atmosfera, que se espalhou por vários países, mas que afectou principalmente a Ucrânia e a Bielorrússia, e foi o único acidente na história da energia nuclear comercial em que ocorreram fatalidades relacionadas com a radiação. Os gases e materiais radioactivos mais pesados depositaram-se à volta do local da central de Chernobyl, mas os mais leves foram inicialmente transportados pelo vento nas direcções oeste e norte. Nos dias subsequentes, os ventos mudaram e a deposição radioactiva no solo foi ditada principalmente pela precipitação ocorrida durante a passagem da nuvem radioactiva, levando a um padrão de exposição complexo e variável em toda a região afectada e, em menor grau, no resto da Europa.

Cerca de 100 bombeiros combateram o incêndio nos telhados das unidades 3 e 4 de Chernobyl, nas primeiras horas após o acidente, e foram estas as pessoas mais sujeitas à radiação. Foi estabelecida uma zona de segurança e de acesso restrito, implementada à volta de Chernobyl, chamada Zona de Exclusão de Chernobyl, e que se mantém até hoje em Chernobyl. A cidade de Pripyat foi totalmente evacuada logo no dia a seguir ao acidente de Chernobyl e hoje é uma cidade fantasma. As consequências políticas do acidente de Chernobyl também foram profundas e duradouras, pondo a nu a fragilidade da nação e os efeitos nefastos do isolamento científico e social da URSS, de tal forma que Gorbachev, o último presidente da União Soviética, afirmou mais tarde que o acidente de Chernobyl foi um factor mais importante na queda da URSS do que a Perestroika (“reconstrução”), o seu programa de reformas estruturais.

Só no dia 28 de Abril é que as autoridades soviéticas reconheceram internacionalmente o acidente em Chernobyl, depois de uma central nuclear sueca, a mais de 1000 km, ter detectado níveis de radioactividade muito elevados.

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NOTA TÉCNICA: O que é a radiação?

A emissão de radiação é um produto de reacções que se dão no interior do núcleo atómico (os átomos são constituídos por um núcleo central, com protões e neutrões, rodeado de electrões, e são as “peças” fundamentais que constituem todas as substâncias). Na natureza existem núcleos estáveis e núcleos instáveis. Quando um núcleo é instável, este transforma-se noutro, mais estável, emitindo no processo partículas e/ou radiação electromagnética. Este processo designa-se por radioactividade ou decaimento radioactivo. Há elementos que, pela sua estrutura nuclear, são naturalmente radioactivos, como o urânio e o plutónio.

Mas mesmo nestes elementos, só determinados núcleos (chamados isótopos) é que são radioactivos, e na Física os isótopos são distinguidos pelo seu número de massa (igual ao número total de partículas no núcleo, ou seja, protões + neutrões). Assim, falamos por exemplo em urânio-235 ou plutónio-239. Os minerais de urânio na Terra têm uma presença quase a 100% em urânio-238 (um isótopo mais estável), mas estes podem ser enriquecidos em teor de urânio-235, de forma a serem mais propensos a sofrerem fissão (ou cisão) nuclear, a reacção nuclear na base do funcionamento dos reactores das centrais nucleares, um processo no qual núcleos pesados se dividem noutros mais leves, libertando enormes quantidades de energia. A fissão descontrolada deu origens às primeiras bombas atómicas; a fissão controlada deu origem à produção de electricidade em reactores nucleares.

Há três tipos de radiação envolvidas no decaimento de um núcleo. A radiação alfa é constituída por partículas alfa, que são núcleos de átomos de hélio. Esta radiação tem um poder de penetração pequeno (pode ser parada por uma folha de papel ou roupa, mas tem um elevado poder ionizante, isto é, um isótopo que seja ingerido ou respirado (em poeiras, por exemplo) pode provocar danos irreversíveis nas células dos seres vivos. A radiação beta consiste em emissão de electrões, tem maior poder de penetração (pode ser parada por placas de alumínio, por exemplo), mas tem menor poder ionizante. A radiação gama são ondas electromagnéticas (como os raios-X, mas mais energéticas), têm um elevado poder de penetração (podem ser atenuadas por chumbo ou betão) mas têm menor poder ionizante.

Os isótopos radioactivos são caracterizados também pela sua semi-vida, isto é, o intervalo de tempo que, em média, metade de uma amostra demora a sofrer decaimento radioactivo. O facto de a semi-vida de muitos isótopos serem extraordinariamente grandes é um dos factos que torna a radioactividade tão perigosas para os seres vivos e o meio ambiente. Por exemplo, o plutónio-239 tem uma semi-vida de mais de 24.000 anos!

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Pós-acidente de Chernobyl

A 28 de abril, deu-se início a uma grande operação em Chernobyl para gerir as consequências do acidente de Chernobyl. Inicialmente, isso envolveu o lançamento, a partir de helicópteros, de milhares de toneladas de chumbo, boro e areia para controlar o fogo em Chernobyl e impedir a libertação de materiais radioactivos. Foram feitos cerca de 1.800 voos de helicóptero em Chernobyl, a maior parte deles sempre em movimento, de forma a que a dose de radiação recebida pelos pilotos não fosse demasiado alta. Hoje sabe-se que estes materiais podem ter isolado o núcleo do reactor de Chernobyl, precipitando um aumento de temperatura, levando a uma nova libertação de materiais radioactivo uma semana depois.

No subsolo do edifício do reactor de Chernobyl, o material do núcleo fundido, juntamente com outros materiais do reactor, formou uma massa fluida, provavelmente o material mais tóxico do planeta, parecido com lava, mas com níveis de radiação milhões de vezes superiores ao ambiente normal, capaz de matar uma pessoa que estivesse a 1 m de distância em dois minutos (por incrível que pareça, esta massa, conhecida por “Pata de Elefante” foi fotografada nos anos 90). Este material tinha de ser controlado, de forma a impedir o seu movimento em profundidade e o acesso a águas subterrâneas.

No início de Maio, foi instalado um sistema de refrigeração com azoto líquido e a temperatura do núcleo baixou. Além disso, começou o trabalho de construir uma laje maciça de betão armado com um sistema de arrefecimento, sendo para isso necessário a escavação de um túnel por baixo da unidade 3 da central de Chernobyl. Cerca de 400 mineiros de carvão trabalharam neste túnel em Chernobyl, que foi concluído em 15 dias, permitindo a instalação da laje de betão, que também actuava como uma barreira para evitar a penetração de material radioactivo derretido nas águas subterrâneas.

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Fonte: world-nuclear.org

Em Junho, começariam as obras da construção do “sarcófago” de Chernobyl, uma enorme estrutura que cobriria e protegeria toda a parte danificada do edifício do reactor nº4 de Chernobyl, assim como o próprio reactor. Em Novembro, mais de seis meses depois do acidente de Chernobyl, o sarcófago estava acabado, e milhares de metros cúbicos de betão e milhares de toneladas de metal encarceravam o núcleo ainda em reacção (com um sistema de ventilação e filtros para permitir a circulação de ar). No seu interior, estima-se que a quantidade de radiação seja milhares de vezes superior ao ambiente normal, mas o exterior estava, por enquanto, protegido. Foi esta estrutura que se manteve em Chernobyl durante 30 anos.

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NOTA TÉCNICA: Como se mede a radiação?

Há fontes naturais de radiação, como partículas vindas do espaço, e fontes artificiais, como os reactores nucleares. Os isótopos radioactivos libertados pelo reactor de Chernobyl e principais responsáveis pela exposição das pessoas à radiação foram o iodo-131, o césio-134 e o césio-137. Estes isótopos têm semi-vidas relativamente curtas, mas podem ser absorvidos pelas pessoas a partir do ar e consumo de comida contaminada.

Para quantificar a dose de radiação recebida, define-se uma grandeza designada por dose de radiação equivalente, que se mede numa unidade chamada sievert (Sv). A radiação pode ser detectada e medida com um contador Geiger, que detecta a radiação ambiente em tempo real (indicado por exemplo em microsievert/hora), e que emite sons tipo estalidos devido a descargas eléctricas provocadas pela radiação no interior do contador. Pode marcar-se no contador um limite razoável de radiação, e o contador irá emitir um sinal de alerta quando a radiação ultrapassa esse valor.

A dose de radiação equivalente recebida pode ser medida por um dosímetro, que mede a quantidade de radiação recebida durante um certo intervalo de tempo (por exemplo, uma excursão de algumas horas a Chernobyl). Ambos estes aparelhos são fornecidos na excursão que fizemos a Chernobyl (embora se tenha de pagar um extra pela utilização do contador Geiger). As doses médias de radiação absorvidas pelas pessoas mais afectadas pelo acidente de Chernobyl foram avaliadas em cerca de 120 milisievert (mSv) para 530.000 trabalhadores da operação de limpeza e 30 mSv para 115.000 pessoas evacuadas. Para termo de comparação, a radiação ambiental a que normalmente somos sujeitos é aproximadamente 1 a 3 mSv/ano. Quando saímos de Kiev, o nosso contador Geiger marcava 0,13 microsievert/hora, equivalente a 1,14 mSv/ano. O máximo que o nosso contador Geiger marcou durante a nossa estadia em Chernobyl foi junto a uma tampa metálica na praça principal de Pripyat e igualou 25 microsievert/hora, aproximadamente 220 mSv/ano! No entanto, este valor só seria perigoso se passássemos algun meses naquele local, e não alguns segundos como foi o caso.

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DICAS PRÁTICAS PARA VISITAR CHERNOBYL


Visitar Chernobyl é algo que exige alguma preparação prévia e organização no terreno. Deixamos aqui algumas dicas práticas para lhe facilitar a vida quando visitar Chernobyl.

Quando visitar Chernobyl

Visitar Chernobyl é possível durante todo o ano. No entanto, o clima em Chernobyl (e Kiev) é continental húmido, com Invernos frios e com neve entre Novembro e Março. No Verão, as temperaturas são altas, mas também com precipitação ocasional. Sendo assim, a melhor altura para visitar Chernobyl é na Primavera ou Outono, quando as temperaturas não são extremas e a precipitação é menor.

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Como visitar Chernobyl

A melhor forma de chegar a Chernobyl é a partir de Kiev, a capital da Ucrânia. Visitar Chernobyl de forma independente não é possível; tem de ser feito em excursão organizada por uma agência ucraniana autorizada para visitar e entrar em Chernobyl. Não é possível visitar Chernobyl de forma independente, uma vez que a zona de exclusão de 30 km em redor da central nuclear é de acesso restrito. Existem algumas empresas licenciadas para fazer a visita a Chernobyl.

Pode marcar aqui a sua excursão de um dia a Chernobyl. Foi este tour que fizemos.

Pode visitar Chernobyl num tour de um dia ou vários dias. Nós fizemos um dia mas, se fosse agora, faríamos dois. Se quiser ter uma ideia geral, a visita a Chernobyl de um dia chega, mas se quiser aprofundar a história de Chernobyl e conhecer muitos dos seus segredos, o ideal é fazer uma visita de dois dias a Chernobyl.

Se procura um tour a Chernobyl privado (óptima opção para quem quer decidir em que lugares deseja estar mais ou menos tempo), pode marcar aqui a sua excursão privada a Chernobyl.

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É seguro visitar Chernobyl?

Sim, é seguro visitar Chernobyl, desde que se cumpra as regras de comportamento e de segurança. Ainda assim, visitar Chernobyl é um actividade com algum risco, não autorizada a menores de 18 anos de idade, e não recomendada a mulheres grávidas.

Há duas possíveis fontes de risco quando visitar Chernobyl. Uma é a radiação existente na Zona de Exclusão de Chernobyl, outra é os edifícios em estado de degradação (e vandalização) avançada. Em relação à radiação em Chernobyl, as condições agora são completamente diferentes daquelas dos dias a seguir ao acidente de Chernobyl. A fonte da radiação, o núcleo exposto do reactor nº4 da central de Chernobyl, foi protegido com um “sarcófago” de aço e cimento que tinha um período de vida estimado de 30 anos e que foi substituído por outra estrutura, mais moderna, em 2016, e que se estima poderá durar 100 anos.

Além disto, depois das operações de limpeza em Chernobyl e após 35 anos desde o acidente, os níveis de radiação na Zona de Exclusão de Chernobyl são agora muito mais baixos. A verdade é que a dose de irradiação gama recebida durante uma excursão de um dia à Zona de Exclusão de Chernobyl é equivalente à dose recebida durante dois dias em Kiev ou várias horas de voo num avião comercial (a alta altitude, a radiação vem do espaço). Existem, no entanto, alguns locais específicos que são, ainda hoje, fontes perigosas de radiação em Chernobyl, mas as excursões organizadas evitam esses locais e deve também tomar-se as devidas precauções relativas à radiação (ver abaixo).

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NOTA TÉCNICA: Como é que a radiação afecta os seres vivos?

A radiação ionizante tem aplicações benéficas na medicina e indústria, por exemplo em tratamentos oncológicos, mas se a dose de radiação absorvida for grande, os efeitos biológicos da radiação podem ser catastróficos. Estes efeitos dependem do tipo de radiação, do tipo de tecido atingido, da intensidade da fonte radioactiva e do tempo de exposição. Os efeitos biológicos da radiação são devidos ao seu poder ionizante, que se reflecte na destruição de células ou alteração de processos de replicação dessas mesmas células, ou ainda danos no ADN. Estes efeitos podem ser agudos ou a longo prazo.

Os efeitos agudos traduzem-se numa condição médica designada por síndroma aguda de radiação (SAR), que se verifica quando as doses de radiação absorvidas são muito elevadas, como aconteceu com os trabalhadores da central nuclear de Chernobyl e bombeiros que se deslocaram ao local logo após o acidente. Estes efeitos podem manifestar-se ao fim de horas, semanas ou meses, envolvendo vómitos, alteração da qualidade do sangue, hemorragias internas e, normalmente, culminando na morte da pessoa. O tratamento destas condições envolve a toma de antibióticos, transfusões de sangue e, nos casos mais graves, transfusões de medula, mas nem sempre são eficazes. A síndrome aguda de radiação foi diagnosticada em 237 pessoas no local do acidente de Chernobyl e envolvidas com a limpeza e foi posteriormente confirmada em 134 casos. Destas, 28 pessoas morreram devido a SAR poucas semanas após o acidente. Ninguém fora do local do acidente de Chernobyl sofreu efeitos agudos da radiação.

Os efeitos a longo prazo da radiação são devidos a exposição a doses de radiação mais pequenas, ou por intervalos de tempo curtos, e que poderão manifestar-se anos após a exposição. Os efeitos da radiação a longo prazo são mais difíceis de avaliar, pois é necessário um acompanhamento e monitorização permanente das pessoas sujeitas à radiação. Estima-se que, entre as pessoas envolvidas nos trabalhos de contenção e limpeza do local do acidente de Chernobyl e as pessoas evacuadas da zona, tenha havido uma taxa de incidência de cancros mais elevado do que o normal, assim como um excesso de mortalidade nos anos a seguir ao acidente. Em particular, há dados que indicam uma taxa de incidência de cancro da tiróide muito mais alta do que o normal, especialmente em indivíduos que eram crianças e jovens na altura do acidente, devido à ingestão de leite ou legumes contaminados com iodo-131, o qual é absorvido pela tiróide.

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Regras de comportamento para visitar Chernobyl

  • A entrada e saída da Zona de Exclusão de Chernobyl são efectuadas através de postos de controlo, com autorização de visita (que é tratada pela agência responsável pela sua excursão a Chernobyl) e mediante apresentação de passaporte.
  • Não são admitidas pessoas na Zona de Exclusão de Chernobyl sob a influência de álcool e/ou drogas.
  • É estritamente proibido trazer qualquer objecto da Zona de Exclusão de Chernobyl. A violação desta regra constitui um crime.
  • Deve seguir sempre as instruções do seu guia em Chernobyl, seguindo apenas trilhos estabelecidos, com o guia e em grupo.

Regras de segurança/radiação para visitar Chernobyl

Dentro da Zona de Exclusão de Chernobyl, é proibido:

  • comer, beber e fumar ao ar livre;
  • tocar edifícios, árvores e plantas;
  • recolher (e comer) cogumelos, bagas, frutas e nozes em florestas e jardins;
  • sentar-se no chão;
  • colocar no chão câmaras fotográficas e de vídeo, bolsas, mochilas e outros objectos pessoais;
  • usar calções, calças curtas, saias, calçado aberto, e mangas curtas, ou seja, é apenas permitido o uso de roupas que cubram a maior parte do corpo (calças, camisa de manga comprida, e calçado fechado).
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Onde dormir quando visitar Chernobyl

É a partir de Kiev que visitará Chernobyl e Kiev tem bastantes opções de alojamento. Há alojamentos para os amantes da Guerra Fria e querem experimentar as glórias da ex-URSS, que era o nosso caso. Foi por isso que decidimos ficar alojados no Hotel Ukraine, um clássico soviético na Praça da Independência e cujos quartos têm, definitivamente, as melhores vistas da cidade.

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Se procura outras opções de hotéis, estas são boas sugestões:

Se procura apartamentos em Kiev estas são as melhores opções:

Se procura hostels, as melhores opções são:

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LUGARES A NÃO PERDER QUANDO VISITAR CHERNOBYL


Nós fizemos uma excursão a Chernobyl de um dia, e esta permite visitar os principais locais de interesse da Zona de Exclusão de Chernobyl. No entanto, se tiver mais tempo e interesse, recomendamos a excursão de dois (ou mais) dias a Chernobyl, onde poderá visitar mais locais e demorar-se mais em cada um deles.

1. Visitar a Zona de Exclusão de Chernobyl

Para visitar Chernobyl e Pripyat, terá obrigatoriamente de entrar na Zona de Exclusão de Chernobyl, criada logo após o acidente de Chernobyl de forma as autoridades poderem relocalizar as pessoas e controlar as entradas e saídas de trabalhadores. Inicialmente foi estabelecida uma circunferência de 30 km de raio em torno da central nuclear de Chernobyl. Mais tarde, com base na análise da presença de elementos radioactivos no solo, a área foi aumentada para cerca de 2.600 quilómetros quadrados. Do outro lado da fronteira (a apenas alguns quilómetros de Chernobyl), existe uma área semelhante no território da Bielorrússia, também fortemente afectado pela radiação, chamada Reserva Radio-ecológica Estatal de Palieski.

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Fonte: physicsworld.com

2. Entrar pelo Checkpoint de Dytiatki

A entrada e saída da Zona de Exclusão de Chernobyl é feita por postos de controlo (“checkpoints”) parecidos com postos de controlo fronteiriços. E, à semelhança destes, ali terá de mostrar o seu passaporte. No Checkpoint de Dytiaki, entrará na zona exterior da Zona de Exclusão de Chernobyl, onde ainda é possível viver permanentemente, como é o caso da cidade de Chernobyl.

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3. Aldeia de Zalissya

A aldeia de Zalissya encontra-se na zona exterior da Zona de Exclusão de Chernobyl, mas foi dada a ordem para evacuação total desta localidade. Hoje, pode visitar-se a aldeia e espreitar alguns edifícios abandonados, como o caso da casa do médico local, assim como um parque infantil, ainda com um escorrega e um carrossel enferrujados.

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4. Visitar a Cidade de Chernobyl

Apesar do nome, a cidade de Chernobyl não foi o epicentro da crise que se seguiu ao acidente de 1986. A cidade de Chernobyl existia muito antes do século XX e continuou a existir após o acidente nuclear de Chernobyl. Localizada a cerca de 15 km da Central Nuclear de Chernobyl, a cidade está localizada na zona exterior da Zona de Exclusão de Chernobyl, e tem todas as infraestruturas que uma cidade de Chernobyl deve ter. As excursões de mais de um dia a Chernobyl incluem dormida num hotel na cidade de Chernobyl. Hoje, continua a ser a localidade onde moram os trabalhadores da central nuclear de Chernobyl, responsáveis agora pelo seu encerramento e desmantelamento. Na cidade de Chernobyl existe um monumento em honra dos bombeiro e trabalhadores que lutaram nos dias e meses a seguir ao acidente para que as suas consequências fossem minimizadas.

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5. Passar pelo Checkpoint de Leliv

O Checkpoint de Leviv dá acesso à zona interior da Zona de exclusão de Chernobyl. A partir dali, entra-se num zona onde os níveis de radiação após o acidente de Chernobyl foram substancialmente mais elevados e onde, ainda hoje, não é permitido estadias prolongadas e onde não há habitantes permanentes. À saída, passa-se por umas máquinas que medem a radiação do nosso corpo para ver se está tudo normal.

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6. Surpreender-se com a aldeia enterrada de Kopachi

Kopachi era uma aldeia a poucos quilómetros da central nuclear de Chernobyl e foi fortemente atingida pela queda de poeiras radioactivas nos dias a seguir ao acidente de Chernobyl. Apesar das operações de limpeza, as casas feitas de madeira absorviam os elementos radioactivos, por isso foi decidido enterrar todas as casas da aldeia e ainda hoje se podem observar (à distância) os montes que escondem as antigas habitações da aldeia.

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Só uma casa sobreviveu acima do solo, feita de tijolo, e era o infantário da aldeia. No seu interior, ainda se podem observar os beliches das crianças, livros e bonecas. Uma imagem poderosa. No exterior da casa, há alguns locais, principalmente junto ao chão, onde os níveis de radiação são mais altos do que o normal (o nosso contador de geiger indicou 5 microsievert/h).

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7. Ouvir o silêncio na Floresta Vermelha

A Floresta Vermelha de Chernobyl foi uma área gravemente atingida pela radiação e poeira radioactiva e, apesar dos esforços dos “liquidadores” em limpar a zona, incluindo o corte de árvores e o seu enterro em trincheiras no local, continua ainda hoje a ser uma das que apresenta maiores níveis de radioactividade, principalmente ao nível do solo, com contaminação de estrôncio-90 e césio-137. Surpreendentemente, ainda assim a vida na área despovoada floresceu com a ausência do Homem, havendo um aumento na biodiversidade, tanto na flora como na fauna (são avistados inclusive lobos e alces).

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8. Observar os sistemas de refrigeração da central nuclear de Chernobyl

Uma central nuclear precisa de vários sistemas de refrigeração, todos eles associados à tarefa essencial de arrefecer os reactores onde o combustível nuclear se encontra. Esse arrefecimento é, normalmente, feito com água e por esta razão foi criado um lago artificial junto à central nuclear de Chernobyl, bombeando água do rio Pripyat. Hoje, o lago de Chernobyl foi drenado, e está previsto a construção de painéis solares na área. No entanto, ainda se podem observar um canal que fazia parte do sistema de irrigação e duas enormes torres de refrigeração, uma completa e outra inacabada, onde o calor era removido da água quente da central através da evaporação de água libertada para a atmosfera.

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9. Visitar o edifício do reactor nº4 da central nuclear de Chernobyl

Foi no reactor nº4 de Chernobyl que tudo aconteceu na madrugada de 26 de Abril de 1986. A explosão do reactor nº 4 da central nuclear de Chernobyl destruiu grande parte do edifício, dando origem a um incêndio, e deixando a céu aberto o núcleo desprotegido. Era urgente apagar o incêndio, primeiro, depois limpar os detritos radioactivos espalhados pelo local, e finalmente construir uma estrutura que tapasse o núcleo e que servisse como blindagem para a radiação que continuava a ser emitida. A fissão nuclear do núcleo não podia ser apagada com água, e a única solução encontrada foi, então, construir um sarcófago de betão que servisse de barreira protectora para o ambiente.

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A construção do primeiro sarcófago de Chernobyl durou entre Junho e Novembro de 1986 e tinha um tempo de vida estimado de 30 anos. Passados estes anos, realmente, a obra demonstrava falhas estruturais e potencialmente perigosas. Com financiamento do Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento, foi decidido construir uma nova estrutura em Chernobyl, designada New Safe Confinement, com um tempo de vida de 100 anos, e que permite teoricamente a desmontagem do sarcófago interior e a remoção do material radioactivo. A verdade é que esta nova estrutura em Chernobyl é, do ponto de vista visual, menos interessante, pois revela muito menos do que era o edifício da central nuclear de Chernobyl, mas do ponto de vista da segurança, deve ser muito melhor!

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NOTA TÉCNICA: Como funcionava o reactor RBMK de Chernobyl?

RBMK significava “Reaktor Bolshoy Moshchnosty Kanalnyy” (Reactor Canalizado de Alta Potência). O combustível nuclear eram pastilhas de óxido de urânio, colocadas num tubo, na forma de uma haste. Um conjunto destas hastes seria colocada em tubos de pressão, refrigerados por água pressurizada . O sistema moderador, usado para abrandar os neutrões libertados na reacção de fissão (e assim manter a reacção em cadeia), era uma série de blocos de grafite que cercava e separava os tubos de pressão. O sistema de controlo era uma série de hastes de carboneto de boro, que absorviam os neutrões para controlar a taxa de fissão. Se houvesse um aumento inesperado da potência do reactor, as hastes podiam ser deixadas cair no núcleo para reduzir ou parar a actividade do reactor.

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Fonte: world-nuclear.org

O sistema refrigerador era constituído por quatro bombas que circulavam água através dos tubos de pressão para remover a maioria do calor libertado pela fissão. O vapor criado pelo calor do reactor passava por turbinas e estas criavam electricidade, através de um gerador. O vapor era então condensado e reenviado para o circuito de refrigerador. Uma das insuficiências deste tipo de reactor era o deficiente sistema de contenção, pois o núcleo do reactor estava apenas localizado numa cavidade de cimento que agia como um protector contra a radiação.

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10. Vaguear pela cidade fantasma de Pripyat

Visitar a cidade abandonada de Pripyat é, sem dúvida, o ponto alto da excursão a Chernobyl. A cidade tinha quase 50.000 habitantes e a sua população foi totalmente evacuada em poucas horas, a 27 de Abril de 1986. 35 anos depois do acidente de Chernobyl, e após anos de vandalismo e roubo, assim como de degradação natural devida ao abandono, a cidade mantém as suas infraestruturas, mas quase totalmente despidas de conteúdo.

Blocos de apartamentos são a estrutura mais comum, num estado muito degradado, mas onde ainda se podem encontrar alguns itens pessoais dos antigos habitantes, como fotografias, roupas, livros e brinquedos. Existem também hotéis, restaurantes, parques de diversões, escolas, hospitais e todas as outras infraestruturas presentes nas nossas cidades, tudo num estado abandonado e degradado. As ruas foram reclamadas pela vegetação e cresceram árvores e arbustos por todo o lado. No interior dos prédios, existe muita humidade, dando origem ao crescimento de fungos e plantas e ao apodrecimento de estruturas em madeira.

NOTA: Oficialmente, não é permitido entrar nos edifícios abandonados de Pripyat. No entanto, é possível fazê-lo durante a excursão, em alguns casos específicos, em grupo e com a permissão e orientação dos guias. Tome as devidas precauções devido ao perigo de desmoronamento (de paredes, tectos e soalhos) e à presença de muitos vidros partidos.

10.1. Checkpoint de entrada em Pripyat

A sua entrada em Pripyat será feito pelo checkpoint de entrada, onde é feito mais uma revisão dos documentos dos visitantes. Entrará por um portão e começará a ver edifícios quase “amordaçados” pela vegetação. O itinerário pela cidade de Pripyat é escolhido pela agência responsável pela excursão a Chernobyl e é fixo. Se estiver numa excursão de mais do que um dia em Chernobyl, verá mais lugares em Pripyat, mas a excursão de um dia (a que nós fizemos) é suficiente para visitar os lugares mais emblemáticos da cidade e de Chernobyl.

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10.2. Hotel Polyssia

Situado na praça principal de Pripyat, o Hotel Polyssia era um dos principais edifícios da cidade e ainda hoje reina, no seu silêncio, sobre aqueles que o rodeiam. O seu interior está muito degradado e é considerado demasiado perigoso para os guias autorizarem a entrada de visitantes.

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10.3. Palácio da Cultura de Pripyat

Na mesma praça do Hotel Polyssia, o Palácio da Cultura de Pripyat era o principal local de realização de eventos, como casamentos, e tinha um auditório e um cinema. O seu interior está muito degradado e é considerado demasiado perigoso para os guias autorizarem a entrada de visitantes.

CHERNOBYL E PRIPYAT | Visitar o maior desastre nuclear do mundo
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10.4. Parque de Diversões de Pripyat

O Parque de Diversões de Pripyat é uma das imagens mais icónicas da cidade fantasma e de Chernobyl. Este parque nunca chegou a ser oficialmente inaugurado (estava marcado para 1 de Maio de 1986), mas chegou a ser usado pela população de Pripyat.

Os símbolos mais fortes de Chernobyl são a roda gigante e o recinto de carrinhos de choque, ambos parecendo estar à espera de mais uma voltinha.

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CHERNOBYL E PRIPYAT | Visitar o maior desastre nuclear do mundo

10.5. Complexo desportivo de Pripyat

A cidade de Pripyat tinha vários recintos desportivos que eram usados pela sua população para praticar desporto e para lazer. Na nossa excursão a Pripyat, entrámos dentro de um edifício que tinha várias áres dedicadas ao desporto e lazer. Uma delas era um pavilhão com um campo de basquetebol.

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Mas a principal “atracção” do recinto é uma enorme piscina (vazia, claro!), com pranchas, e localizada numa divisão com dois lados totalmente revestidos a janelas, agora completamente partidas (o chão está coberto de vidros, por isso é preciso ter algum cuidado).

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10.6. Infantários de Pripyat

Os infantários de Pripyat são uma imagem muito forte do que a cidade era e do que é agora. O sentimento de abandono, de tristeza e de ausência de esperança de regresso é comum a toda a cidade mas nota-se mais quando se entra num infantário. No seu interior, pode observar-se ainda bonecas e beliches.

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10.7. Escolas de Pripyat

Visitar uma escola em Pripyat é das imagens mais fortes que trará quando visitar Pripyat e Chernobyl. Os livros abandonados e destruídos e as carteiras dos alunos são testemunhos da vida que decorria normalmente em Pripyat até ao dia 26 de Abril de 1986.

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10.8. Supermercados de Pripyat

Visitar um supermercado em completa ruína e destruição é algo que é uma das imagens mais fortes de visitar Pripyat. É possível reconhecer as organização dos corredores e alguns letreiros, assim como a presença de alguns carrinhos de mão, mas o resto foi totalmente vandalizado.

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10.9. Depósito de carros

O depósito de carros de Pripyat tem vários camiões, ambulâncias e até veículos blindados e tanques, que foram abandonados aquando da evacuação da cidade e de Chernobyl. É um dos locais mais curiosos a visitar em Pripyat.

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10.10. Blocos de apartamentos de Pripyat

Os blocos de apartamento de Pripyat são os edifícios mais comuns na cidade fantasma, e são dos mais impressionantes. Muitos têm ainda no seu exterior, ou no telhado, símbolos da URSS.

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10.11. Murais de Pripyat

A arte soviética era um meio para o regime fazer a sua propaganda e gabar-se dos seus feitos e da sua superioridade em relação ao mundo ocidental. Em Pripyat, podem encontrar-se vários murais, no interior e exterior de edifícios, que ilustram diferentes aspectos da vida soviética dos anos 70 do século XX.

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10.12. Pinturas de rua em Pripyat

As pinturas de rua em Pripyat são uma das imagens de marca da cidade fantasma. Quer tenham sido feitas por visitantes ilegais (denominados “stalkers”) quer sejam ainda um testemunho do passado vivo da cidade, são agora mais um motivo para visitar a cidade abandonada.

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10.13. Mural da Corrida ao Espaço

O Mural da Corrida ao Espaço, dentro de um prédio perto da praça principal de Pripyat, é uma figura evocativa da URSS e do seu esforço na conquista do Espaço. É uma das imagens mais icónicas de Pripyat e de Chernobyl.

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11. Admirar o Radar Duga-1, um equipamento secreto da Guerra Fria

Nas proximidades da central nuclear de Chernobyl, foi construída uma segunda cidade secreta, chamada Chernobyl-2, onde viviam os trabalhadores de um aparelho secreto, fundamental na Guerra Fria, e que se designou por Radar Duga-1. Hoje abandonada, esta enorme estrutura (basicamente um antena gigantesca) tem cerca de 150 m de altura e 500 m de comprimento, e fazia parte de um sistema soviético de radar “para além do horizonte” cujo objectivo era detectar mísseis intercontinentais americanos, apenas alguns minutos após o seu lançamento, permitindo assim algum tempo para pensar numa resposta (e contra-ataque).

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A estrutura em Chernobyl era o receptor, enquanto o emissor se encontrava a algumas dezenas de quilómetros de Chernobyl. As ondas rádio eram emitidas, reflectidas na ionosfera e detectadas de volta, podendo ser detectadas a presença de mísseis no ar a milhares de quilómetros de distância. O sistema operou entre 1976 e 1989, tendo sido ultrapassado por um sistema de detecção baseado em satélites. No entanto, o receptor em Chernobyl foi abandonado logo no dia a seguir ao acidente na central nuclear de Chernobyl, a poucos quilómetros de distância. As instalações foram completamente desprovidas do material informático e de valor científico, e foram posteriormente vandalizadas.

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Mas a enorme antena mantém-se, firme e hirta, um labirinto de aço constituído por antenas cilíndricas, tubos e fios eléctricos. É um enorme monumento a uma época histórica, cheia de contradições, quando ainda se acreditava que era possível sair vencedor de uma guerra mundial nuclear. E ainda há teóricos da conspiração que acreditam que o radar funcionaria também como emissor de sinais (esta parte é um facto) para perturbar psicologicamente o inimigo. É um local a não perder quando visitar Chernobyl.

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NOTA TÉCNICA: A explicação do acidente de Chernobyl

Para o dia 25 de Abril de 1986, estava marcado um teste de segurança ao reactor nº4 da central, o mais recente, e que só tinha entrado em funcionamento 3 anos antes. O reactor de Chernobyl deveria ser desligado e determinar-se se, em caso de perda de energia da estação, a turbina ainda em movimento poderia fornecer energia eléctrica suficiente para operar o núcleo principal das bombas de circulação de água de arrefecimento do reactor, até que o fornecimento de energia de emergência de um gerador a diesel se tornasse operacional. Agendado para durante o dia, o teste foi adiado para o turno da noite, devido a um pedido de Kiev, de forma a manter um mínimo de produção de energia eléctrica durante o dia. O reactor de Chernobyl foi assim mantido em baixa potência durante o dia.

Após a meia noite, deu-se início ao teste em Chernobyl. Inicialmente, os operadores da sala de controlo da central, violando os procedimentos normais de segurança, levaram o reactor a valores demasiado baixos de potência e, de forma a aumentar a potência para o valor previsto para o teste, retiraram quase todas as hastes de controlo do reactor. A potência regressou a um valor normal e era a hora de fechar as válvulas da turbina. Mas o fluxo reduzido de água e a presença de contaminação por xénon desestabilizou o reactor, que começou a aumentar a sua potência. Como resposta a isto, os operadores decidiram carregar no botão AZ-5, um botão de emergência que baixaria todas as hastes de controlo e desligaria o reactor. Mas foi então que se deu a explosão em Chernobyl. Porquê?

As hastes de controlo do reactr RBMK eram feitas de carboneto de boro, um material que absorve neutrões, mas as extremidades destas tinham um “deslocador” feito de grafite, para evitar que a água de refrigeração entrasse no espaço vazio quando a haste era retirada (aumentando assim a reactividade). À medida que uma haste totalmente retirada era inserida, uma área na parte inferior do núcleo que inicialmente continha água (que absorve neutrões) é substituída pelo deslocador de grafite, aumentando a reactividade nessa região. A introdução de todas as hastes ao mesmo tempo, ditada pelo botão AZ-5, levou a que a potência do reactor tivesse uma subida repentina.

O aumento repentino de potência levou à ruptura de alguns elementos de combustível, levando a maior geração de vapor, que por sua vez levou a um aumento da pressão que foi suficiente para levantar a cobertura do reactor e impedir a descida das hastes de controlo, que estavam então só introduzidas até meio. Com a despressurização do sistema de arrefecimento, deu-se a explosão inicial de vapor, que rompeu o contentor do reactor, seguida de outra explosão, devida à presença de hidrogénio que se tinha entretanto formado com a interacção com o vapor, danificando gravemente o edifício de Chernobyl, ficando o reactor a descoberto.

Se quiser ver uma minissérie de TV que retrata o acidente nuclear de Chernobyl, com alguma ficção mas quase sempre fiel à história verídica e com muita qualidade, não deixe de assistir a “Chernobyl”, no canal HBO.

O futuro da Central Nuclear de Chernobyl

Os restantes reactores da Central Nuclear de Chernobyl, surpreendentemente, continuaram em funcionamento após o acidente de Chernobyl. Em Outubro de 1991, o reactor nº 2 de Chernobyl teve um incêndio e foi encerrado. A decisão sobre o fecho antecipado da central nuclear de Chernobyl foi tomada após a assinatura do Memorando de Entendimento entre o Governo da Ucrânia e os Governos dos países do G7 e a Comissão da Comunidade Europeia em 25 de Dezembro de 1995. O reactor nº 1 de Chernobyl foi encerrado em 1996 e o nº 3 em 2000. De acordo com o planificado, a desactivação da central nuclear de Chernobyl será realizada em 4 etapas, envolvendo a remoção do combustível nuclear e seu armazenamento (já feito, até 2015), a remoção de fontes de radiação ionizante e a manutenção e preservação dos reactores (até 2045) e finalmente o desmantelamento dos reactores e limpeza final do local (até 2065).

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Rui Pinto

Físico de formação mas interessado em todos os aspectos da cultura e história da humanidade. As viagens são o meio privilegiado para um aprofundamento do conhecimento do mundo, das suas gentes e do nosso papel na vida.

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