Atravessando a Tanzânia no COMBOIO TAZARA | Tanzânia

Atravessando a Tanzânia no COMBOIO TAZARA | Tanzânia

O trajecto do comboio Tazara não é um clássico ferroviário africano, com origem na época colonial. A linha não foi mandada construir pelos ingleses, e o sonho de ligar estes dois países não foi fruto da mente de um explorador destemido, nem da ambição desmedida de um dirigente colonial. Embora a ideia de ligar os estados africanos centrais e do sul com a costa oriental (nomeadamente a Rodésia do Norte, hoje Zâmbia, com Tanganyika, hoje Tanzânia), já andasse no ar, as potências ocidentais viam-na como economicamente inviável e politicamente desvantajosa, e foi apenas aquando da independência destas nações que o projecto foi reavivado, pois era visto como uma forma privilegiada da afirmação política e económica destas nações ainda em luta pela sua verdadeira autonomia.

Atravessando a Tanzânia no COMBOIO TAZARA | Tanzânia

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Mas as potências ocidentais (e o Banco Mundial) não concordavam, recusando o empréstimo dos fundos para a gigantesca obra. Mas nesse ponto entrou em cena a potência emergente do oriente, tendo os chineses fornecido os fundos necessários, assim como trabalhadores, engenheiros e equipamento, sendo assinado o acordo para a construção da linha Tazara, em Pequim, em 1967. A construção da linha começaria em 1970, e as dificuldades técnicas para construir 1860 km de linha, ligando Kapiri Mposhi, na Zâmbia, até Dar es Salaam, eram imensas. Quando a obra ficou concluída, e o comboio Tazara entrou em serviço, em 1976, tinham sido removidos 89 milhões de metros cúbicos de terra, e construídas 320 pontes e 22 túneis. Foi assim o início do envolvimento da China na construção e exploração do continente africano.

Atravessando a Tanzânia no COMBOIO TAZARA | Tanzânia

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Actualmente, o comboio Tazara sai todas as terças de Kapiri Mposhi às 16.00h, chegando a Mbeya no dia seguinte às 14.15h (e a Dar es Salaam às 12.10h do outro dia). Isto, claro, à tabela. Mas as tabelas em África não têm o mesmo significado que na Europa. Os atrasos são constantes e não é invulgar atingir as 24h à chegada a Dar es Salaam. Sabíamos que estávamos sujeitos a estes atrasos, mas isso também faz parte do viajar em África. Fomos mais cedo para a estação, pois íamos partilhar uma cabine com um casal alemão que tínhamos conhecido no lodge, e encontrámo-nos na estação para comprar os bilhetes já reservados. Passámos o dia quase todo à espera, e o comboio só partiu de Mbeya às 19.00h. Estava atrasado, mas não muito! No entanto, seria o suficiente para não conseguirmos apanhar o ferry para Zanzibar no dia seguinte, como estava programado.

Atravessando a Tanzânia no COMBOIO TAZARA | Tanzânia

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As carruagens do comboio eram novas, com óptimas condições, e exibiam o símbolo da “China Aid”, reflectindo o investimento contínuo da China em África e, em particular, na Tanzânia. A meia dúzia de turistas misturava-se com os populares, sendo que estes distribuíam-se por todas as classes, desde a 1ª até à 3ª, conforme a sua disponibilidade económica. Não se sentia assim qualquer tipo de separação social dentro do comboio.

Atravessando a Tanzânia no COMBOIO TAZARA | Tanzânia

Atravessando a Tanzânia no COMBOIO TAZARA | Tanzânia

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Jantámos na carruagem-restaurante. Uma refeição simples, de carne acompanhada de alguns legumes e ugali. Mas apimentada pela companhia e pelo facto de atravessarmos a savana africana de comboio.

Atravessando a Tanzânia no COMBOIO TAZARA | Tanzânia

Após uma noite bem dormida, acordámos e, depois do pequeno-almoço, dedicámo-nos a apreciar a paisagem e o ritmo da viagem. Por vezes avistavam-se animais selvagens perto da linha, como zebras e antílopes. O tempo estava nublado e, de vez em quando, caíam umas gotas de chuva. Com a cabeça de fora, sentia o vento e a água no meu rosto. Mais ao longe, no horizonte, notava-se que chovia mais intensamente, e sentia-se à distância o cheiro maravilhoso de terra molhada. Privilégios de se viajar de comboio em África.

Atravessando a Tanzânia no COMBOIO TAZARA | Tanzânia

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A passagem do comboio pelas diferentes localidades era quase uma festa, atraindo a atenção de todos, dentro e fora do comboio, e era uma lembrança constante da importância desta linha para muitas localidades, e para muitas pessoas que a usam como meio de deslocação. Acabámos por chegar a Dar es Salaam às 17.00h, essencialmente com o atraso que já trazíamos da partida de Mbeya. Tínhamos perdido a oportunidade de atravessa para Zanzibar nesse mesmo dia, e teríamos de dormir na capital. Mas estávamos completamente satisfeitos, pois tínhamos acabado de fazer uma viagem única.

Atravessando a Tanzânia no COMBOIO TAZARA | Tanzânia

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Hoje, 40 anos depois do início da actividade nesta linha, o comboio Tazara transformou-se numa lenda. Porque a sua história está ligada à luta pela independência de África, porque é um símbolo daquilo que os africanos conseguem fazer sem o apoio das potências ocidentais, porque foi o início do envolvimento da China nos negócios e construção de infra-estruturas em África, hoje quase omnipresente no continente. E também porque é uma forma magnífica de viajar pela Zâmbia e pela Tanzânia, e conhecer o quotidiano das suas gentes. Foi isso que nos levou a viajar dessa forma de Mbeya até Dar es Salam, e essa opção foi inteiramente justificada.

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Rui Pinto

Físico de formação mas interessado em todos os aspectos da cultura e história da humanidade. As viagens são o meio privilegiado para um aprofundamento do conhecimento do mundo, das suas gentes e do nosso papel na vida.

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2 Comentários

  1. Carla Mota diz: Responder

    Foi mesmo magnífica. <3

  2. Lusa Pinto diz: Responder

    Grande viagem!

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