Meados do século XIX. Para aqueles que chegavam à costa oriental africana, banhada pelas águas do índico, Zanzibar era então o centro do mundo. O sultão de Omã tinha passado a sua capital de Muscat para Zanzibar, e controlava uma área imensa no interior do continente africano. As embarcações árabes (dhows) aproveitavam os ventos dominantes e desciam e subiam a costa africana, trazendo açúcar, tâmaras e tecidos, e levando de volta especiarias, marfim e escravos. Milhares de escravos passavam anualmente pelos mercados de Zanzibar e os seus portos eram também o ponto de partida de exploradores que se aventuravam no interior do continente africano. Esta mistura de culturas, africana, árabe e europeia, moldou a alma de Stone Town, a capital de Zanzibar.
Mas desde então, muito se passou. O comércio de escravos foi abolido, a escravatura foi ilegalizada. Zanzibar passou por ser um protectorado alemão, e depois britânico, e foi perdendo a sua importância comercial. O sultanato perdeu todas as suas terras no continente para a Alemanha e Inglaterra, e os ingleses passaram a administrar o território do arquipélago. Em 1963, Zanzibar ganha a independência como monarquia constitucional, mas um mês depois dá-se uma revolta que institui um governo popular. No ano seguinte, Zanzibar seria unido ao território no continente. Tanganyika e Zanzibar dariam origem então ao nome e ao país Tanzânia. Hoje, o turismo é a principal actividade do arquipélago.
No entanto, quem visita hoje Stone Town tem ainda a sensação de uma viagem ao passado, a um mundo diferente e exótico. As ruas estreitas e labirínticas, o bulício constante, os palácios outrora opulentos, as casas de antigos mercadores de escravos, a influência indiana na decoração das pesadas portas de madeira, o ritmo africano das ruas, tudo se conjuga para que Stone Town exiba uma vitalidade e uma mística que não passa despercebida a nenhum viajante. Para quem visita Zanzibar, é obrigatório ficar algumas noites em Stone Town, de forma a interiorizar todo este ambiente.
Para aqueles mais interessados na história, a cidade velha de Zanzibar Town, “Stone Town”, delimitada pela Creek Road e pelo oceano, exibe vários locais e monumentos dignos de registo. Beit el-Ajaib (“House of Wonders”), o palácio cerimonial do sultão, construído em 1883, é hoje um museu; o antigo forte, construído sobre as fundações de uma igreja portuguesa, dá-nos um cheirinho dos tempos em que portugueses e o sultanato de Omã se digladiavam pelo domínio destas águas; e a catedral anglicana, construída em 1870, no local do maior mercado de escravos, é uma referência histórica que nos faz relembrar o infame negócio da escravatura.
Um pouco ao lado, no agora St. Monica’s Hostel, ainda subsistem as antigas celas, onde os escravos eram “armazenados” antes da venda, e onde hoje se pode ver uma pungente e informativa exposição sobre a história de Zanzibar e do comércio de escravos.
Para os mais orientados para os prazeres da natureza, Stone Town é ponto de partida para tours de passeio em barcos tradicionais, actividades de mergulho ou snorkelling, ou visitas a ilhas vizinhas, como Chapwani ou à Prison Island. A cidade exibe também um panorama gastronómico rico e variado, resultante das diferentes influências culturais na história da ilha.
Por vezes, a história, o alojamento de qualidade e a gastronomia unem-se num só edifício. Visitámos o Emerson on Hurumzi, um conjunto da antigas casas de mercadores transformadas em hotel restaurado, que nos dá uma ideia fidedigna daquela Zanzibar de outrora, baseada na opulência de uns poucos e no sofrimento de muitos. O terraço do edifício histórico oferece não só vistas magníficas sobre a cidade, mas também a possibilidade de uma refeição de qualidade num restaurante de rooftop que tem cada vez mais aficionados.
Mas percorrer a pé as ruas de Stone Town continua a ser a actividade mais recomendada para os visitantes. Deixar-se levar pelo ambiente, pelos cheiros, pelas cores, pelas pessoas, é algo que trará ao viajante uma experiência única e que o fará querer voltar um dia. O encanto de Zanzibar parece ser, afinal, intemporal.
- Um excursão popular em Zanzibar é ir à Ilha Prisão. Pode marcar aqui.
Se procura os lugares mais belos para se alojar em Stone Town, não perca estes:
COMBINAR UMA VIAGEM A ZANZIBAR COM UM SAFARI
Pode combinar uma viagem a Zanzibar com um safari ao Serengeti e Ngorongoro, alguns dos locais mais bonitos da terra. Estas opções não são baratas e geralmente requerem um investimento da sua parte num voo para Arusha. Aí, pode marcar um destes dois safaris.
SE ESTE ARTIGO LHE INTERESSOU, VEJA TAMBÉM
- Praia de Jambiani
- Dicas de viagem em Zanzibar
- Passear pelas praias de Zanzibar
- Rota das Especiarias em Zanzibar
- As melhores praias de Zanzibar
- Ilha de Chapwani em Zanzibar
MARQUE AQUI OS SEUS TOURS E PASSEIOS















Carla e Rui
Acabei de descobrir o vosso blogue e devorei a parte referente a Zanzibar onde vamos, eu e a minha esposa, passar 9 dias, 2 em Stone Town, 4 em Nwngwi e 3 em Jambiani e o melhor elogio que me ocorre é que me baseei totalmente nos vosso conselhos para decidir onde ficar.
Obrigado, obviamente passarei a seguir conselhos vossos nos próximos destinos.
Bons passeios e melhores shots
Carlos Martins
Obrigada pelo feedback. Boa viagem. 😀