O café tem uma longa história na África Oriental e a Tanzânia não é excepção. Vindo da Etiópia, pensa-se que terá sido introduzido na Tanzânia no século XVI. A folha era mascada como estimulante, e os seus grãos chegaram a ser usados como moeda por algumas tribos. No entanto, a plantação e produção de café em grande escala teve de esperar pelo século XX e a colonização alemã e inglesa. Ambas as potências desenvolveram políticas de expansão no território e apostaram na produção de café como uma das exportações mais importantes do país.
No ano de 2016, o café é o segundo produto agrícola mais exportado pela Tanzânia (atrás apenas do tabaco), e a exportação de café para países como Japão, Itália e EUA equivale a um rendimento de 100 milhões de dólares por ano, e cerca de 5% do total de exportações do país. Curiosamente, 90% da produção provém de 400.000 pequenos proprietários (sendo a base de subsistência de cerca de 3 milhões de pessoas), ao contrário de outros países, onde a produção está mais concentrada. Apenas 7% da produção se destina ao consumo interno , embora tenha aumentado significativamente na última década, também graças ao turismo. 70% do café produzido na Tanzânia é do tipo Arábica, sendo o restante do tipo Robusta. O primeiro é geralmente plantado em altitude, por exemplo na área do Monte Kilimanjaro, enquanto o segundo cresce a cotas mais baixas, nomeadamente na área de Arusha.
Outra área importante na produção de café é a região de Mbeya. Vindos do Malawi, seria o nosso primeiro contacto, nesta viagem, com a Tanzânia, e não queríamos deixar passar a oportunidade de conhecer um pouco deste negócio tão importante para a Tanzânia e para as suas gentes. Sendo assim, escolhemos ficar alojados num lodge em Mbeya pertencente a uma família dona de uma plantação de café. A plantação situa-se a alguns quilómetros de Mbeya mas os 30 000 TZS de táxi valem bem a pena. As vistas são fabulosas, com montanhas em pano de fundo, e a plantação de café em redor. O nosso corpo, após a viagem desde o Malawi, pedia-nos para ficarmos o dia todo a repousar e a desfrutar da piscina e do nosso quarto, mas sabíamos que também estávamos ali para conhecer o mundo do café.
Os proprietários divulgam o negócio junto dos turistas que visitam a quinta e daqueles que se alojam no lodge, e fazem visitas guiadas. Nós optámos por uma caminhada pela plantação, facilmente acessível a partir do lodge, e visitámos também a fábrica, onde ainda encontrámos os tabuleiros cheios de grãos a secar ao sol. Pudemos assim perceber um pouco melhor o percurso que vai desde o solo africano até uma chávena de café na Europa.
A época da apanha varia entre Maio e Agosto, sendo que depois de extraídos os grãos dos bagos, os grãos são secos ao sol durante cerca de 10 dias, e a seguir ensacados e armazenados na quinta durante cerca de 2 meses. Seguem depois para uma fábrica onde são polidos e preparados para exportação.
A simpatia dos trabalhadores, que nos fizeram sentir em casa mesmo quando não sabiam uma única palavra de inglês, foi o toque final nesta curta mas informativa visita a Mbeya.
No final da nossa curta estadia, o corpo agradeceu o conforto e descanso, mas a alma veio cheio da simpatia e hospitalidade dos nossos anfitriões e, claro, não deixámos de trazer na mochila um pacote do café cuja história nos tinha atraído até ali.
MARQUE AQUI OS SEUS TOURS E PASSEIOS















