DIA 2 – Rumo ao norte – De Cartum a Ed Debba – Crónicas de Viagem | SUDÃO

DIA 2 - Rumo ao norte - Ed Debba - Crónicas de Viagem | SUDÃO

Com três horas e meia de sono acordo com a despertador a tocar. Onde estou? O que aconteceu? Estou completamente desorientada e por momentos nem sei onde me encontro!

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Em poucos segundos consigo recordar-me. Estou em Cartum, no Sudão. Duas noites seguidas a dormir cerca de três horas deixa-me assim. Levanto-me a correr. Temos meia hora para nos arranjarmos, tomar o pequeno-almoço e fazer o check out. Combinamos com o Mohamed às 8h no hotel. Mohamed vai andar connosco durante seis dias. Será o nosso amigo sudanês e vai-nos mostrar o que de melhor existe no norte do país.

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Mohamed deve ter cerca de 30 anos. É jovem, bonito e simpático. Já tem 3 filhos, dois de uma mulher e um de outra. Conta-nos que no Sudão há lei Sharia por isso pode ter quatro esposas. Mas remata dizendo que não quer. Está bem assim. Por enquanto, penso eu! É bastante conversador e, embora o seu inglês não seja muito bom, percebe-se perfeitamente. Aprendeu a falar inglês sozinho, quando trabalhou numa empresa chinesa responsável pela construção de uma das barragens no Sudão. Com isso conseguiu passar para a indústria do turismo e hoje, vive a trabalhar 5 meses com estrangeiros e durante 3 meses é motorista de autocarro na Arábia Saudita.

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Pelo caminho temos muito tempo para conversar. O dia seria dedicado a percorrer os caminhos do norte do Sudão a caminho de Ed Debba, atravessando o deserto negro, com dunas de areia pequenas, pontilhadas de rocha basáltica. Mas Mohamed tinha algumas surpresas para nós.

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À saída de Cartum, levou-nos a conhecer uma família de criadores de camelos de corrida. Os camelos são uma das espécies mais valorizadas e importantes, culturalmente, no Sudão. Desde a carne, que é comercializada essencialmente para o Egipto, até aos camelos de corrida, exportados para a Arábia Saudita. Estes últimos são criados ali, por famílias como aquela. A maioria destas famílias são Fur, oriundas do Darfur, que chegaram ali depois do conflito que teve início em 2003.

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Os camelos são magros, esguios e estão com açaimes na boca. Quando chegamos pensamos que eram todos juvenis, já que eram bastante pequenos. Muitos são juvenis mas os adultos também são assim pequenos. Um dos camelos adultos contorce-se e guincha no chão. Está amarrado nas quatro patas e tem seis homens a agarrá-lo.

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Um homem, que mais tarde viemos a saber ser um curandeiro, veio “tratar-lhe da saúde”. Está a queimá-lo com um ferro, desenhando no seu dorso símbolos. Por momentos pensámos que ia ser castrado. Mas estávamos enganados. Os gemidos do camelo não deixam dúvidas. Um miúdo agarra-lhe o pescoço com força. Os ferros em brasa queimam-no, e quando o soltam, o bicho contorce-se aos saltos.

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Depois do ritual, o Rui começa a conversar com os homens e rapazes da família. Aproveito para passear no recinto e ver os camelos e o local onde vivem.

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Era hora de seguir viagem, cruzando o deserto a caminho de Ed Debba, a cidade onde dormiríamos nessa noite. Pelo caminho, o deserto dá lugar ao deserto. O sol dá lugar ao sol. O calor dá lugar ao calor.

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Paramos para almoçar num boteco de beira de estrada. Homens oravam na parte lateral do recinto. É uma mesquita improvisada em hora de oração.

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Mohamed viaja com louça própria e sempre que chega a um local tira os pratos, talheres, copos e começa o ritual. Leva os legumes, vegetais e, às vezes, outra comida para a cozinha e orienta o que vamos comer. Que luxo, pensamos! Os luxos acabam quase logo ali. Comemos sempre as comidas locais. Feijão, batata e lentilhas são os pratos de honra e a base do dia. O pão, um acompanhamento essencial para deixar o estômago saciado.

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O local onde parámos, a poucos quilómetros de Abu Dom, era muito interessante. Estava cheio de homens que descansavam do calor do meio dia debaixo do ar fresco de uma construção de cimento perto da estação de combustíveis. Imediatamente nos convidaram para um chá e a conversa prossegue em árabe. Aqui, tal como na Índia, são eles que pedem para que lhes tirem fotografias. Um desafio que gosto sempre de cumprir.

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Uns homens fazem abluções e preparam-se para orar numa das extremidades do restaurante, convertida em mesquita. Outros, sentados em camas de bambu e corda, conversam e descansam. Recebe-nos com um sorriso maroto e bem humorado. E riem com a boca toda, como todos nos devíamos rir, sinal claro que é genuína essa alegria. Partilhamos fotografias, momentos, mas poucas palavras. A par do Shukran e do Salam Aleikum não há muito mais para lhes podermos dizer. No entanto, Mohamed ensina-nos mais algumas palavras para podermos conversar. E o “tamam”, um desbloqueador de conversa no Sudão, passa a fazer parte do nosso vocabulário diário.

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Depois do almoço a viagem prossegue, atravessando o mesmo deserto, com a mesma sucessão de paisagens e desafios. O mesmo calor. O mesmo sol. Não resisto ao cansaço e adormeço, deixando o Rui e Mohamed numa partilha de vidas puramente masculina. Quando acordo já estávamos quase em Ed Debba e o sol a chegar perto da linha do horizonte.

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Parámos para beber um chá na mulher em frente ao local onde vamos dormir. Tivemos que recusar mais um par de chás na estrada no alojamento enquanto passeávamos ao final do dia em Ed Debba. O nosso quarto é simples, muito simples, mas limpo.

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Estamos a duzentos metros do Nilo, a fonte de vida no Sudão. Foi lá que fomos assistir ao nosso primeiro pôr-do-sol no país. Sem fotografias (apenas uma roubada) já que a cidade de Ed Debba tem uma base militar e é fortemente aconselhável não fotografar.

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Com a noite a chegar por volta das 18h, jantamos às 19h, já noite cerrada em Ed Debba, num boteco de beira de estrada. Frango e kebab grelhado com pão. Nada mau. Também, ninguém vem ao Sudão pela “dinner scene”! Recolhemos cedo ao quarto. Não porque fosse estritamente obrigatório, mas sim porque estávamos cansados. Tirando os restaurantes de beira de estrada, depois das 17h30 não se vê praticamente ninguém nas ruas de Ed Debba. Amanhã começaremos a explorar a fundo as ruínas do Sudão e as maravilhas que este tem para nos oferecer. Hoje ficamo-nos pelos seus atributos culturais e humanos. 

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Leia aqui as crónicas diárias da nossa aventura a viajar no Sudão:

Carla Mota

Geógrafa com uma enorme paixão pelas viagens e pelo mundo. Desde muito cedo que as viagens de exploração fazem parte da sua vida. A busca do conhecimento do mundo leva-a em direcção a culturas perdidas e ameaçadas, tentando percebe-las. Hoje é também líder de viagens de aventura na Nomad.

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2 Comentários

  1. Estou a adorar esta aventura, muito obrigada pela partilha!

    1. Carla Mota diz: Responder

      Obrigada, Melissa. Viajar no Sudão tem sido uma maravilha. 😀

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