DIA 7 – O esplendor dos faraós em Naqa e Musarawwat es Sufra e os Derviches africanos de Cartum – Crónicas de Viagem | SUDÃO

DIA 7 - O esplendor dos faraós em Naqa e Musarawwat es Sufra e os Derviches africanos de Cartum - Crónicas de Viagem | SUDÃO

Mais uma vez deixámos que o sol ditasse o nosso ritmo de vida. Levantámo-nos ainda o sol não tinha nascido e deitámo-nos pouco depois dele se pôr. Os Derviches abençoaram o pôr-do-sol da mesma forma que as pirâmides abençoaram o seu nascer.

Veja aqui como tirar o visto para o Sudão.

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Ainda o sol não tinha nascido e fomos com o Mohamed do nosso acampamento até à vedação que rodeia as pirâmides de Meroé. Passámos por um buraco na cerca quando o sol começava a espreitar nas montanhas a leste…

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NASCER DO SOL EM MEROÉ

Os primeiros raios de luz começaram a iluminar as pirâmides de Meroé viradas a nascente. Um espectáculo maravilhoso! E só para nós! O recinto resplandecia e transpirava história. Foi usado pelos reis do império de Kush durante séculos, desde a altura em que se mudaram de Jebel Barkal para sul para fugir ao avanço das areias do deserto.

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Na área existem vestígios de mais de uma centena de pirâmides, mas distinguem-se claramente mais de trinta em relativo mau estado de conservação, fruto de ladrões de tesouros da antiguidade e da modernidade. Viradas para o sol nascente, todas teriam um pórtico de entrada, que albergaria provavelmente um ídolo (iluminado pela luz do sol nascente?), mas só um deles permanece, enquanto alguns outros foram reconstruídos.

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A maior parte das pirâmides estão no núcleo norte, onde trabalham actualmente equipas de arqueólogos, mas o núcleo sul tem as pirâmides mais antigas do complexo, que datam do século VIII a.C. Meroe seria usado atá ao século IV da nossa era, quando o império de Kush ruiu e se deu a disseminação do cristianismo por romanos e missionários. O que é hoje o Sudão era então constituído por vários reinos cristãos ao longo do Nilo, um dos quais tínhamos visitado em Velha Dongola.

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Apetecia ficar mais tempo, mas tínhamos de continuar. De regresso ao acampamento, arrumámos as mochilas e tomámos o pequeno-almoço. Estava na hora de voltar à estrada e rumar a sul. Antes, ainda tivemos tempo de explorar umas grutas nas redondezas de onde se acredita ter sido retirada pedra para a construção das pirâmides.

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MUSARAWWAT ES SUFRA

O nosso objectivo para a primeira parte do dia passava por visitar dois núcleos arqueológicos, perdidos no meio do deserto. Ambos têm uma história pouco conhecida, apenas restando fragmentos que mostram serem contemporâneos das pirâmides de Meroé, tendo provavelmente um papel de centros religiosos.

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O primeiro, Musarawwat es Sufra, exibe um núcleo de ruínas de uma grande extensão, com paredes e colunas espalhadas pela paisagem. Mas a atracção é o “Templo do Leão”, onde se podem admirar representações de leões com trela dos faraós, e do Deus Apetemak, de cabeça de leão.

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Claramente de inspiração egípcia, estes motivos exibem já uma tendência para características locais, como a representação das mulheres no mesmo tamanho dos homens, e de influências vindas de longe, como a representação dos deuses a nascerem de uma flor de lótus.

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A poucas centenas de metros do templo, encontram-se ruínas do que parece ter sido um núcleo habitacional, levando a alguns a levantar a hipótese de ter sido onde se albergavam os peregrinos que ali se deslocavam para visitar o templo.

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NAQA

Dali seguimos pelo meio do deserto, em estilo 4×4 (uma estrada está a ser feita mas ainda não está concluída), até chegarmos a Naqa. Ali, existe um templo a Amon, com uma estrutura semelhante ao de Jebel Barkal, mas com algumas paredes, o frontal de entrada e algumas colunas gravadas. À entrada, uma “avenida” de estátuas de carneiros recebe o visitante.

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O templo do leão é o mais bem preservado do Sudão, exibindo um portal de entrada fabuloso, com a representação do faraó agarrando os seus inimigos pelo cabelo, e os leões a devorarem os vencidos.

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A faixa lateral do portal mostra uma representação invulgar do Deus leão com corpo de serpente. Nas paredes laterais, Reis e rainhas fazem oferendas aos deuses do panteão egípcio (Hórus, Amon, Seth, Ísis) e ao Deus local, Apedemak. Na parede do fundo, o Deus Apetemak, com três cabeças e quatro braços, atende aos pedidos do rei e da sua rainha.

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A SOBREVIVÊNCIA

Entre o templo de Amon e o templo do leão são apenas alguns passos, mas pelo meio demos de caras com mais um episódio fabuloso da vida dura dos sudaneses no deserto. Uma família puxava água de um poço, com a ajuda de duas parelhas de burros. Usando um sistema de roldanas, os burros puxavam os recipientes (feitos de pele de vaca), percorrendo cerca de 100 m até que o recipiente chegasse à superfície. Água essencial para os animais, para as pessoas e para alguma agricultura.

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Toda a família trabalhava, os homens com os recipientes, as mulheres com os burros e as crianças ajudando. Tal visão é tão forte que nos faz repensar no privilégio que temos quando abrimos uma torneira em casa e dela sai água que podemos beber.

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CARTUM

Rumamos a Cartum, para acabar este nosso périplo pelo norte do Sudão. Antes de chegarmos, almoçámos à beira da estrada, tendo de esperar que a oração de Sexta-Feira acabasse.

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Visitámos ainda o mausoléu de um Imã em al-Khojalab, tendo por companhia um velhote super-simpático e um grupo de miúdos que corriam atrás de nós. Um deles agarrou-se a mim como uma lapa e não me deixava vir embora. Foi a muito custo que me largou.

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DERVICHES SUFIS DO TÚMULO DE MAHDI

Em Cartum, o nosso objectivo era assistir a um espectáculo único, e uma demonstração da maravilhosa cultura islâmica, em particular do sufismo, ramo místico do Islão – os Derviches. Todas as Sextas-Feiras, por volta das quatro da tarde, começam a juntar-se pessoas para participar ou assistir a este evento.

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DICA: vejam o início deste video e depois deixem-no correr enquanto lêem o resto do artigo. Vão sentir um bocadinho do ambiente que vivemos no local.

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Em frente ao túmulo de Mahdi, o combatente sudanês que fez frente aos ingleses no século XIX, o ritmo africano e a espiritualidade islâmica oferecem uma visão singular para todos aqueles que ali se deslocam para ver os Derviches.

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Poucas são as palavras que poderiam adjectivar tamanha demostração cultural. Ou poucas são as palavras que conheço para o fazer. Talvez o meu vocabulário não permita expressar tamanha experiência. Na realidade é disso que se trata. De uma experiência surreal, onde o nosso corpo e mente são levados para os confins do continente africano. Onde se sente o Homem e a Terra. Como se fossem um só.

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O pó que anda no ar parece atribuir ao cenário uma mística difícil de explicar. Os cânticos começam a entoar de forma suave, enquanto o sol ainda ilumina o recinto no meio do cemitério e junto ao túmulo do herói.

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O tom dos cânticos dos Derviches é acompanhado pelos sons dos tambores que parecem entoar por toda a cidade de Onduman. A música vai subindo de tom enquanto o sol vai descendo junto à linha do horizonte. Jovens, adultos, velhos e crianças. Homens e mulheres. Todos dançam e cantam. O transe parece tomar conta de alguns dos presentes. Pedem o clamor das multidões.

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São centenas de pessoas a assistir e a dançar. O recinto enche cada vez mais à medida que o sol vai descendo. Homens correm sem parar. Velhos balançam-se para trás e para a frente. Crianças dançam. Mulheres cantam. Todos parecem desempenhar um papel singular, que no conjunto torna aquele momento glorioso.

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Enquanto assistimos aos Derviches não conseguimos deixar de sentir o ritmo de África entrar-nos no corpo. Como se se entranhasse por baixo da nossa pele. Como que se entrasse nos nossos poros e nos consumisse por dentro. E de repente, também nós balançávamos ao som dos tambores e dos cânticos sudaneses.

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Devemos ter ficado ali cerca de duas horas. Horas que parecem minutos, tal era o encanto e admiração que a envolvência do momento merecia. No final da cerimónia dos Derviches, quando todos oravam em frente ao túmulo, sabíamos que aquela tinha sido uma das experiências mais místicas que tínhamos assistido. 

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Quando chegámos a Cartum despedimo-nos de Mohamed. Não havia palavras para descrever aquilo que nos tinha mostrado e ensinado nestes dias que passamos no Sudão. Nunca poderíamos ter ambicionado uma viagem tão completa e, ao mesmo tempo, tão rica do ponto de vista cultural, civilizacional, natural e monumental. Sentíamo-nos afortunados e agradecidos. O Sudão tinha-nos dado muito mais do que nós alguma vez poderíamos ter ambicionado para tão poucos dias no país.

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Leia aqui as crónicas diárias da nossa aventura a viajar no Sudão:

Carla Mota

Geógrafa com uma enorme paixão pelas viagens e pelo mundo. Desde muito cedo que as viagens de exploração fazem parte da sua vida. A busca do conhecimento do mundo leva-a em direcção a culturas perdidas e ameaçadas, tentando percebe-las. Hoje é também líder de viagens de aventura na Nomad.

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