Eram seis da manhã quando chegámos de comboio a Belgrado. Ainda de noite, fomos tentar comprar os bilhetes para o troco Belgrado-Sofia. Com os bilhetes não houve problema, mas a reserva (que é o que nos permite ter os lugares deitados assegurados) foi mais complicado…
Lá fora, o frio era intenso e sentia-se a humidade a bater-nos na cara. Ainda esperamos um pouco na estação para que o dia clareasse, rumando depois ao mercado da cidade. Porquê? Porque as sete da manhã era provavelmente a única coisa aberta na cidade! Mas quando lá chegamos, até os vendedores ainda estavam a montar o estaminé… Depois seguimos para a zona do parlamento, onde se congregam os edifícios governamentais mas onde também estão localizadas duas igrejas que merecem uma visita.
A igreja Sveti Marko (que foi feita tendo como modelo um mosteiro no Kosovo) abriga os restos mortais de um imperador do séc. XIV e a pequena Igreja Russa foi erigida pelos refugiados russos que fugiram a revolução de 1917. Além do interesse religioso e artístico, devo confessar que estas duas igrejas serviram também um propósito bastante mais profano… Ambas nos permitiram escapar ao gelo que se sentia na rua e, assim, permitiram algum descanso temporário também a estes peregrinos!
Depois de mais uma passagem na estação e de termos estado a espera o que pareceu uma eternidade pelo tram que nos levaria a zona da cidadela, decidimos que iríamos a pé… Pelo menos aquecíamos, enquanto fazíamos exercício! Mas também nos permitiu abordar a fortaleza pela zona ribeirinha, de onde se tem uma noção da grandeza do seu conjunto e da sua localização estratégica, algo que não se consegue pelo lado da cidade.
Com as suas origens desde os tempos pré-ocupação romana, o que hoje se pode ver e o que resta de reconstruções no período turco e do império austro-húngaro. O labirinto de túneis e portas, ladeados por ruínas romanas e pequenas igrejas ortodoxas perfazem um cenário que merece o esforço de muitos locais e turistas que sobem a fortaleza pelo lado do rio.
Estava na hora de almoço quando entramos na parte da cidade antiga, a sul da cidadela, e junto a catedral ortodoxa almoçamos no restaurante da mais antiga estalagem da cidade, com o sugestivo nome “?”. Esta designação tem uma historia curiosa, pois aquando da sua construção, a estalagem era conhecida por Cafe Catedral, mas um coro imensos de protestos que achavam que este nome era desrespeitoso para com Deus levou o dono a passar o nome do seu estabelecimento para o tal ponto de interrogação, algo talvez de carácter temporário mas que se tornou definitivo. O que e certo e que a comida era deliciosa, incluindo as glândulas sexuais de touro grelhadas!
Reconfortados com a refeição, e depois de mais uma passagem pela estação (!), passeamos pela zona comercial da cidade e também pelo bairro dos artistas e poetas, conhecido pelo seu charme, mas que durante o rigoroso inverno vê a sua actividade consideravelmente diminuída!
Bebemos mais um chocolate quente (e um Portugalia Night!) no bar dos viajantes Globetrotters, fizemos umas compras pelo caminho e descemos novamente para a estação onde, estafados, aguardamos num café pela hora do comboio. Estava na altura de partir para o segundo troco do Expresso do Oriente: Belgrado – Sofia.








Boa tarde
Por favor estou indo agora em Maio e vou fazer Sofia -Belgrado existe algum trem direto ou companhia de ônibus que faça o percurso?
Sim, há. Nós apanhamos o comboio. Basta comprar bilhetes na estação.
Olá!
Só estiveram em Belgrado?
Sim, foi durante uma viagem no Expresso do Oriente.
Muito bem. Gostei.