Dia 49 – Custou dizer adeus à Burra e ao fim do Rally Mongol 🇷🇺 | Crónicas do Rally Mongol

Dia 49 – Custou dizer adeus à Burra e ao fim do Rally Mongol 🇷🇺 | Crónicas do Rally Mongol

Depois do pequeno-almoço, era tempo de tratar da missão mais importante do dia, a entrega da Burra à organização do Rally Mongol. Deslocámo-nos à meta, mas rapidamente nos demos conta que não era ali o ponto de entrega dos veículos. Depois de consultarmos os e-mails, arranjámos a morada certa e foi para lá que nos dirigimos.

Fora do centro da cidade, encontrámos um centro de recolha, onde já se encontravam dezenas de carros de outras equipas. Passámos algum tempo a observar aquele espectáculo. Algumas Kangoo fariam companhia à nossa Burra. Alguns carros estavam bastante destruídos, fazendo pensar se os seus ocupantes não se teriam magoado a sério. E a maior parte dos carros estava marcada com tinta vermelha, sinal que seriam levados para abate.

Mas a nossa Burra não! Depois de preenchidos os papéis, começámos a dizer adeus. Mas não é um adeus, mas sim até já. A Burra será despachada de comboio até à Estónia, chegando lá previsivelmente até Novembro. Depois será despachada de camião até à Bélgica, ou França, ou até Espanha. As opções serão mais tarde discutidas.

O que é indiscutível é que iremos buscar a Burra algures na Europa e a traremos de volta a Portugal, de onde saiu no dia 14 de Julho passado. Ela merece-o porque grande parte do nosso sucesso no Rally Mongol se deve a ela. Mais de 20.000km depois, em algumas das estradas mais exigentes do mundo, ultrapassados passos de montanha a quase 5000m e desertos escaldantes, com zero furos, zero multas e zero toques, é tempo de ela regressar a Portugal.

Até já, Burrinha!

Para regressar ao centro da cidade, apanhámos uma marshrutka, juntamente com a população local, que rapidamente nos trouxe de volta. Demos uma volta a pé pelo centro da cidade. Ulan Ude não tem grandes atracções, mas ainda visitámos a catedral da cidade, Odigitria, e passámos sob o grande arco, uma réplica do arco que comemorava a visita à cidade, em 1891, de Nicolau II, o que seria o último czar da Rússia. O temo piorava e a chuva intensificava-se, por isso também não demos largas à nossa exploração da cidade.

Aproveitámos para almoçar num restaurante que se mostrou uma óptima escolha, pela qualidade da sua carne grelhada, e experimentámos pela última vez o famoso shashlik da Ásia Central.

De tarde, recolhemos ao hostel pois era necessário arranjar as mochilas para a viagem de volta a Portugal. Durante o Rally Mogol, muitas das coisas vão separadas, mas agora era necessário organizar a bagagem com atenção.

À noite, escolhemos um pequeno restaurante e comemos uns hambúrgueres deliciosos. De sobremesa, passámos pelo marco da cidade, o grande busto de Lenine, herdado da época soviética e o maior do mundo. Para combater a nostalgia do fim, ou para alimentá-la, resolvemos fumar um puro cubano sob o olhar atento do visionário Lenine.

Para acabar a noite, regressámos ao restaurante do primeiro dia em Ulan Ude, e subimos ao primeiro andar, onde fizemos uma sessão de shisha para dizer adeus à Ásia Central.

De madrugada, estava marcada a ida para o aeroporto. Nós ainda iríamos passar dois dias em Moscovo, antes de regressarmos a Portugal. Já lá tínhamos estado aquando do nosso Transiberiano, mas é sempre bom regressar à grande capital da Rússia. E já em Portugal, esperaremos pelo último elemento do grupo a regressar a casa, a nossa Burrinha, que nos trouxe sãos e salvos até Ulan Ude, e que se encontrará connosco, de volta, algures na Europa.

Contaremos também aqui o resultado desse encontro, para poder finalizar, de facto, esta história do Rally Mongol. Até lá.

Rui Pinto

Físico de formação mas interessado em todos os aspectos da cultura e história da humanidade. As viagens são o meio privilegiado para um aprofundamento do conhecimento do mundo, das suas gentes e do nosso papel na vida.

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5 Comentários

  1. Cláudia S. diz: Responder

    Sou uma das leitoras “fantasma” com quem por vezes se revoltam, que lê silenciosamente e não comenta, não partilha.

    Gostava de vos agradecer a partilha das vossas histórias! Apesar de acreditar que nunca na vida faça uma viagem destas, que não vá passear até aos confins da Russia ou ver a cratera de Darvasa com os meus próprios olhos, vocês têm o condão da escrita, de me fazer sentir lá ao ponto de me encolher com os sustos da Burra.

    Continuem a explorar as maravilhas perdidas deste mundo e eu continuarei a ler, a “viajar” também à vossa boleia.

    1. Carla Mota diz: Responder

      Muito obrigada pelas suas palavras, Claúdia. Adorámos fantasmas assim. 😀 É maravilhoso saber que existem pessoas desse lado que nos lêem e que sentem as emoções que partilhamos. Passar para palavras aquilo que sente o coração é muito difícil, às vezes sentimo-nos impotentes. Tentamos fazê-lo da melhor forma que sabemos, embora muito acabe por ficar cá dentro. Quem sabe um dia ainda verá Darvaza e outros lugares. O mundo é muito mais fácil do que parece.

  2. Luís Mendes diz: Responder

    Há questões que eu tenho, mas se calhar são só minhas.. mas ficam aqui algumas coisas que tenho curiosidade e pode ser que achem pertinentes.

    As vossas dormidas pareceram sempre aleatórias, ou seja, parece que chegavam à cidade e iam procurar Hotel, foi isso que aconteceu? Ou já tinham planeado? É que pelos textos pareceu tudo tão expontâneo que parece que tinham a maioria marcada.

    Pelos menos acamparam uma vez na cratera de Darvasa, fizeram-no mais vezes? Se não qual a razão? insegurança, animais perigosos (cobras etc…) ou simplesmente queriam descansar melhor.

    A organização do evento aconselha rotas? Aconselha sitios para pernoitar ou passar?
    O que levaram que foi completamente desnecessário?
    O que não levaram que vos fez imensa falta?

    Algum sitio que é um Must Stop to enjoy?

    E roubaram as cameras à Team Columbus :(

  3. Luís Mendes diz: Responder

    Segui-vos a cada post :D.
    Acho que vão acabar por a ir buscar (a Burra) a algum país da Europa para a terem parada à porta de casa para todo o sempre :D.

    Comos vocês já acabaram e os Desert Sailors também, agora vou acompanhar a “Team Columbus” que está a fazer num autocarro de 2 andares.

    Á algum tempo que sonho fazer isto, mas o tempo de férias é algo difícil de arranjar..

    Sabem o que dava um jeitão? Ter noção dos gastos.. E isto porquê, porque vocês acabaram por aproveitar alguns países, demoraram mais tempo com isso, mas é isso que gostava de fazer um dia :D.

    Parabéns!

    1. Carla Mota diz: Responder

      Vamos fazer alguns artigos com dicas bem práticas, como travessias de fronteira, custos, problemas, etc. Se tiver sugestões, diga-nos. Também temos acompanhado a team columbus online. São malucos de todo! Fizeram um percurso semelhante ao nosso mas nunca nos encontramos. Teria sido muito giro.

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