Dia 40 – Estamos mesmo nas montanhas do Altai! De Souzga a Kosh-Agach 🇷🇺 | Crónicas do Rally Mongol

Dia 40 – Estamos mesmo nas montanhas do Altai! De Souzga a Kosh-Agach 🇷🇺 | Crónicas do Rally Mongol

Ao dormirmos em Souzga, tínhamos entrado na República do Altai, uma das regiões mais pequenas da Rússia, mas também uma das que atrai mais russos em busca do contacto com a natureza selvagem. O Altai destaca-se pelas suas montanhas, rios e lagos, e por uma população maioritariamente de etnia asiática. Fazendo fronteira com o Cazaquistão, a China, e a Mongólia, teríamos de o atravessar para passar a fronteira para a Mongólia.

A estrada que tínhamos seguido no dia anterior seguia o curso do rio Katun, e a beleza selvagem deste não deixou nenhum dos Carapaus indiferente. Sabíamos que o que nos esperava não lhe ia ficar atrás. Saímos de manhã cedo, e de Souzga até Ust-Sema a estrada continuou a serpentear junto ao rio. A água cristalina e de forte corrente atraem as atenções, mas a floresta densa e as falésias que rodeiam o rio são igualmente impressionantes.

A fauna ali é variada, e observámos várias aves de grande porte, nomeadamente águias, mas não é difícil imaginar que por aqueles bosques vagueiem ursos e lobos. Estamos no sul da Sibéria, e a natureza continua intacta, no seu estado bruto. Claro que a ocupação humana, ainda que escassa, se faz sentir. E o turismo, maioritariamente nacional, é bem activo, ainda que principalmente no Verão. Nas margens do rio são frequentes os acampamentos de cabanas, ou simplesmente sítios para acampar.

Junto à localidade de Barangol, parámos e decidimos cruzar uma ponte suspensa para a outra margem e fazer uma caminhada até uma queda de água. A caminhada foi muito relaxante, pois como ainda era cedo os turistas russos ainda não tinham chegado ao local. A paisagem verde encanta, e a queda de água tem um pequeno passadiço que permite chegar até perto do seu topo. Ao regressarmos, começámos a cruzar-nos com russos, e quando chegámos à ponte uma excursão de crianças e jovens preparava-se para entrar.

Prosseguimos em direcção à fronteira com a Mongólia. A estrada M52, denominada Chuysky Trakt, afasta-se do rio Katun, e entra numa paisagem montanhosa lindíssima. Passamos por dois passos de montanha, e no segundo um miradouro e barracas onde se vendia chapéus e artesanato constituíam um ponto de paragem quase obrigatória.

O nosso pequeno-almoço tinha sido volante e a hora de almoço já lá ia, por isso decidimos parar na pequena localidade de Inya para almoçar. Inya tem um ar de faroeste selvagem, rodeada de montanhas, e perante o frio que se fazia sentir, só podíamos imaginar como será o Altai no inverno. Apesar da beleza natural, a verdade é que o isolamento, o clima e a falta de infraestruturas são factores que dificultam a vida daqueles que se mantêm por ali.

O alcoolismo é um problema grave, tanto em homens como mulheres, e pudemos observar alguns casos de pessoas claramente embriagadas em plena tarde. O nosso almoço foi num restaurante de beira de estrada, onde mais uma vez nos dedicamos ao plov e ao laghman.

A partir dali, a estrada segue junto ao rio Chuya, e o que parecia difícil torna-se real, ou seja, a paisagem transforma-se em algo ainda mais grandioso. Montanhas com cumes gelados, acima dos 4000m, aparecem no horizonte, e os vales sucedem-se majestosamente. Em particular, depois da localidade de Aktash, as exclamações de surpresa e encanto dentro da Burra sucediam-se à velocidade que a estrada permitia. Apesar de ser uma estrada de montanha, de curvas e contracurvas, o piso é de boa qualidade e não distrai as atenções daquilo que nos rodeia.

Ao aproximarmo-nos da localidade de Kosh-Agach, onde iríamos dormir, a paisagem começou a alterar-se, sendo que a vegetação desaparece gradualmente e entramos numa zona mais alta e a fazer lembrar as montanhas Pamir. Foi um dos dias que mais apreciámos na viagem, em parte porque foi inesperado o que a República do Altai nos tinha para mostrar.

Chegámos finalmente a Kosh-Agach, uma localidade perto da fronteira com a Mongólia. Tínhamos já feito uma reserva aquando do pedido de visto para a Rússia, por isso dirigimo-nos para a pequena casa de hóspedes. Ali, aproveitámos para comer um jantar “caseiro”, com massas instantâneas acompanhadas de tostas com ovas de peixe e um vinho espanhol. Luxos!

Era tempo de descansar, pois no dia seguinte entraríamos na Mongólia, o país que dá nome ao Rally Mongol, e em relação ao qual temos muitas expectativas quanto à paisagem e gentes, mas também muitas dúvidas quanto às suas estradas, ou ausência delas! Veremos…

Rui Pinto

Físico de formação mas interessado em todos os aspectos da cultura e história da humanidade. As viagens são o meio privilegiado para um aprofundamento do conhecimento do mundo, das suas gentes e do nosso papel na vida.

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2 Comentários

  1. João Ferreira diz: Responder

    Paisagens fantásticas!
    E a Burra sem sinais de cansaço!

    1. Carla Mota diz: Responder

      A Burra é uma máquina! 😀

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