SAÚDE: As viagens não nos dão apenas coisas boas | Desta vez fizeram-me chorar e ter medo de morrer

SAÚDE: As viagens não nos dão apenas coisas boas | Desta vez fizeram-me chorar e ter medo de morrer

Depois de uma viagem de quase dois meses na Índia e no Bangladesh, eis que tive o meu primeiro problema sério de saúde em viagem. Já tinha tido problemas no ano passado quando vim de África mas os problemas só me aconteceram em Portugal e foram rápidos de resolver, embora tenha estado internada uma semana.

Mas desta vez foi diferente. Nas últimas semanas na Índia apareceu-me vários abcessos infecciosos na axila esquerda. Foi a primeira vez que tive que lidar com uma situação de saúde especialmente grave fora do meu país. Tive muitas duvidas e não sabia bem o que fazer.

Ir ou não a um hospital na Índia? 

Esta foi uma das primeiras dúvidas que tive, especialmente quando o primeiro abcesso começou a crescer de forma que não conseguia fechar o braço e, depois, apareceram mais três. Fiquei em choque, pelas dores, que não me deixavam dormir, mas também pela possibilidade de ter no meu corpo bactérias “indianas” que não desejava. Tive medo pela minha saúde. Tinha vontade de chorar. Mesmo com o Rui a apoiar-me sentia-me só e impotente.

Pesquisei muito, sobre hospitais privados e públicos. Percebi que havia bons hospitais na Índia, especialmente privados, nas grandes cidades. Tinha seguro de sáude de viagem o que era bom porque me permitia ir a um deles sem ter que pensar em custos astronómicos com a saúde. No entanto, algo mais me assolava.

Tinha medo de ir a um hospital na Índia e apanhar uma bactéria hospitalar, daquelas resistentes aos antibióticos e então decidi não ir. Ainda hoje não sei se fiz bem ou mal. :(

Como resolvi a situação de saúde na Índia?

Tinha feito a Consulta do Viajante em Portugal, pelo SNS, e apesar de ter comigo um antibiótico, antes de o tomar, resolvi telefonar a um médico amigo. Disse-me para tomar o antibiótico da consulta do viajante com um anti-inflamatório que tínhamos na farmácia de viagem. O antibiótico era de largo espectro, mas era muito fraco (eram só 3 comprimidos, um por dia, de AZITROMICINA). Os dias passaram e nada acontecia. Sentia-me desesperar. As dores aumentavam. As noites eram terríveis. Parecia que tinha um alien dentro da axila a devorar-me. Cada vez esta mais preocupada com a minha saúde e com medo.

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Resolvi visitar uma farmácia indiana

Como o antibiótico que trouxe de Portugal não estava a fazer efeito, resolvi passar a um plano B (sendo que o C seria ir ao hospital indiano). No plano B fui até uma farmácia indiana, mostrei os meus abcessos, que nesta altura já eram furúnculos gigantes. O farmacêutico, que não falava inglês, deu-me logo um antibiótico forte de ácido clavulânico e amoxicilina. Tudo isso com um anti-inflamatório e analgésico. Estava a poucos dias de regressar a Portugal e resolvi aplicar este plano. Explicou-me, a muito custo, que devia fazer penso todos os dias, cobrir os furúnculos e colocar compressas de água quente para puxar o pus para fora. Dei comigo a ver vídeos na internet de como me livrar de furúnculos. O Rui era o enfermeiro de serviço e que foi incansável, que de dia e de noite cuidava da minha saúde.

Quando os furúnculos rebentaram

Ainda estava na Índia, em Jaipur, quando o primeiro furúnculo rebentou, depois de um banho de água bem quente. Ficou tudo cheio de pus e sangue. Parecia que tinha uma bactéria devoradora de carne dentro da axila. Fiquei em estado de choque. Chorei, sim. E chorei muito.

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Não queria sair. Não tinha vontade de explorar a cidade. Mas o Rui convenceu-me a sair. A distrair-me.

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Ponderei ir novamente ao hospital, mas mais uma vez tive medo de apanhar outra bactéria pior e multi-resistente. Só faltavam 3 dias para regressar a Portugal e arrisquei esperar. Entretanto, ao final do dia, outro furúnculo libertou o pus. Tive que espremer com muito cuidado para que a bactéria não chegasse ao sangue e não se transformasse numa infecção do sangue generalizada. Todos os dias controlava a temperatura. Se tivesse tido febre, teria ido directamente para o hospital, como tal não aconteceu, consegui só ir em Portugal. Temi muito pela minha saúde e não foi fácil de gerir.

Em Portugal dirige-me à Consulta Pós Viagem

Quando cheguei a Portugal, aterrei no aeroporto Sá Carneiro, no Porto, e fui directa para a Consulta Pós Viagem no CICAP, no Hospital de Santo António. Era domingo e não havia médico infeciologista de serviço pelo que tive que ir para o serviço de urgência. Foi relativamente rápido. Expliquei a minha situação de saúde, mostrei à médica fotografias (sim porque fui tirando fotografias diárias dos abcessos e até gravei um dos furúnculos a libertar o pus e sangue). Uma das médicas disse-me que achava que a bactéria não estava a reagir ao antibiótico, mas outro médico achou que sim, porque as coisas pareciam ter melhorado nos últimos dias. Pelo sim, pelo não, fizeram-me uma análise bacteriológica ao pus e enviaram para análise. Receitaram-me mais antibióticos.

A segunda Consulta Pós Viagem

Algumas semana depois, e após ter tomado quase um mês e meio de antibióticos, apanhei uma candidíase. Uma infecção vaginal que dá comichões terríveis e que me envergonhavam em qualquer lado. Dar aulas era um suplicio. Entretanto os furúnculos foram desaparecendo, embora um deles nunca tenha evacuado o pus.  Engordei 5 km num mês e meio o que me deixou ainda mais de rastos em termos emocionais. Dirigi-me novamente à Consulta Pós Viagem. Descobri que o que tinha apanhado na Índia era uma bactéria MRSA, uma bactéria multi-resistente a antibióticos e que, no fundo, me tinha intoxicado de antibióticos que não tinham tido efeito nenhum.  Aquele tipo de bactérias é típica de meios hospitalares mas na verdade eu não tinha estado em nenhum hospital da Índia, isso era certo. O que significa que a apanhei noutro contexto qualquer. Dei voltas à cabeça e não conseguia associar a nada. Pesquisei na internet e nada. Até agora ainda não tenho respostas.

Nesta segunda consulta pós viagem a médica optou por não me receitar nada. Não tinha febre, o que significava que não havia sinais evidentes de infecção, todos os indicadores de análise ao sangue e urina indicavam que não havia qualquer infecção no meu corpo. Queixava-me do braço mas podia não ter nenhuma relação. Desta vez, o Rui também foi à consulta. Um mês depois de termos voltado da Índia apareceu-lhe dois furúnculos  iguais aos meus. A médica medicou-o com base nas minhas análises, com um antibiótico que teoricamente deveria resolver a sua situação. E a verdade é que resolveu. Até à data, desde Outubro, o Rui nunca mais teve problemas.

Os meus problemas continuaram

Mas os meus problemas não pararam. Com o passar das semanas, comecei a ter dores no braço e ombro, junto da axila, cada vez mais fortes. O mesmo acontecia com o peito do mesmo lado. Comecei a entrar em parafuso, claro. Fiz várias ressonâncias magnéticas à cervical, ao ombro, à mama. Fiz ecografias mamárias e mamografias. Fiz raios-X aos braços, aos ombros e aos pulmões. Fiz análises a marcadores cardíacos, electrocardiograma, análises a indicadores de infecções, etc. Depois de meses de exames e consultas, descobri que tenho dois músculos inflamados no braço, o bíceps e o deltóide, assim como uma inflamação na medula do úmero. Comecei a fazer tratamentos de fisioterapia. Tudo indica que são lesões traumáticas, associadas a alguma queda, provavelmente associada aos trekkings que fiz em Outubro em Tenerife.  No entanto, eu não me lembro de cair e de me ter ficado a doer especialmente o braço e comecei passar-me da cabeça. Com isto tudo, já tinha mais 10 kg em cima de mim do que em Setembro.

Passei um Natal de rastos, em que só me apetecia chorar, com medo que fosse o último. Quase cancelei a viagem à Geórgia. Só não o fiz porque a médica na Consulta Pós Viagem me disse “Vai, mas vai com cuidado. Não quero que cancele a viagem”. Num dos dias da Geórgia pedi ao Rui “se eu morrer, quero que leves as minhas cinzas para a Índia”. Ele gritou-me e disse-me “és LOUCA! Pára com esses pensamentos.” Não conseguia. Era mais forte do que eu.

Os tratamentos de saúde

Em Janeiro, comecei a fazer tratamentos específicos, para o braço e ombro. Com os tratamentos as coisas parecem estar a encaminhar-se e penso que do ponto de vista do ombro e braço, tem havido melhorias. Já não sinto tantas dores. Estou mais optimista com  minha saúde.

Da parte ginecológica descartou-se a hipótese de cancro da mama e da mama contaminada, o que me deixou mais aliviada. Embora tenha descoberto um quisto no peito e dois gânglios, tudo benigno. O mesmo aconteceu com a contaminação do pulmão, pois a determinada altura também se colocou a hipótese de ter cancro do pulmão. Aparentemente, do coração tudo também está bem. Com tempo vou tentando recuperar. Aos poucos, muito lentamente e cheia de medos, especialmente a cada exame que faço. O que me dá cabe da cabeça é não saber exactamente que problemas de saúde tenho. Isso arrasa-me, especialmente à noite.

O Futuro

Com os tratamentos de fisioterapia estou mais optimista com a minha saúde e as coisas parecem estar a seguir um caminho mais positivo. O futuro não sei. Talvez a bactéria tenha desaparecido por ela própria. Talvez esteja alojada no meu organismo e adormecida. Talvez o meu organismo a tenha combatido sozinho. Não sei. Sei que agora tenho que continuar os tratamentos e tenho que ter calma. Depois tenho que retomar os exercícios e batalhar muito para perder os mais de 10 kg que engordei e que também me deitaram abaixo psicologicamente. Não sei como os vou combater mas vai ter que acontecer.

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O final de 2017 foi muito complicado em termos de saúde e o início de 2018 também. Todos os prémios que recebemos foram óptimos mas nenhum preencheu aquele espaço que nós queríamos, o espaço da Saúde. Esse é, no fundo, é o mais importante.

SAIBA TUDO SOBRE A CONSULTA PÓS VIAGEM NESTE ARTIGO

Carla Mota

Geógrafa com uma enorme paixão pelas viagens e pelo mundo. Desde muito cedo que as viagens de exploração fazem parte da sua vida. A busca do conhecimento do mundo leva-a em direcção a culturas perdidas e ameaçadas, tentando percebe-las. Hoje é também líder de viagens de aventura na Nomad.

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32 Comentários

  1. Ana diz: Responder

    Não podia deixar de comentar…É a primeira vez que o faço, sendo seguidora do vosso blog já por algum bom tempo. Mas por alguma razão tinha que ser precisamente este o assunto que me fez vir comentar. Tal como a Carla, sei bem (e recentemente) o que é verdadeiramente sentir aquele medo de morrer, aquele fazer “planos” para o que gostaríamos que acontecesse com o nosso corpo caso no dia de amanhã já cá não estejamos. No meu caso, e sem ser em contexto de viagem, foi cancro da mama, que me fez pensar assim. E, quando li o que a Carla escreveu: “O que me dá cabe da cabeça é não saber exactamente que problemas de saúde tenho. Isso arrasa-me, especialmente à noite.” Juro que a única coisa que me veio à cebeça foi tentar-lhe transmitir que o melhor que se pode tirar da sua experiência foi isso mesmo que antecedeu estas linhas que escreveu: neste momento sabe com o que contar do seu corpo, sabe o que tem na mama, no pulmão, no sangue. No fundo, fez um check-up, e apesar de dar um medo enorme saber que se tem coisas que não estavámos à espera, é realmente uma enorme benção pensarmos que estamos um passo à frente, que temos um poder enorme que a muitos não é concedido: o de ficarmos vigilantes. O de podermos vigiar aquilo que nos foi aparecendo! Desejo muito mesmo que pense mais que positivo, e que se devolva aquele alto astral com que nos brinda em cada publicação! Os quilos a mais, com persistência, vamos lá. Que tudo que a gente carregue sejam quilos, que com esses podemos nós bem!

    1. Carla Mota diz: Responder

      Muito obrigada pelas suas palavras de encorajamento. Mesmo. Sentia-as com o coração. Obrigada. às vezes deixo-me ir abaixo, mas temos que nos saber reerguer e dar a volta. Tenho estado mais optimista mas as dúvidas atormentam-me. Sei que há coisas que não tenho e isso é muito bom. Os quilos, vou combate-los. Aliás vais ser a minha próxima missão. Com tempo e dedicação, chego lá. Obrigada, Ana. <3 De coração.

  2. Nossa, que situação! Ainda bem que você está melhorando e vai ficar curada em breve, pode apostar. Seu texto mostra a importância de se ter um seguro de saúde em viagem. Estou torcendo por vc

    1. Carla Mota diz: Responder

      Obrigada, Renata.

  3. Carmen Caeiro diz: Responder

    Olá Carla, fiquei tão angustiada com a tua partilha! Infelizmente tenho vivido de perto um grave problema de saude de uma grande amiga e realmente a saúde é o mais importante – não é um chavão!
    Tenho a certeza que tudo se resolverá porque não me parece que haja problemas que não consigas ultrapassar com toda essa energia! Melhoras! Beijinhos

    1. Carla Mota diz: Responder

      Olá Carmen. A saúde é mesmo o mais importante. Estou optimista agora. Acho que está tudo mais encaminhado. Vou dar tempo ao tempo e ver se ganho coragem para começar a correr. Obrigada, amiga. bjinhos

  4. Viviane Carneiro diz: Responder

    Carla, primeiramente quero te desejar que melhore por completamente logo. Estou na torcida e nas orações por sua saúde. Ler esse relato mexeu comigo, que situação tensa. Imagino a barra que você passou. Mas fico feliz que esteja melhorando. Bjs

    1. Carla Mota diz: Responder

      Obrigada, Viviane, <3

  5. É ao ler este tipo de relato que penso que se calhar deveria começar a fazer seguro de viagem, pois nunca fiz e felizmente ainda não tive essa necessidade.
    Realmente é desagradavel termos de conviver com esta situação ainda para mais em viagem! Ainda bem que não estavas a viajar sozinha. O importante agora é continuares em estado de alerta que sei que vais ficar inteiramente boa.
    A nossa saude é sem dúvida um dos nossos bens mais preciosos! Obrigada por trazerem uma historia menos boa, porque isto é a vida real, nas viagens também acontecem situações complicadas. Força!

    1. Carla Mota diz: Responder

      Obrigada, Marta.

  6. Bem Carla, que meses arrasadores, que história. Nem sequer imagino o pânico de não se saber o que se tem, de passar por tudo isto seja em viagem ou aqui. Depois de ler fico um pouco sem saber o que dizer… apenas que desejo sinceramente que continues a melhorar. E que continuem os dois a viajar com muita saúde!

    1. Carla Mota diz: Responder

      Obrigada 😀

  7. Nossa Carla que sufoco este que você passou, coloquei-me no seu lugar e imagino todo o desespero e medo que passou. É nessas horas que vale lembrar o quão importante é ter um seguro viagem. Nunca fiquei durante as minhas viagens, mas a gente nunca sabe né. Te desejo melhoras e que isso nunca mais aconteça com você.
    Abraços

    1. Carla Mota diz: Responder

      Obrigada, Josiane.

  8. Porra Carla gue história. Devem ter sido mesmo momentos difíceis. Ainda bem que tudo está encaminhado. Estou contigo! Aqui em casa tenho uma enfermeira e leu atentamente o teu post também heheh. Boas viagens companheiros! e Saúde.

    1. Carla Mota diz: Responder

      Obrigada, Francisco. Acho que o pior já passou. Agora tenho que ganhar força para continuar.

  9. Auchhhhhh… verdadeira epopeia, Carla :))) A parte boa? É que ficou uma excelente história para contar. E, acima de tudo, a partilha. Para que outros possam usufruir da tua experiência. Que foi tudo, menos fácil. Folgo em ver-te novamente pronta para as curvas :)

    1. Carla Mota diz: Responder

      Ainda não estou, mas vou ficar.

  10. Que desesperador!
    O ùnico problema que tive durante uma viagem foi em Lisboa e em comparação ao teu problema, não foi nada.
    Estava gràvida e compramos uns queijos e presuntos crus para uma refeição leve em nosso hostel. Comecei a passar mal no nascer do dia e sò fui melhorar a tarde. Isso ocorreu 1 dia antes de pegar o voo de volta ao Brasil

    1. Carla Mota diz: Responder

      Problema de saúde em viagem é sufoco, mas quando as coisas perduram no tempo isso custa muito mais.

  11. Cris diz: Responder

    Oi , Carla! Acredito que o pior já passou! Agora é seguir na recuperação, respirar e ir adiante. Muitas alegrias pra vc e pro Rui!

    1. Carla Mota diz: Responder

      Obrigada, Cris.

  12. Inês de Sousa Martins diz: Responder

    Olá Carla! Espero que não leve a mal me estar a meter, mas como expôs o caso no blog, penso que não. Não fez a depilação na axila com gillette? Talvez foi essa a porta de entrada para a bactéria. E por acaso o Rui não terá usado a mesma gillette?
    Compreendo a sua preocupação, mas nestas situações é importante não entrar em pânico para poder pensar com clareza. Na minha opinião, se tinha seguro e viu que os hospitais privados na Índia eram bons, acho que devia ter ido. Nesses países de grandes desigualdades sociais muitas vezes os hospitais privados até são muito bons e na Índia provavelmente até têm médicos que estudaram noutros países anglófonos, para além de conhecerem melhor as doenças locais. Os farmacêuticos sabem muito sobre fármacos e servem para desenrascar em situações ligeiras, mas não são médicos. Se estava preocupada com as resistências aos antibióticos saiba que isso acontece precisamente porque as pessoas tomam antibióticos que não deviam. E Portugal também não é nenhum exemplo quanto às infecções hospitalares, já que tem o dobro da média europeia.
    As melhoras e espero que não morra porque nós gostamos de ler os vossos artigos (e não só por isso, claro hehe)!

    1. Carla Mota diz: Responder

      Sim, Inês, fiz a depilação com a gillete mas isso faço sempre, só que neste caso a bactéria estava lá e entrou. A bactéria do Rui apareceu um mês depois. A minha gillete foi logo para o lixo (um mês antes) por isso aí não houve chance de partilha. Nunca partilhamos itens higiénicos. A escolha de não ir ao hospital indiano foi pensada. Como disse, não sei se foi a certa, mas se tivesse ido, quando cheguei a Portugal e vissem que tinha um MRSA iam pensar que a apanhei no hospital e não foi verdade. Por saber que isso também acontece em Portugal, estava atenta a essa situação. Eu nunca tomo antibióticos. O problema não está no meu organismo ser resistente, está na especificidade da bactéria contraída. Ela é que é multi-resistente. Tal como disse, também “espero não morrer” mas não para poder escrever, apenas porque dou demasiado valor à vida e tenho ainda muita coisa que quero fazer com ela. 😀

  13. Carla que horror passar por tudo isso. Com certeza isso tudo vai passar logo logo. Seja forte e continue assim otimista. Abraços.

    1. Carla Mota diz: Responder

      Obrigada, Giulia.

  14. Lurdes Simões diz: Responder

    Carla…. nem tanho palavras …. o que tu sofreste… até a mim me dói. Mas nem sabes como te compreendo, mas minha querida … nem imaginas os sustos porque também já passei e tenho para passar! Quanto ao peso fala-te a essa certa. Agora imagina quem ao até aos 50 anos teve sempre o peso normal e aos 55 já tinha 108 hg ? Pois minha linda, nós se mentalizarmos e tivermos força mental, CONSEGUIMOS E TU TENS UMA HIPERFORÇA, logo se eu de 2015 a janeiro de 2018 perdi 40 kg, tu perdes 10 em 3 meses ! Mas isso é um problema menor ! Eu estou sempre aqui, podes sempre contactar-me, conheço muitos e bons médicos e mesmo daqui, tudo farei para minimizar o teu sofrimento, no entanto, se voltar a acontecer uma coisa dessas, basta mandares uma mensagem, compro um bilhete de avião e vou ter onde estiveres, não te vou curar mas posso levar medicamentos e dar-te apoio no que precisares. E sabes que mais, deixaste-me preocupada, mas como eu penso positivo, acho que a maldita bactéria morreu ! Muita força amiga, contem sempre comigo!!

    1. Carla Mota diz: Responder

      Obrigada, amiga. Sei que estás sempre desse lado.

  15. Francisco lacerda diz: Responder

    Olá Carla, aconselho a fazer uma viagem novamente à Madeira desta vez para um retiro espiritóemocional.
    Ofereço.lhe a minha palhota em troca de umas boas histórias…😁😁😁😁
    Estimas melhoras e abraço ao Rui.

    1. Carla Mota diz: Responder

      eueueu Excelente sugestão, Francisco. Obrigada 😀

  16. Marta diz: Responder

    Olá Carla.
    Obrigada por esta partilha que acredito ter sido dolorosa para si.
    Mantenha-se positiva que tudo vai ficar bem.
    As melhoras.

    Vou continuar deste lado a acompanhar tudo :)

    1. Carla Mota diz: Responder

      Obrigada, Marta.

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