O que cada um de nós pode fazer para construir um NOVO TURISMO MUNDIAL sustentável pós Covid-19

O que cada um de nós pode fazer para construir um NOVO TURISMO MUNDIAL sustentável pós Covid-19

Hoje é o momento de começar a pensar num Novo Turismo Mundial pós covid-19. O mundo do Viagens e Turismo mudou e vai mudar ainda mais, provavelmente, depois de passar a pandemia do Covid-19, tal como já reflectimos num artigo anterior. Desde o início da Pandemia que o sector do Turismo foi o mais afectado e a grande maioria das agências de viagens, companhias aéreas, hotéis e afins, restaurantes e afins e uma série de actividades que vivem indirectamente do turismo (ex. táxis, lojas, seguros de viagem, espectáculos, etc.) ficaram praticamente parados ou fecharam.

É preciso começar a pensar numa retoma do sector das Viagens e Turismo mas é preciso aprender com os erros para se recomeçar de forma sustentável.

Lembro-me de ter visitado as ilhas Phi Phi ,em 2001, altura em que começava a ficar já cheia de turistas. Em 2004, as ilhas foram arrasadas pelo Tsunami do Sudeste Asiático. Na altura, pensei que podia ser uma oportunidade para se repensar aquele tipo de turismo e, especialmente, a pressão urbanística. Tive esperança, confesso, que as coisas mudassem para melhor. Infelizmente isso não aconteceu e, quando voltei às Ilhas Phi Phi, 10 anos depois, a situação estava muito pior. Encontrei águas azuis turquesa completamente sujas e poluídas, praias cheias de plásticos, uma pressão urbanística que se estendia até ao mar ou edifícios provisórios que se aglomeravam, sem ordem nem regra, deixando as ruas reduzidas a menos de dois metros de largura. Os turistas procuravam um lugar para estender as toalhas na praia, os tours para as ilhas vizinhas enchiam-se de gente com hora marcada para chegar e partir, deixando sacos plásticos a boiar nas suas águas transparentes.

É pois, agora, tempo de pensar o que queremos para este Novo Turismo Mundial pós-Covid-19. Se na altura eu achei que a Tailândia perdeu uma oportunidade de mudar, hoje, o mundo todo tem essa oportunidade. Cabe-nos a nós, sociedade civil, também contribuir para isso e exigir mais do que queremos neste Novo Turismo Mundial.

O que cada um de nós pode fazer para construir um NOVO TURISMO MUNDIAL sustentável pós Covid-19

COMO PODEMOS CONSTRUIR UM NOVO TURISMO MUNDIAL


Está ao alcance de todos mudar o que víamos que estava errado. Segue então aquilo que todos podemos fazer para ajudar esta retoma do Novo Turismo Mundial e encontrar um novo rumo.

1. Não há uma única forma correcta de viajar, há tantas quantas os viajantes – A liberdade das viagens é a sua maior grandeza

A minha professora de Geografia do Turismo, na Universidade de Coimbra, dizia que não conhecia ninguém que não gostasse de viajar e, embora não concorde completamente, a verdade é que a taxa de amantes de viagens é bastante elevada. No entanto, a forma como cada um de nós viaja hoje é muito diferente da forma como se viajava há 20 anos atrás. Não comecei a viajar muito cedo mas quando o fiz, há mais de 20 anos, o que me motivou foi a vontade de explorar o mundo, de aprender, de conhecer. Esta motivação é ainda o que norteia a forma como viajamos. Mas o mundo mudou, e as viagens deixaram de ser vistas como uma forma de descoberta mas como sinónimo de férias. E mais ainda, férias com estatuto social. Quando se fala em viagens todos depreendem que vamos de férias, ficar de cocktail na mão, estendidos numa espreguiçadeira em frente ao mar azul turquesa num dia de sol, num destino tropical. E esta é a imagem mais estereotipada que existe das viagens actuais. No entanto, as motivações que levam as pessoas a viajar são, cada vez mais, em busca de coisas completamente diferentes. Se o turismo massificado contribui fortemente para este estereótipo, a verdade é que cabe-nos a todos nós, mudar essa situação. Viajar pode ser sinónimo de férias, mas viajar pode ser muito mais do que isso. Viajar é uma forma informal de aprendizagem, e, na qualidade de professora, posso-vos dizer que é a mais poderosa que conheço. Não há formas correctas de viajar. Não há viajantes melhores uns do que outros. Há viagens e viajantes, já Fernando Pessoa o dizia. O que funciona para nós, pode não funcionar para outros. O que nos dá prazer nas viagens, pode não dar prazer a outros. E isso não é bom nem mau. É o que é! Não há receitas. Desacredite-se quem acha que viaja melhor do que os outros. Isso não existe. É puro egocentrismo. Não cometa o erro de julgar os outros viajantes. Se o fizer, não aprendeu nada a viajar. E não cometa o erro de tentar viajar como os outros viajantes. A liberdade das viagens é a sua maior grandeza.

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2. Constrói o teu conceito de viagem e não recries apenas as viagens dos outros

As viagens mudaram muito e também reflectem as mudanças na sociedade. A sociedade tornou-se cada vez mais homogénea, fruto da globalização e do crescimento das redes sociais. E com isto, o mundo das viagens também mudou. Quantas vezes já não demos por nós a escolher um destino de viagem porque queremos tirar aquela fotografia que vimos no instagram de X ou Y? Quantas vezes já deixamos de ter o prazer de preparar uma viagem apenas porque descobrimos o roteiro X ou Y já preparado? Não estou com isto a dizer que esta forma de viajar está errada, estou apenas a tentar dizer que não devemos usá-lo como regra. Escolher os destinos de viagem pelas fotografias dos outros, ou pelo que os outros gostaram ou viveram, é o primeiro passo para a viagem se transformar num momento frustrante. E porquê? Porque a viagem já vai predefinida, já leva um objectivo inerente e, se esse objectivo não for atingido, toda a viagem poderá ser um momento de frustração, algo com que as pessoas poderão saber lidar, melhor ou pior, consoante a sua personalidade. Os destinos que até hoje mais me desiludiram foram aqueles que mais informações tínhamos. Não vou esquecer a desilusão que senti quando olhei a primeira vez para o Taj Mahal, Machu Pichu ou Chichen Itza. Não porque sejam feios, não, são magníficos, magistrais. O problema é que eu já sabia. Já os tinha visto centenas de vezes. E isso desiludiu, ou seja, eles não acrescentaram nada aquilo que eu já sabia deles. Por oposição, lembro-me do que pensei quando dei de frente com Nasqsh-e Rostam, uns túmulos aqueménidas no Irão em 2013, e de pensar o quanto ser apanhada de surpresa me fez ficar deslumbrada e, principalmente, sentir esse deslumbramento. O mesmo aconteceu na nossa mais recente viagem à Papua Nova Guiné, em que tivemos experiências incríveis, provavelmente, acreditamos nós, porque sabíamos muito pouco sobre o que íamos encontrar. E com isto não quero dizer que não se deva preparar as viagens, até pelo contrário, quero apenas dizer que a preparação da viagem não deve ser apenas uma cópia fiel das viagens dos outros, pois poderá ser uma frustração já que o estilo de uns pode não ser o estilo de outros. Pesquisa, prepara, informa-te mas não deixes que os outros decidam tudo na tua viagem. Toma as rédeas! Acreditar que um destino de viagem vai ser bom para mim porque X ou Y gostaram é um erro. O destino melhor para ti é aquele que tu gostas, é aquele que se enquadra na tua personalidade. E “viajar fora da caixa” é um estereotipo tão grande como as viagens massificadas. Não é um estilo perfeito. É só um estilo, que pode ser, ou não, o teu. Escolhe o TEU estilo neste Novo Turismo Mundial.

3. O que é bom para os outros pode não ser bom para ti

Na qualidade de líder de viagens de aventura na Nomad tenho apanhado alguns, poucos felizmente, viajantes que embarcam numa viagem porque um amigo lhes recomendou e disse “vais gostar, eu adorei”. Ou ainda “Aquilo é duro mas se eu consegui, tu também consegues e vais gostar”. A verdade é que a maioria destes casos acaba por gostar e “conseguir” ultrapassar a barreira do desconforto ou física da aventura. Mas a outra verdade é que, muitas destas pessoas passaram por momentos de frustração durante o processo da viagem, especialmente numa luta de gestão de expectativas. Esta situação é fantástica para questionar a razão pela qual viajamos e fazemos determinada viagem. Para quê? Para quem? Responder a estas questões é uma óptima forma de nos ajudar a escolher os nossos destinos de viagem e a definir o tipo de viajante que somos e o que queremos. Se escolhermos aquilo que realmente queremos, se calhar não iremos todos para os mesmos lugares. Há um mundo inteiro para descobrir neste Novo Turismo Mundial.

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4. Optar por fazer Turismo de Natureza, T.E.R., e exigir áreas protegidas

O Turismo irá enfrentar imensos desafios e um deles dirá respeito à escolha dos destinos. É aí que podemos ter um papel decisivo. Escolher destinos ligados à natureza poderá ser uma forma extraordinária de revitalizar os territórios deprimidos. Escolher e exigir que determinadas áreas sejam protegidas pode ser um passo gigante para a sua preservação. Não estou apenas a falar de património natural. É urgente preservar o património natural, tal como o cultural e até o social. O Turismo no Espaço Rural (TER) pode ser um vencedor deste Novo Turismo Mundial. Mas desengane-se quem quer apostar no Turismo de Aldeia, por exemplo, e depois esvazia a aldeia de aldeões. As aldeias só são atractivas enquanto entidades vivas, por muito beleza arquitectónica que tenham. O Turismo de Aldeia só faz sentido se acrescentar qualidade de vida aos seus habitantes. Esvaziar a aldeia de gente para converter as suas habitações em unidades de alojamento não é a receita certa para este Novo Turismo Mundial que se quer sustentável. Devemos exigir mais desta retoma turística. O turismo só faz sentido quando tem mais impactos positivos no meio do que negativos. E o meio também são as pessoas, essencialmente os seus habitantes. Tenhamos isso sempre presente neste Novo Turismo Mundial.

5. Dizer não a destinos massificados

É urgente dizer sim ao Turismo de Natureza e por oposição dizer não ao Turismo de Massa. A sobrelotação de praias, monumentos, cidades, centros históricos, hotéis, etc. são alguns dos principais impactos negativos da actividade turística. Todos nós já sentimos os impactos dessa massificação, que resulta frequentemente numa perda da qualidade de vida das populações locais mas também dos visitantes. Esta será uma excelente oportunidade para os visitantes recusarem a massificação do turismo, assim como os seus habitantes, exigindo uma capacidade de carga turística definida. Se nós ditarmos ao mercado o que queremos, o mercado terá de ouvir. Exijamos mais deste Novo Turismo Mundial.

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6. Viajar em grupos pequenos

Uma das formas de evitar o crescimento do turismo de massa é nós próprios não fazermos parte de grupos que viajam em “massa”. Há imensos destinos no mundo, cada vez mais infelizmente, que vivem de viagens de grupos, grupos que deixaram de ser de 70 pessoas num autocarro, mas que se transformaram em cinco ou seis autocarros, cada um dos quais com 70 pessoas. Hotéis, restaurantes, monumentos, concertos, espectáculos… que se enchem e esvaziam com hora marcada, tempo contado para visitas e que as pessoas já se acotovelam para chegar ao prato do almoço, lutam por um espaço para tirar uma fotografia, perdem metade do tempo do jantar na fila para ir à casa de banho, etc. Está na hora de exigirmos um turismo mais responsável. Menos quantidade e mais qualidade. Grupos em que as pessoas não sejam números mas sejam entidades individuais. Isto é impossível com viagens com mais do que 10 a 15 pessoas. Está na hora de deixarmos que nos tratem, num sector que devia ser de recreação e lazer, como “formigas obreiras”. Caso contrário, muitas viagens transformam-se em momentos de frustração.

7. Exigir mais espaços verdes nas cidades

O mundo mostrou-nos que precisamos cada vez mais de espaços abertos, de respirar ar puro. E isso é válido para a cidade onde vivemos como para todas as outras que visitamos. Espaços verdes são sinónimo de qualidade de vida. Quantas vezes já demos por nós à procura de um espaço verde para fazer um piquenique em cidades cheias de trânsito e turistas, como Berlim, Paris, Londres ou Nova Iorque? Se nestas é relativamente fácil encontrá-los, assim como nos países nórdicos, a verdade é que nas cidades portuguesas não é assim. O mesmo se aplica a Espanha, Itália ou Grécia, onde o crescimento urbano, os factores naturais e a história ditou outro tipo de povoamento. No entanto, devemos exigir cada vez mais estes espaços. Não se podem derrubar árvores centenárias para transformar avenidas em auto-estradas de pedra rústica para turistas. Isto não é Turismo Sustentável. Isto é muita coisa, mas todas elas insustentáveis. À parte dos efeitos ambientais que tem na impermeabilização dos solos, destruição de património natural, desflorestação e do consumo exagerado de recursos geológicos, esta situação é o caminho contrário ao processo de sustentabilização. O caminho certo é aumentar as áreas verdes da cidade, os pulmões de ar puro que podemos e devemos ter nos centros urbanos. Exijamos esse espaço no Novo Turismo Mundial!

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8. Exigir a criação de taxas de ocupação urbana, para população local, nos centros históricos das cidades

Se as aldeias são entidades vivas, as cidades são-no também. E embora possamos, ingenuamente, ser tentados a pensar que uma aldeia pode funcionar sem gente, não podemos ter essa ingenuidade nas cidades. O crescimento do turismo tem transformado as cidades europeias, especialmente os seus centros históricos, em vazios humanos. Vazios humanos de cidadãos locais, mas não de visitantes. Hoje, na retoma da vida à normalidade, é impressionante o vazio humano de zonas em Lisboa como o Bairro Alto ou o Rossio e Chiado. Ninguém pode ficar indiferente a isto. As cidades perderam a alma. Já muitos o sentiam quando passeavam nas baixas de Lisboa, Porto, Barcelona, Madrid, Veneza, Atenas, etc… Está na hora de devolver os centros históricos aos seus habitantes. Está na hora de definir taxas de ocupação urbana para população local. Não sei quais os valores, mas tem de ser superior à lotação dos alojamentos que recebem visitantes, parece-me. Em algumas destas cidades já não o era. Temos mesmo de repensar este Novo Turismo Mundial.

9. Declarar devidamente os rendimentos usufruídos no sector do turismo

Esta crise no Turismo, como consequência do Covid-19, mostrou-nos que neste sector há imensa gente que trabalha em regime de auto-gestão. Gerem os seus próprios negócios, muitas vezes sendo a própria pessoa a única a intervir no negócio, como é o caso de guias turísticos freelancers. Há toda uma economia paralela à volta do turismo. A crise de 2010 em Portugal lançou imensos portugueses para o desemprego que encontraram no turismo uma oportunidade. Os jovens, a chamada Geração à Rasca, empreendedora, recriou-se e criou negócios online com sites, agências de viagem, transporte em tuk-tuk, alojamento local, roulottes de comida, etc. A maioria cresceu à boleia do crescimento turístico sem formação económica e financeira encurralando-se numa economia paralela e, muitas vezes, sem descontos para a Segurança Social. O trabalho ia existindo, o turismo era promissor e os descontos para a segurança social foram sendo adiados. Quando esta crise caiu, uma parte significativa destas pessoas não tinha contabilidade organizada, não declarava os rendimentos, não descontava para a Segurança Social. Assim, na altura em que podiam aceder a apoios da Segurança Social descobriram que não tinham direito. Ficaram, de um momento para o outro, desprotegidos socialmente. A falta de rendimentos mostrou que podiam cair em situações de pobreza iguais à de tantos outros. É urgente repensar a nossa postura. Fazer descontos dos nossos rendimentos não é punitivo, é um privilégio. Descontar para a Segurança Social é contribuir com o nosso Estado para o funcionamento de Sistema Nacional de Saúde (que hoje todos percebemos a sua importância), da Escola Pública (que um dia, numa crise semelhante, vamos perceber que é imprescindível para todos) ou de um Sistema Judicial e de Segurança imparcial. Estes são os pilares das sociedades democráticas e justas. Para tudo isto funcionar é preciso dinheiro e este dinheiro é pago por todos nós através dos nossos descontos. São os nossos descontos que pagam os salários dos médicos e enfermeiros, os salários dos professores e investigadores, os salários das forças de segurança, as nossas reformas, os nossos subsídios de apoio social. Se não descontarmos não há Estado Social. E sem Estado Social não há igualdade nem liberdade. Há tirania. É por isso que temos que encarar os nossos descontos como um privilégio. Nós contribuímos através deles para o presente e futuro do nosso país. Os países como a Líbia ou a Guiné Equatorial são alguns exemplos de locais onde as pessoas não pagam impostos (ou são mínimos), e este não deve ser o caminho que queremos seguir. Do lado oposto, temos os países onde a população mais contribui para a riqueza do Estado com base nos seus impostos (superior a 40%), como Dinamarca, Suécia ou Noruega, onde a fuga aos impostos é socialmente reprovável. Aprendamos com os melhores exemplos e não com os piores. Um Estado que não recolhe impostos tem de ser financiado por outras actividades, e as opções de financiamento que restam são quase todas ilegais e/ou violações do Direitos Humanos. Paguemos impostos mas exijamos também a sua correcta utilização.

10. Regulamentar as plataformas online de alojamento local

Neste seguimento de raciocínio é urgente regulamentar devidamente as plataformas online de alojamento local, como é o caso do Airbnb. Muito tem sido feito no caminho de tentar regulamentar esta situação mas a verdade é que estas plataformas apoiam-se nas falhas de regulamentação dos Estados, o que resulta, de forma muito significativa no mundo, numa fuga aos impostos. Em Portugal tem sido feito um trabalho de tentativa de legislar esta situação, mas precisamos de mais. Podem ver a nossa opinião num artigo sobre o Airbnb e porque não o usamos. Exige mais de ti também neste Novo Turismo Mundial.

11. Regulamentar as plataformas online de transporte

O que tem acontecido com o Airbnb tem paralelo nas plataformas online de transporte como a Uber, Grab ou outros. O caminho que tem de se percorrer na sua regulamentação é o mesmo, para dar direitos aos seus trabalhadores mas também, no fundo, a todos nós. O Novo Turismo Mundial tem de ser mais consciente das suas opções.

12. Exigir factura e recibo dos serviços e produtos adquiridos

Uma das formas de todos nós contribuirmos para a sustentabilidade social do turismo é exigir factura e recibo dos serviços e produtos que compramos. Não se trata de sermos polícias uns dos outros, não confundamos as coisas, trata-se apenas de contribuir para que a máquina financeira funcione. Este ano, numa viagem pelas Filipinas, nós éramos obrigados a receber o recibo de todos os pagamentos que fazíamos. Chegamos ao ponto de receber recibos de valor inferior a 10 cêntimos. Será um exagero? Não sei porque o dinheiro deles não tem o mesmo peso que o nosso, mas acho que é uma boa prática neste Novo Turismo Mundial.

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13. Contribuir para o reavivar de áreas rurais e deprimidas

Neste Novo Turismo Mundial podemos tomar algumas decisões importantes, nomeadamente a escolha dos nossos destinos de viagem. É aqui que podemos fazer algumas mudanças. Escolher viajar para áreas e territórios mais deprimidos e menos visitados pode ser uma boa opção. Podemos ajudar a contribuir para as economias locais, muitas vezes dependentes dos fluxos parcos de turistas estrangeiros. O TER em Portugal, especialmente o agro-turismo, está extremamente dependente da entrada de estrangeiros. Em Portugal, segundo o INE, no ano de 2018, cerca de 70% dos turistas foram estrangeiros. Numa actividade fortemente dependente do mercado externo, o Turismo Nacional terá de criar mecanismos de atrair os viajantes locais. É aí que também podemos intervir, procurando estes locais e aproveitando aquilo que até à pouco tempo era aproveitado essencialmente por população estrangeira.

14. Alojar-se em alojamentos pequenos

Os alojamentos mais pequenos, com reduzido número de camas e quartos podem sair desta equação com algumas vantagens. Se da crise de 2008, os vencedores da massificação do turismo foram os hostels, que permitiam alojamento compartilhado a custo reduzido, os vencedores desta nova crise podem ser os alojamentos mais pequenos, os chamados Boutique Hotéis, com espaços pequenos e acolhedores, com qualidade, e que oferecem conforto e segurança a preços mais ou menos justos.

15. Estar atento à certificação de sustentabilidade ambiental

Se a questão ambiental já estava na ordem do dia, agora está-o ainda mais. Se o turismo se tem de renovar, é importante que, para além da certificação de segurança e higiene, as unidades turisticas passem a ter uma certificação de sustentabilidade ambiental. Este ano, nas Filipinas, visitámos a ilha de Boracay que foi fechada pelo governo filipino para uma “limpeza” do turismo de massa. Depois de 6 meses fechada, a ilha voltou a reabrir com uma nova cara. Os edifícios ilegais foram fechados (e muitos demolidos) e todos os hotéis e restaurantes que reabriram tinham de ter uma certificação ambiental que mostrasse que contribuíam para a preservação do ambiente. Coisas tão básicas como saneamento e gestão da água e resíduos passaram a fazer parte de uma lista de 159 condições que todas as unidades teriam de cumprir para poder reabrir. A certificação passou a ser obrigatória e um selo passou a ter de estar exposto na entrada do estabelecimento. Esta poderá ser uma medida importante a adoptar se queremos e procuramos um turismo mais sustentável e amigo do ambiente neste Novo Turismo Mundial.

16. Exigir praias limpas e reduzir o uso de plásticos

A poluição das praias é um impacto cada vez mais problemático nos destinos turísticos massificados. As praias poluídas, com plásticos e afins, não são resultado apenas de resíduos atirados ao chão por locais ou estrangeiros. Este fenómeno é muito mais complexo e nele entram factores como marés, dinâmicas das correntes marítimas, profundidade dos aquíferos, litologia (a natureza das rochas), etc. Permitam-me puxar dos galões para dizer que neste campo os geógrafos têm desenvolvido trabalhos fantásticos mundiais na área das dinâmicas litorais e que muito se sabe sobre as suas causas e consequências. No entanto, é hora de ir mais longe. É preciso inverter esta situação e, para além de despoluir as praias, evitar que sejam novamente poluídas. Uma grande parte da poluição das praias resulta da forte carga de turistas estar completamente desajustada das infraestruturas existentes. Não precisamos de ir para Bali para ver isto. Basta ir ao Algarve ou à costa mediterrânica da Europa. As cidades foram construídas para receberem X pessoas e, nos meses de Verão, essa capacidade multiplica várias vezes. As infraestruturas não conseguem aguentar e coisas tão simples como saneamento básico ou recolha de resíduos não conseguem dar resposta à sobrecarga. A quantidade de lixos produzidos é de tal ordem que, associado à falta de um sistema eficiente de armazenamento e reciclagem, muitos acabam em lixeiras ilegais, despejados em grutas ou falésias, ou simplesmente abandonados em florestas. Estes materiais ficam disponíveis para serem “resgatados” muitas vezes pelas marés, sendo levados pelas correntes para áreas de deposição, as praias. A somar a tudo isto temos a descarga de efluentes e resíduos nos rios, especialmente feitos nas cidades ribeirinhas, os quais, também eles, acabam por se acumular nas praias. Não deixa de ser caricato como o mundo mudou tanto nas últimas décadas; as areias já não chegam às praias devido ao efeito barreira dos sedimentos provocado pelas barragens, mas, por oposição, os resíduos são cada vez mais (uma vez que se fazem a jusante da barragem). Sendo assim, as praias enchem-se cada vez mais de lixo e menos de areia. Se nos levantarmos cedo para ir a uma praia europeia vamos ter por companhia as máquinas que limpam o areal. E esta limpeza é precisa. Mas o que acontece nos países com menos recursos económicos é que a limpeza destas praias tem que ser escolhida. Assim, por exemplo em Bali ou Lombok, na Indonésia, temos praias paradisíacas ao lado de praias repletas de lixo. Os recursos económicos do país não permite limpá-las a todas. É importante percebermos que todos nós contribuímos para a poluição destas praias, inclusive com os resíduos que fazemos em nossas casas e no nosso hotel, mesmo que os deitemos no caixote de lixo. Para onde vai esse lixo do caixote? Qual o fim que será dado aos resíduos? São estas as perguntas que temos que fazer se queremos ter como resposta as praias limpas.

17. Fazer recolha selectiva de lixos nos destinos turísticos

Se quisermos ter praias e espaços limpos, é muito importante, para começar, reduzirmos a quantidade de plásticos que usamos. O plástico é reciclável mas ao ritmo que é consumido, especialmente o plástico de apenas uma utilização, isso é impossível. Sendo assim, não será preciso demonizar o plástico, será apenas preciso reduzi-lo, não usar plástico apenas de uma utilização, e tentar perceber se ele é reciclado. Para começar, temos de fazer separação dos resíduos nos locais turísticos tal como fazemos em casa. Esta situação irá criar pressão nos estabelecimentos. Se não houver recipientes, devemos chamar um funcionário e perguntar. De forma subtil podemos começar a pressionar, enquanto sociedade civil, um caminho que consideramos ser correcto. Recusar palhinhas nos sumos. Recusar louça de plástico descartável. Recusar sacos de plástico. Recusar água engarrafada em garrafas de plástico. Tudo isto é fácil e há boas alternativas. Podem ver algumas das nossas alternativas neste artigo. Viaja de forma mais consciente neste Novo Turismo Mundial.

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18. Perceber de onde provém água utilizada nos alojamentos

Enquanto professora de 12º ano de geopolítica gosto de começar o ano lectivo por dizer aos meus alunos que aquela disciplina não lhes vai dar muitas respostas, mas vai fazer muito mais do que isso. Vai-lhes dar ferramentas e conhecimentos para eles começarem a fazer perguntas. E é isso que eu mais gosto na Educação. Gosto da possibilidade que tenho de capacitar os alunos a fazer perguntas, fazer as perguntas certas. Quando soubermos fazer perguntas, estamos no caminho certo para procurar as respostas. E as respostas são um processo. Dito isto, é importante questionar. Nós temos muito o hábito de questionar os alojamentos onde ficamos para poder perceber o impacto do turismo nas comunidades e nos recursos locais. Uma das perguntas mais frequentes que fazemos é: de onde vem a água que abastece o alojamento? A gestão dos recursos hídricos é muito importante. A quantidade e qualidade de água potável na Terra é muito exígua, mais ainda quando se fala de ilhas ou na orla e oásis do deserto. Geralmente as ilhas têm pouca água doce, em muitos casos nenhuma, e para abastecer as unidades turísticas usam água dessalinizada, cujo processo consome imensas energias fósseis altamente poluentes. Outro problema é a utilização de água em locais com forte aridez. Nesses locais, que não precisam de ser necessariamente desertos, a água utilizada é água fóssil, armazenada no interior da terra há milhares de anos. Só que o consumo de água fóssil é muito problemático porque esta água não é renovável. A água depois de ser consumida vai entrar no ciclo da água e vai voltar à Terra mas não vai precipitar nos locais de onde foi extraída. Isto explica o facto de o desvio de água dos rios deixar os cursos de água sem caudais, como caso do rio Jordão, por exemplo, que já não desagua no Mar Morto, ou o facto de a água do Mar Aral estar a desaparecer. O mesmo acontece nos oásis do deserto onde a água é utilizada pelos hotéis e pelos visitantes, que tomam banhos diários, consumindo os recursos hídricos que são extremamente escassos. Nestes mesmos lugares, as populações locais muitas vezes não tem água para beber nem para a sua higiene. Precisamos de fazer mais perguntas destas e perceber quanto custa a água que consumimos. E não é do custo económico que estamos a falar. Estamos a falar do custo ambiental e social nas populações locais. Sejamos mais conscientes neste Novo Turismo Mundial.

19. Privilegiar esplanadas e espaços amplos

Muitos restaurantes terão que se requalificar, fazendo obras e adaptando-se a uma nova realidade mas as coisas podem ser mais fáceis do que parecem. Com o clima que temos, a maioria dos restaurantes e bares podem começar por investir nas suas esplanadas. Porque havemos de escolher almoçar ou jantar dentro de um espaço interior se temos espaços exteriores fabulosos? Vamos aproveitar as esplanadas. Vamos escolher locais onde podemos respirar ar puro. Vamos sentar-nos lá fora. Vamos aproveitar o verão e o calor! Vamos aproveitar o nosso clima! O clima também é um recurso natural.

20. Dizer não e denunciar as situações de Turismo Sexual

Infelizmente um dos impactos mais negativos da indústria das Viagens e Turismo é o abuso de homens, mulheres e crianças para Turismo Sexual. Nunca vou esquecer a repugnância que senti a primeira vez que vi em Phucket, na Tailândia, turistas ocidentais sexagenários com miúdas tailandesas, roçando a pedofilia. Este ano, nas Filipinas, voltei a ver o mesmo em Palawan. Ainda que não seja pedofilia, que seja consentido, o Turismo Sexual é, para mim, abuso. É abuso na medida em que os locais (homens e mulheres) são coagidos em troca de dinheiro e os “abusadores” usam a pobreza destas pessoas. Devemos estar atentos a estas situações e, dentro do que nos é possível, deixar claro que são reprováveis. Gostava muito que o Novo Turismo Mundial pudesse ser uma oportunidade deste tipo de turismo desaparecer.

21. Consumir produtos locais e artesanato local

Esta medida não é nova mas valerá a pena reforçá-la. É muito importante que consumamos localmente. As comunidades locais recebem muito pouco retorno do turismo de massa. Há imensos exemplos de como os turistas não contactam com a população local e muitas vezes não precisamos de ir mais longe, basta olhar para os cruzeiros do Douro, em Portugal. Enquanto visitantes de um território devemos privilegiar comprar localmente, seja frutos, legumes, artesanato, roupas ou até refeições. Não custa nada ajudar e assim, de alguma forma, agradecer o facto de nos receberem nos seus territórios. No fundo estas pessoas abrem-nos a sua casa, que é o seu país.

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22. Olhar com tolerância para o mundo e para os outros

No fundo, tudo seria mais fácil se todos os visitantes tivessem este principio por “mantra”. O respeito e tolerância pelo mundo e pelos outros não pode ser decretado! É um valor que é inerente mas também se aprende. Devemos olhar para os outros com tolerância, sem julgamentos. Muitos dos hábitos que nos parecem estranhos, só o são à luz dos nossos olhos e cultura. Temos de mudar de lentes quando viajamos. Não podemos julgar. Temos de respeitar. Não precisamos de concordar, mas temos de aprender, e aproveitar para compreender que a vida é diferente no mundo. No fundo, temos que usar a oportunidade de viajar para melhorar o nosso mundo, não o dos outros.

Temos todos de ser mais responsáveis, mais conscientes e exigentes, se queremos dar um rumo melhor para este Novo Turismo Mundial.

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Carla Mota

Geógrafa com uma enorme paixão pelas viagens e pelo mundo. Desde muito cedo que as viagens de exploração fazem parte da sua vida. A busca do conhecimento do mundo leva-a em direcção a culturas perdidas e ameaçadas, tentando percebe-las. Hoje é também líder de viagens de aventura na Nomad.

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13 Comentários

  1. oi Carla… não sei se a forma de viajar mudará, como, quando, nada disso. Tudo me parece ainda muito incerto, terrenos instáveis. Mas concordo muito que o momento pede reflexões!

    Reflexões de como viajamos, qual nosso impacto ao perambularmos pelo mundo, que pegadas queremos deixar quando viajamos, como os lugares podem ou não podem receber tantos viajantes… Enfim, a lista de pensamentos é vasta e acho que cada viajante deve pensar e analisar seu modo de viagem e os que trabalham na área, o que querem/podem/devem oferecer.

    Você menciona um ponto especialmente importante e que sempre converso com amigos. Você sabe por que viaja?! O que te motiva?! Já dizia Alain de Botton, não esqueça de, ao sonhar com aquela praia linda, de mar azul, que existe a areia que pinica, o sol que queima, a temperatura da água…

    Existem destinos no mundo, que atraem milhares de turistas e que não me apetecem. Saber por que e para que eu viajo evitará que, sem vontade, eu engrosse as fileiras de viajantes para tal destino, que em alguns casos já trazem problemas graves.

    Enfim… um ótimo texto, que nos ajuda a refletir sobre o mundo que queremos e como podemos contribuir para que ele seja melhor, seja como viajantes ou como moradores. bj

  2. fátima_mj diz: Responder

    Muito obrigada pela partilha de opinião Carla! É desta forma que se vai sensibilizando o Mundo e quem viaja! Identifico-me totalmente com o vosso tipo de viagem e as vossas apreciações! Concordo plenamente que não devemos levar a nossa viagem igualzinha à dos outros, porque não temos todos as mesmas vontades de exploração! Podemos sim, ter a mesma vontade de conhecer os mesmos sítios! Mas também já aprendi que se para uns um resort é o melhor, para mim espaços simples com banho e roupa lavada é mais que suficiente, porque o que me satisfaz é o mundo lá “fora”! Aquilo que tenho concluído é que só crescemos se “formos”, da forma que o nosso interior nos pedir no momento! Já fiz vários estilos de viagens em termos de alojamento, de família, de amigas e amigos, sozinha, planadas, não planeadas, sítios turísticos, sítios onde ninguém vai, de bicicleta, de autocaravana, de avião, de carro, de barco, e em todos eles concluí que o que quero sempre é viver o sítio e aproveitar a sua cultura, comida, história, saberes, diferenças e contato com o povo e o espaço… não há nada mais belo! Isto tudo porque é o que nos faz ser melhores neste Mundo tão rico! Continuem a vossa linda caminhada de viagens que é um prazer ler-vos e ver-vos! Obrigada mais uma vez!

    1. Carla Mota diz: Responder

      Muito obrigada pelo apoio e pelo partilha emocionada. É isso mesmo. Viajar é bom de qualquer maneira, o importante é mesmo ir. É tão bom!

  3. Muito bom o artigo. Realmente temos que rever o “fazer turismo”. Acho que destinos de natureza e menos massificados com certeza serão o “novo normal do turismo” pós covid-19

    1. Carla Mota diz: Responder

      É isso, esperemos que seja o caminho.

  4. Temos ainda muito que aprender e mudar para chegar a esse novo turismo mundial e sustentável. Mas se as pessoas pensassem mais no bem coletivo e no bem viver de todos, já estaríamos no caminho certo. Procuramos sempre dar exemplo aos nossos filhos no dia a dia e nas viagens também que o desperdício de comida e de recursos naturais é inaceitável, assim como a produção excessiva de lixo. Um consumo consciente e equilibrado também é uma prática que exercitamos e, do nosso jeito, estamos tentando fazer a nossa parte. Com suas reflexões nos sentimos motivados a fazer ainda mais. Obrigada por esse texto num momento em que realmente precisamos refletir e agir.

    1. Carla Mota diz: Responder

      Olá Fabíola, muito obrigada pelo seu comentário e partilha. Para quem viaja com crianças isto é ainda mais verdadeiro e, tal como você disse, é pelo exemplo que eles aprendem. E, felizmente, acredito que os pais são cada vez mais conscientes nesse exemplo porque as crianças também são bombardeadas na Escola e vão estando cada vez mais atentas. Esperemos que o Turismo possa aproveitar esta oportunidade para ser mais sustentável.

  5. Leo Vidal diz: Responder

    Inspirador este artigo. Realmente precisamos mudar um pouco nosso conceito de turismo que há muito tempo já era necessário ser revisto. Que essa pandemia sirva de ponto de partida para um novo turismo mundial e de conscientização de cada um de nós.

    1. Carla Mota diz: Responder

      Eu também acho que pode ser uma boa oportunidade para todos nós reflectirmos mais e mudarmos. Todos viam que havia muita coisa que não estava bem. Talvez se possam corrigir algumas num Novo Turismo Mundial.

  6. Pedro Seixas diz: Responder

    Excelente artigo parabéns!

    1. Carla Mota diz: Responder

      Muito obrigada, Pedro.

    1. Carla Mota diz: Responder

      Muito obrigada, Sofia.

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