COMIDA EM VIAGEM | Crocodilo, cão, testículos, o que vamos comer hoje?

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Uma das maiores experiências em viagem é experimentar a gastronomia local. Adoramos embrenhar-nos nos mercados nocturnos e experimentar as iguarias locais, mesmo quando estas parecem desafiar os nossos limites. Já comemos coisas muito estranhas mas já nos apresentaram outras tantas que não tivemos coragem de comer porque, naquele momento, não conseguimos ultrapassar o tal limite. Hoje resolvemos recordar as coisas mais estranhas que já comemos e aquelas com que nos deparamos, mas não tivemos coragem de o fazer.  Das coisas mais estranhas que comemos foram (cuidado algumas imagens podem ser chocantes para os olhos mais sensíveis):

1. Cavalos marinhos em Pequim (China)

O mercado nocturno de Pequim é um teste gastronómico. Delicie-se (se conseguir) com as mil e uma iguarias em exposição. Pode encontrar estrelas do mar, cavalos marinhos e imensos insectos. Arrisque!
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2. Crocodilo no Cambodja

Uma das iguarias que tivemos oportunidade de provar no Cambodja, na cidade de Siem Reap, foi crocodilo. Antes certificamo-nos que era legal. E depois, provamos! Veredicto: sabe a frango mas um pouco mais gorduroso.
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3. Baleia na Gronelândia

Pode parecer um atentado à sustentabilidade do planeta Terra mas a verdade é que não é. Há séculos que a baleia faz parte da dieta das populações Inuits, na Gronelândia. Rica em proteínas e gordura, a baleia é a uma das carnes fundamentais para as populações gronelandesas. Nós decidimos também provar. Comemos baleia duas vezes e foi uma óptima experiência. Compramos a carne no mercado local, onde se vendem todos os tipos de peixes e mariscos e confeccionamo-la em casa. Ficou boa, embora soubesse bastante a mar. É estranho porque é carne (parece um bife de vaca) mas sabe a peixe.
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4. Zebra em Windhoek na Namíbia

Quando estávamos na Namíbia tivemos hipótese de ir jantar a um restaurante carnívoro onde se podia comer várias carnes de animais endémicos mas que para nós são um pouco exóticos. Dois deles eram a zebra e o kudu. Certificámo-nos que era legal comer estes animais e fomos experimentar. Os animais são criados em cativeiro, como as vacas ou as cabras em qualquer país europeu, e fazem parte da dieta da população da Namíbia. Comemos kudu várias vezes na África do Sul, Namíbia e Zimbábue. Mas zebra comemos apenas uma vez na Namíbia. A carne era bastante boa embora um pouco seca. A de kudu era mais saborosa.
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5. Foca na Gronelândia

Quando dissemos que comemos foca na Gronelândia as pessoas olham-nos um pouco de lado e parecem disparar um olhar que diz “assassinos”. A verdade é que esta é uma reacção típica de quem não conhece as manifestações culturais dos países, nem as suas limitações naturais. A sustentabilidade de se comer foca ou baleia na Gronelândia é muito maior do que comer frango ou vaca em Portugal. A Gronelândia é um território no Árctico onde praticamente não existem solos férteis, o que não lhes permite cultivar legumes ou frutos. O único tubérculo que ali cresce são batatas. A erva praticamente não cresce durante o Verão e, mesmo nesta altura do ano, a maior parte do seu território está coberta de gelo. No Inverno todo os seu território está coberto de neve e gelo. Isto faz com que na Gronelândia não se possam criar vacas, cabras, porcos, frangos, nem nenhum animal que estamos habituados a ingerir. Os únicos animais que são criados no sul são as ovelhas e bisontes. Assim, a alimentação gronelandesa está quase restrita àquilo que vem do mar. E do mar vem essencialmente peixe, mariscos, baleias e focas. Se estivéssemos a falar de milhões de gronelandeses, provavelmente comer baleia e foca seria altamente insustentável, mas convém realçar que a população da Gronelândia é extremamente reduzida (cerca de 50 mil habitantes) e que a maioria das povoações tem menos de 300 habitantes. Assim, quando um baleeiro caça uma baleia, isso permite alimentar o povoado durante semanas. O mesmo se aplica às focas. A carne de foca vende-se nos mercados de peixe e pode ser adquirida e cozinhada em casa. Foi isso que fizemos. Durante as três semanas que vivemos na Gronelândia vivemos como gronelandeses e não somos falsos moralistas. O mundo é demasiado diversificado para que o sejamos.
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6. Porquinhos da Índia (Cuy) em Arequipa (Peru)

O Cuy é um dos pratos tradicionais do sul do Peru. Os porquinhos da Índia são criados para alimentação e fazem parte da ementa de quase todos os restaurantes. A primeira vez que olhamos para um prato de Cuy pensamos “não vamos conseguir” mas depois pensamos bem e resolvemos arriscar. Se corresse mal pedíamos outra coisa depois. A verdade é que até correu bem. O cuy é preparado e assado lentamente ficando com um sabor muito parecido com o leitão. A desvantagem é que comer aquelas perninhas faz mesmo um bocado de confusão.
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7. Testículos de boi em Belgrado (Sérvia)

Durante uma viagem no Expresso do Oriente, na cidade de Belgrado, entramos num restaurante tradicional para almoçar e ficámos surpreendidos quando vimos uma das iguarias que fazia parte da lista: testículos de boi. Olhamos desconfiados um para o outro e decidimos “vamos lá experimentar isso!” Infelizmente não foi grande experiência. O sabor é muito forte. Fez parte da experiência gastronómica mas acho que não voltaríamos a comer.
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8. Leite de égua na Mongólia

Uma das bebidas mais lisonjeiras que nos podem oferecer quando somos convidados para entrar numa ger na Mongólia é leite de égua. Ora bem, como é uma honra ser convidado para beber leite de égua não é de bom tom rejeitar. Foi isso que nos aconteceu durante um passeio de cavalo pelo Parque Nacional do rio Orkhon. Fomos convidados por uma família nómada que não conhecíamos. Mostraram-nos orgulhosos a sua ger e o seu bebé (um amor) e depois ofereceram-nos leite de égua. Olhamos um para o outro mas sabíamos que recusar seria uma ofensa. Aceitamos. Bebemos e era horrível. Só nos apetecia cuspir tudo. Mas bebericando muito pouco fomos tentando beber alguma coisa.
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9. Larvas, insectos e escorpiões em Bangkok, na Tailândia

A Tailândia é um campo privilegiado para nos introduzirmos no campo da gastronomia da Ásia, especialmente no que toca a comidas estranhas. Quase todas as cidades têm mercados nocturnos onde se vendem vários insectos e animais que nunca ousaríamos comer em nossa casa. Experimentamos muita coisa estranha na Tailândia, desde gafanhotos, larvas, escorpiões (ou melhor lacrau, porque não eram venenosos), osgas, escaravelhos, etc. Basta estar com a mente aberta porque os insectos não sabem a nada. São fritos e ficam muito secos. Tudo que nos faz impressão é o que está dentro da nossa cabeça. A única coisa que nos custou comer foram as larvas já que eram macias e pouco fritas.
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Algumas das coisas mais incríveis que já nos apareceram mas que não tivemos coragem para comer. 

1. Cão em Yangshuo (China)

Toda a China é uma descoberta gastronómica mas no sul e zona rural do país essa descoberta é ainda maior. Em Yangshuo descobrimos um mercado onde se vendia de tudo. Sapos gigantescos, tartarugas, cobras sem pele, enguias e… cães. Antes de mais convém perceber que a China é um país onde residem quase dois mil milhões de habitantes e que durante o maoísmo passou por fomes extremas.  A fome foi inclusive utilizada como estratégia por Mao para obrigar a conversão da população ao comunismo maoista. Esta situação levou a que os chineses se habituassem a comer de tudo para conseguir sobreviver e assim escapar à fome. Assim, sempre que entramos num mercado na China temos isto em mente e percebemos muito melhor as tradições culturais e gastronómicas da região. Infelizmente não tivemos coragem de comer cão. Digo infelizmente porque compreendo perfeitamente que os chineses o façam mas não consegui livrar-me da ideia do cão enquanto animal doméstico, não o consegui provar. Aqui senti que ainda não tinha a mente suficientemente aberta para a descoberta cultural. Talvez um dia consiga.
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2. Sapos em Phnom Pehn (Cambodja)

Num mercado local em Phnom Pehn, capital do Cambodja, encontramos à venda sapos. As bancas exibiam sapos com pele, sapos sem pele e logo ao lado, sapos fritos e com um aspecto apetitoso, pelo menos para os locais que se amontoavam nas bancas do mercado. Neste dia estávamos um pouco mal dispostos e resolvemos não arriscar a comer esta iguaria. Quem sabe um dia experimentamos.
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3. Cobra nas montanhas do Laos

Numa viagem de autocarro no Laos, de forma inesperada o veículo parou num miradouro onde existia um pequeno boteco de comida e bebida. O motorista saiu e convidou todos aqueles que o quisessem a fazer o mesmo. Inesperadamente decidimos averiguar e ver o que havia por ali que justificasse a escolha do motorista. Descobrimos potes de vidro enormes cheios de cobras que eram servidas num prato ou da qual se extraía uma bebida. Horrorizada disse logo “não”! As cobras são dos animais que mais me provocam impressão e não consegui enfrentar este obstáculo. Talvez numa próxima aventura no Laos consiga experimentar.
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4. Cabeças de cabra em Kashgar, na China

Kashgar tem dos mercados mais fantásticos do mundo. O mercado de comida nocturno é um deleite para os sentidos. Cheiros e cores inundam os nossos sentidos e ninguém fica indiferente à quantidade de uigurs que saboreia as mil e uma iguarias disponíveis. Provenientes do mercado de gado semanal de domingo, este mercado exibe tripas penduradas, espetadas de carne de borrego e piripiri, pés de borrego, etc. Mas as estrelas, são as cabeças de borrego cozidas. São uma iguaria por aqui e os uigurs apreciam-nas muito. Ao domingo à noite, as famílias vêm ao mercado nocturno para comer as cabeças frescas, matadas nessa manhã no mercado de gado. Mais uma vez, apreciámos a cultura local, mas não conseguimos ter coragem para provar. Talvez um dia, durante as viagens da Rota da Seda com a Nomad, eu consiga arranjar coragem.
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5. Ovos crus no Cambodja

No mercado local de Phnom Pehn ofereceram-nos uns saquinhos de plástico com ovos crus. Alegadamente muito nutritivos (não tenho dúvidas) e afrodisíacos (aqui já tenho algumas), são uma das muitas iguarias que descobrimos no Cambodja. Mais uma vez tivemos que declinar a oferta. Não era assim tão estranho e uma vez que eram crus pareceu-nos uma oportunidade excelente para contrair alguma doença.
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Experimentar a gastronomia local, por muito estranho que pareça, é parte integrante de qualquer grande viagem.

Carla Mota

Geógrafa com uma enorme paixão pelas viagens e pelo mundo. Desde muito cedo que as viagens de exploração fazem parte da sua vida. A busca do conhecimento do mundo leva-a em direcção a culturas perdidas e ameaçadas, tentando percebe-las. Hoje é também líder de viagens de aventura na Nomad.

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5 Comentários

  1. […] culinária e por isso experimento quase tudo em viagem. Até tenho um artigo no blogue sobre as coisas mais estranhas que já comi até hoje. É só para corações […]

  2. Luedes Simões diz: Responder

    Na Tailândia tb não comi as larvas, mas os gafanhotos fritos … até são normais. Mas a cabeça de cabra, marchou. Por aqui no Sicó… em tempos idos, comer cabeça de cabra ou borrego cozidos, era normal, e até se fazia canja.
    Testículos de boi, nunca comi, mas de carneiro, fritos com cebola são um bom petisco. embora só quando era miúda essas comidas fossem normais por aqui.

    1. Carla Mota diz: Responder

      Comeste as cabeças de cabra? Coragem… Talvez um dia consiga. Depois conto como foi.

      1. emerson garcia diz: Responder

        gostei da matéria, qual seu instagram carla mota ? quero te seguir bjo

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