Como conseguir VIAJAR MAIS | A difícil arte de conciliar o tempo e o dinheiro

Como conseguir VIAJAR MAIS | A difícil arte de conciliar o tempo e o dinheiro
Viajar é fácil. Não é só uma questão de dinheiro, é mais uma questão de tempo. Pode-se viajar muito com pouco dinheiro ou pode-se viajar pouco com muito dinheiro. Cada viajante deve tentar descobrir que tipo de viagem gosta de fazer e programá-la. É isso que nós fazemos. Mas surgem sempre duas questões frequentes:
– Como conseguem ter tanto tempo para viajar?
– Como arranjam dinheiro para viajar?
Estas são as chamadas “million dollar questions” e tentaremos dar-lhes resposta. A gestão do tempo e do dinheiro são o segredo das nossas viagens e é com um forte trabalho de conciliação que temos conseguido viajar juntos pelo mundo há dez anos, visitando em média cerca de cinco países novos todos os anos. Então, como viajar pelo mundo se não é rico?
 Como conseguir VIAJAR MAIS | A difícil arte de conciliar o tempo e o dinheiro

1. Arranjar um emprego ou uma forma de rendimento

É possível viajar com pouco dinheiro mas não é possível viajar sem dinheiro. Aliás, apesar de se poder viver durante meses da solidariedade de estranhos no que toca a alojamento e transportes, especialmente através do couchsurfing e das boleias, ninguém consegue viajar sem gastar dinheiro. Todos temos necessidade de comer, há sempre dias em que precisamos ficar alojados em hotéis, apanhar autocarros ou comboios, e até aviões. Assim, não creio que ninguém se deva aventurar na estrada sem dinheiro. É uma ideia bonita, mas é utópica. É preciso dinheiro para viajar. O ideal é arranjar um emprego que nos dê independência financeira para poder escolher para onde se quer viajar e como ser quer fazê-lo. Quanto maior for o salário, melhor. Isso é óbvio, mas uma regra essencial é poupar durante o período de trabalho para poder ter um pé de meia para os períodos de viagem. Não nos imaginamos a viajar sem ter independência económica. Talvez seja por uma questão de segurança. É importante sentirmos que se alguma coisa correr mal podemos comprar um bilhete de avião e regressar a Portugal. Mas isso é uma questão pessoal. Para muitos pode não ser essencial. Assim, se não tens um pai rico que te pague as viagens, para viajar terás que ter uma fonte de rendimento e o mais comum será arranjares mesmo um trabalho.

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2. Poupar dinheiro durante todo o ano

Um emprego com um salário justo é bom, mas agora há que fazer esforços para poupar o dinheiro para viajar. Há imensos truques que se podem fazer mas a maioria vão diminuir a tua qualidade de vida diária. Não há palavras mansas. Ter dinheiro para viajar requer esforços. Durante os meses de Inverno raramente saímos, optamos por jantar com os amigos em casa, convivendo à volta de um frango de churrasco em vez dos restaurantes da moda. Deixamos de frequentar bares à noite, e quando saímos para beber um copo com os amigos tentamos controlar ao máximo o dinheiro que gastamos. Cortamos os inúmeros concertos que íamos durante o ano e agora, vamos no máximo a um ou dois, que consideramos extraordinários. O mesmo aconteceu com o cinema, o teatro e os espectáculos que adorávamos ver no Coliseu. São escolhas. Escolhas que fizemos de forma consciente. Custa-nos muito não ver algumas das melhores óperas e bailados que vêm a Portugal. Se acharmos que são mesmo imperdíveis, vamos, se acharmos que não vale assim tanto a pena, passamos. Deixamos de comprar livros com tanta frequência, o que nos custa muito. Cortamos tudo o que era supérfluo, como comprar roupas e calçado novo. Se não és rico, o dinheiro não dá para tudo e escolher viajar é mesmo isso, é abdicar de um conjunto de coisas que estavas habituado a ter e a fazer. Podes ler o post que criamos com 10 coisas que deixamos de fazer para ter dinheiro para viajar. Mas não tenhas ilusões, durante o ano a tua qualidade de vida vai diminuir.

Como conseguir VIAJAR MAIS | A difícil arte de conciliar o tempo e o dinheiro

3. Arranjar um emprego que permita tirar férias repartidas

Uma das principais dificuldades em viajar está na questão do tempo. Esse é o maior entrave. Para ter dinheiro é preciso trabalhar, mas se trabalhas ficas sem tempo. O equilíbrio não é fácil! Quando se trabalha num local que só permite tirar quatro semanas de férias seguidas no Verão, isso limita as viagens a esse período. Felizmente não temos esse problema. Como somos os dois professores, conseguimos tirar sempre alguns dias de férias no Natal, Páscoa, Carnaval e no Verão. E não precisam de ser muitos dias. Viajamos sempre que temos uns dias livres encostados ao fim de semana. As férias de Natal ou da Páscoa dos professores só começam depois das reuniões de avaliação dos alunos e das reuniões dos Encarregados de Educação, mas, logo que isso acaba, já temos o bilhete de partida na mão para embarcar. Muitas vezes partimos directamente das reuniões para o aeroporto e regressamos na madrugada do primeiro dia de aulas. Custa, andamos sempre muito cansados nos primeiros dias, mas compensa. E, como dizia a minha avó, “quem corre por gosto não cansa”. No Carnaval só temos três dias de interrupção das aulas. É pouco, mas uma viagem sabe muito bem. Dá para ir até Veneza assistir ao Carnaval, desfrutar de uma capital europeia ou conhecer uma ilha no Atlântico ou no mar Mediterrâneo. A desvantagem é que geralmente as viagens de avião nesta altura são mais caras. Mas, isso é um preço que já aceitamos pagar para conseguir conciliar as viagens com a vida profissional, ou seja o tempo com o dinheiro.
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4. Escolher os destinos em função do orçamento

Com um orçamento limitado, enquanto trabalhadores da classe média, temos que planear as nossas viagens sempre tendo em atenção o nosso orçamento disponível. Sabemos que temos de viajar nas chamadas épocas altas. Inicialmente chateava-nos ver o preço dos voos nestas alturas e compará-los com os períodos em que não podíamos viajar. Agora já lidamos bem com isso. Acho que já nos habituamos. Tentamos comprar os voos com muita antecedência para usufruir de bons preços e assim equilibrar o orçamento. Para além disso, ajustamos a escolha dos destinos ao orçamento que temos nesse ano. Se na Páscoa fomos para o Irão e a viagem foi económica, se calhar no Verão dá para ir à Gronelândia, destino mais caro. Se na Páscoa fomos para Nova Iorque e arruinamos o orçamento, no Verão o melhor é irmos para países económicos como no sudeste asiático. Este é o tipo de planeamento que fazemos. Tentamos combinar destinos económicos com outros mais caros para podermos equilibrar o orçamento. Geralmente fazemos este planeamento para o ano todo mas às vezes sofre alterações e  quando isso acontece, ajustamos. Para além disso, tentamos poupar o máximo em viagem com algumas dicas que já aqui partilhamos.
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CONCLUSÃO

Para quem não é rico, viajar exige esforço, contenção no orçamento e um trabalho constante para equilibrar o tempo disponível com o dinheiro disponível. Trabalhar tem-nos dado independência económica suficiente para conhecermos tudo aquilo que queremos mas o tempo tem que ser sempre bem gerido e é por isso que nunca conseguimos visitar alguns dos países que mais nos atraem, nomeadamente a Nova Zelândia. Pouco a pouco, vamos fazendo novos planos, uns mais ousados, outros mais simples mas até hoje, as nossas opções têm resultado bem porque, afinal, temos conseguido viajar continuamente há mais 10 anos.
Como posso viajar pelo mundo se não sou rico? Afinal é possível só precisa de lutar pelos seus sonhos e estabelecer prioridades.
Como conseguir VIAJAR MAIS | A difícil arte de conciliar o tempo e o dinheiro

Carla Mota

Geógrafa com uma enorme paixão pelas viagens e pelo mundo. Desde muito cedo que as viagens de exploração fazem parte da sua vida. A busca do conhecimento do mundo leva-a em direcção a culturas perdidas e ameaçadas, tentando percebe-las. Hoje é também líder de viagens de aventura na Nomad.

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10 Comentários

  1. Mariana diz: Responder

    Eu e o meu namorado estamos exactamente na mesma situação 🙂 temos ambos empregos fixos (em Lisboa) e viajamos juntos há 6 anos. Temos 24 dias de férias/ano, que podemos tirar quando quisermos, pelo que as vamos repartindo ao longo do ano, juntando-as sempre a fins-de-semana e feriados e conseguindo, assim, fazer cerca de 5 viagens por ano (2 maiores e 3 mais curtas). Em 2016 estivemos 3 semanas no Peru, 2 semanas no Sri Lanka, 3 dias na Bélgica, 5 dias na Polónia e vou agora 4 dias a Londres. Durante o ano poupamos numa série de coisas: andamos a pé/transportes todos os dias e só usamos o carro aos fins-de-semana, não temos empregada doméstica, fazemos as compras da semana todas no supermercado e cozinhamos todas as nossas refeições, só comemos fora ao fim-de-semana e sempre em restaurantes baratinhos, só compramos roupa/objectos quando é mesmo necessário (temos os mesmos telemóveis/tv/micro-ondas há 8 anos e só trocaremos quando deixarem de funcionar) e sempre em saldos/promoções, não costumamos “sair à noite”, não fumamos, andamos num ginásio “low-cost”, etc… poupamos em imensas coisas do dia-a-dia que não consideramos essenciais e poupamos também em viagem, porque compramos os voos sempre em promoções, ficamos em alojamentos baratos, usamos transportes públicos, tentamos experienciar os destinos da forma mais “local” possível. A única coisa em que não nos contemos nos gastos são experiências: viajar, ir a um concerto, cinema, exposição, teatro, musical, tour, parque natural, caminhada, museu, evento, etc… e mesmo assim tentamos fazê-lo da forma mais barata possível (apanhar promoções, ir em dias em que as entradas são mais baratas, comprar os lugares mais baratos).

    Em 2017 vamos casar-nos e a lua-de-mel será na Nova Zelândia 🙂 vamos tirar 1 mês para ir lá (15 dias licença casamento + 10 dias de férias e apanhamos 5 fins-de-semana e 3 feriados pelo meio). Pelo caminho paramos 1 dia no Dubai e 2 dias em Kuala Lumpur (na ida e na volta). Depois disso iremos 9 dias a Marrocos e em 2017 ainda nos sobrarão dias para mais 3 viagens: uma de 4 dias, outra de 5 e outra de 2 semanas. Com um bom planeamento e gestão do tempo/dinheiro é possível viajarmos tudo o que queremos tendo um emprego fixo 🙂

    1. Carla Mota diz: Responder

      Muito obrigada pelo testemunho, Mariana. É isso mesmo. Mais do que tudo, é uma questão de vontade e depois de estabelecer prioridades e planear bem o ano. Nós como não podemos viajar fora das épocas altas nunca conseguimos grandes promoções mas vamos estando sempre atentos e vamos tentando programar o ano sempre de Setembro a Setembro.

  2. Lina Dias Ribeiro diz: Responder

    Algumas destas dicas são seguidas por nós há quarenta anos e mesmo com dois filhos em universidades diferentes e longe de casa conseguimos sempre sair durante o período de férias. O vosso texto está excelente. Eu, no meu mais íntimo instinto sou nómada. Só sou feliz em constante movimento. Mais uma vez excelente texto!!!!

    1. Carla Mota diz: Responder

      Que maravilha, Lina. Obrigada pelo feedback. 🙂

  3. “Como viajar pelo mundo se não é rico? Afinal é possível só precisa de lutar pelos seus sonhos e estabelecer prioridades.” Com esta frase dizem tudo. Perguntam-me muitas vezes como é que consigo viajar “tanto”, o segredo está em saber gerir a nossa vida de forma a equilibramos o orçamento e a saber usufruir de cada oportunidade. E claro fazer opções! Sempre que me perguntarem (comentarem) isso reencaminharei esta publicação.

    1. Carla Mota diz: Responder

      Obrigada, Levine. É mesmo uma questão de prioridades. 🙂

  4. Bom artigo. Simples mas com conselhos realistas e que servem para quase toda a gente.

    Rui

    1. Carla Mota diz: Responder

      Obrigada. 🙂

  5. Catarina diz: Responder

    Olá!
    adorei o vosso blog e as vossas dicas! Viajar é sem dúvida um prazer sempre renovado. Obrigado pela partilha das vossas experiências e boas viagens!
    Catarina

    1. Carla Mota diz: Responder

      Obrigada, Catarina.

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