Amar e VIAJAR em tempos de Coronavírus (a nossa história)

Amar e VIAJAR em tempos de Coronavírus (a nossa história)

Estávamos nas Filipinas quando escutamos pela primeira vez a palavra coronavírus. Era Janeiro. Estávamos talvez em Bohol quando começámos a receber mensagens de pessoas que nos alertavam para um possível vírus que se alastrava na China e ameaçava a Ásia. Era o início da Era “Viajar em tempos de Coronavírus”.

AMAR E VIAJAR em tempos de Coronavírus

O evoluir da situação…

As coisas estavam calmas e tranquilas nas Filipinas. Em Panglao alojámo-nos num hotel fantástico em que a maioria dos hóspedes eram chineses. O mesmo onde fui mordida por um gato e me obrigou a procurar ajuda num hospital para fazer tratamento pós-exposição da raiva. Usámos a máscara nesse dia, não por causa do vírus, mas por causa das bactérias hospitalares.

A nossa viagem continuou por mais ilhas das Filipinas enquanto o vírus se espalhava pela China. O governo filipino cancelou imediatamente os voos com a China e os três infectados por coronavírus nas Filipinas foram, durante muito tempo, apenas 3 chineses provenientes de Wuhan e que viajavam no país. Sempre nos sentimos seguros e nunca houve alarmismos.

Durante as travessias de barco e voos internos era-nos medida a temperatura e feito um registo de entrada e saída num impresso próprio. Em Boracay, a ilha estava quase deserta. Era final de Fevereiro e a epidemia atingia o pico na China.

No final de Fevereiro saímos das Filipinas rumo à Austrália, com escala em Singapura. O aeroporto de Singapura estava mais tranquilo do que o habitual. Muitos voos para o Irão e Coreia do Sul estavam cancelados. Parecia que havia mais dois países vítimas do vírus. O nosso voo para a Austrália decorreu com normalidade. Aterrámos em Melbourne e no mesmo dia voámos para a Tasmânia.

Estivemos 5 dias na Tasmânia mas as coisas foram progredindo lentamente. Não havia novos desenvolvimentos, os números pareciam estáveis. No final dessa semana algumas coisas mudaram. Vários casos espalhados pelo mundo, inclusive na Austrália e até um suspeito na Tasmânia.

Tudo decorria com normalidade, nas ruas, nos cafés, nos restaurantes, nos hotéis, nos museus. Começava a notar-se uma corrida ao papel higiénico. Apanhámos o voo de regresso a Melbourne e aí alugamos carro para fazer a Great Ocean Walk (trilho de 5 dias sem acesso a Internet ou telefone). Começam a aparecer casos em Itália e em França. Quando saímos para o trilho as coisas estavam mais ou menos tranquilas em Portugal. Não havia uma mão cheia de pessoas infectadas em Portugal mas o medo de contágio já era muito e as pessoas começavam a isolar-se voluntariamente. O nosso coração começava a apertar.

Estivemos longe de tudo e de todos durante 5 dias. Cinco dias em que o mundo tremeu e nós não sentimos. Cinco dias em que o mundo gritou e nós não ouvimos. Cinco dias em que o mundo que conhecíamos mudou. Para nós foram, acredito agora, os últimos dias desta viagem. Desde ali tudo mudou, dentro de nós e fora de nós.

Quando chegámos do trilho, Portugal começava a somar infectados. As pessoas recolhiam-se voluntariamente em casa em isolamento social e exigiam medidas mais drásticas do governo. A pressão era muita.

Os nossos estavam bem, embora não conseguíssemos deixar de pensar que muitos eram grupo de risco. Os meus pais têm ambos mais de 70 anos, são relativamente saudáveis, mas a minha mãe tem lúpus. Os pais do Rui também têm mais de 70 anos, mas a mãe foi operada há duas semanas no hospital e está vulnerável. Entretanto está a ser vigiada porque numa consulta terá estado em contacto com alguém que testou positivo. O pai tem doença de Crohn e neste momento encontrava-se a fazer tratamento hospital. Ambos estão de quarentena e em contacto permanente com o SNS, não tendo até ao momento quaisquer sintomas da doença. Ambos temos irmãos, o Rui uma irmã com dois filhos, que luta sozinha para apoiar os pais. Eu um irmão, com uma menina linda que é o brilho dos meus olhos, e a minha cunhada.

Apesar de os nossos irmãos sempre nos garantirem que estava tudo bem e que conseguiam controlar as coisas, a verdade é que para nós era extremamente difícil lidar com o agravar da situação em Portugal. Os nossos pais pediam para não regressarmos. Todos os dias líamos notícias e artigos científicos até à exaustão, com visões de imunologistas sobre o percurso provável da doença. Tentávamos procurar na ciência uma resposta para a resolução do problema. Todos os dias descobrimos que essa resposta poderia tardar semanas, meses ou até anos. Desde essa altura que todos os dias traçávamos cenários possíveis e conversávamos sobre quando seria o momento para voltar. Parece que passaram meses mas na realidade passaram apenas dois dias…

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Na Austrália as coisas continuavam calmas. O nosso destino seguinte seria a Nova Zelândia. Sentámo-nos, conversamos, avaliamos riscos e a situação. Decidimos embarcar para a Nova Zelândia. Íamos para um país desenvolvido, onde nos podiam ajudar em caso de contágio, com um excelente sistema nacional de saúde. Sentimo-nos seguros, sabíamos que estávamos melhor do que na Europa, onde estava centrado agora o epicentro do vírus. Tínhamos medo de voltar e colocar-nos em risco desnecessário, a nós e aos nossos. Toda a nossa família estava em isolamento voluntário com saídas apenas necessárias. Decidimos avançar, ainda que cheios de dúvidas.

A Nova Zelândia tinha, até à data, 6 casos, todos de viajantes estrangeiros. Optámos por continuar viagem. Era o mais seguro, para nós e para os nossos. Entrámos no país e perguntaram-nos como nos sentíamos. Entregaram-nos um cartão com um alerta e número para ligar imediatamente em caso de apresentar sintomas da doença. Fizeram o registo do hotel para onde iríamos e a companhia de autocarros que íamos usar para percorrer o país, a Stray, uma espécie de hop-on hop-off que opera nas duas ilhas e liga os principais locais de interesse turístico.

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A decisão…

Mas em dois dias tudo mudou. A Nova Zelândia endureceu as medidas de entrada no país, criando a quarentena obrigatória para todos aqueles que chegassem. Fomos os últimos a entrar no país sem essa condição. No entanto, tivemos sempre cuidados, por nós e pelos outros. Nós éramos os convidados no país e nunca nos esquecemos disso.

Do outro lado do mundo, nos antípodas, Portugal começava a viver o desespero. De Itália e Espanha vinham notícias horríveis e nós percebemos que as coisas iam mudar e que Portugal seria a próxima vítima. Rapidamente percebemos que tínhamos que reavaliar a nossa viagem. Entrávamos na Era de Viajar em tempos de Coronavírus.

Decidimos fazer as perguntas que fazemos sempre que queremos tomar decisões. Vamos continuar a viagem?

Para quê?
Para quem?
Porquê?

E descobrimos que a viagem já não fazia sentido. Fazíamos trilhos na Nova Zelândia e passávamos o tempo a falar de Portugal e dos nossos. Com o coração do outro lado do mundo, era cada vez mais difícil. A paisagem era deslumbrante e nós não conseguíamos apreciar. Olhávamos os fiordes com os olhos raiados de lágrimas. Observávamos as focas e os golfinhos na costa e o nosso coração já não tinha espaço para captar o momento. O amor pelos nossos transformava-se em desespero. As coisas evoluíam muito rapidamente.

Dada a situação das pessoas que mais amamos, nenhum de nós se perdoaria se não estivesse em Portugal na altura mais difícil das suas vidas. Por outro lado, sabíamos que para atravessar meio mundo nos íamos pôr em risco. Sabíamos que a probabilidade de contrair o vírus nesta viagem seria grande. Sabíamos que estávamos num dos melhores lugares do mundo naquele momento.

O que fazíamos ali? Ficávamos ou não?

De repente, o governo português emitiu um aviso apelando a todos os portugueses que quisessem regressar que o fizessem rapidamente. Estava decidido. Quem de direito, e que tinha acesso à informação oficial, pedia para voltarmos para casa. Obedecemos. Talvez tenha sido apenas a desculpa que precisávamos para passar à acção imediata.

Comprámos voo nesse dia. Não apanhámos o autocarro para o sul da ilha e apanhámos um barco para Wellington, a capital da Nova Zelândia. Fomos o mais céleres possível a chegar do local onde estávamos à capital, mas o tempo não jogava a nosso favor.

Comprámos voo de Wellington para Melbourne, onde sabíamos que a escala seria possível e sem problemas, e de lá para o Dubai e depois Lisboa. Tentámos evitar todas as escalas europeias, sendo que para nós Espanha e Itália estavam fora de questão.

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Traídos pela longitude…

Estávamos longe e, nos antípodas, a 13h de diferença horária de Portugal. Tudo o que era decidido no nosso país, para nós chegava 13h mais tarde. Entre a hora que comprámos o voo, via Dubai, e o embarque em Wellington, a UE fechou o espaço europeu a voos internacionais. Não havia tempo útil para sair. Faltavam três horas para o nosso voo. Demorávamos 33 horas a chegar a Portugal (mais as 13 h de diferença horária). A longitude pregou-nos uma partida. Fomos traídos pela longitude. As 48 h que a União europeia dava para chegar a Portugal deixava-nos sem tempo útil de o fazer apenas porque estávamos, como tantos outros, do outro lado do mundo. Não conseguíamos apanhar essa janela temporal.

Colocámos um apelo nas redes sociais e de Portugal choveram ajudas, de conhecidos, desconhecidos e amigos. No fundo, todos amigos. Uma ou outra mensagem de acusação de comportamento irresponsável da nossa parte em voltar nesta altura. Comum na situação de medo e desespero que se vive e que percebemos completamente.

Saímos de Wellington sem conseguir estabelecer contacto com o MNE – Ministério de Negócios Estrangeiros, que nunca nos atendeu o telefone, mesmo tendo família e amigos a tentar em Portugal. Alguns conhecidos conseguiram contactar mas não sabiam dar informações nem aconselhavam nenhuma atitude. Limitavam-se a replicar aquilo que as notícias todas diziam e nós já sabíamos. Falámos com o consulado de Wellington, que a única coisa que nos deu foi os números de apoio do MNE. “Não sabemos de nada, tem que ser em Portugal”. Números que se replicam na Internet mas que não atendem e não são suficientes para todas as pessoas que estão a tentar voltar. Números que quando atendem dizem não saber como ajudar…

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O Medo…

Embarcámos em Wellington, rumo a Melbourne, onde chegámos um par de horas depois. Ao aterrar soa o aviso no nosso avião. Ninguém sai. Há alguém a bordo com suspeita de infecção e sintomas suspeitos. Todos permanecem sentados. Entra um profissional de saúde completamente protegido e dirige-se para o fundo do avião. Todos rezámos para não ser ao nosso lado, à nossa frente ou atrás. Os crentes e descrentes. Passado uns minutos pedem-nos para sair. Saímos todos. O passageiro fica no avião. A maioria são australianos, de regresso a casa. Meia dúzia segue para as ligações internacionais. Os australianos são obrigados a isolar-se durante 14 dias, em quarentena. As multas para quem não cumpre são pesadíssimas, chegam a 50 mil dólares. Viajar em tempos de coronavírus ia ser assim…

A viagem de regresso…

Seguimos. Esperámos no aeroporto, longe de tudo e de todos. Num canto, esquecidos do mundo. Três horas depois embarcávamos rumo ao Dubai. 14 horas de voo, de máscaras, gel desinfectante, sem beber (para não ter de usar o WC) e tentando permanecer saudável. Apesar de o avião estar cheio, as pessoas pareciam mais saudáveis. Não se ouvia tosse e só ocasionalmente, o choro de uma criança durante a noite que todos já tivemos vontade de abafar. Desta vez, fez-me sorrir.

O avião aterrou no Dubai à hora prevista. Este era o passo mais difícil para chegar a Portugal. Era dia 19 de Março e já estava em vigor a lei da UE que proibia as ligações aéreas internacionais no espaço europeu. Portugal fechara os seus aeroportos a todos os voos internacionais à meia-noite desse dia. A nossa esperança era a Emirates, empresa com que voávamos, e comprámos os voos pelo site da companhia de forma a aligeirar o processo se algo corresse mal. Esperávamos voar apenas com população residente para Lisboa. Tínhamos esperança, como sempre temos. Mas não passou disso…

Quando aterrámos o nosso voo estava cancelado. CANCELED lia-se em frente à palavra Lisboa. O coração caiu-nos nos pés. De repente começou a juntar-se um grupo de portugueses em frente ao balcão da companhia. Fomos todos reencaminhados para outro e começaram a dar-nos opções.

A Emirates colocava-nos num aeroporto europeu à escolha, com excepção de alguns países, nomeadamente Portugal, mas daí para a frente estaríamos por nossa conta. Com apenas alguns minutos para decidir, e sem acesso a informação e aconselhamento de quem de direito, escolhemos Londres. Pesquisámos os voos que estavam nesse dia a aterrar no Porto e essa pareceu-nos a melhor opção para chegar a Portugal. O rapaz do guiché conseguiu-nos um voo que saía em meia hora e corremos para a porta de embarque. Quase não conseguimos despedir-nos dos outros portugueses. Outros que ficariam para trás a tentar também a sua sorte e, muitos deles, sozinhos.

A passagem pelo Reino Unido, um ponto crítico na viagem…

Embarcámos, enquanto comprávamos um voo para essa noite online. O Rui entregava os passaportes e os boarding passes enquanto eu marcava o voo. Os preços estavam proibitivos. Só a Ryanair tinha voos na casa dos 400€ para os dois. Quase a entrar no avião, conseguimos marcar e fazer o check in online para um voo às 21h. Íamos chegar a Londres às 14h e teríamos que recolher bagagens (rezando para que lá estivessem), apanhar um transfer para Stansted (o nosso voo do Dubai era para Heathrow), fazer novo check-in e voltar a apanhar um voo para Portugal, desta vez, Porto.

O risco de entrar no Reino Unido e contrair o vírus é elevado. Viajar em tempos de coronavírus é arricado, muito arriscado. Neste momento o Reino Unido tem uma política de não contenção do vírus, ou seja, a ideia científica dominante é que a maioria da população o contraia e que naturalmente se torne resistente. A taxa de letalidade (% de mortos no total de pessoas infectadas) será um dano colateral. Tinha sido precisamente isto que queríamos evitar. Marcámos um voo para o Dubai e dali directos para Lisboa para minimizar o nosso risco mas também o de levar mais infectados para Portugal (neste caso nós) que consomem recursos e entopem o SNS. Mas o encerramento dos aeroportos em Portugal poderá ter o efeito contrário. Esperemos estar enganados…

Os esquecidos são às centenas…

Há imensos portugueses abandonados e sem resposta nos principais aeroportos do mundo. Filipinas, Tailândia, Índia, Sri Lanka, EUA, Colômbia, Peru… Dubai. Portugueses a serem obrigados a fazer escalas em Espanha, Itália, França ou Reino Unido para tentar entrar em Portugal. Porquê? Não seria mais fácil controlar a entrada dos portugueses nos aeroportos portugueses e proibir a entrada de estrangeiros? Não seria isso melhor para proteger o país? Haver controle sanitário, quarentena obrigatória para quem entra, tentando expor os portugueses ao menor risco possível. Ninguém deve viajar em tempos de coronavírus, só quem tenta regressar a casa.

E de repente, quem viaja é acusado de colocar os outros em perigo. De bestiais, os viajantes intrépidos, numa semana, passaram a bestas.

No Dubai éramos mais de 15, cada um tentando alternativas para regressar. Quase todos viemos por Londres. 15 portugueses expondo-se a um risco desnecessário. Mas muito mais de 200 continuam a viver nos aeroportos espalhados pelo mundo. As mensagens da minha caixa postal não paravam de tocar enquanto ligava a intenet durante as escalas nos aeroportos. As lágrimas escorriam-me pela cara. A minha revolta era muita. Nunca esperei isto do meu país. Nunca esperei que não fosse capaz de dar uma resposta aos seus cidadãos. Um conforto, uma proposta de solução, uma simples palavra. Uma força. Ainda que não os conseguisse trazer a todos para Portugal no mesmo dia, tinha que lhes dar uma palavra de esperança e tranquilidade. Tal como eu consigo responder a mais de 200 mensagens por hora nas redes sociais, alguém no MNE tem o dever de o fazer. Nem que seja para transmitir tranquilidade e dizer que tudo vai ficar bem. Que tudo se vai resolver e que não estão abandonados. Caso contrário é assim que todos se sentem. Porque, na realidade, é assim que todos estão.

O que dizer posso dizer à jovem portuguesa que está sozinha na Índia e que o alojamento a colocou na rua e não sabe como voltar? O que posso dizer ao estudantes do Reino Unido cujas aulas não foram canceladas e estão em regime de internato sem poder sair? O que dizer aos jovens que foram descobrir o mundo e estão há dias a viver de forma precária num aeroporto cheio de gente aglomerada nas Filipinas ou em Bangkok? O que dizer ao rapaz que não tem dinheiro para comprar um voo e está no Bangladesh? Temos que dizer alguma coisa. Temos que fazer alguma coisa. Somos nós que estamos lá, são os nossos.

No voo para Londres, ao meu lado viajou uma mulher que tossia a cada 15 minutos. Tocava em tudo. Eu parecia neurótica ao seu lado, de máscara, virando costas, limpando os braços, o assento e as mãos com álcool em gel a cada 15 minutos. “Se me safo desta, nunca mais apanho!” pensava eu! É por isso que a nossa quarentena não pode ser opção, é dever de Estado. Tal como é dever do Estado a protecção de todos os seus cidadãos.

Sete horas depois aterrámos em Londres… As mochilas chegaram. Era menos uma preocupação. Como é que a Emirates conseguiu metê-las no avião em tempo útil? Incrível! Agora não havia tempo a perder. Saímos do aeroporto, comprámos dois bilhetes para o autocarro directo que faz a ligação entre Heathrow e Stansted. Esperámos alguns minutos no terminal  e seguimos viagem no autocarro, que levava não mais de 15 pessoas. Não há cuidados adicionais na cidade de Londres. Tudo funcionava na normalidade, cafés, restaurantes, transportes…

Uma vez em Stansted olhámos o placard de informações de voo, “Porto – aguarde informação”. Aguardámos, com o coração apertadinho. O voo acima, direcção Varsóvia, estava cancelado. Reformulámos as mochilas. Ali, no chão. Num canto. Os vinte e tal quilos das nossas mochilas tinham que ser transformados em apenas 20 kg. Alguma da comida que trouxemos da Nova Zelândia tinha agora que passar para a bagagem de mão. Não podíamos correr riscos, íamos precisar dela para sobreviver nos próximos dias para anular qualquer contacto social.

Alguns minutos depois… “dirija-se ao check in, gate open“. Parecia que o coração nos ia saltar pela boca. Íamos conseguir! Fizemos check-in tranquilamente, entrámos para o interior do aeroporto. À hora certa, embarcámos no avião rumo ao Porto. O nosso coração estava cada vez mais próximo dos nossos.

No avião eram quase tudo estudantes universitários. Miúdos que deixam para trás semestres incompletos. Regressavam ao nosso país. Ainda encontrei uma ex-aluna, agora a viver e trabalhar em Londres, e também a regressar a casa. No avião havia um espaço vazio entre cada passageiro, distância que me impressionou face às situações actuais. O risco de contágio era assim menor.

Chegar a casa…

Era meia-noite em Portugal quando o avião aterrou no aeroporto de Sá Carneiro. Vi o Douro, o Atlântico, marcos geográficos que sonhei ver só daqui por meio ano. Não pude evitar ficar com os olhos raiados em lágrimas. Estava no meu país. E isto não se consegue explicar. Já li algures que a nossa casa é onde está o nosso coração. E é mesmo! Que ninguém tenha dúvidas. É lá que moramos todos.

No aeroporto do Porto não houve controle, é verdade, mas não foi diferente do aconteceu no Reino Unido. Foi igual. Falta um controle sanitário à chegada, é verdade. Falta informação aos que chegam, talvez um cartão com o número da Saúde24 e com um conjunto de indicações do que pode (e não pode) fazer nos próximos dias e com os sintomas que podem desenvolver e como agir nesse caso. Falta um registo de chegada dos passageiros, que deveria ser obrigatório (saber para onde vão, onde se vão alojar, deixar um contacto). Mas o aeroporto estava calmo, não havia ninguém, apenas os passageiros do voo e o contacto era mínimo e as distâncias entre pessoas eram de vários metros. Todos se auto isolavam. Nada comparado com o vimos nos aeroportos do Reino Unido, a situação mais caótica que vimos nesta viagem. É certo que a Ásia e a Oceânia estão a lidar muito melhor, preventivamente, com o coronavírus do que a Europa. E as estatísticas não deixam margem para dúvida.

Saímos do aeroporto num táxi, que nos deixou em casa do Rui, onde os pais nos deixaram a chave do nosso carro à porta e um saco com comida. Falámos da janela da rua, como se namorava antigamente, do rés-do-chão para o primeiro andar, e a saudade era muita.

Pegámos no carro, conduzimos até Guimarães. Pegámos em tudo de uma só vez para não utilizar o elevador do prédio mais do que uma vez. Protegemo-nos para carregar nos botões. Eram quase duas horas da manhã quando entrámos em casa. Nunca imaginámos chegar assim, a meio da noite… e como se estivéssemos escondidos.

Mochilas para a varanda, para apanhar ar e chuva (se assim for) durante uns dias (talvez 5). Comida para o frigorífico e armários. Roupa despida para lavar, fechada num saco até amanhã. Botas na varanda. Como vivemos sozinhos é mais fácil a gestão do espaço. Estamos os dois no mesmo barco. Tínhamos acabado de viajar em tempos de coronavírus mas íamos sobreviver a isso.

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A quarentena

Nos próximos 15 dias vamos estar de quarentena. Será voluntária em termos sociais mas obrigatória para todos aqueles que se consideram cidadãos responsáveis. É mais do que necessária, é um Dever de Estado. É por nós, mas essencialmente por todos os outros portugueses.

Preparamos a nossa quarentena ainda na Nova Zelândia.

  1. Comprámos comida no supermercado )ainda na Nova Zelândia) para 5 dias.
  2. Fizemos compras online que nos serão entregues na primeira data disponível (24 de Março)
  3. Comprámos um SIM Card da Vodafone com dados móveis para conseguirmos continuar a trabalhar online.
  4. Temos água e luz em casa porque o Rui é teimoso e não me deixou deitar a baixo (adoro este rapaz!)
  5. E estamos a tentar perceber tudo o que vamos necessitar ter em casa para que não falte nada. Tudo será comprado online.

No final desta viagem de 8 meses à Volta do Mundo, incluindo os tempos conturbados e arriscados que passamos na Papua Nova Guiné, fica a sensação que o maior risco que corremos foi na viagem de regresso a casa. O maior perigo foi viajar em tempos de coronavírus.

ALERTAA quarente é socialmente obrigatória. Não é opção. Todos aqueles que chegam a Portugal, nesta altura, têm o dever de se isolar. Não contactar com ninguém, ninguém. Não tocar com as mãos no botão do elevador sequer (usem lenço ou luvas para entrar no prédio de casa). Nada! Isolem-se do mundo. Assumam que são portadores do vírus. E ainda que não sejam, é assim que devem pensar. É assim que temos que agir porque o risco de agravar a situação em Portugal é elevada. Todos os casos de coronavírus fora da China são importados devido ao movimento de pessoas. É igual em todo o mundo. Por isso por cada um de nós que entra, o risco é maior. Não coloquem a vida de ninguém em risco. A maioria dos que entram são jovens, portugueses que nem que tenham o vírus não terão sintomas mas, podem passá-lo a outros. É isto que temos que impedir. Não tratemos mal o nosso país que apesar das dificuldades ainda não nos fechou as portas.

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E agora?

No meio disto tudo ficam os prejuízos económicos, algo que nunca tivemos em conta nas nossas decisões. Hoje fazemos contas mas na altura não entraram na equação. Todos os nossos voos para atravessar o Pacífico estavam comprados antes de sairmos de Portugal. Gastamos cerca de 4 mil euros/pessoa nos voos entre a Nova Zelândia e as ilhas todas do Pacífico Sul, terminando em Santiago do Chile. Voos internacionais entre Vanuatu, ilhas Salomão, kiribati, Tuvalu, Fiji, Samoa, Tonga, ilhas Cook, Polinésia Francesa, ilha da Páscoa, a que se somam voos internos dentro dos países, passes aéreos por exemplo na Polinésia Francesa, passes de barco, por exemplo nas Fiji. A que se juntam hotéis reservados e pagos, viagens de exploração e trekking marcadas e pagas nos parques nacionais da Nova Zelândia. Um defeito de quem prepara exaustivamente uma volta ao mundo e tentou sair de Portugal com o máximo de coisas já pagas. O que na altura parecia uma excelente ideia, e até agora tinha mesmo sido, não seria mais… Devemos ter gasto mais de 12 mil euros que deixámos para trás no dia em que regressámos. As economias de parte da nossa vida. Foi a melhor decisão. Não podíamos viajar em tempos de Coronavírus.

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A Esperança, o dia da Liberdade…

Cancelamos? Tentamos recuperar algum dinheiro? foi a pergunta que se impôs de seguida.

Não queremos. Queremos que a esperança cresça dentro de nós e essa não tem preço. Cancelámos apenas as coisas da Nova Zelândia, onde estaríamos durante um mês e meio. Aí cancelamos tudo. Temos viagem de Auckland para o Pacífico a 25 de Abril. Não cancelamos. É o dia da Liberdade. Pelo simbolismo que este dia tem para nós, acreditamos que estaremos livres nesse dia para embarcar novamente nesta viagem de Volta ao Mundo. Encaramos este regresso a Portugal como um intervalo, em que sacrificamos um país de cada vez. Primeiro a Nova Zelândia. O futuro nos dirá que outros países terão de ser sacrificados. Acreditamos que isto vai passar. Depositamos a nossa esperança nos cidadãos, bons e generosos com o mundo. No dia em que saímos da Nova Zelândia apanhámos um táxi para o aeroporto com um malaio. Conversámos muito. No final despedimo-nos. Já no aeroporto, depois de fazer o check-in, enquanto almoçávamos, ele apareceu. Veio trazer-me o gorro da Tasmânia que deixei no seu carro, quase uma hora antes. Como não acreditar nos humanos nesta altura tão difícil? Chorei… (sim, estou cada vez mais lamechas com estas coisas da humanidade).

Acreditamos que a ciência vai encontrar resposta. Uma vacina para todos virá a caminho. É a democratização da saúde. Os ricos não sobreviverão sem a vacinação dos mais pobres e indefesos. Tudo não vai passar de um pesadelo em que durante semanas não conseguíamos acordar.

Para já vamos ficar em casa, de quarentena, a trabalhar e colocar em dia todo o trabalho pendente que em viagem era difícil de gerir. Vamos continuar a falar de viagens, só viagens. Vamos fazer os documentários em falta e trabalhar no nosso projecto de vídeo de 2020, Pangea. Vamos continuar a espalhar alegria e sorrisos. Vamos continuar a mostrar-vos este mundo maravilhoso que todos nós ainda vamos redescobrir brevemente. Não precisamos de preparar mais viagens, porque as que queremos fazer já estão preparadas, mas precisamos de espalhar magia e alegria, partilhando com o mundo as nossas (e vossas futuras) viagens. E sim, todos nós voltaremos a viajar.

Ninguém deve viajar em tempos de Coronavírus mas depois disto passar começaremos outra vez. Por nós, por vós, pela economia, pelo mundo.

Carla Mota

Geógrafa com uma enorme paixão pelas viagens e pelo mundo. Desde muito cedo que as viagens de exploração fazem parte da sua vida. A busca do conhecimento do mundo leva-a em direcção a culturas perdidas e ameaçadas, tentando percebe-las. Hoje é também líder de viagens de aventura na Nomad.

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49 Comentários

  1. Terminar uma volta ao mundo antes do tempo por conta do vírus é chato demais… Mas tenho certeza que vocês vão continuar essa viagem mais tarde. Portugal vai ser só um descanso mesmo. Mas nessa hora, nada melhor do q estar em casa.

    1. Carla Mota diz: Responder

      Sim, é mesmo isso. Custou muito regressar da Volta ao Mundo, mas era o mais correcto a fazer-se. Agora há que esperar. E quando voltarmos, vamos ainda com mais garra.

  2. Percebe-se que o texto foi escrito “a quente”, ainda com as emoções à flor da pele. Imagino que não tenha sido fácil desistir (ou colocar em pausa) uma volta ao mundo, fruto de tanta pesquisa, poupança e trabalho. E espero que consigam ainda fazer uma parte da viagem, ainda que a 25 de Abril seja inviável

    1. Carla Mota diz: Responder

      Sim, foi mesmo escrito no calor do momento. Fiz mesmo questão de fazer assim porque tinha que eternizar as minhas sensações e medos. E ao mesmo tempo também foi um exercício para lidar com a situação e me manter ocupada. Fica para a posteridade… Desistir da viagem (que ainda nem sabemos se será temporária ou definitivamente) foi terrível, especialmente quando lutamos tanto para ter este ano… Foi um balde de água fria… 🙁

  3. Angela Cristina Sant Anna diz: Responder

    nos estavamos na italia quando começou o surto. saimos 2 dias depois da primeira morte e fomos pra frança. depois retornamos ao uk e eu ja estava mal, provavelmente contrai o virus. eu fiz exame aqui pelo NHS mas perderam. nunca saberei o resultado se era corona ou nao. com ctz mudou a vida de todos e o mundo de ponta cabeça

    1. Carla Mota diz: Responder

      Perderam seu teste! Isso é surreal! Imagino o medo de estar no centro da Europa neste tempo. Se tiveste o covid-19 e tiveste poucos sintomas isso até pode ser bom no futuro porque podes estar imune. Estes dias foram e estão a ser bem loucos para toda a gente. Parece ficção científica.

  4. Momento difícil que estamos vivendo. Mas que bom que vcs conseguiram voltar é top junto com vocês torcendo para que liberem logo novas viagens. Parabéns pelo lindo e tocante texto.

    1. Carla Mota diz: Responder

      Muito obrigada, Surian. Foram momentos difíceis mas o tempo esquece tudo. O importante é manter-nos positivos e pensar que voltaremos a viajar brevemente.

  5. Estar longe de casa e não ter como voltar deve ser uma das piores sensações da vida. Soube também de muitos brasileiros que até agora ainda não conseguiram retornar, assim como muitos amigos e conhecidos que tiveram que cancelar ou adiar viagens planejadas há meses.
    Admiro seu otimismo mas acho muito difícil que vocês consigam viajar dia 25 de abril – de qualquer forma, desejo boa sorte!

    1. Carla Mota diz: Responder

      Sim, vai ser muito difícil viajarmos em Abril ou até em Maio, mas temos que nos manter positivos, pensar semana a semana. Não podemos é desistir de sonhar, nunca.

  6. Juliana diz: Responder

    São decisões, emoções, sentimentos que se misturam né? Eu estava em viagem quando a situação aqui no Brasil começou a piorar e o medo de regressar e entrar dentro do avião tomou conta. Consegui chegar em casa e aqui estou há 20 dias. Infelizmente o Estado não se acha no dever de intervir de uma forma humana e estamos num impasse.

    Adorei seu relato sobre amar e viajar em tempos de coronavirus. As viagens precisam continuar, se não lá fora, que dentro de nós, sonhadores, viajantes, esperançosos. Não sei quando isso acabará, cancelei uma viagem agora pro dia 22/04. Espero que em breve possamos retornar à nossas estradas. Enquanto isso, espero que se cuidem, que todos nos cuidemos e que o amanhã seja mais leve.

    1. Carla Mota diz: Responder

      É isso mesmo, Juliana. As viagens não podem parar, nem que seja dentro de cada um de nós. E vamos sempre pensar positivo e acreditar que tudo mudará em breve. Muito muito obrigada e força aí para o Brasil.

  7. Que história tocante e incrível. Super feliz de saber que estão bem e que deu tudo certo para vocês. Também acredito na visão otimista de vocês e esperaremos por dias melhores. Também estamos no Canadá com visto para vencer em dois meses e com muito medo de voltar para o Brasil. Muito Boa sorte para todos nós nesse período 🙏

    1. Carla Mota diz: Responder

      Vai correr tudo bem, vão ver. O Canadá tem sido exemplar nesta altura e é muito bom estar num lugar onde sabemos que, se tiverem problemas, serão bem cuidados e apoiados. Isso é muito importante agora. Força e um beijão daqui.

  8. Vivemos tempos inesperados e estamos aprendendo como nos comportarmos nestes novos cenários. Muitas pessoas foram pegas em viagem, quando o isolamento nos países foram instaurados. Muita gente passou perrengue para conseguir voltar para casa.

    Eu tinha viagem marcada para a Inglaterra e estava ainda naquelas reflexões de ir ou não, decidimos não ir. Os riscos eram muito grandes. No dia seguinte à nossa tomada de decisão, uns 5 dias antes de nosso embarque, o país deu início ao isolamento.

    Sempre penso, com um frio na barriga, que se nossa viagem tivesse acontecido uns poucos dias antes, poderíamos ter ficado presos por lá, passando justamente por situações parecidas com as suas para tentar voltar para casa.

    Confiemos na ciência. Que tão pronto, possamos ter uma solução para tal vírus. E que todos nós possamos repensar nossas relações com nós mesmos, com as outras pessoas e com o mundo. Nosso modelo de vida precisa mudar, em minha opinião.

    1. Carla Mota diz: Responder

      É isso mesmo. Nós também confiamos na ciência e depositamos nela a nossa esperança. E sim, teremos todos que repensar na forma como vivemos e queremos continuar vivendo. Que este tempo sirva também para reflectirmos sobre isso.

  9. Inês diz: Responder

    Viajar a 25 de Abril? Infelizmente, acho que podem esquecer… Tenho viagem para o final de Maio e já tratei de cancelar porque tenho a certeza que não vai acontecer. Aliás, mudei a data para o final do ano.
    Tudo a correr bem aos dois 🙂

    1. Carla Mota diz: Responder

      Inês, a esperança é a última a morrer. 😀 😉 Se for necessário reajustamos as expectativas e os planos, claro, como fazemos todos. Mas um passo pequenino de cada vez. Temos esperança numa vacina e num medicamento que pode acelerar todo este processo. Quem sabe? Mas neste momento não teríamos nada a ganhar em cancelar os voos porque os voos que compramos não são reembolsáveis. É por isso que pensamos um passo de cada vez. bjinhos

  10. Engraçado como o tom muda em resposta a comentários com palmadinhas nas costas pela irresponsabilidade e a comentários com opiniões contrária à vossa. É certo que o blog é vosso mas se não querem responder, para que se possa gerar uma discussão saudável, qual é o ponto do post? Choros e lamentos e angariação de pena? Ok.

    1. Carla Mota diz: Responder

      Carla, respondemos a perguntas e dúvidas, não a má criação.

      1. Anónimo diz: Responder

        Opiniões diferentes da vossa são, portanto, má criação. Certo… Realmente carácter é aquilo que somos quando ninguém está a ver e você esqueceu-se que isto era um blog e que escrevia para outros lerem. Agora os seus seguidores já sabem. Adiante.

  11. Fernando Pereira Pinto diz: Responder

    Espectacular, como o ser humano consegue nestas condições manter a firmeza e o espírito heróico, conjugado com a vossa vontade de conhecer o mundo, bem haja e parabéns á vossa coragem, pois o meu desejo é que tudo para vós seja do melhor que há e que tudo fizeram para o merecer. Abraço para os dois.

    1. Carla Mota diz: Responder

      Vai correr tudo bem e vamos sair TODOS bem desta situação. Vamos lutar mais unidos do que nunca. bjinhos grandes.

  12. Raquel diz: Responder

    Olá Carla e Rui, acompanhei a vossa aventura todos os dias, história por história, viajei connosco, faziam parte da rotina diária.
    Consegui sentir quase na pele os vossos anseios dos últimos dias. Coloquei-me no vosso lugar e nem consigo imaginar o que vos custou esta decisão. Acredito que no vosso lugar teria feito o mesmo. Espero de coração, que no dia da Liberdade possam voltar ao vosso sonho. Não só pelo investimento monetário, mas acima de tudo, o investimento de uma vida, do sonho, da felicidade. É eu estarei novamente deste lado a viajar convosco.
    Queria, no entanto, deixar a minha humilde opinião, sem qualquer tipo de crítica, apenas a minha experiência e visão da situação. Acho que este vírus, acima de tudo nos está a dar uma grande lição, a lição da União, União, por mim, por ti, por todos!
    Há 15 dias também estive fora do país em formação, quando cheguei ao aeroporto para me vir embora, o meu voo também tinha sido alterado. Fiquei sem chão debaixo dos pés, mas nem sequer por 1 minuto me lembrei do estado, lembrei-me sim, que estava fora por minha opção e agora tinha também de resolver a situação, pois somos largas centenas espalhados por esse mundo fora e o estado não consegue ir buscar 1 por 1 pelos 4 cantos do mundo. Felizmente, a situação foi resolvida e não tive problemas em voltar, mas 2 dias depois fecharam as fronteiras e eu só pensei, safei-me por pouco! Agora estou também em quarentena voluntária, por uma enorme responsabilidade individual e sobretudo social (já quase no fim, e bem de saúde).
    Infelizmente, a pressão é gigante, o estado está com a cabeça na guilhotina e nós todos que estamos “de fora” faríamos sempre de forma diferente. Esta é uma situação jamais vivida, totalmente sem precedentes e acho que não está a ser fácil para ninguém, mas nem por um instante gostava de estar na pele dos nossos governantes…
    Fico muito feliz por terem conseguido regressar e espero que não tenham tido o azar de apanhar o raio do bicho!
    Continuo deste lado a acompanhar as vossas aventuras e espero que possam voltar à estrada rapidamente, mas com a certeza que o mundo jamais será igual…

    1. Carla Mota diz: Responder

      Olá Raquel, muito obrigada pela tua mensagem e fico mesmo contente que nos tenhas escrito a dizer o que achas. Eu concordo com tudo o que disseste. Acho que se calhar não me consegui foi explicar bem. Eu quando digo para o Estado não abandonar os nossos lá fora não estou a pedir para os irem buscar, longe disso. Eu sei que o Estado tem coisas mais graves e prementes em mãos. Todos já percebemos isso. O que eu quero dizer, e a minha crítica (mais nas redes sociais) foi em relação a fecharem os aeroportos e a não deixarem as pessoas entrarem. Nunca pedi repatriamento para mim nem para ninguém. Nós compramos os nossos voos, viemos por nossa conta. Nem poderia ser de outra maneira. Os que estão lá fora estão a tentar fazer o mesmo. Mas há muito jovens, uns em voluntariado outros simplesmente a viajar com pouco dinheiro, que já gastaram todo o dinheiro que tinham em voos que foram sucessivamente cancelados porque o espaço aéreo fechou. Acho que foi isto que não foi acautelado. Era preciso mais tempo para se conseguir voltar, só isso. Eu sei que nenhum país está preparado para isto e, por favor, não me interpretem mal, e que isto não tem nada a ver com partidos políticos nem decisões políticas. É um Estado de Emergência. Mas ao encerrarem os aeroportos a todos, deixaram para trás os nossos, que podíamos ser nós, eu e tu. Felizmente conseguimos entrar. Mas e os outros? A mensagem que eu queria passar e que tento fazer chegar a quem de direito é que a solução não está em impedir os aviões de voar. A solução pode passar por impedir os estrangeiros de voar para cá, mas não os portugueses. Por exemplo, no Canadá, os aviões continuam a aterrar. Saem cheios de estrangeiros e entram com canadianos. Só há este fluxo. E, na minha humilde opinião, que vale o que vale, claro, este é o caminho. Quanto mais tempo os nossos estiverem esquecidos nos aeroportos e nos outros países mais riscos correm. São filhos, filhas, netos, maridos, mulheres de alguém. Eu não consigo ficar indiferente, especialmente porque estou sempre a receber mensagens desesperadas de pessoas. Não são tempos fáceis, e não vão continuar a ser, mas quero fazer o que estiver ao meu alcance para poder ajudar a que ninguém fique esquecido para trás. Para já estamos bem e vamos continuar em quarentena. Estamos animados, e queremos passar muita energia positiva para todos. É importante nos próximos tempos mostrar alguma normalidade e sentido de humor. Vamos todos precisar de combater sombras com risos. Raquel, um beijinho enorme e gostei mesmo da tua mensagem. Acho que a conversar é que podemos todos vencer isto. Obrigada

      1. Raquel diz: Responder

        Muito obrigada Carla por teres sido tão elucidativo, como referi, não era uma crítica de todo, e o que escreveste ajudou ainda mais a perceber o teu ponto de vista. Sabes que com o que leio ultimamente, já não sei se é o estado, União europeia ou as próprias companhias aéreas, pois vejo que continuam a entrar e sair aviões, isto está tudo tão turvo, que já nem sei que diga… 🙁
        O que interessa é que tenham chegado e que todos os que queiram vir também consigam (fingers crossed).
        BTW, não disse no comentário anterior, mas tal como nalguns dos vossos anteriores post, fiquei com uma lagriminha no olho, ao ler este. E posso dizer que viajei, ao lê-lo, com vocês de regresso. Fico, ainda, estarrecida quando vejo que se continua a destilar (ate aqui no blogue, God…) zanga, raiva, ódio, maldade e francamente Carla, não acho que seja o “medo”, acho que é por aquilo que a humanidade está a passar por isto, é o ego…
        Que isto tudo nos sirva de lição, para perceber que este é o momento para a União e amor, pois só assim saímos disto.
        Obrigada por continuarem a partilhar as vossas aventuras e energia positiva, pois é disso que precisamos agora.
        Eu vou continuar aqui como vossa fiel seguidora!
        Um forte abraço aos dois ❤

        1. Carla Mota diz: Responder

          Muito obrigada, Raquel. Um beijinho muito grande. Isto vai passar rápido e vamos todos sair reforçados e melhores desta experiência. São tempos difíceis mas vão passar. bjinhos

  13. Obrigada. Excelente partilha. De emoção vs razão e com verdade. Continua com k “bom dia moreeee”
    Beijos a ambos. Também estou em isolamento (neste caso porque vivo com a minha mãe e ela pertence ao grupo de risco) por 14 dias. Tenho a mochila e os sacos da roupa espalhados no quintal! E eu só fui ali a Salvador para fazer uma coisa que foi cancelada e comemorar o meu 40° aniversário. Foi uma experiência e pêras!
    Gratidão

    1. Carla Mota diz: Responder

      Isto vai passar e vamos todos voltar aos nossos hábitos. E nós vamos continuar aqui. Bjinhos grandes.

  14. Alcina diz: Responder

    Eu peço desculpa, mas também não me comovi nem um pouco com a situação e tenho a lágrima sempre no canto do olho…. não sei porquê…
    Vocês até podem ter ido ainda as coisas estavam calmas, mas foram ouvindo as noticias e mesmo sabendo da família doente vamos é aproveitar, já que isto é tão bonito e o dinheiro está gasto, mas fartei-me de ver relatos nas páginas do facebook de viagens de pessoas a insistir -vão que tanto podem ficar doentes cá como lá…. ou -eu vou.
    Mas depois…. o governo que no traga de volta…. o caos instalado, profissionais de saúde já no limite ainda no inicio, sem verem os filhos como disse outra leitora, muitos concerteza vão ficar infectados e quem sabe morrer……no fim disto tudo, vai haver montes de pessoas sem emprego e a passar fome….. montes de trabalhadores de outros sectores indispensáveis ao dia a dia de todos a trabalharem com medo….mas o governo ainda tem que se preocupar com os irresponsáveis que vão porque sim que depois a santa casa da misericórdia há-de resolver.

    E ainda assim atacam o governo (eles também extenuados sem dormir)porque não têm tempo, porque não fazem nada bem, ou não fecham as fronteiras, ou porque fecham as fronteiras nem fazem nada para resolver o problema dos que andam por aí a viajar por vontade própria….

    Não consigo ser solidária com estes viajantes, para mim irresponsáveis e egoístas, que o governo se preocupe com alunos de erasmus, com emigrantes que ficaram sem emprego, com voluntários por esse mundo fora sim…. mas com estes não….

    Peço desculpa mas não…. penso que deveria canalizar todos os esforços com quem está cá a dar duro e efectivamente precisa ….

    1. Carla Mota diz: Responder

      Quando o medo fala por nós… Bjinhos

  15. Carla Bento diz: Responder

    Hoje de madrugada, ao passar os olhos pela net numa tentativa de me distrair da minha noite extenuante, antes de ir dormir, deparei-me com um post vosso, estive para comentar, mas estava demasiado cansada para isso. Quando acordeideparo-me com este texto e não consegui ficar indiferente. Porque o mesmo seria hilariante se não fosse quase patético. Pode-se dizer que seria um interessante caso de estudo clínico sobre o medo, mas é apenas um texto a apelar à lágrima dos seguidores. Há muito que vos sigo e por isso é já facilmente claro a alteração de comportamento da Carla perante situações de medo e pânico, viu-se na Papua Nova Guiné e viu-se agora no seu regresso. É claro e evidente que como irei ter uma opinião contraditória irei fazer parte daquele grupo que é visto como “ovelhas ranhosas”, que não vêem tocar música aos ouvidos, nem massajar o ego. Que seja. Mas talvez devesse analisar bem o seu comportamento antes de criticar tanto, mesmo que num ressabiamento escondido atrás de um texto “fofinho”.
    Tinha os seus pais doentes e em cirurgias e não poderaram voltar antes?! Nem vou comentar, vejo casos desses diariamente onde trabalho. Milhares de idosos que poderia recuperar confortavelmente no conforto dos seus lares sãos deixados nos hospitais à mercê da sua sorte, ocupando camas, retirando lugar a outros, porque os filhos estão demasiado ocupados. Ah! Os irmãos de ambos estavam a tomar conta da situação… e incentivaram a continuar viagem… pois… os outros e para os outros…
    Num dia a Emirates é incompetente no outro foram fantásticos. Num dia o governo é incompetente e não sabe o que está a fazer, no outro já as palavras são mais comedidas. Num dia está até a colaborar com o governo a ajudar, pois eles não sabem como fazer e a Carla vai ensinar, mas no dia seguinte, quando eu pergunto a alguém do MNE, se a Carla está a colaborar nalguma coisa a resposta é “Quem?!”. É que o mundo é pequeno! E acredite, o MNE está a fazer o possível e impossível para trazer todos de volta, muitos não dormem há vários dias. E se estivesse atenta às notícias, saberia que há já vários dias que chamarão a do a responsabilidade de repatriamento, retirando essa tarefa das embaixadas, pois estão atentar conjugar esforços. É importante relembrar que os outros países são soberanos nas suas decisões e política internacional não se faz em dois minutos.
    A sério que acha que é bestial só porque viaja?! A sério?! Malta que viaja é tão bestial que depois não tem dinheiro para voltar. Eu também viajo, mas não como a Carla o faz, seria incapaz de dormir nos sitíos duvidosos que dormiu, onde provavelmente a saúde pública poderia estar em causa, comer nalguns sítios que comeu e só por isso sou uma besta, viajo com dinheiro extra para uma situação de emergência, tenho atenção às medidas de segurança, aviso o MNE para onde vou e quando vou, o que pouca gente faz, pois o governo não tem nada a ver pera onde vão, mas depois querem que o governo adivinhe onde cada um está! Vai-me desculpar, mas bestial é quem sabe respeitar as normas de segurança, bestial é quem dá o corpo às balas, bestial é quem não sabe o que é uma noite bem dormida há várias semanas, bestial é quem dá o litro e o meio litro para que o número de mortos não duplique como hoje, bestial é quem põem a vida em risco para salvar os outros, só porque houve alguém que voltou de zonas de riscos e desvalorizou. Mas não é nada bestial o número de infectados e de mortos que iremos ter daqui a duas semanas, não é nada bestial o estado que a economia vai ficar, não é nada bestial o desemprego que vai haver. Como também não é nada bestial eu e o meu marido não vermos os nossos filhos há já vários dias, para não os contagiar. Filhos esses, que não tenho outra rede de suporte tiveram-me ficar com amigos, para não ter que os deixar com os avós que são do grupo de risco. Isso é que não é nada bestial, ter que estar longe dos meus, ter que enfrentar diariamente o que estamos a enfrentar e porquê?! Porque há pessoas bestiais que não souberam assumir as suas responsabilidades. Sim sou uma besta, que não posso ficar fechada em casa 15 dias, sou a besta que vai dar o corpo ao manifesto.
    Curioso ainda é ler que não quis utilizar o elevador várias vezes para se protegerem… o medo, o tal medo patológico. Teria sido mais simpático, debaixo dessas palavras camufladas, dizer para proteger os outros, afinal de contas descreve que passou por situações vulneráveis… Enfim, tinha muito mais para dizer mas tenho que voltar novamente ao trabalho. Mas deixo um conselho, se me permite, deixem de dar palpites, já tínhamos cá vários milhões a fazê-lo, façam algo de útil. São professores não são?! Ajudem on-line país que não estão a conseguir dar acompanhamento escolar aos seus filhos. A Carla tem tantas ideias para trazer os portugueses de volta para Portugal, mesmo quando as fronteiras foram fechadas, elabore um documento, proponha coisas ao MNE, já que tem ideias válidas, vamos lá contribuir. Passe das palavras à acção. O exército está a pedir civis que sejam voluntários, vamos lá, após a sua quarentena, contribua, venha ajudar. Eu peço desculpa, mas como besta que sou, sei fazer muito pouco e é isso que vou fazer agora, tentar ajudar o país a sair rapidamente deste caos. Lamento desde já se não lhe poderei dar mais atenção.

    1. Carla Mota diz: Responder

      Tristeza… Obrigada pela mensagem, Carla. Não vou responder porque a minha sanidade mental não me permite. Beijinhos e espero que tudo lhe corra bem e desejo-lho o melhor a si e para os seus. bjinhos

  16. Lusa B. Pinto diz: Responder

    Obrigada pela vossa coragem e resiliência. Outras viagens vos esperam e torço para que se realizem. Também eu fiquei lamechas ao ler este artigo. Obrigada pois. A vida vai seguir em frente !

    1. Carla Mota diz: Responder

      Vai mesmo. Vamos vencer isto juntos. bjinhos grandes

  17. Mena Meira diz: Responder

    Bem-vindos!
    Sou uma viajante independente e muito do que escrevem tem-me servido de inspiração. Admiro a vossa dinâmica.
    Acompanho desde há muito as vossas aventuras. Estava a ler o vosso dia a dia nesta viagem de volta ao mundo…
    Tenho pena que tenha acabado desta forma,mas foi a maneira mais sensata de resolver.
    Percebo a vossa desilusão quanto à forma como o país está a lidar com quem está fora dele, mas, salvo raras exceções, foram pessoas inconscientes que teimosamente quiseram manter os seus passeios. Arriscaram e perderam!
    O governo e todos nós temos muita preocupações pela frente… Esse tem sido o foco destes dias. Tristemente falo no meu caso pois tenho uma pequena empresa com 6 trabalhadores, desde há uma semana que a facturação é zero e ontem tive que pagar a SS e no fim do mês tenho que ter dinheiro para pagar aos trabalhadores. Como? Não faço ideia…
    Como vêm, serão muitos mais os portugueses na mesma situação que atravesso do que os 200 que estavam fora do país, na sua maioria, a passeio.
    Acho que não podemos ser egoistas…
    Um abraço desta viajante agora em casa a pensar no futuro…

    1. Carla Mota diz: Responder

      Olá Mena, os dias que ai vêm serão difíceis sim, para todos. Não tenhamos ilusões. A pobreza, o desemprego… vai voltar. Mas nós vamos lutar para que seja o mínimo possível. Todos teremos dramas pessoais, estou certa. Todos temos medo. Quanto aos que estão fora, muitas inconscientes haverão, estou tão certa como tu. Mas a maioria não o são certamente. Há centenas de jovens a viajar há meses. Estudantes na Europa. Adultos a trabalhar por este mundo fora. Professores em Timor Leste…. Centenas de voluntários, que deixaram tudo para sair daqui e ajudar do outro lado do mundo. Sim, há inconscientes também. Mas agora, acho eu, não é hora de apurar responsabilidade nem acusar. É hora de ajudar. Quando a tempestade passar, fazem-se as contas e apura-se responsabilidades. Cada coisa a seu tempo. Muita força para aí. E não precisamos estar sempre de acordo, precisamos sim é de partilhar os nossos pontos de vista. Obrigada, Bjinhos grandes.

  18. João Guerra diz: Responder

    Bonito artigo.
    Esperamos todos continuar a viver e a viajar.
    Aguardamos os vossos artigos, e fotos e documentário. Os próximos meses vão ser duros, precisamos de continuar.
    Um abraço.

    1. Carla Mota diz: Responder

      Vamos continuar. Vão ser mesmo, mas com boas energias e resiliência vamos ultrapassar isto tudo. Força e muito obrigada <3

  19. Eduardo diz: Responder

    Acompanhar vocês é uma distração da mente , por aqui (Brasil ) está a começar
    Vamos sim sair desta .
    Fico à espera das notícias

    1. Carla Mota diz: Responder

      Obrigada, O Brasil ainda não começou. Muito cuidado. Fiquem bem, cuidem-se de vós e dos vossos. Muita força. Seguimos juntos. bjinhos

  20. Liliana diz: Responder

    Seguiremos juntos! Força

    1. Carla Mota diz: Responder

      Seguimos mesmo! Vamos conseguir vencer isto e voltar a viajar.

  21. Célia Gama Lobo diz: Responder

    Viajei convosco enquanto liam o vosso relato. Parecia aqueles filmes que nos agarram ao sofá com as lágrimas a cair sem parar. Mas isto é real…
    Bjs

    1. Carla Mota diz: Responder

      Bjinhos Célia. É real mas vai passar. Pensamento positivo <3

  22. Carla Miranda diz: Responder

    Momentos difíceis para todos mas muito especial para vocês! Estive a viajar na América do Sul durante 2019 e consigo imaginar a dificuldade que teria sido se a doença se chama-se Covid-18. É muita pena terem que ter interrompido o vosso sonho, mas a vida é feita de sonhos, e outros vão encher a vossa vida.
    Aproveitem estes 14 dias para também descansar, que deviam estar exaustos. E no fim tudo vai ficar bem, diferente sem dúvida, mas isso acontece sempre.
    Fiquem bem!

    1. Carla Mota diz: Responder

      É isso mesmo.E sairemos daqui com garra redobrada para abraçar o mundo. bjinhos grandes

  23. LC diz: Responder

    Meus caros,
    Bom regresso a casa. Boa quarentena e muitas felicidades:!
    Acho que fizeram bem em não cancelar o resto da viagem, mas não contem com o 25 de Abril para terminar esta tragédia. Nessa altura as coisas já estarão mais bem encaminhadas, mas ainda não terminadas, penso eu…
    Aproveitem para descansar e continuem a escrever
    Este texto, bem escrito como sempre, prega-nos de vez em quando umas partiditas ao nível das emoções, porque estamos convosco, porque nos revemos nas vossas viagens, porque gostamos muito de vós…
    Um beijo e um abraço virtuais, por agora…

    1. Carla Mota diz: Responder

      É provável que não, mas o 25 de Abril será uma esperança. É uma data linda. Apenas a primeira. Vamos ter tempo de traçar outras, se for o caso. De ajustar planos. Para já vamos aproveitar todos os dias para gritar que tudo vai correr bem e que todos vamos ajudar. Um beijão do tamanho do mundo para aí. Quando isto passar vou cobrar este abraço.

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