A primeira vez que fui visitar as Portas do Ceira ainda era uma adolescente. É verdade! Estudante de Geografia na Universidade de Coimbra e cheia de sonhos e olhares predadores sobre o mundo. Hoje, já não sou adolescente, mas tudo o resto continua cá.
A visão do Geógrafo revela segredos quase inimagináveis para o comum cidadão. Descobre ciência na paisagem. O geógrafo procura os lugares com olhares predadores sobre o mapas e o traçado das curvas de nível. É assim que descubro o mundo há mais de 20 anos. É assim, mesmo no tempo das apps e da internet, que continuo a gostar de começar a descobrir.
Há anos que já não vinha ao rio Ceira e à Serra da Lousã! E agora estou aqui outra vez, nas Portas do Ceira, um fenómeno de adaptação do rio Ceira a uma estrutura falhada, transpondo as bancadas de quartzitos e criando um vale em garganta fantástico.
Este fenómeno não é único no mundo, em Portugal ou até na Serra da Lousã. Há outros locais semelhantes e que vos vamos mostrar brevemente mas o Ceira é especial.
Veja aqui o nosso artigo sobre o que visitar na Serra da Lousã
O rio Ceira nasce perto da aldeia do Piódão (que se não conhecem devem ir já com a ajuda deste nosso artigo), na Serra do Açor (que podem conhecer também com este nosso artigo com um belo roteiro para um fim de semana). Desde o Piódão que o rio traça o seu percurso essencialmente em xistos, criando vales pouco profundos e com vertentes suaves e regularizadas. Mas na zona de Serpins tudo muda.
Quando o Ceira chega à zona de Serpins, o rio encontra rochas mais duras, quartzitos, que seriam impossíveis de transpor. O “normal” seria o rio contornar estas rochas, procurando traçar o seu percurso em direcção ao Mondego. Porém, a acção da tectónica acabou por fracturar muitas das rochas duras, os quartzitos, e o rio Ceira, aproveitou-se dessa fragilidade. Como quase uma entidade viva, resolveu encortar o seu caminho e atalhar pelos quartzitos, utilizando as zonas de falha, criando aquilo que os geógrafos chamam “uma adaptação da rede hidrográfica à estrutura”. Ou seja, o rio adapta-se ao meio. Assim, o rio transpõe as bancadas quartzitas através dessas linhas formando um vale em garganta profunda.
VISITAR AS PORTAS DO CEIRA (Garganta do Cabril do Ceira)
As Portas do Ceira é a designação geográfica que é dada a este acidente, mas localmente é conhecido como Garganta do Cabril do Ceira. O Cabril do Ceira é uma pequena piscina natural, uma espécie de praia fluvial, que se forma devido à acumulação da água na entrada da garganta.
Como chegar às Portas do Ceira
Visitar as Portas do Ceira é fácil, basta seguir em direcção a Serpins, concelho de Góis, e aí, apanhar a estrada N242-3 até à intercepção com a Estrada Municipal 1226. É aí que aparece um sinal à direita com indicação “Cabril” e que, através de uma estrada de terra batida, nos leva até ao Cabril do Ceira. São cerca de dois quilómetros de terra batida na fase final do percurso mas o carro consegue ir lá. Não há muito estacionamento por isso esse vai ser o maior problema.
No Cabril do Ceira há uma praia fluvial, uma espécie de piscina natural fabulosa, assim como belos lugares para nadar na garganta e, até saltar das fragas de quartzito para o rio. É um excelente local para passar o dia ou uma tarde soalheira.
O QUE NÃO PODE DEIXAR DE LEVAR
Para visitar as Portas do Ceira ou a Graganta do Cabril de Ceira, não deixe de levar consigo:
- Um belo piquenique
- Uma toalha de praia
- Chinelos
- Roupa para trocar
- Bikini ou fato de banho
- E o ingrediente principal, boa disposição!
Não se esqueça de trazer consigo todo o lixo que fizer, e respeite a paisagem e os outros. O espaço não é grande por isso terá que saber partilhar e respeitar. Acredito que ao fim de semana terá mais gente, mas durante a semana era quase só para nós.
ONDE DORMIR QUANDO FOR VISITAR AS PORTAS DO CEIRA
A melhor opção para visitar as Portas do Ceira é visitá-las num roteiro pela Serra da Lousã. Assim, pode combinar várias coisas distintas na sua visita.
Alojar-se na Serra da Lousã
- Nós quando estivemos na Serra da Lousã ficámos alojados na Casa da Carvalha, na aldeia de Candal, pois gostamos de ficar em casas tradicionais. Localizada na parte alta da aldeia, tinha dois andares, a sala e cozinha no superior, e o quarto e casa de banho no inferior. Era muito aconchegadora, aliando o conforto ao ambiente rural.
Na aldeia do Candal, há outra bela opção, na parte baixa da aldeia (mais perto da entrada), a Casa de Baixo.
Outras excelentes opções de alojamento em casas tradicionais nas aldeias de xisto da Serra da Lousã são:
- a Cerdeira – Home for Creativity, na aldeia de Cerdeira;
- a Casa da Urze, a Casa Princesa Peralta, a Talasnal Montanhas de Amor, ou a Talasnal Casa do Cascão, na aldeia de Talasnal;
- a Casa do Tanque, na aldeia de Chiqueiro;
- a Casa Da Pena, ou a Casa do Neveiro, na aldeia de Pena;
- a Casa da Comareira, na aldeia de Comareira;
- a Casa da Aigra, na aldeia de Aigra Nova.
Alojar-se perto da Garganta do Cabril do Ceira
Para visitar as Portas do Ceira, pode ficar alojado mais perto, embora não haja, por enquanto, muitas opções.
- Na aldeia do Serpins, pode ficar na Casa Gaia, na Casa Branca ou na Casa do sapateiro.
- Na Vila de Góis tem como opção a Casa Carvalhal ou o Sotam Country House
- Na vila de Castanheira de Pêra ou redondezas, poderá escolher entre a Casa Poesia, o Resort Natureza Villa Rio, ou o Artvilla Tourism Houses.
Alojar-se na Vila da Lousã
Por último, também pode ficar alojado na vila da Lousã, que, embora fique um pouco mais longe do passadiço da Ribeira de Quelhas, é uma excelente base para explorar a Serra da Lousã e com mais opções de alojamento. Ali nao ficará numa casa de xisto, mas tem a vantagem de poder ficar mais perto de supermercados e restaurantes, e sempre a pouca distância das aldeias da serra. Na vila da Lousã, pode escolher entre:
- alojamentos mais baratos, como o Hotel Bem Estar, ou o HI Lousã – Pousada de Juventude;
- ou, se preferir mais conforto, o Palacio da Lousa Boutique Hotel, o , ou o Lousã Varanda’s House;
- ou ainda, se viajar em família ou grupo, o apartamento O Recanto da Lousã.
Olá Carla.
As portas do Ceira são em Vila Nova de do Ceira, no lugar do Cabril.
A Lousã tem “vendido” o spot como sendo uma das maravilhas da Lousã mas fica no concelho de Góis (são outras guerras).
No alto da epigenia do cabril tem o Cerro da Candosa, também em Vila Nova do Ceira.
Desculpe pelo reparo, bem haja pela divulgação.da nossa região,
Obrigada, Paulo. O que queria dizer era Serra da Lousã, não Lousã concelho. Mas vou alterar para não criar confusões.
Sem palavras para comentar ousadamente .
Porém ,digo :PORTUGAL é tão lindo .PORQUÊ a euforia pelo Algarve …Brasil …e outras paragens deste mundo de UM DEUS que nos deu um PORTUGAL cheio de segredos naturais ,belos ,maravilhosos capazes de curar :stresses,solidões ,cansaços ….
Sou Moçambicana vinda a reboque de uma descolonização subordinada a interesses tão escusos .Pouco conheço desste PORTUGAL profundo .Hoje com 85 anos ,viuva ,orfâ de filhos com problemas de saúde vários ,não me permite disfrutar in loco este PORTUGAL tão repleto de histórias da HISTÓRIA entre penhascos ,verdes exuberantes ,serras e montes ,tão mal aproveitados …Parabéns por esta reportagem …arrangem campos de aviação :PIODÃO merece portas abertas …Fico encantada com Piodão….Desejo êxito para a recuperação das sombras de um Portugal profundo ,mas tão desconhecido .Maria
Maria, há tempo e espaço para tudo. Portugal é maravilhoso mas todos precisamos de mais mundo também. Para nos tornarmos mais tolerantes, para aprender, para tanta coisa. É bom saber apreciar o nosso mas também os outros.