Visitar Picton é conhecer um dos elos de ligação entre as duas principais ilhas da Nova Zelândia e porta de entrada de uma das atracções naturais mais espectaculares da ilha Sul da Nova Zelândia, os Marlborough Sounds. Picton é uma pequena cidade junto ao mar, banhada pelo Estreito de Cook, e o seu porto vê chegar e partir vários ferries por dia que fazem a ligação entre as ilhas Norte e Sul da Nova Zelândia. À parte esse movimento, é uma cidade pacata, rodeada de um magnífico cenário natural, caracterizado por um emaranhado de reentrâncias do tipo de fiordes, fazendo de Picton um destino turístico popular no Verão para os amantes de natureza, caminhadas, pesca e mergulho.
A geografia dos Marlborough Sounds
Os Marlborough Sounds ocupam cerca de 4.000 km2 da ponta nordeste da ilha Sul da Nova Zelândia, e são um emaranhado de canais ladeados por extensões ramificadas da ilha Sul ou por pequenas ilhas ao largo, com colinas íngremes e arborizadas. Esta região tem uma costa tão recortada que, apesar da sua área diminuta (quando comparada com o total da ilha), contém 1/5 do comprimento das costas da Nova Zelândia. A área é escassamente povoada e o acesso é quase só por barco.
Geograficamente, então, o que é um “sound”? Não, neste caso, não é um som. Um “sound” é um antigo vale fluvial que foi alagado pela água do mar, devido à subida do nível médio das águas após a era glacial. É mais profundo do que uma reentrância, e mais largo do que um fiorde, sendo este originalmente um vale glaciar, não fluvial. O termo “sound” deriva do antigo norueguês “sund”, que significa “estreito”. Neste contexto geográfico, não conhecemos tradução portuguesa, por isso manteremos a designação inglesa.
O principal sound é o Queen Charlotte Sound (Tōtaranui), de águas calmas, que vai desde Grove Arm, a oeste de Picton, até ao Estreito de Cook, o braço do Oceano Pacífico entre as ilhas Norte e Sul da Nova Zelândia, com águas turbulentas. A maior ramificação do Queen Charlotte Sound é o Tory Channel (Kura Te Au), por onde navegam os ferries que fazem a ligação entre Picton e Wellington, a capital da Nova Zelândia, localizada na ponta sudoeste da ilha Norte.
Marlborough Sounds e a presença humana
A geografia dos sounds, fontes ricas de peixe e abrigadas contra o mau tempo do estreito de Cook, fez com que esta região fosse habitada por grupos maori muito antes da chegada dos europeus. No entanto, o acontecimento que mudaria a história da região para sempre seria a visita do capitão Cook na década de 1770, atracando em Ship Cove e na ilha Motuara, proclamando a soberania britânica sobre a ilha sul.
A partir daí, nada seria mais como dantes, sendo que os sounds seriam explorados pela caça às baleias, e muitas das suas costas foram ocupadas por agricultores europeus. Hoje, é a actividade turística que movimenta a região e os Marlborough Sounds são algo a não perder na Ilha Sul da Nova Zelândia, mesmo que sejam muitas vezes negligenciados em comparação comoutras atracções naturais mais famosas como o Monte Cook, o glaciar Franz Josef e o Milford Sound.
DICAS PARA VISITAR PICTON
Deixamos aqui algumas dicas para quando visitar Picton, nomeadamente quando visitar, como chegar, como usar o dinheiro, e como fazer o necessário seguro de viagem.
Quando visitar Picton
A região norte da ilha do Sul tem um clima mais ameno e soalheiro do que o resto da Nova Zelândia, com temperaturas máximas a ultrapassar os vinte graus nos meses mais quentes de Janeiro e Fevereiro. Esta é a época alta e mais concorrida na região, mas pode visitar Picton e os Marlborough Sounds com temperaturas máximas amenas entre Novembro e Abril.
Como usar o dinheiro em Picton
A moeda nacional da Nova Zelândia é o dólar neozelandês. Pode fazer levantamentos e pagamentos com cartões de crédito e de débito, aceites em todo o lado. O ideal para evitar taxas bancárias excessivas é fazer como nós, e usar o cartão Revolut. Pode consultar o artigo sobre a nossa experiência com o cartão Revolut.
Fazer seguro de viagem
Viajar na Nova Zelândia não exige seguro de viagem mas é aconselhável fazê-lo principalmente porque vai deslocar-se e fazer actividades na natureza. Nós recomendamos o seguro de viagem da IATI, aquele que usámos na nossa viagem.
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COMO CHEGAR E DESLOCAR-SE QUANDO VISITAR PICTON
Picton fica na ponta nordeste da ilha Sul da Nova Zelândia. A maior cidade perto de Picton é Wellington, mas noutra ilha, na ponta sudoeste da ilha Norte. Na ilha sul, Christchurch fica a cerca de 340 km de Picton. Wellington e Christchurch têm aeroportos internacionais, com ligações a Austrália, Singapura, Hong Kong e China.
Pode pesquisar e comprar aqui o seu voo para Wellington ou Christchurch.
1. Chegar a Picton de ferry
Se voar para Wellington, terá inevitavelmente de viajar para Picton de ferry, numa viagem que dura cerca de 3 horas e meia. Há duas companhias a fazer a travessia de ferry entre Wellington (Ilha Norte) e Picton (Ilha Sul), a Interislander e a Bluebridge.
2. Chegar a Picton de carro
De Christchurch, pode chegar a Picton de diferentes formas. Uma óptima forma de se deslocar na Nova Zelândia é, claro, alugar carro, mas (juntando seguro contra todos os riscos e o combustível) vai sair-lhe caro.
3. Chegar a Picton com a Stray Travel
Outra opção para se deslocar na Nova Zelândia, e que foi aquela que nós escolhemos, é de autocarro com a Stray Travel. Embora esta companhia também organize tours, nós optámos pela variante mais independente. O itinerário dos autocarros e paragens ao longo do país são fixos, mas o resto depende do gosto de cada um.
Consulte aqui os horários dos autocarros da Stray na Nova Zelândia, assim como os pontos de pick-up ao longo do percurso.
De entre os vários tipos de passe à escolha, com durações e âmbitos territoriais diferentes, escolhemos o Freestyle Pass “Everywhere”, válido por 12 meses a partir do primeiro dia de viagem, e depois definimos o nosso itinerário, onde parar, onde dormir e quantos dias passar em cada local.
Depois de comprar o passe, é só preciso fazer login na aplicação Stray Mate, onde se faz a reserva das viagens, e onde se pode também reservar, se for o caso, alojamento com tarifa Stray, e actividades várias (sendo as datas flexíveis, podendo alterá-las a qualquer momento na app).
Visite aqui o site da Stray Travel, escolha o seu passe e comece a preparar a sua viagem.
4. Chegar a Picton de comboio
Se tiver tempo, e se for amante de comboios, não deixe de fazer uma das viagens de comboio mais bonitas do mundo, o Coastal Pacific, num percurso entre Christchurch e Picton, que demora cerca de 5 horas, e que parte todos os dias entre a Primavera e o Outono.
ONDE ALOJAR-SE QUANDO VISITAR PICTON
Nós ficámos alojados no Atlantis Backpackers, uma óptima opção, no centro da cidade e com quartos confortáveis. É uma referência em Picton, com um interior completamente surpreendente, face ao exterior pouco atraente. Lá dentro, os livros, quadros, objectos e até um piano fazem as delícias dos hóspedes. Tem uma boa cozinha e várias salas de estar.
- Outras opções baratas e bem localizadas no centro da cidade são o Tombstone Motel, Lodge & Backpackers, o The Villa Backpackers Lodge, ou o Sequoia Lodge Backpackers.
- Se quiser mais conforto, experimente, na zona do porto de Picton, o Harbour View Motel, ou o Piwaka Lodge, e na zona de Waikawa Bay, o Palmira Lodge, o Moana View, ou o mulberry house.
O QUE VER E FAZER QUANDO VISITAR PICTON
Aconselhamos a ficar em Picton pelo menos três dias, para ter tempo de desfrutar da cidade e fazer actividades nos Marlborough Sounds. Ficam aqui as nossas sugestões sobre o que ver e fazer quando visitar Picton.
Veja aqui os relatos da nossa viagem da Volta ao Mundo
1. Fazer um cruzeiro nos Marlborough Sounds
Esta é uma das actividades obrigatórias quando visitar Picton, de forma a explorar os magníficos Marlborough Sounds, uma paisagem natural fabulosa, com uma vida marinha diversa e que atrai as atenções daqueles que se aventuram nestas águas.
Não deixe de visitar a Ship Cove, a baía que era o ancoradouro favorito do Capitão James Cook. Este tipo de actividade pode ser conjugada num dia com a manhã dedicada ao barco, e a tarde dedicada a uma caminhada, por exemplo no Queen Charlotte Track.
Reserve aqui o seu lugar num cruzeiro em Marlborough Sounds, até Ship Cove, ida e volta de Picton.
2. Percorrer a pé o centro de Picton
Picton é uma pequena vila que hiberna durante o Inverno, mas acorda na Primavera e é muito movimentada no Verão. Vale a pena dedicar algum tempo a percorrer as ruas de Picton, visitar algumas lojas, e desfrutar dos restaurantes e cfés, e partilhar do quotidiano dos seus habitantes, de forma a sentir o pulso ao modo de vida neozelandês.
3. Passear no Picton Memorial Park
Um passeio obrigatório quando visitar Picton é na zona do Porto, onde existe uma tranquilo e belo espaço verde. Caminhe ao longo do Porto, observe o movimento dos barcos e ferries, sente-se na relva e aproveite o sol.
4. Conhecer a Picton Marina e Waikawa Bay
Outro belo passeio que deve dar em Picton é continuar pela marginal, na direcção contrário do Porto de ferries, atravessar a ponte pedonal, desfrutar da tranquila Marina de Picton, e terminar na bonita Waikawa Bay.
5. Fazer o percurso Snout Track
Se só tiver tempo para uma caminhada em Picton, esta deverá ser a sua escolha. A língua de terra que separa Picton de Waikawa Bay pode ser percorrida a pé, até à sua extremidade, designada por The Snout (“o focinho”). Dali terá vistas privilegiadas sobre o Queen Charlotte Sound.
Pode fazer o percurso mais junto à água, ou pela crista da colina. Pode aceder ao trilho indo de carro até ao pequeno Snout Track car-park, no cimo da colina, ou indo a pé desde Picton. Do car-park, serão cerca de 3 horas ida e volta, enquanto que de Picton deverá contar com, pelo menos, quatro horas.
6. Fazer o percurso Tirohanga Track
Nós não tivemos tempo de fazer este percurso, mas o Tirohanga Track é um passeio a considerar quando visitar Picton, um curto, mas inclinado, trilho que leva ao cimo de uma colina sobranceira a Picton (ida e volta, uma hora e meia). De lá, terá vistas fabulosas sobre Picton, Waikawa Bay e os Marlborough Sounds. O trilho pode ser acedido pela Devon St, ou pela Newgate St (pode ir por um lado e vir pelo outro).
7. Comer uma tarte de vieiras
Um dos pratos nacionais da Nova Zelândia é a tarte de vieiras, normalmente com molho de caril. Não deixe de experimentar esta delícia enquanto passeia em Picton.
8. Percorrer o Queen Charlotte Track, total ou parcialmente
O Queen Charlotte Track é uma caminhada de 3 a 5 dias, que começa em Ship Cove e termina na localidade de Anakiwa. É possível acampar ao longo do caminho, em vários acampamentos, com casa-de-banho e água, mas sem outras instalações. Mas não é preciso fazer o percurso na sua totalidade para desfrutar dos Marlborough Sounds. Pode também fazer percursos pedestres de um dia em troços da caminhada, por exemplo, de Furneaux Lodge para Punga Cove (12 km, 3 a 4 h), rodeando o Endeavour Inlet, ou de Ship Cove a Furneaux Lodge (15 km, 4 a 5 h). Esta actividade pode ser combinada com um cruzeiro ou com um passeio de caiaque.
Marque aqui o seu cruzeiro para Ship Cove e uma caminhada no Queen Charlotte Track.
9. Fazer caiaque nos Marlborough Sounds
Uma das melhores formas de explorar os Marlborough Sounds, para aqueles que gostam de actividade física, é fazer caiaque e percorrer alguns quilómetros à superfície da água e observar a paisagem e vida selvagem de perto. Este tipo de actividade pode ser conjugada num dia com a manhã dedicada ao caiaque, e a tarde dedicada a uma caminhada, por exemplo no Queen Charlotte Track.
Marque aqui o seu passeio guiado de caiaque, com caminhada no Queen Charlotte Track.
10. Explorar os Malborough Sounds com o carteiro
Os Marlborough Sounds são uma região com pouca população e muito dispersa. O acesso às pequena povoações é quase inteiramente feito por barco e há uma forma invulgar de testemunhar o modo de vida local, que é viajar pela região no barco do carteiro. Junte-se à entrega de correio, mantimentos e mercadorias, num serviço de entrega que funciona no Queen Charlotte Sound há mais de 150 anos.
Reserve o seu lugar no Queen Charlotte Sound Mail Boat Cruise, a partir de Picton.
11. Observar golfinhos nos Marlborough Sounds
Os Marlborough Sounds são conhecidos pela sua vida selvagem, e os golfinhos têm um papel relevante nos sorrisos que arrancam dos visitantes. Embarque num cruzeiro, a partir de Picton, que o levará a ver estes magníficos animais, além de uma visita à Motuara Island, na entrada do Queen Charlotte Sound.
12. Fazer a estrada entre Kaikoura e Picton
Quer se desloque de carro, ou de autocarro, não perca a oportunidade de fazer a belíssima estrada entre Kaikoura e Picton. São pouco mais de 150 km de puro deleite, numa estrada que segue mesmo junto ao mar quase até Cape Campbell e depois segue um pouco mais pelo interior, passando pela cidade de Blenheim e pela região vinícola de Marlborough, até chegar a Picton.
13. Explorar a região vinícola de Marlborough
A região de Marlborough não é só conhecida pelos Marlborough Sounds; é também a mais famosa região vinícola da Nova Zelândia, onde se produz um excelente, e reconhecido internacionalmente, Sauvignon Blanc. Nós não tivemos tempo de explorar a região vinícola a partir de Picton, mas esta é uma excelente actividade que deverá fazer quando visitar Picton, se tiver um dia extra.
14. Fazer a viagem de ferry de/até Wellington
Chegar, ou sair de Picton, pela via marítima é uma das actividades obrigatórias a não perder quando visitar Picton. E para quem não tem tempo de explorar os Marlborough Sounds, esta é uma forma espectacular de desfrutar da beleza singular da paisagem que caracteriza a ponta norte da ilha Sul da Nova Zelândia.
Os ferries navegam entre Picton e Wellington várias vezes ao dia, naquela que é considerada uma das viagens de barco mais bonitas do mundo e uma das experiências icónicas a fazer na Nova Zelândia. E pode alternar entre apreciar a paisagem no convés superior do ferry, e ouvir música ao vivo no bar, enquanto saboreia uma bebida quente (sim, mesmo no Verão, pode fazer frio lá fora!). Pode escolher entre as empresas Interislander e Bluebridge.
Este artigo foi realizado durante a nossa viagem de Volta ao Mundo em 2019/2020. DIA 250 – VISITAR PICTON, a porta de entrada dos Marlborough Sounds, na Ilha Sul da Nova Zelândia (Mar 2020)