A maior luta das nossas vidas é a luta contra o tempo

A maior luta das nossas vidas é a luta contra o tempo

A minha vida é uma luta contra o tempo. Uma luta constante. Desde muito nova que sinto que vou morrer cedo. Cedo demais do que aquilo que gostaria. Todos os dias sinto que tenho cada vez menos tempo para viver e para fazer da minha vida aquilo que quero. Este é um sentimento que trago comigo todos os dias. Não sei se mais alguém sente o mesmo que eu, nunca me preocupei em sabe-lo, mas sei que este sentimento marca a forma como encaro a minha vida e o que faço dela.

Nunca quis ter tempo para parar e pensar, especialmente pensar “devia ter feito isto”. Não quero ter tempo para parar. Não gosto de estar parada. Não consigo sentir que estou a desperdiçar o bem mais precioso que tenho na vida, o Tempo.

A maior luta das nossas vidas é a luta contra o tempo

Um dos meus ídolos sócio-políticos, o uruguaio José Mujica, tem um discurso que costumo partilhar com os meus alunos e que sintetiza aquilo que acho que é prioritário na nossa vida. Ou seja, fazer o melhor por gastar o nosso tempo de vida com aquilo que nos faz felizes, porque na realidade, a única coisa que não se compra na vida é “tempo de vida”! Se pensarmos, desperdiçámos grande parte do nosso tempo de vida a trabalhar para ter dinheiro que, tal como Mujica diz, nos permite comprar coisas mas nos rouba tempo de vida, o nosso bem mais precioso.

Este é o princípio e a preocupação que rege os meus dias há muitos anos. Viver cada dia como se fosse o último e correr todos os dias para viver ao máximo, de forma a não perder nada do que a vida tem para me dar enquanto eu aqui estiver.

Sempre fui assim e todas as decisões que tomei na vida foram influenciadas por esta minha forma de ser. É por isso que decidi muito cedo que o objectivo da minha vida é explorar o mundo, no tempo que tenho para o fazer. Como o mundo é grande e o tempo será sempre pouco, todos os dias a minha luta é uma luta contra ao tempo.

A maior luta das nossas vidas é a luta contra o tempo

Quando partimos na viagem de Volta ao Mundo por um ano pensámos que estávamos a usar o nosso tempo da melhor maneira possível. Mas, no meio desta aventura, o COVID-19 apanhou-nos e fez-nos regressar a casa, atirando para o chão todos os nossos planos para atravessar o Pacífico e conhecer aquela parte do mundo. Quando dei por mim, estava fechada em casa, sem poder sair, e a ver o tempo passar. Sem saber se um dia poderei voltar aquele lado do mundo.

Ver o tempo passar é, para mim, a maior das torturas. Pior, só estar parada à espera que o tempo passe. E foi isso que aconteceu! Foi isso que nos foi pedido. Que ficássemos em casa e esperássemos que o tempo passasse. Não consigo conceber perder parte da minha vida à espera que o tempo passe. Esta foi a minha maior luta dos últimos tempos. O tempo passa por nós demasiado depressa, sempre tive essa sensação, e ficar parada à espera que o tempo passe é a pior forma possível de eu viver. Quando dei conta, estive cerca de dois meses com a minha vida suspensa. Nunca parei de fazer coisas mas o tempo passou.

A maior luta das nossas vidas é a luta contra o tempo

O tempo passou e continua a passar. Quando puder sair para o meu mundo muita coisa terá mudado e muita coisa ficou por fazer. Enquanto estive fechada, o mundo não parou. Nem o meu, nem o dos outros. O mundo continuou a girar. Mas mais do que isso, o tempo não parou. O tempo passou. Este tempo nunca mais o recupero. E não consigo encontrar conforto no optimismo de que posso fazer isto ou aquilo noutra altura porque sei que não é verdade. O meu tempo útil de vida é demasiado curto para eu fazer tudo o que quero e, por isso, quanto mais tempo perco, mais coisas deixo de poder fazer.

Para muitos esta forma de pensar pode parecer estranha mas para mim não é. É a minha forma de ver o mundo e a minha passagem efémera por ele. No meu dia-à-dia, não perco tempo com coisas que me deitam abaixo, que me fazem infeliz. Aprendi a relativizar as coisas, a desligar dos maus pensamentos e energias. Aprendi que quero ser o mais feliz possível todos os dias, de manhã à noite. Nesta corrida contra o tempo a minha busca é só uma, aquilo que no fundo todos nós procuramos, a Felicidade. Eu procuro-a nas sensações de felicidade diárias. Não procuro um lugar para ser feliz ou ser feliz um dia. Procuro ser feliz todos os dias. E é por isso que todos os dias sinto que a maior luta das nossas vidas é uma luta contra o tempo. Não é só a minha. É a de todos nós.

A maior luta das nossas vidas é a luta contra o tempo

Carla Mota

Geógrafa com uma enorme paixão pelas viagens e pelo mundo. Desde muito cedo que as viagens de exploração fazem parte da sua vida. A busca do conhecimento do mundo leva-a em direcção a culturas perdidas e ameaçadas, tentando percebe-las. Hoje é também líder de viagens de aventura na Nomad.

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29 Comentários

  1. Gostei bastante do teu texto e também partilho dessa inquietude, de querer voltar à estrada, de estar livre. Nos últimos meses também estive a viajar De Portugal a Macau. E ia seguir para outras paragens, mas fiquei a meio de uns tempos de aventura —  tal como vocês. Parei em Portugal — ao acaso — para seguir viagem e fiquei retido. Não que me queixe de ter ficado retido em Portugal, mas de não poder avançar para o que tinha (tenho) planeado.

    E também partilho essa vontade de que falas de fazer hoje, porque o Amanhã está longe. E para quê pensar no Amanhã quando primeiro quero viver o Hoje.

    Como dizes, o tempo é o que mais importa. Porque é preciso tempo para projectos, para planos, para viagens, para ver mais 50 países, para voltar a outros 100. E às vezes olho para as imagens que trago e descuido-me a pensar: fui mesmo feliz aqui e aqui, mas já não sei se lá consigo voltar porque falta-me tempo.

    E um dos textos que primeiro escrevi foi mesmo com razões para viajar já hoje 🙂 Espero que em breve possamos voltar a deambular sem restrições…

    Um grande abraço.

  2. Tânia diz: Responder

    Sinto exatamente o mesmo. O que mais me custa nisto tudo é o tempo de vida q estou a perder, e não, não vou poder fazer as coisas q ficaram por fazer depois pq este tempo já não volta. Ainda estou a tentar aprender a lidar com isso e ultrapassar a tristeza e frustração com as viagens que perdi

    1. Carla Mota diz: Responder

      Eu também, Tânia. E não é nada fácil. É uma frustração incrível.

  3. Thaís diz: Responder

    Carla, me identifiquei bastante. Mas acho que é chegada a hora de ressignificarmos o tempo e a nossa relação com os lugares. Torná-lo um tempo de qualidade, porque se não ele se torna um fator de ansiedade bem forte. Resolvi esquecer todos os meus planos de viagem desse ano e parar de pensá-los como frustração. Mas é sempre um exercício.

    1. Carla Mota diz: Responder

      Se calhar tem razão. Eu ponho muita pressão em mim. Sempre fui assim, sou super exigente comigo. Não consigo desligar nunca.

  4. Maria C diz: Responder

    O tempo realmente é nosso bem maior. Nunca senti angústia ou algo parecido por ele estar passando mas sempre quis fazer o melhor com esse bem precioso. A prática do essencialismo é uma das coisas que encaro como positivas para viver da melhor forma.

    1. Carla Mota diz: Responder

      É isso mesmo, também me sinto assim.

  5. Lidiane Costa diz: Responder

    Esse mês estou bastante reflexiva também, mais do que o meu normal. Na faculdade de Relações Internacionais tinha um professor meu que sempre falava: o tempo é nosso recurso mais escasso…

    1. Carla Mota diz: Responder

      Não diria melhor, Lidiane. Adorei a frase.

      1. Rui Duarte diz: Responder

        Caramba! Afinal não estou sozinho! 🤣😀

        1. Carla Mota diz: Responder

          Rui, afinal se calhar somos muitos. 😀

  6. Lindo Carla, seu texto faz me abrir a mente. adoro seu blog

    1. Carla Mota diz: Responder

      Obrigada, Luiz.

  7. Edson diz: Responder

    Adorei o texto, Carla, muito boas reflexões. Esses dias mesmo estávamos pensando sobre o quão finito é o tempo e o quanto temos que vence-lo aproveitando a vida.

    1. Carla Mota diz: Responder

      Obrigada, Edson.

  8. Gostaria muito de colocar em prática o “viver cada dia como se fosse o último” mas ainda não consegui… Mas tento ao máximo aproveitar todo meu tempo livre para estar ao lado de pessoas queridas

    1. Carla Mota diz: Responder

      Esse é o caminho, Ana. Se é isso que te faz feliz, não precisa procurar mais.

  9. Concordo demais como seu pensamento. Realmente a vida é muito curta e temos que fazer todo dia valer a pena, fazendo uma coisa que gostamos. Tenho certeza que ficaram tristes de retornar da volta ao mundo antecipadamente mas fico feliz de ter essa visão otimista. Jaja vocês poderão ver o mundo novamente, nós poderemos 🙂

    1. Carla Mota diz: Responder

      É isso mesmo, Vitória, estamos todos torcendo para isso acontecer. Mas que custa, custa.

  10. A minha vida não é uma luta contra o tempo. O tempo é uma medida absolutamente irrelevante em minha existência. Se falarmos em vida e morte e tiver longevidade, já passei e muito da metade desta vida. Gostaria de morrer cedo. Não porque minha vida não seja maravilhosa, ela é, mas porque não tenho nenhum apego a ela.
    Desapego, foi a medida mais importante que aprendi nessa vida. Nunca perco tempo. Nunca. Aprender a parar e pensar me deu qualidade de vida. Essa urgência de querer fazer muito, de não perder tempo ficou lá atrás, nos anos passados. Me adoecia! Deixava ansiosa! Isso para mim era perda de tempo.
    Hoje, tenho pausas, muitas pausas. Por isso, o isolamento social não teve impactos negativos em mim. Reorganizei minha rotina. Estou bem. Não espero o tempo passar, ele continua irrelevante. Continuo a viver conscientemente, o momento presente.
    Esse duro e difícil momento que o mundo vive me entristece. Olho a tristeza de frente. Ela também faz parte de mim, mas não sou refém dela. Para mim, viver ao máximo, é viver cada momento, com pausas e reflexões. Aprender a ver o tempo passar, olhar para dentro, foi um grande aprendizado. 🙂 bj

    1. Carla Mota diz: Responder

      Olá Analuiza, gostei muito da sua reflexão. É uma outra forma de estar na vida, talvez até mais sábia ou tranquila, não sei. Não consigo tê-la confesso porque para mim tudo é urgente. É a urgência da vida. Mas gostei de sentir a sua tranquilidade. Acho bem saudável.

  11. Rui Cambóias diz: Responder

    Carla obrigado pelo excelente texto com o qual muito me identifico.
    O Covid 19 é provavelmente o ladrão que recentemente mais nos roubou desse bem precioso que temos: o tempo. Como diz o povo: “tirou-nos dias de vida”.
    Uma vez que não há hipótese de dar mais horas ao dia, dias ao calendário e que não é possível matar nem parar o tempo, a solução é mesmo como dizem as promoções “aproveite antes que esgote”.
    Já agora e para não perdermos mais tempo convido-vos a “gastar” algum do vosso tempo a ver o filme “O preço do amanhã”… Dá que pensar sobre o tema.

    1. Carla Mota diz: Responder

      Boa! Obrigada, não conhecemos o filme. Vamos procurar. A vida é mesmo muito curta. Sabe sempre a pouco, tudo.

  12. Fantástico texto! Obrigado pela partilha.
    E adorei a entrevista ao antigo presidente do Uruguai.

    1. Carla Mota diz: Responder

      Obrigada, Nuno. O Mujica é mesmo uma referência humanitária. 😀 Merecia ser mais conhecido.

  13. Paulo Mota diz: Responder

    Temos que ter em conta a velha frase “O TEMPO FOGE POR ENTRE OS DEDOS”, verdade, quando damos conta decadas passaram fugasmente, sem nos darmos conta, e sem tempo para fazer o que mais sonhavamos, tudo pela causa do trabalho…. e assim se passa uma vida com nnn sonho por realizar. O tempo voa, os meus 52 de agora parecem os 10 de “dias” atrás.

    1. Carla Mota diz: Responder

      Tão verdade! O tempo passa depressa de mais e nós nem damos conta.

  14. Me identifiquei muito com o texto . Não há coisa mais valiosa na vida que o tempo e a possibilidade de o aproveitarmos da forma que nos faz feliz.

    1. Carla Mota diz: Responder

      Penso o mesmo, Helen. O tempo é o maior bem da nossa vida.

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