Dia 45 – Chocados em Ulan Bator, a singular capital da Mongólia 🇲🇳 | Crónicas do Rally Mongol

Dia 45 - Chocados em Ulan Bator, a singular capital da Mongólia 🇲🇳 | Crónicas do Rally Mongol

Estávamos em Ulan Bator, a grande cidade que é a capital da Mongólia. Num país que tem uma das menores densidades populacionais do mundo, o imenso espaço vazio é uma das características que mais impressiona quem visita a Mongólia. No entanto, quando se entra em Ulan Bator, entra-se num mundo completamente diferente, em completo contraste com o resto do país, em todas as vertentes.

Num país onde tradicionalmente quase toda a população era até há bem pouco tempo nómada, o progresso leva à sedentarização das pessoas e à adopção de um estilo de vida moderno. Estivemos em Ulan Bator em 2009, e agora reconhecemos imensas diferenças na cidade que se estima tenha mais de metade da população do país. As estradas, os edifícios, o parque automóvel, as lojas, os centros comerciais, os restaurantes, tudo mudou nos últimos dez anos. Ulan Bator é uma cidade em grande e rápida mudança, em grande parte devido a investimento chinês. Aliás, a influência chinesa na cidade e nos seus habitantes, particularmente os jovens, é por demais evidente.

No entanto, por entre os arranha-céus, ainda subsistem alguns elementos da vida tradicional dos mongóis. Um desses exemplos é o Templo do Lama Choijin, que visitámos logo de manhã pois o nosso hostel estava localizado a poucos passos. O budismo na Mongólia foi quase completamente dizimado pelo governo comunista nos anos 30 do século passado, mas este templo foi “conservado” como museu que demonstrasse os tempos passados da Mongólia.

Com a queda do regime comunista, nos anos 90, a liberdade de expressão religiosa voltou, mas este templo não retomou a sua vida. Continuou sendo um museu, bem conservado, mas sem prática religiosa e sem monges. Na realidade, o complexo é constituído por vários templos, dedicados a diferentes divindades, e todos com uma decoração elaboradíssima, característica do budismo tibetano, cheia de representações do Buda Gautama, de bodhisattvas, e divindades protectoras do budismo.

O templo maior da cidade, Gandan Khiid, continua a ser um local de devoção e prática religiosa, e de residência de centenas de monges, e é um local de visita obrigatória em Ulan Bator.

Uma das coisas que tínhamos para fazer neste dia era as compras de material didáctico para a visita à nossa última aldeia SOS do Rally Mongol, a aldeia de Ulan Bator. Escolhemos duas ou três papelarias e livrarias no centro da cidade e fizemos as compras que precisávamos. A visita, essa, seria só no dia seguinte. O almoço foi também no centro, num pequeno restaurante especializado em massas tailandesas.

Aproveitámos que estávamos numa onda de compras e passámos pelo centro comercial estatal, o mais antigo da cidade, com cinco andares e onde se pode encontrar artesanato variado, mas nem sempre ao melhor preço.

Ao final da tarde, decidimos assistir a um espectáculo de artes tradicionais mongóis no National Academic Drama Theatre, mesmo ao lado do nosso hostel. Aí pudemos apreciar danças e canções tradicionais, protagonizados por artistas vestidos com roupas e máscaras, algumas das quais associadas ao budismo e do tipo das que tínhamos visto no templo nessa manhã. No espectáculo, salientou-se, pela sua beleza e singularidade, o canto gutural, uma forma tradicional e original de cantar tão característica da Mongólia.

À noite, decidimos experimentar mais uma vez a excelente oferta de restauração que Ulan Bator tem e deliciámo-nos com uma cozinha internacional e vinho italiano, com vistas para o mesmo templo em que tínhamos começado o dia, e não pudemos deixar de pensar que, apesar de Ulan Bator não representar a Mongólia, quem quiser conhecer a Mongólia não pode deixar de visitar a sua capital, tão diferente do resto do país, para o bem e para o mal. No mesmo país, o conforto da vida moderna da sua capital contrasta com a dureza da transumância praticada ainda por uma grande fatia da população. Dois mundos em combate, do qual resulta já numa Mongólia em mudança profunda. E o equilíbrio é difícil…

Rui Pinto

Físico de formação mas interessado em todos os aspectos da cultura e história da humanidade. As viagens são o meio privilegiado para um aprofundamento do conhecimento do mundo, das suas gentes e do nosso papel na vida.

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