Dia 44 – Atravessando o Gobi chegamos a Ulan Bator, a capital da Mong√≥lia ūüá≤ūüá≥ | Cr√≥nicas do Rally Mongol

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De manh√£, aproveit√°mos o pequeno-almo√ßo inclu√≠do no pre√ßo do alojamento e comemos ovos estrelados com p√£o, acompanhado de ch√°. Sent√≠amo-nos relaxados e tranquilos, pois t√≠nhamos ultrapassado a parte mais dif√≠cil das estradas da Mong√≥lia. No entanto, embora as informa√ß√Ķes que t√≠nhamos nos assegurassem que a estrada at√© Ulan Bator era de boa qualidade, n√£o t√≠nhamos certezas e portanto t√≠nhamos de regressar √† estrada o mais cedo poss√≠vel.

No dia anterior, a Burra tinha sido sujeita a uma grande pancada por baixo, e t√≠nhamos ficado atolados em areia muito fina. Tudo isso n√£o contribu√≠a para a sa√ļde da Burra e para o seu bom desempenho nas estradas da Mong√≥lia. Logo ap√≥s sairmos do hotel, repar√°mos que a quinta mudan√ßa n√£o entrava, algo que j√° tinha acontecido anteriormente. Como a estrada supostamente iria ser asfaltada at√© Ulan Bator, a quinta mudan√ßa seria indispens√°vel e, portanto, t√≠nhamos de resolver o assunto. Como n√£o t√≠nhamos tempo para gastar √† procura de um mec√Ęnico, resolvemos tentar tratar do problema por conta pr√≥pria.

Pela experiência anterior, pensávamos que o problema teria origem na pancada do dia anterior, que teria empenado a protecção do cárter. Parámos na berma da estrada logo à saída de Bayankhongor, e com a ajuda das grades subimos a Burra para poder tirar a protecção do cárter. A quantidade de areia que saiu do seu interior foi impressionante e, confiando que a estrada dali para a frente não seria muito má, resolvemos avançar sem a protecção. A quinta mudança voltava a entrar!

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Mas, logo à frente, a estrada asfaltada parecia acabar! Entrámos numa estrada de terra batida, e começámos a ver a nossa vida a andar para trás… Será que iria ser assim até Ulan Bator? Felizmente, foi só um pequeno troço e regressámos rapidamente ao asfalto. Dali para a frente, embora o piso tivesse alguns buracos (uma vez que esta estrada é mais antiga do que aquelas que tínhamos percorrido no dia anterior), a verdade é que, com algum cuidado, a progressão era rápida e sem grandes percalços.

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Pelo caminho, visitámos um monumento nacional dedicado aos cavalos mongóis, localizado numa colina e onde as pessoas deixam lenços coloridos em homenagem às divindades e aos mais famosos cavalos de corrida mongóis.

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Almoçámos num restaurante de beira de estrada, e experimentámos tsuivan, um prato tradicional de massa com carne de borrego ou cabra. O cheiro a ranço dentro do boteco era tal que dois dos carapaus desistiram ao primeiro embate.

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Antes de chegarmos a Ulan Bator, pass√°mos ainda por uma pequena zona de dunas, onde existiam alguns acampamentos de gers e onde os camelos passeavam os turistas. O Deserto do Gobi e as suas grandes dunas estavam muito para sul, mas a sua influ√™ncia faz-se sentir a grandes dist√Ęncias.

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Chegámos a Ulan Bator ao fim da tarde, e sentíamo-nos cansados mas muito contentes. A parte mais difícil da viagem pelas estradas da Mongólia tinha sido ultrapassada com sucesso e sentíamos que o Rally Mongol estava a chegar ao fim. Aliás, era ali que o Rally costumava acabar mas, devido a problemas com a logística dos carros, o governo mongol deixou de autorizar o evento e, por isso, o Rally Mongol acaba agora na cidade russa de Ulan Ude, não muito longe da fronteira com a Mongólia.

Alojámo-nos no hostel em que tínhamos reserva, bem no centro da grande cidade. Por coincidência, uma amiga da Carla, que com ela tinha feito a Rota da Seda da Nomad, estava em Ulan Bator. Combinámos jantar com ela, e acabámos por ter um óptimo jantar num dos melhores restaurantes da cidade. Pelo menos, assim nos pareceu, dado a qualidade da comida e do serviço, especialmente se comparadas com a frugalidade do que tínhamos experimentado nos dias anteriores!

Rui Pinto

Físico de formação mas interessado em todos os aspectos da cultura e história da humanidade. As viagens são o meio privilegiado para um aprofundamento do conhecimento do mundo, das suas gentes e do nosso papel na vida.

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2 Coment√°rios

  1. Que saudades da Mong√≥lia. Fui a√≠ algumas vezes, no in√≠cio da minha “carreira” como l√≠der Nomad, e sempre guardo esse pa√≠s com enorme carinho. Agora, tenho de reconhecer que ler sobre estradas asfaltadas na Mong√≥lia √© estranho… hehehehehe
    Grande abraço e bom regresso a Portugal.

    1. Carla Mota diz: Responder

      √Č outra Mong√≥lia, Filipe. Mas se voltares a Ulan Bator √© que vais ficar chocado mesmo. ūüėÄ

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