Dia 41 – As águias e montanhas do Altai, as estepes e a adrenalina das estradas da Mongólia 🇲🇳 | Crónicas do Rally Mongol

Dia 41 – Deixando a Rússia e enfrentando as estradas da Mongólia 🇲🇳 | Crónicas do Rally Mongol

Era dia de atravessar a fronteira entre a Rússia e enfrentar as estradas da Mongólia. Estávamos hospedados em Kosh-Agach, a cerca de uma hora e meia de caminho de Tashanta, a localidade russa junto à Mongólia. Sabíamos que a fronteira só abria às 9.00h, e que os procedimentos podiam demorar horas, por isso levantámo-nos muito cedo, pegámos na Burra, comemos um pequeno-almoço volante, e dirigimo-nos a Tashanta.

Quando lá chegamos, à nossa frente estava meia-dúzia de carros, incluindo um grupo de pescadores russos que tinham partilhado a nossa guesthouse em Kosh-Agach e que iam desfrutar da abundância de recursos dos lagos da Mongólia. Só nos restava esperar pela abertura da fronteira.

O ambiente estava muito frio e não pudemos deixar de pensar que estávamos em Agosto, e como deveria ser ali em pleno Inverno. Aproveitámos também para conversar com outra equipa do Rally Mongol que ali se encontrava, fazer palhaçadas e passar o tempo. Quando, por fim, chegou a hora, os carros começaram a andar, e nós a avançarmos na fila. No entanto, quando chegámos mesmo à frente do portão, o guarda mal-encarado mandou-nos para trás e estacionar ao lado da fila, e fechou o portão.

Ficámos um pouco preocupados, e ainda chegámos a pensar que teria sido qualquer coisa que tivéssemos feito de errado, mas passado pouco tempo o portão voltou a abrir-se e voltámos ao nosso lugar na fila. Depois dos passaportes carimbados, e a bagagem inspeccionada (mas sem grande detalhe), estávamos prontos para sair oficialmente da Rússia e percorrer os cerca de 25 km de “terra de ninguém” que separa os dois postos fronteiriços.

Do lado mongol, estávamos com algum receio de demora, mas os procedimentos foram bastante rápidos e sem problemas. Ao meio-dia, estávamos a sair da fronteira, mas logo à saída tivemos um pequeno impasse quando deparámos com uma casota onde duas guardas diziam que era necessário comprar seguro para a Burra. Saí do carro, e fui confirmar. Deveríamos fazer ali o seguro mas o preço era metade daquele que a guarda nos tinha dito! Até o Oslo (conhecido pela sua paciência) a destratou…

Percorrer a Mongólia era para todos nós motivo de regozijo, mas também motivo de preocupação. As estradas da Mongólia de que nós nos lembrávamos tinham pouquíssimos quilómetros de asfalto e, no Gobi, nem terra batida existia, sendo que as carrinhas soviéticas seguiam apenas rodados marcados no terreno pedregoso do deserto. Sendo assim, a inexistência de estradas da Mongólia ou a sua má qualidade, aliada à chuva que sabíamos ter caído nas últimas semanas na Mongólia, fazia-nos pensar como poderíamos minimizar os riscos de forma a chegar sãos e salvos e com a Burra em boas condições, a Ulan Baatar.

Previamente, estudámos as opções em termos de percurso nas estradas da Mongólia, a qual tínhamos de atravessar de oeste para leste. Tínhamos duas opções: mais por norte ou mais pelo centro da Mongólia. Como no norte o terreno é mais montanhoso e tem mais lagos, optámos pelo centro por uma questão de segurança. Além disso, nos fóruns do Rally Mongol, fomos obtendo informações (por vezes contraditórias) acerca das condições das estradas da Mongólia e pareceu-nos que pelo centro iríamos ter acesso a mais estrada asfaltada.

É óbvio que quem faz o Rally Mongol procura aventura, mas a verdade é que somos cinco pessoas numa Renault Kangoo, pouco preparado para aventuras off-road. Em Portugal, a preparação da Burra pela Bosch Car Service teve estas aventuras em conta, sendo que, por exemplo, a suspensão foi elevada e foi colocada uma protecção do cárter. Adicionalmente, já em Almaty, comprámos dois pneus para piso mais difícil, que poderíamos substituir quando precisássemos. Lançámo-nos assim à aventura nas estradas da Mongólia, um dos países mais fascinantes do mundo.

Enquanto na “terra de ninguém” a estrada era de terra batida, dentro da Mongólia a qualidade da estrada era surpreendentemente boa. O asfalto permitia-nos progredir a uma boa velocidade, mas ao mesmo tempo podíamos desfrutar da magnífica paisagem de estepe da Mongólia. Almoçámos na localidade de Olgii, onde comemos um razoável barbecue, levantámos algum dinheiro e passámos por um supermercado onde fizemos algumas compras.

Dali seguimos para Khovd, a cidade onde iríamos dormir nessa noite, também em boa estrada. A paisagem que nos rodeava continuava a surpreender e a impressionar os Carapaus. Nós já tínhamos estado ali em 2009, aquando do nosso Transiberiano, e por isso já sabíamos o que esperar. Quanto aos outros Carapaus, era território virgem, mas a Mongólia não deixa ninguém indiferente, principiantes ou não.

A imensidão do terreno, a escassez de pessoas, as gers que ponteiam a paisagem, as milhares de cabeças de gado, os cavalos selvagens, tudo contribui para que este país seja um dos mais singulares daqueles que conhecemos.

A cerca de 100km de Khovd, más notícias quanto à estrada. Até ali, tínhamos tido um tapete de asfalto invejável, mas a estrada aparentemente estava, dali para a frente, ainda em construção, e estava cortada à circulação. Começámos a rolar em terreno de terra batida e num esforço por vezes inglório pois a estrada em alcatrão estava quase sempre ao nosso lado, mas inacessível numa plataforma elevada.

A noite começava a cair, e estávamos a demorar mais tempo do que estávamos à espera. Ainda acedemos à estrada algumas vezes, só para termos de voltar para trás algumas centenas de metros à frente, ou termos de sair novamente para a terra batida, devido à estrada estar cortada por montes de terra ou pedras.

Numa dessas incursões, já a noite era cerrada, e quando nos preparávamos para descer novamente para o lado da estrada, surgiu-nos uma carrinha pela frente. Parámos, e recuámos um pouco, mas a carrinha começou a fazer marcha atrás e, de repente, vimos os faróis da carrinha dar meia volta. A carrinha tinha capotado e estava de rodas para o ar!

Depois de uma fracção de segundo de estupefacção, saímos rapidamente da Burra e acudimos aos ocupantes da carrinha, um senhor idos e um jovem. Ambos estavam bem, mas não tinham ganho para o susto. Na marcha atrás, o condutor não se deu conta que não estava na direcção correcta e a carrinha perdeu a sustentação do piso ao falhar uma curva. Felizmente, a carga da carrinha, feno abundante com altura superior à do veículo, amorteceu a queda e ninguém se magoou. Logo a seguir, apareceu um homem aparentemente do nada e começou a telefonar para pedir ajuda.

Como tudo estava bem, dentro do possível, e não podíamos fazer mais nada, despedimo-nos e seguimos caminho. Para nós, foi um aviso que as estradas da Mongólia eram perigosas de circular à noite, pois não as conhecemos e não sabemos o melhor percurso, nem como evitar obstáculos ou buracos. Ficou a lição para os dias seguintes.

Quando finalmente chegámos a Khovd, cerca das 21.30h, procurámos um hotel, e arranjámos um com um estilo claramente de inspiração chinesa. Os quartos eram razoáveis, e no rés-do-chão havia um restaurante. Pensámos em aí jantar, mas só tivemos tempo de nos sentar pois rapidamente percebemos que já era tarde para sermos servidos. Acabámos por fazer o nosso jantar no quarto e acabámos a noite a conversar e a brincar uns com os outros, como fazemos frequentemente.

No dia seguinte, continuaríamos a atravessar a espantosa Mongólia, terra de maravilhas e aventuras.

Rui Pinto

Físico de formação mas interessado em todos os aspectos da cultura e história da humanidade. As viagens são o meio privilegiado para um aprofundamento do conhecimento do mundo, das suas gentes e do nosso papel na vida.

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