Budismo na Mongólia

IMG_1372

Cerca de 80% dos 2,7 milhões de mongolianos são crentes budistas e a história deste país está intimamente ligada com a expansão desta religião neste território. Curiosamente, esta foi feita a partir do Tibete e não a partir da China. Foi já no século XVI que um imperador Mongol, descendente de Ghenjis Khan (que tinha sido o primeiro a dar liberdade religiosa aos seus súbditos, tendo na sua corte representantes de várias religiões), foi convertido ao budismo por um monge (lama) tibetano e o consagrou com o titulo de “Dalai” (palavra mongol que significa oceano, daí a designação de oceano de sabedoria associada ao Dalai Lama). Aos dois antecessores (espirituais, entenda-se) deste monge foram-lhes atribuídos (postumamente) os títulos de primeiro e segundo Dalai Lama, continuando esta designação ate aos nossos dias, sendo que o actual Dalai Lama (o décimo quarto) vive exilado na Índia desde a invasão do Tibete pelos chineses em 1959. A linhagem espiritual mais importante do Tibete teve assim origem na Mongólia!

Por sua vez, a linhagem espiritual mais importante da Mongólia (de nome Bogd Gegen) teve início quando, em 1546, uma criança de cinco anos, nascida na Mongólia, foi reconhecida como sendo a reencarnação de um santo. Essa criança viajou para o Tibete, onde foi ensinada pelos melhores mestres, tendo regressado mais tarde ao seu país para expandir o Budismo. Este primeiro Bogd Gegen, de nome Zanazabar, foi um mestre na arte da escultura em bronze e pintura, sendo que algumas das suas obras estão em exposição em museus de Ulaan Baatar. Esta linhagem acabou quando, nos tempos turbulentos que se seguiram a revolução bolchevique, a Mongólia passou a ser controlada pela Rússia, sendo que o último chefe espiritual e politico (Bogd Khan) morreu em 1924. Nos anos trinta, durante as purgas de Estaline, o Budismo na Mongólia sofreu o seu mais rude golpe, quando foram sistematicamente destruídos quase todos os mosteiros do país, sendo os monges mortos ou enviados para a Sibéria. Só após a desagregação da URSS, e subsequentes eleições livres na Mongólia, é que foi possível a reconstrução de alguns mosteiros com monges residentes, processo que continua ainda hoje.

Visitamos, em Ulaan Baatar, dois complexos de mosteiros bastantes diferentes. O primeiro (fundado em 1838 e fortemente destruído em 1937), de nome Gandan Khiid, e o mais importante do país e consiste em mosteiros reconstruidos a partir de meados dos anos noventa. Tem uma população residente de mais de 600 monges e e possível aos visitantes assistirem às cerimonias matinais. Não era possível tirar fotos dentro dos templos mas a Carla lá arranjou maneira de tirar uma!

Um complexo bem diferente é o Templo Choijin Lama, onde residia o irmão do Bogd Khan, o oráculo oficial do reino. Este complexo, actualmente rodeado de arranha-céus em construção, foi dos poucos a sobreviver a destruição imposta por Estaline, apenas porque os soviéticos o transformaram num museu para mostrar como funcionava um sistema social retrogrado! Ainda bem que o fizeram pois assim temos a possibilidade de ter um vislumbre da riqueza cultural deste povo.

Fora da capital, visitamos o que resta de um complexo de mosteiros cuja origem remonta aos tempos da criação da histórica capital do império mongol, Karakorum, no século XIII. O estatuto desta cidade durou apenas 40 anos, pois a capital foi mudada para a localização da actual Pequim, e o complexo religioso foi destruído (juntamente com a cidade) um século mais tarde. Refundado em 1586 com o nome de Erdene Zuu (100 tesouros), foi o primeiro complexo de mosteiros budistas da Mongólia estimando-se que, no seu auge, tivesse cerca de 100 mosteiros e mais de 1000 monges. Em 1937, apenas 3 mosteiros e as paredes do complexo sobreviveram a destruição soviética. O complexo só voltou a ser a ser reactivado como local de peregrinação em 1990 e hoje é também um destino turístico, sendo a sua imagem de marca as paredes encimadas por 108 stupas budistas.

Rui Pinto

Físico de formação mas interessado em todos os aspectos da cultura e história da humanidade. As viagens são o meio privilegiado para um aprofundamento do conhecimento do mundo, das suas gentes e do nosso papel na vida.

More Posts - Facebook - Google Plus

.

PROGRAME A SUA VIAGEM

  Faça as suas reservas através das parcerias do nosso blogue. Você NÃO PAGA MAIS, nós ganhamos uma pequena comissão. Assim conseguimos manter o blogue com opiniões isentas.

      Reserve o hotel no Booking.com e encontre as melhores promoções. Reserve e cancele sempre que necessitar.

 Reserve os seus voos com a Skyscanner. Garanta os melhores preços.

Alugue carro usando o Rent a Car, comparando e escolhendo o melhor preço antes de viajar. Tudo na comodidade de sua casa.

      Faça seguro de viagem na World Nomads ao menor preço do mercado.

     Usamos os guias de viagem da Lonely Planet para preparar as nossas viagens. Se faz o mesmo, pode comprá-los online. Sai mais barato e os portes são grátis a partir dos 35€.

2 Comentários

  1. Rui Pinto diz: Responder

    Obrigado, Maria. Uma boa referência geral sobre o budismo é “Buda e os seus ensinamentos” (Bercholz e Kohn), da editora Difusão Cultural.

  2. Maria Célia De Santi diz: Responder

    Muito interessante está reportagem. Gostaria de saber mais. Tem alguma referência?

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.