Dia 43 – Finalmente, e depois dos percalços, chegamos a Bayankhongor 🇲🇳 | Crónicas do Rally Mongol

Dia 43 – Finalmente e depois dos percalços chegamos a Bayankhongor 🇲🇳 | Crónicas do Rally Mongol

Acordámos com os primeiros raios de sol a iluminar a ger, vestimo-nos rapidamente e saímos. O ar estava frio, mas o céu estava completamente límpido e azul. Sabíamos que, no dia anterior, tínhamos ficado aquém dos nossos objectivos, por isso era imperioso continuar a nossa viagem até Bayankhongor, até porque não sabíamos como iam ser as condições da estrada dali para a frente.

Durante a noite não tinha chovido ali, mas tínhamos medo que a água se tivesse acumulado nas estradas e houvesse troços difíceis, ou impossíveis, da Burra ultrapassar. Despedimo-nos do Bat e da sua mãe, e lançámo-nos à estrada. Olhamos para trás e vimos o Bat a brincar com a bola que lhe tínhamos dado. Mesmo vazia, atirava-a ao ar.  “Estrada” é um termo que não se aplica aquelas circunstâncias. A estepe da Mongólia estende-se perante nós e o nosso olhar dispersa-se por uma série de trilhos que aparecem marcados na terra e lama.

Conduzir ali significa tomar decisões a todo o momento. Que trilho seguir, que velocidade, que precauções. Condução torna-se sinónimo de estratégia. Felizmente para nós, os trilhos parecem na generalidade secos e, com maior ou menor dificuldade, progredimos no terreno, mas a uma velocidade média baixa. Ou seja, para percorrermos os cerca de 80km que nos separavam de Buutsagaan, precisámos de cerca de duas horas e meia. Ali, parámos um pouco para trocar de condutores, e fazer umas pequenas compras de água e chocolates num minimercado junto à estrada.

Como somos cinco, e todos conduzimos, isso permite-nos distribuir o esforço da condução em terreno difícil por todos. Em dias como este, duas pessoas conduzem, o que significa que só passados dois dias essas pessoas regressam ao volante. Este facto acabou por ser uma mais-valia no nosso Rally Mongol, pois permitiu-nos descansar convenientemente e abraçar a estrada sempre com os sentidos despertos.

Prosseguindo a viagem, as condições da estrada não se alteraram. Na noite anterior, tentámos obter informações de camionistas ou locais que passavam em autocarros, e sabíamos que, até Bayankhongor, a estrada seria deste tipo. Ou seja, era necessário muito cuidado e paciência, mas ao mesmo tempo era preciso avançar para percorrer os muitos quilómetros que nos faltavam.

A meio do caminho entre Buutsagaan e Bayankhongor, parámos numa aldeia chamada Bombogor, uma aldeia típica, em grande parte com gers rodeadas de cercas, onde almoçámos numa pequena loja que vendia khuushuur, pequenas panquecas fritas com carne de cordeiro.

O resto da tarde passou-se sempre em movimento. O cansaço às vezes faz-se sentir e queremos chegar depressa. No entanto, a estrada é que dita o ritmo. Quando se vai mais depressa do que a estrada permite, os solavancos são muitos, e a própria Burra ressente-se.

A determinada altura, num troço com o piso muito poeirento e mole, ficámos atolados na areia fina e cinzenta. Como já tínhamos experiência do trajecto para a cratera de Darvaza, saímos e procurámos rapidamente soluções. Uma solução seria empurrar, outra usar as grades que trouxemos de Portugal, mas acabou por ser, mais uma vez, a generosidade de estranhos, a salvar a situação.

Uma pick-up seguia em sentido contrário e pedimos para ela parar. Lá dentro, dois senhores, nenhum dos quais falava inglês. Por gestos, explicámos o que aconteceu e prontamente disponibilizaram-se para nos ajudar. Tínhamos comprado uma corda em Osh para aquelas situações, mas os senhores tinham um cabo de aço que foi mais apropriado. Num abrir e fechar de olhos estávamos fora da areia e de novo em condições de prosseguir. Mas a Burra tinha engolido mais uns quilos de pó e areia…

Dali para a frente tudo correu bem, e chegámos a Bayankhongor a meio da tarde. A cidade é grande e tem alguns traços soviéticos e chineses. Escolhemos um hotel que nos pareceu bom, pagámos um pouco acima do orçamento habitual, mas os quartos eram óptimos e confortáveis. Merecíamos um bom descanso depois de dois dias a atravessar as estepes poeirentas da Mongólia.

Antes do dia acabar, mesmo na “goldn hour”, ainda tivemos tempo de visitar o templo mais importante da cidade, onde tivemos a primeira oportunidade de contacto com o budismo mongol, uma síntese do budismo tibetano e das religiões tribais existentes na região.

Regressados ao quarto, optámos por mais um jantar em conjunto, com massas instantâneas, acompanhadas de vinho francês, um luxo encontrado num supermercado logo ao lado do hotel.

Se as nossas previsões se concretizassem, no dia seguinte veríamos melhores estradas e chegaríamos a Ulaan Baatar, a capital da Mongólia. Mas nunca se deve menosprezar o adversário…

Rui Pinto

Físico de formação mas interessado em todos os aspectos da cultura e história da humanidade. As viagens são o meio privilegiado para um aprofundamento do conhecimento do mundo, das suas gentes e do nosso papel na vida.

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