Dia 46 – As crianças tomam conta do nosso coração nas Aldeias SOS de Ulan Bator 🇲🇳 | Crónicas do Rally Mongol

Dia 46 – As crianças tomam conta do nosso coração na Aldeia SOS de Ulan Bator 🇲🇳 | Crónicas do Rally Mongol

Era dia de sorrir outra vez! As crianças têm uma faculdade fabulosa, conseguem colocar qualquer adulto a sorrir. E nós precisávamos todos de sorrir. A nossa viagem estava a chegar ao fim e todos começávamos a ficar com um misto de sentimentos difíceis de definir. Estávamos cansados, nostálgicos e frustrados. Não sabíamos porquê nem como mas a verdade é que todos, mais ou menos, o sentíamos. Nenhum de nós falou sobre isso, mas a visita às Aldeias SOS de Ulan Bator foi como uma injecção de adrenalina e sorrisos. Sim, as crianças conseguem fazer milagres.

O Rally Mongol devia terminar em Ulan Bator mas já há algum tempo que o governo mongol o proibiu. Agora o rally termina em Ulan Ude, a cerca de 500 km dali e já em território russo. Sendo assim, ainda tínhamos uma etapa grande para fazer e que envolvia uma travessia de fronteira. Tínhamos notícias que a travessia da fronteira podia demorar entre 6 a 10 horas por isso, decidimos deixá-la para o último dia. Sendo assim, hoje, resolvemos visitar as Aldeias SOS de Ulan Bator e fazer os cerca de 350 km até à fronteira.

Começamos o dia enfrentando filas intermináveis de trânsito em Ulan Bator. Demorámos quase duas horas desde o nosso hostel até à Aldeia, que ficava a 7 km. Ulan Bator está cada vez mais parecida com a China e o trânsito é mais um factor de aproximação.

Quando chegamos à Aldeia, a última das Aldeias SOS que visitamos no Rally Mongol, a directora nacional também estava atrasada, presa no trânsito. Recebeu-nos a assistente social, uma jovem muito simpática que nos guiou e mostrou as infraestruturas. Ali, ao contrário das outras Aldeias SOS que visitámos (Bishkek, Samarcanda e Almaty) há muito mais crianças pequenas. Meninos de tenra idade; bebés de colo. A responsável diz-nos que recebem crianças com um dia, saindo directamente da maternidade. É notório que há dezenas de pequeninos.

– A idade média das crianças aqui é de 6 anos. São todos muito novos. Aos 13 anos as crianças vão para a cidade e têm que se adaptar a crescer de forma independente. – Diz-nos a assistente social.

Dia 46 – As crianças tomam conta do nosso coração nas Aldeias SOS de Ulan Bator 🇲🇳 | Crónicas do Rally Mongol

Crescer na Mongólia não é fácil. Não o é em muitos lugares do mundo mas quando se é criança de rua ou de famílias disfuncionais é ainda pior. Em tempos vi um documentário sobre as crianças de Ulan Bator que vivem nos esgotos e condutas de gás. Vivem ali para se aquecerem do Inverno gélido, em que se atingem -40ºC. Ulan Bator é a capital mais fria do planeta. Viver ali não é fácil. Imaginem para uma criança de rua. Infelizmente, a Aldeia SOS de Ulan Bator não pode receber estes miúdos. Esses e muitos outros ficam de fora , mas muitos são aqueles que são para aqui enviados e apoiados por esta instituição. As 97 crianças acolhidas na Aldeia SOS de Ulan Bator têm sorte. Nós conseguimos vê-lo. Têm uma segunda oportunidade na vida. Uma oportunidade que a maioria aproveita para crescer e ser alguém com um futuro brilhante.

Dia 46 – As crianças tomam conta do nosso coração nas Aldeias SOS de Ulan Bator 🇲🇳 | Crónicas do Rally Mongol

Dia 46 – As crianças tomam conta do nosso coração nas Aldeias SOS de Ulan Bator 🇲🇳 | Crónicas do Rally Mongol

A Aldeia SOS de Ulan Bator ainda só tem 16 anos de existência e fazer balanços ainda é muito difícil já que há poucos miúdos que já chegaram a uma idade adulta. No entanto, é fácil perceber no rosto das crianças como elas estão bem aqui.

Nesta aldeia agimos da mesma forma que nas anteriores. Dêmos uma aulinha sobre Geografia de Portugal, com o apoio do mapa-mundi que trouxemos para oferecer, seguindo-se a distribuição do material escolar que compramos no dia anterior, com livros, cadernos, lápis, marcadores, plasticinas, canetas, etc. No entanto, desta vez, as crianças surpreenderam-nos ainda mais. Como?

As crianças de todas as Aldeias SOS que visitámos ficaram sempre radiantes com a nossa presença e com a presença da Burra mas ali foi diferente. Os miúdos tinham-nos preparado um sarau com danças típicas da Mongólia. Não queríamos acreditar. Estávamos a receber muito mais do que dávamos. Os miúdos vestiram-se a rigor e distribuíram sorrisos rasgados enquanto nos presenteavam com um espectáculo fabuloso.

Todos os sorrisos eram lindos mas houve um que conquistou o meu coração. Era de um menino que não devia ter mais do que 10 anos. Simples e belo. Transmitia-me calma e sensibilidade. Apeteceu-me abraçar aquele garoto. Colá-lo ao meu peito.

– Podíamos adoptar este miúdo, Rui. – Disse

Não podíamos. Eu sabia. Mas aquele miúdo representava tudo aquilo que eu vejo na Mongólia. Simplicidade. Beleza. Magia. Felicidade. Sensibilidade. Calma. Não conseguia deixar de pensar que história pessoal esconderia. Porque estava ali?

A criançada vibrou quando os convidamos a assinar a Burra. Correram em direcção a ela, munidos de marcadores e canetas. A Burra encheu-se ainda mais de nomes. Ficou ainda mais rica. Assim como todos nós. Mas era hora de seguir viagem.

Demorámos 2 horas a atravessar Ulan Bator e a sair da cidade. Talvez a cidade não quisesse que fossemos embora. Não sei. É estranho. Tenho um sentimento estranho à medida que percorro a cidade. É como se algo me dissesse que não devo ir. Que devo ficar aqui. Será? A Mongólia sempre mexeu comigo. Muito.

Era tempo de seguir. A estrada em direcção à fronteira era a maior parte do tempo asfaltada. Óptimo. Assim, conseguimos chegar a Sühbaatar, a cidade a cerca de 25 km da fronteira. Pelo caminho, as estepes dão lugar às montanhas, a vegetação rasteira dá lugar aos arbustos, os camelos dão lugar aos cavalos, as gers dão lugar às casas de tijolo. A Mongólia vai mudando em direcção à Rússia. Por nós começavam a passar os carros rebocados do Rally Mongol. Carros que não veriam o sucesso. Imaginamos que nos podia acontecer o mesmo.

Em Sühbaatar alojámo-nos no Hotel Selengue, o mais “luxuoso” da cidade. Parecia um bordel. Valeu pelas gargalhadas que démos. Sentados nos chão, começamos a fazer o balanço da viagem. A nostalgia era inevitável. O fim aproximava-se.

Carla Mota

Geógrafa com uma enorme paixão pelas viagens e pelo mundo. Desde muito cedo que as viagens de exploração fazem parte da sua vida. A busca do conhecimento do mundo leva-a em direcção a culturas perdidas e ameaçadas, tentando percebe-las. Hoje é também líder de viagens de aventura na Nomad.

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