Dicas de viagem no MALAWI

dicas malawi

O Malawi é um dos países mais maravilhosos e fáceis de viajar de forma independente em África. Apesar de não haver muitas infraestruturas de apoio, há vários transportes públicos e alojamentos de baixo custo. O lago Malawi é o principal destino turístico do país mas o Malawi tem muito mais para oferecer. É um óptimo destino de trekking e para conhecer a cultura africana.


COMO CHEGAR


A forma mais simples de viajar para o Malawi é voando para Lilongwe, mas não é definitivamente a mais usada já que as travessias por terra são muito mais comuns. Como é fácil entrar no país por terra, foi isso que nós fizemos. O Malawi tem fronteira terrestre aberta com vários países mas nós apenas conhecemos as fronteiras com a Zâmbia e com a Tanzânia (usamos as duas).  É possível atravessar e tratar dos vistos nas fronteiras terrestres.

ZÂMBIA: Nós atravessamos de Mfuwe (Parque Nacional South Luangwa) para Lilongwe (capital do Malawi) com vários transportes combinados. Para sair da Zâmbia atravessámos a fronteira com o Malawi perto de Chipata. Os procedimentos são idênticos aos das outras fronteiras. Fomos de táxi até à fronteira, carimbámos o passaporte de saída, cruzámos a fronteira a pé, e depois de tirarmos o visto do Malawi, apanhámos um táxi até à povoação mais próxima, onde apanhámos um mini-autocarro até Lilongwe. Na fronteira é possível trocar dinheiro com os rapazes que andam ali a tentar cambiar. As taxas não são muito favoráveis mas é uma forma de ter dinheiro logo quando se entra no país. A fronteira está aberta entre as 6h da manhã e as 18h.


PODE VER AQUI AS NOSSAS DICAS PARA VIAJAR NA ZÂMBIA 


TANZÂNIA: Atravessámos a fronteira entre o Malawi e a Tanzânia próximo de Karonga num autocarro directo de Lilongwe para Dar Es Salaam. Apanhámos o autocarro nocturno numa estação de serviço em Mzuzu (próximo de Nkhata Bay no lago Malawi). Eram quase 7h da manhã quando o autocarro chegou à fronteira. Quando a fronteira abriu, os guardas pegaram nos passaportes de todos os passageiros do autocarro e trataram dos trâmites rapidamente. Depois dos passaportes carimbados, vieram entregar-nos na porta do autocarro e voltámos a entrar para passar a terra de ninguém. Do lado da Tanzânia, o procedimento foi semelhante. Todos os passageiros voltaram a sair do autocarro, desta vez com as mochilas, e carimbaram os passaportes. Como precisávamos de visto para a Tanzânia, fomos para uma outra fila tratar dos vistos e depois voltámos à parte do controle das bagagens. No final do processo, voltámos para o autocarro, prontos para seguir viagem.


PODE VER AQUI AS NOSSAS DICAS PARA VIAJAR NA TANZÂNIA


VISTOS


Para entrar no Malawi é necessário visto. Tirámos o visto na fronteira terrestre com a Zâmbia. Estávamos convencidos que não iríamos precisar de visto, por isso, quando a rapariga do guiché nos disse que tínhamos que pagar 75 USD pelo visto achámos que era engano. Ao que parece as condições de entrada no país mudaram desde Outubro de 2015. Todos os europeus necessitam agora de visto de entrada. Preenchemos os impressos, pagámos o visto e esperámos. Cerca de 30 minutos depois, o visto estava pronto. Pode ver a nossa travessia da fronteira aqui.


TRANSPORTES


Viajar no Malawi é relativamente simples já que as estações de autocarros são relativamente organizadas. Há vários transportes disponíveis, nomeadamente barcos, combis, táxis, bicicleta-táxi e autocarro. 

TÁXI: Apanhámos um táxi na fronteira do Malawi com à Tanzânia até à cidade mais próxima, Mchinji. Os táxis pareceram-nos seguros mas é preciso negociar o preço antes de entrar. Por esta viagem pagámos 2000 kwachas do Malawi. Pode ver as nossas aventuras nas estradas do Malawi aqui.

COMBI: Em Mchinji apanhámos um mini-bus para Lilongwe, por 4000 kwachas/pessoa. É necessário esperar algum tempo para o combi encher mas como a capacidade da viatura é pequena, enche rapidamente. Esta viagem demorou duas horas.

AUTOCARRO: Fizemos duas viagens de autocarro no Malawi. Uma entre Lilongwe e Nkhota Khota e outra entre Mzuzu e a fronteira com a Tanzânia. Os preços do autocarro com a bagagem devem ser negociados. A maioria dos autocarros são decrépitos, dos piores que andámos em África. O autocarro nunca está cheio e há sempre espaço para mais alguém. Num autocarro com capacidade para 25 pessoas andam sempre mais de 40. Pague pelas bagagens e leve-as à sua beira. Caso não seja possível, coloque-as no tejadilho do autocarro.

A segunda viagem que fizemos de autocarro, entre Mzuzu e a fronteira com a Tanzânia, apanhámos um autocarro decrépito e tivemos que viajar sentados no chão, e de pé, durante toda a noite. Há lugares marcados mas como não entramos em Lilongwe não conseguimos esses lugares. Tínhamos comprado bilhetes de autocarro ao James, o rapaz que trabalhava no Mayokas Village, em Nkhata Bay. Ele entregou-nos os bilhetes no dia anterior e levou-nos de táxi para Mzuzu. Precisávamos da ajuda do James porque apanhámos o autocarro directo que vinha de Lilongwe (capital do Malawi) e que não parava no terminal de Mzuzu mas sim numa estação de serviço. Como não sabíamos onde era, o James prontificou-se a ir connosco (em troco de uma gorjeta). Esta viagem foi super inflacionada e pagámos 25000 kwachas/pessoa. Pode ver a nossa travessia da fronteira de autocarro entre o Malawi e a Tanzânia aqui.

BICICLETA-TÁXI: Apanhámos um táxi-bicicleta em Nkhota Khota, onde não existem táxis normais. Este é um meio de transporte típico da área do lago Malawi. Pelo trajecto entre a vila e o porto (cerca de 4 km), pagámos 500 kwachas/pessoa.

BARCO: O Ilala Ferry é um ferry que faz o transporte de passageiros e mercadorias no lago Malawi. O ferry parte uma vez por semana em cada sentido, norte ou sul, permitindo ligar várias povoações e ilhas isoladas no lago, Likoma e Chizumulu. Comprámos os bilhetes no próprio barco, em Nkhota Khota, onde entrámos mas fizemos uma reserva para primeira classe previamente através da internet. O barco é operado pela companhia portuguesa Mota Engil mas a bordo ninguém fala português. Os horários podem ser consultados aqui mas confirme sempre alguns dias antes porque há mudanças frequentes. O ferry permite ligar Monkey Bay a Chilumba, sendo que sai de Monkey Bay em direcção a norte, todas as sextas feiras às 8 am, e sai de Chilumba, em direcção a sul, todas as segundas feiras às 2 am. As viagens demoram dois dias e meio para completar o trajecto. Pode ver a nossa experiência a bordo do Ilala Ferry aqui.


ONDE DORMIR


MOTEL GRACE (Nkhota Khota)

Quando chegámos a Nkhota Khota não tínhamos reserva e era noite cerrada. Ficámos alojados num motel mesmo ao lado do lugar onde o autocarro parou. Fomos muito bem recebidos. O alojamento não tem luxos mas tem higiene mínima. É mesmo mínima porque não havia água. O senhor trouxe-nos uma bacia com água para nos lavarmos e lavarmos os dentes. Não a usamos porque a região tem elevado risco de shistosomose e as águas podem estar contaminadas. Comprámos água engarrafada na estação de serviço ao lado e foi essa que usámos. A cama estava limpa e o quarto também. O quarto duplo com wc, uma espécie de cubata de cimento, custou 10 000 kwachas mas nós negociamos para 9000 porque não tinha água. É um alojamento que cumpre as necessidades e dá para uma boa noite de sono.

MAYOCAS VILLAGE (Nkhata Bay)

O Mayokas Village é uma espécie de instituição no lago Malawi e é o lugar mais popular para se alojar em Nkhata Bay. Este alojamento é uma espécie de backpacker spot no lago. Cheio de viajantes e voluntários, o lugar merece estar cheio. Tem vista deslumbrantes do lago de quase todas as cubatas de madeira transformadas em quartos. Não vimos os dormitórios  mas os quartos duplos são espaçosos e muito limpos. As casa de banho são fantásticas.

O Mayokas Village tem restaurante, bar, e várias actividades ao dispor dos viajantes, como tours de barco, snorkel, canoas, paddle boards, etc. Num dos dias, decidimos explorar a povoação de Nkhata Bay e o lago, aproveitando as canoas e paddle boards que existiam ao dispor dos hóspedes do Mayokas Village. O outro dia foi dedicado a um trekking pelas aldeias e praias da região. O caminho não está marcado mas no Mayokas Village havia um esboço, desenhado numa folha de papel e sem escala, que serviu perfeitamente. O hostel tem jantares temáticos como a pizza night ou burritos, sempre acompanhados pelo pôr-do-sol visto da varanda sobre o lago. O Mayokas Village pode recolhe-lo no porto e dá-lhe boleia até ao hostel. Da nossa experiência aconselhámos apenas a não confiar no James, um dos rapazes que lá trabalha, para comprar bilhetes de autocarro. No entanto, trocámos dinheiro com ele e tudo correu bem. No hostel e na cidade não há multibanco. Leve dinheiro.

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O QUE FAZER E VISITAR


LAGO MALAWI: O lago Malawi, também conhecido por lago Niassa (em Moçambique e na Tanzânia) é um dos maiores lagos africanos. A massa de água do lago é verdadeiramente impressionante já que, graças ao facto deste se localizar no Grande Vale de Rift, o lago atinge uma profundidade máxima de cerca de 750 metros.

NKHATA BAY: O mercado de peixe é o retrato de Nkhata Bay, uma das principais localidades na margem do lago Malawi. Como o lago reúne mais de 400 espécies distintas de peixe, nomeadamente ciclídeos, uma família de peixes de água doce, há uma grande diversidade de peixe à venda. Os pescadores trazem-nos para Nkhata Bay de piroga, as tradicionais canoas de madeira, e depois vendem-nos por todo o lado. As mulheres carregam os baldes cheios à cabeça até às suas casas. O trekking de Nkhata Bay a Lusungwi é outra das coisas que pode aproveitar para fazer ali pois permite conhecer as pessoas e a cultura das aldeias que circundam a povoação de Nkhata Bay. O caminho segue a estrada que liga o Mayokas Village à aldeia de Bwelero e depois à praia de Lusunwi, uma praia paradisíaca. A praia de Chikale é a praia mais conhecida de Nkhata Bay. Os malawis fazem ali grandes piqueniques e braais, os tradicionais grelhados africanos, nas areias da praia. O bar em frente ao lago, com um ar completamente decrépito, vende cervejas e tem uma mesa de snooker.

ILHA LIKOMA: Não explorámos a ilha como gostaríamos mas ficámos cheios de vontade. A ilha só é acessível por barco uma vez por semana. O movimento do Ilala Ferry faz parte da experiência de ali chegar. Há poucos turistas na ilha mas esta é paradisíaca. As águas são límpidas e transparentes e as praias bonitas. Há uma bela catedral. Apesar de não termos conhecido a ilha como gostaríamos, ficámos encantados com aquilo que vimos.

ILHA CHIZUMULU: Esta é mais uma ilha no lago Malawi. A paisagem do lago ali é deslumbrante. Moçambique está logo ali ao lado e há barcos para Moçambique e para o Malawi. Os pescadores moçambicanos pescam no lago, que ali se chama lago Niassa. A ilha é mais pequena do que a anterior mas parece ainda mais idílica. Há um hotel de madeira tradicional, construído sobre o lago que nos encantou. Deve ser o único na ilha. As águas eram ainda mais transparentes do que em Linkoma e havia bastante menos pessoas.

NKHOTA KHOTA: Esta é uma das povoações menos turísticas do lago mas uma das mais interessantes porque o modo de vida das suas populações ainda é muito genuíno. Foi ali que apanhámos o Ilala Ferry. Ali o lago é maravilhoso, embora não adequado para banhos devido à contaminação das águas.

LILONGWE: Decidimos não explorar a capital do Malawi já que não tínhamos muito tempo disponível no país. Fizemos a capital de passagem entre a Zâmbia e o lago Malawi. No entanto, não nos pareceu que a cidade valha muito a pena. A julgar pelo que vimos (praticamente nada) não perderíamos ali muito tempo.

Delicie-se com as belezas do Malawi e do continente africano! 

Carla Mota

Geógrafa com uma enorme paixão pelas viagens e pelo mundo. Desde muito cedo que as viagens de exploração fazem parte da sua vida. A busca do conhecimento do mundo leva-a em direcção a culturas perdidas e ameaçadas, tentando percebe-las. Hoje é também líder de viagens de aventura na Nomad.

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