Aventuras nas ESTRADAS DO MALAWI, prepare-se para o que nunca viu… | MALAWI

Aventuras nas ESTRADAS DO MALAWI, prepare-se para o que nunca viu... | VIAJAR NO MALAWI

Depois de passar dois dias fantásticos no Parque Nacional de South Luangwa estava na hora de voltar à estrada e de cair na realidade africana. O nosso próximo destino era o Malawi. O Adam deixou-nos na entrada do parque em Mfuwe, onde apanhamos um táxi directo para a fronteira. Ainda pensamos apanhar o táxi para Chipata, mas como queríamos chegar ao lago Malawi nesse mesmo dia, preferimos poupar tempo.

O táxi foi rápido e eficaz, deixando-nos na fronteira em pouco mais de duas horas. Pelo caminho ainda parámos para o nosso motorista mostrar os documentos a um polícia. As eleições presidenciais da Zâmbia eram no fim de semana seguinte e o actual presidente andava em campanha eleitoral pelo território. Naquele dia estava em Chipata. As ruas estavam cheias de policiamento. Depois do aval do polícia para seguir, o motorista desatou às gargalhadas, de forma completamente genuína. Estranhámos e questionámo-lo sobre a origem de tão rápido contentamento. Tinha a licença de condução caducada há vários meses mas o polícia não viu. Ficou radiante pois livrou-se de uma grande multa e de chatices. Também nós ficamos radiantes.

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Quando chegámos à fronteira eram cerca das 11h da manhã. Aproveitámos para trocar os kwachas da Zâmbia por kwachas do Malawi, e passamos para o guiché seguinte de forma a carimbar o passaporte de saída. Essa parte foi bastante rápida e em cinco minutos estávamos a atravessar a pé a terra de ninguém. Esses 100 metros de porção de território não estão propriamente abandonados. Há imensos vendedores ambulantes, quer da Zâmbia, quer do Malawi, vendendo de tudo um pouco, desde roupas e sapatos até alguns aparelhos electrónicos.

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Passámos para a fronteira do Malawi. Estávamos convencidos que não iríamos precisar de visto, por isso, quando a rapariga do guiché nos disse que tínhamos que pagar 75 USD pelo visto achámos que era engano. Ao que parece as condições de entrada no país tinham mudado desde Outubro do ano anterior. Todos os europeus necessitavam agora de visto de entrada. Preenchemos os impressos, pagámos o visto e esperámos. Cerca de 30 minutos depois, o visto estava pronto. Podíamos prosseguir.

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De mochilas às costas, encarávamos agora um novo país em África, na verdade o único nesta viagem em que seria a primeira vez. Apanhámos um táxi na fronteira até à cidade mais próxima, Mchinji, onde chegámos por volta do meio dia. Aí apanhámos um mini-bus para Lilongwe, a capital do Malawi. Esperámos apenas algum tempo em Mchinji já que a combi encheu rapidamente. Em menos de duas horas estávamos na capital do Malawi.

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Pelo caminho passamos por algo que ainda não tínhamos visto em África: crianças a vender água em sacos plásticos. Isto chocou-me particularmente porque a falta de água potável num dos países com mais recursos hídricos em África nos deveria chocar a todos. Os poucos poços que se vêem nas proximidades das aldeias são construídos por programas de ajuda ao desenvolvimento. Uma realidade que parece irreal.

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Chegados a Lilongwe, sentimo-nos atirados aos leões. Ainda estávamos no interior da combi e já um bando de homens batiam nas janelas oferecendo os seus serviços. Era assustador! O condutor parou a carrinha e antes de sairmos disse-nos: “Agarrem bem as mochilas. Para onde vão a seguir?” Respondemos imediatamente “Nkhota Khota” ao que ele respondeu “Esperem por mim. Só vou estacionar a carrinha e já aqui venho buscar-vos para vos levar ao sítio certo. Não vão com ninguém.” Assim fizemos. Pegamos nas mochilas e aguardámos pelo condutor. Em cinco minutos estava de volta, e na sua companhia atravessámos quelhos e becos escabrosos daquele pseudo-terminal. A quantidade de lixos e dejectos era tal que o próprio condutor se sentiu na necessidade de comentar: “O lixo é um dos maiores problemas do Malawi e de Lilongwe. Acumula-se por todo o lado e ninguém faz nada. O país cheira mal e as pessoas ficam doentes por causa disto. No entanto, tudo continua cada vez pior.” O cheiro era nauseabundo e em alguns locais até provocava vómito. Em poucos minutos alcançámos o autocarro que dizia “Nkhota Khota”, do outro lado do terminal. Sozinhos nunca teríamos ali chegado.

Negociámos o preço do autocarro com a bagagem e arranjámos dois lugares na parte traseira. O autocarro era decrépito, pior do que qualquer um que já andámos em África. Aparentemente estava quase cheio mas tudo ali era aparente. Apesar de chegarmos a Lilongwe por volta das 14h, só saímos do terminal já passava das 15h. Nesta hora de espera, as nossas mochilas andavam para dentro e para fora do autocarro e nós tentávamos não as perder de vista. Ora entrava uma mochila, ora saía para entrar uma pessoa. A determinada altura, pedi a um rapaz que viajava a meu lado, de seu nome Inocente, para pedir aos rapazes para colocarem as mochilas no tejadilho do autocarro. Pareceu-nos mais seguro já que aquele entrar e sair de mochilas nos estava a deixar desconfortáveis. Inocente tratou logo disso e a partir daquele momento tomou conta das nossas mochilas como se fossem dele. Conversámos um pouco e, como estava do lado da janela, sempre que precisávamos de comprar alguma coisa era ele que negociava os preços.

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Quando o autocarro finalmente partiu, estava mesmo cheio. O facto de um grupo de homens ter empurrado o autocarro para ele arrancar e sair do terminal dever-nos-ia ter logo indicado que isso não era um bom presságio. Nos nossos quatro lugares traseiros viajávamos agora cinco pessoas. Felizmente os três rapazes malawis eram bem magrinhos! Num autocarro com capacidade para 25 pessoas deviam estar mais de 40 e sempre que entrava ou saía alguém, várias pessoas tinham que entrar e sair do autocarro para ceder passagem. Agradecemos termo-nos sentado nos lugares traseiros!

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Pouco depois do autocarro ter saído do terminal voltou a parar. Ainda estávamos dentro da cidade. Ao que parece tínhamos um pneu furado. As pessoas começaram a sair pelas janelas e reclamavam com o motorista. Quase uma hora depois o pneu estava mudado. Respirámos fundo. Mas não por muito tempo. O autocarro retomou a marcha mas a um ritmo alucinantemente lento. Talvez 5 ou 10 km/hora. Parecia arrastar-se eternamente. De repente, voltou a parar. Já desesperados, os passageiros começaram todos a sair do autocarro pelas janelas, esbracejando. O Inocente ia-nos mantendo a par dos acontecimentos. Outro furo! Dois furos e ainda continuávamos dentro da capital. A este ritmo íamos demorar uma eternidade para fazermos os 200 km que faltavam até Nkhota Khota.

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Às 16h30 o autocarro “retomou” a marcha. A viagem foi sempre feita de forma muito lenta, alternando a entrada e saída de pessoas pela janela, com a entrada e saída de alimentos. Entre nós viajavam alhos, cebolas, couves, ervilhas e até espetadas de ratos. Inicialmente tivemos alguma dificuldade em identificar a espécie grelhada e exposta no espeto, mas penso que terá sido pela nossa incredulidade, pois era inconfundível.

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Já passava das 20h quando o autocarro parou em Nkhota Khota. Nunca teríamos achado que estávamos no nosso destino não fosse Inocente ter-nos dito: “Vocês ficam aqui. Chegámos.” Inocente também ia ficar ali. Voltava a casa da família para passar o fim de semana. Não tínhamos alojamento marcado, estava noite escura e a luz pública era inexistente. Apenas a iluminação de uma estação de serviço dava alguma cor aos edifícios decrépitos e sujos. Inocente disse-nos que havia um pequeno motel na cidade e levou-nos lá. Negociámos o valor do quarto com o Boss, agradecemos a Inocente, e despedimo-nos. Estávamos sem comida e sem dinheiro. Saímos logo para tentar arranjar uma ATM. Felizmente existia uma bem perto da estação de serviço. Levantámos dinheiro e aproveitámos para comprar comida, inclusive algumas bolachas.

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Quando regressámos ao quarto descobrimos que não tínhamos água. Fomos reclamar e renegociar a tarifa. O Boss, sorridente, lá nos fez um desconto, e explicou-nos que o Malawi tem sofrido grandes cortes de água nos últimos meses. Por incrível que pareça, nas margens do lago Malawi o maior problema da população é a falta de água potável. As chuvas têm sido escassas e a água é cada vez menos. Optámos por pedir ao Boss para usar a cozinha do motel de forma a podermos cozinhar umas massas que tínhamos trazido de Portugal. Quando o Boss viu a embalagem de massa instantânea exclamou:

– Essa comida não existe por aqui. Acho que no Malawi nunca ninguém deve ter comido disso. (E fez um silêncio) Bem, talvez o presidente!

Combinámos com o Boss sair de manhã bem cedo para apanhar ali o barco para Nkhata Bay, um pouco mais a norte, às 7h da manhã. Despedimo-nos nessa noite e, de manhã, apanhamos um táxi bicicleta até às margens do lago. Antes de entrarmos nas aventuras pelas águas do lago Malawi (que foram muitas), deixámos um pacote de massa instantânea na porta do gabinete do Boss. Este alojamento tinha sido providencial para nós, e achámos que o Boss merecia fazer companhia ao seu presidente e experimentar o sabor de uma massa italiana.

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Carla Mota

Geógrafa com uma enorme paixão pelas viagens e pelo mundo. Desde muito cedo que as viagens de exploração fazem parte da sua vida. A busca do conhecimento do mundo leva-a em direcção a culturas perdidas e ameaçadas, tentando percebe-las. Hoje é também líder de viagens de aventura na Nomad.

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