Visitar PERSÉPOLIS – Glória e queda de um império | Irão

Visitar PERSÉPOLIS - Glória e queda de um império | Irão

Localizadas num planalto situado a aproximadamente 70km a nordeste de Shiraz, as imponentes ruínas de Persépolis são o testemunho que resta de uma das antigas capitais do império persa. Quando se visita um sítio arqueológico desta importância, é inevitável ter-se a companhia de centenas de turistas, de várias nacionalidades, acotovelando-se por uma melhor posição para tirar as fotos da praxe. E Persépolis não é excepção. Além de iranianos de classe média, competem pela “posse” do terreno italianos, espanhóis, alemães, japoneses e… um casal português! É muitas vezes difícil uma pessoa abstrair-se do ambiente que o rodeia e conseguir interiorizar e reflectir sobre o que está a visitar. No entanto, é um esforço que deve ser feito, pois as ruínas sussurram-nos aos ouvidos a sua história, devendo nós escutar com atenção o que elas têm para nos contar.  Comecemos pelo fim…

Vista panorâmica de Persépolis
Alexandre III da Macedónia entrou em Persépolis em Janeiro de 330 a.C. Muitos habitantes fugiram, sendo que hoje é possível observar que alguns dos edifícios em Persépolis se mantiveram inacabados, tendo sido inclusive encontrados instrumentos de trabalho dos artífices abandonados no local. Alexandre apoderou-se do tesouro real (para o qual foram necessários cerca de 3000 camelos) e permitiu aos seus homens saquearem a cidade, o que não acontecera em Babilónia e em Susa. Depois do saque, Alexandre ordenou que se incendiasse o palácio de Xerxes I, consumando a vingança pela destruição da Acrópole. E como todas as moedas tem duas faces, Alexandre, o Grande, também é mencionado no livro zoroástrico de Arda Viraf como “Alexandre, o Maldito”, pela sua conquista do império persa e a destruição da sua capital, Persépolis.
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Mas a história de Persépolis não se resume à sua destruição. Começa muito antes, e se escutarmos um pouco mais do que ela tem para nos contar, chegaremos à conclusão que, misturado com as cinzas dos incêndios dos palácios de Persépolis, se encontra a base da civilização ocidental.

Em 521 a.C., em resultado de um golpe de estado, Dario I subiu ao trono do império persa. Durante o seu reinado, este império estender-se-ia desde o rio Indo até à Etiópia e seria administrado eficazmente por uma divisão em províncias, unificadas pelo poder militar do seu exército. Fundou uma nova capital, que hoje conhecemos como Persépolis, mas da qual se desconhece o seu nome original.
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Protegido pela vertente de uma montanha, um enorme terraço de 3 lados foi construído para nele basear a construção dos palácios e demais edifícios. Uma escada dupla de suaves degraus permite a entrada no colossal complexo. Comitivas convergiam a esta cidade para prestar homenagem ao rei e presenteá-lo com ofertas dos 4 cantos do império. Mas o poder é uma besta insaciável, e a Terra toda não é suficiente…

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Em 492 a.C. foi enviada uma expedição para controlar uma rebelião nas cidades gregas da costa da Ásia Menor e, em seguida, conquistar a Grécia. Mas, apesar das vitórias na Ásia, o exército persa seria derrotado em território europeu, na batalha de Maratona, em 490 a.C., numa planície a leste de Atenas. Segundo Heródoto, um soldado ateniense foi mandado correr os 42 quilómetros que separavam Maratona de Atenas para anunciar a vitória grega. Após anunciá-la com a frase “Alegrai-vos, atenienses, nós vencemos!”, caiu morto devido ao esforço. E eram grandes notícias, de facto, pois Atenas tinha escapado à destruição persa…

Dario foi sucedido pelo seu filho Xerxes em 485 a.C. Continuando a obra de seu pai, Xerxes prosseguiu com a construção de Persépolis, trazendo artífices de todo o império para engrandecer e embelezar a arquitectura da cidade.Os edifícios eram construídos com pedra mármore, ligadas entre si por linguetes de ferro, sendo os telhados feitos com enormes vigas de madeira. Xerxes era mais do um rei, era o Rei de Reis, um faraó, um rei divino, a personificação da vontade divina à face da Terra. E a morada dos deuses nunca é demasiado opulenta.

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O seu exército era tido como invencível, tendo um efectivo de centenas de milhares, sendo a tropa de elite um grupo de 10000 combatentes conhecidos como os “Imortais”. Tudo parecia indicar que a expansão do império iria prosseguir. Mas foi neste reinado que a semente da sua destruição foi lançada, nem que para dar frutos fosse necessário esperar 150 anos. É que a expansão para ocidente era demasiado tentadora…

A última grande campanha militar contra os gregos foi empreendida em 480 a.C. As cidades-estado gregas, conhecedoras dos preparativos da nova expedição persa, decidiram, como reacção, pôr de lado as suas divergências tradicionais, reuniram-se e formaram uma Liga destinada a enfrentar o inimigo comum, tendo-se reconciliado umas com as outras e declarado guerra à Pérsia. O comando dessa liga foi atribuído ao rei Leónidas, que governava Esparta. Foi no desfiladeiro das Termópilas que, tirando partido da morfologia do terreno, Leónidas e pouco mais de 2000 combatentes conseguiram travar o avanço do enorme exército persa (segundo fontes gregas, mais de 2 milhões de homens!). Plutarco atribui a Leónidas a afirmação, em resposta a um soldado que dissera que as flechas dos persas tapariam o Sol, “Melhor, pois se taparem o Sol, combateremos à sombra!“. Plutarco afirma ainda que Xerxes procurou evitar o combate por todos os meios, tendo enviado cartas ao rei espartano, dizendo-lhe que lhe atribuiria o governo da província da Grécia se este depusesse as armas e se passasse para o lado persa, ao que Leónidas teria respondido, «Vinde buscá-las!». Após 7 dias de batalhas, quase encurralado, Leónidas ordenou a retirada dos não-espartanos, e, com 300 compatriotas, combateu até à morte.

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Apesar do desfecho da batalha ter sido a vitória dos persas, a verdade é que os Gregos infligiram um elevado número de baixas no exército persa e detiveram a sua marcha durante vários dias, sendo que os homens e o tempo perdido nas Termópilas foram cruciais para a evacuação da população de Atenas. Salva a população, a cidade não teve a mesma sorte: seria saqueada e incendiada pelos homens de Xerxes, não poupando a Acrópole, arrasando os seus santuários.

A derrota final dos persas não demoraria muito, no entanto, pois nas batalhas navais de Artemísion e Salamina, a frota persa sofreu pesadas derrotas, levando Xerxes a ordenar uma retirada estratégica. Mas a verdade é que o império persa nunca mais tentaria invadir a Grécia continental, e Xerxes acabaria assassinado por um seu ministro em 475 a.C.

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E, apesar de ter sido assinado um tratado de paz em 449 a.C., já no reinado de Artaxerxes I, o perigo da invasão de leste nunca foi esquecido… Em 356 a.C. nasce um dos 3 filhos do rei Filipe II da Macedónia, de seu nome Alexandre. Durante a sua juventude, teve como preceptor o filósofo Aristóteles (uma das verdadeiras vantagens de ser um futuro rei!) e subiu ao trono aos vinte anos, na sequência do assassinato do seu pai. Logo após assumir o trono, em 335 a.C., convenceu os membros de uma liga de cidades-estado gregas a elegê-lo comandante numa guerra de retaliação contra a Pérsia, como seu pai havia feito dois anos antes. E 4 anos depois, na batalha de Gaugamela, Alexandre derrotaria o rei Dario III da Pérsia, invadindo e dominando em seguida as capitais do império: Babilónia, Susa, Persépolis, Pasárgada e Ecbátana. A roda da fortuna tinha girado mais uma vez…

Hoje sabermos que os persas não eram os tiranos que a historiografia grega construiu: protegiam os costumes locais (por exemplo, foi durante o domínio persa que os Judeus deportados na Babilónia regressaram a Jerusalém), e tinham o cuidado de não impor, nem a sua língua, nem a sua religião aos seus súbditos. Mas a verdade é que teria sido muito mais difícil à nascente civilização ocidental ter florescido como o fez nos séculos seguintes se a Grécia tivesse caído aos pés do império persa, ou seja, a História teria sido diferente em toda a Europa ocidental!
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Carla Mota

Geógrafa com uma enorme paixão pelas viagens e pelo mundo. Desde muito cedo que as viagens de exploração fazem parte da sua vida. A busca do conhecimento do mundo leva-a em direcção a culturas perdidas e ameaçadas, tentando percebe-las. Hoje é também líder de viagens de aventura na Nomad.

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4 Comentários

  1. Aqui está um belo registo do Rui. E estava-se mesmo a ver que vocês iam adorar o Irão – grande país, não? Bjs e abraços, Filipe

  2. O Rui é um apaixonado pela história. 🙂

  3. A experiência ensina. E quando não o faz (porque já resta muito pouco das glórias do passado) dá-nos as ferramentas para o fazer. A curiosidade fica mais aguçada. 🙂

  4. Que grande lição de História aqui temos!!!

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