Dia 17 – Na metade do mundo, ISFAHAN, chegámos à metade da nossa viagem 🇮🇷 | Crónicas do Rally Mongol

Dia 17 – Na metade do mundo, ISFAHAN, chegámos à metade da nossa viagem 🇮🇷 | Crónicas do Rally Mongol

Eram 7h da manhã e o sol nascia a oriente. Era para lá que os dirigiamos. Quando saímos do hotel pela manhã a burra estava entalada no estacionamento. Tivemos que forçar a saída mas rapidamente estávamos na estrada. Conduzir com o sol pela frente era duro mas tinhamos que fazer mais de 600 km para chegar a Isfahan. Felizmente, as estradas são boas e demorámos cerca de sete horas a percorrê-las. Conduzimos ininterruptamente.

Eram 15h quando chegámos a Isfahan. Andamos um pouco perdidos mas encontramos o “lar” que nos acolheria nos próximos dois dias: o Ghasr Monshi Hotel, uma casa tradicional iraniana que em tempos foi a residencial palacial do governador de Isfahan.

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Matt, o dono, tinha-nos generosamente acolhido a todos no seu novo hotel, aberto apenas há cinco meses. Ofereceu-nos dormida e comida e acolheu-nos durante dois dias magníficos. Era a generosidade iraniana no seu melhor. Nesse dia, tomámos logo um banho fantástico e descansámos do calor da tarde antes de sair.

Mas não resistimos por muito tempo. Queríamos todos ver Isfahan nas melhores horas do dia e, então, percorremos a pé um pouco do bazar que nos separava da Praça Imam. Quando entrámos na praça, eu e o Rui babamos pela segunda vez (as nossas memórias não nos traiam, Isfahan continuava deslumbrante e esmagadora). Os restantes carapaus babaram pela primeira vez e renderam-se à beleza de uma das mais belas cidades do mundo.

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Cidade que encantou e continua a encantar todos os que por aqui passam, Isfahan é muito mais do que uma cidade. A praça Imam, de dia e de noite, é esmagadora. A sua beleza arrebata corações há séculos e continua a não deixar ninguém indiferente.

Passeámos pela praça, frequentemente interpelados pela curiosidade iraniana. Curiosidade pura e inocente, tal como a de Sam, um rapaz de 12 ou 13 anos (porque nem ele sabia bem a sua idade devido ao calendário persa não ser igual ao nosso), que abrilhantou o nosso final de tarde.

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Com histórias ingénuas, Sam falou-nos do seu dia à dia em Isfahan. Corou quando lhe perguntei se tinha namorada. Prontamente respondeu “não, eu sou muçulmano”. Mas logo de seguida aproximou-se e veio contar-me um segredo ao ouvido:

– Quando era mais novo tive. Agora já não tenho. Não posso. Mas já tive. – E escondeu a face atrás da t-shirt que puxou para cima.

Pisquei-lhe o olho e sorri-lhe. A inocência das crianças é linda em qualquer parte do mundo. Perguntei-lhe:

– E o que aconteceu?

– O meu irmão descobriu e contou à minha mãe. Agora já não posso.

Rimos todos. Estivemos mais de uma hora na conversa. Sam até se cansou e disse:

– Tenho que me sentar um bocado. Já estou cansado de falar inglês.

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Era hora de regressar ao hotel. Matt preparou-nos um jantar tipicamente iraniano na magnífica e deslumbrante sala apalaçada da casa. A comida era deliciosa, com saladas frescas, arroz iraniano com açafrão, espetadas de frango, e vários pratos típicos como o ghorme sabzi, khoresht, mirza ghasemi e dolme dademjan, todos divinais.

O Irão tem sido muito mais do que podíamos ter esperado e hoje, particularmente, sentimo-nos como reis. Mas o dia anda não tinha terminado. Logo à saída do hotel descobrimos um ginásio iraniano típico. Entrámos e assistimos a um espectáculo/treino fabuloso. Ficamos visivelmente impressionados.

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Resolvemos voltar à Praça Imam, pela noite, descobrindo que a agitação àquela hora era ainda maior. As famílias aglomeravam-se nos espaços ajardinados a fazer piqueniques. Não pude deixar de sentir nostalgia por tempos passados, em que não havia internet e em que todos conversavámos à mesa. O Irão é assim, todos os dias e a todas as horas.

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Carla Mota

Geógrafa com uma enorme paixão pelas viagens e pelo mundo. Desde muito cedo que as viagens de exploração fazem parte da sua vida. A busca do conhecimento do mundo leva-a em direcção a culturas perdidas e ameaçadas, tentando percebe-las. Hoje é também líder de viagens de aventura na Nomad.

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4 Comentários

  1. Carmen Caeiro diz: Responder

    Mais um dia para invejar…um efetivo dia de realeza👑 beijos para todos!

    1. Carla Mota diz: Responder

      Obrigada, Carmen. bjinhos

  2. Adorei o relato! 😀

    1. Carla Mota diz: Responder

      Obrigada, Susana. :*

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