Dia 18 – Esmagados pela grandiosidade de Isfahan, no Irão 🇮🇷 | Crónicas do Rally Mongol

Dia 18 – Esmagados pela grandiosidade de Isfahan, no Irão 🇮🇷 | Crónicas do Rally Mongol

Em Isfahan, tivemos um merecido descanso após vários dias muito intensos. Ficámos hospedados no Ghasr Monshi Hotel, uma casa senhorial recuperada, com a forma tradicional de um pátio interior e dois andares de quartos a um nível inferior ao da rua. Aproveitámos o excelente pequeno-almoço para acumular energias para um dia cheio de sítios para visitar e experiências para sentir.

Começámos o nosso périplo pela incontornável Praça Imam (Naqsh-e Jahan), que se diz a segunda maior do mundo e, provavelmente, a mais bonita do mundo, e um dos cartões de visita do Irão. Durante o dia, o movimento de pessoas não é muito já que o calor aperta.

Visitámos as fabulosas mesquitas Masjed-e Shah, também conhecidas como as mesquitas Imam, e Masjed-e Sheikh Loftollah, esta última também conhecida pela mesquita das mulheres. Ambas exibem um trabalho magnífico da decoração interior e exterior de azulejos, na técnica de majólica, que inspirou o Taj Mahal. A primeira impressiona pelos imponentes iwans (grandes portais) que conduzem aos santuários, um dos quais é conhecido pela imensa cúpula e qualidades acústicas. A segunda é particularmente bonita, pela complexidade e harmonia dos seus mosaicos.

Da praça, atravessámos o portal Qeysarieh, e seguimos para o Bazar-e Bozorg, um bazar enorme e labiríntico onde se podem encontrar as pequenas lojas que vendem de tudo, incluindo especiarias, roupas e artesanato, mas também onde se pode visitar mesquitas, antigos caravançarais, casas de chá e edifícios históricos. Sentir o movimento de pessoas, interagir com elas, e viver a hospitalidade iraniana, é uma experiência memorável. A Carla até comprou um chador para entrar nas mesquitas e mausoléus.

Pudemos também passar pelo Bazar do Ouro, muito agitado naquele dia, onde os homens compravam e vendiam ouro e outros bens, muito importantes numa época em que a instabilidade da moeda nacional se faz sentir no bolso dos iranianos.

Ali perto fica a Masjed-e Jameh, a mesquita de Sexta-Feira, a maior do Irão e onde se pode apreciar os estilos decorativos e arquitectónicos de diferentes épocas e impérios islâmicos. A mesquita continua a ser utilizada como local de culto, mas pode visitar-se e apreciar a sua imensa beleza. A sala de oração do lado norte, com as suas numerosas colunas, e a cúpula de Taj al-Molk são verdadeiramente espantosas pela graciosidade e detalhe do trabalho em tijolo.

Dali apanhámos um táxi para a igreja Vank, do século XVII, e o orgulho da comunidade arménia de Isfahan, deslocada para ali, da antiga localidade de Jolfa, pelo Shah Abbas. Os frescos exibidos em todas as paredes e tecto da igreja foram renovados e são verdadeiramente impressionantes. As cenas do Antigo e Novo Testamento são tão numerosas e belas que se pode passar horas a observá-las. As torturas infligidas a São Gregório, o Iluminador, também têm lugar de destaque, e não escondem a origem arménia desta igreja. Um lugar a não perder.

Depois, passeámos um pouco pela beira-rio, sendo que o rio estava completamente seco. Quando estivemos em Isfahan pela altura do Nowruz, as águas do rio corriam e a beleza das numerosas pontes de Isfahan era realçada pelo brilho da água e pela alegria das pessoas que ali se passeavam. Ficámos agora a saber que a água só é libertada pelas comportas de uma albufeira em ocasiões especiais e que, durante a maior parte do ano, o rio é seco. No entanto, é incontornável passear pela ponte Si-o-Seh, do início do século XVII, com 300 m de arcadas e ponto de encontro dos jovens da cidade, que ali namoriscam às escondidas.

Regressámos ao nosso hotel, onde tivemos um jantar com música ao vivo, e onde pudemos experimentar novamente a rica e variada gastronomia iraniana. Depois do jantar, acabámos o dia voltando à Praça Imam, onde nos juntámos às centenas de iranianos que faziam piqueniques e gozavam da brisa fresca que então se fazia sentir, um bálsamo após o calor intenso do dia.

O Irão conquistou o coração dos Carapaus que ainda não o conheciam, sendo que os outros já estavam conquistados, e confirmou que é um dos países mais encantadores e fascinantes de se conhecer e explorar.

Carla Mota

Geógrafa com uma enorme paixão pelas viagens e pelo mundo. Desde muito cedo que as viagens de exploração fazem parte da sua vida. A busca do conhecimento do mundo leva-a em direcção a culturas perdidas e ameaçadas, tentando percebe-las. Hoje é também líder de viagens de aventura na Nomad.

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2 Comentários

  1. Lusa B.Pinro diz: Responder

    Tudo lindo de morrer !

    1. Carla Mota diz: Responder

      Mesmo 😀

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