Dia 16 – Terroristas?… Não! Hospitalidade e simpatia; já estamos no Irão 🇮🇷 | Crónicas do Rally Mongol

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A noite foi passada muito perto da fronteira entre a Arménia e o Irão. O sol começou a iluminar as montanhas em frente à janela do nosso quarto. De repente percebemos que estávamos em frente a uma cordilheira montanhosa brutal. Na noite anterior, quando chegámos a Meghri, era noite escura por isso não tínhamos visto nada.

Tomámos um belo pequeno-almoço preparado pela Marietta, uma senhora bastante assertiva. Na noite anterior colocou os rapazes todos nos quartos, pegou em mim por um braço e levou-me para outro quarto e disse:

– Tu dormes aqui!

Tive que lhe pedir autorização para dormir com o Rui, dizendo que éramos casados. Marietta riu e disse logo que sim.

De manhã despediu-se de todos e salientou-me para colocar o lenço no Irão e não beber álcool. Em tom de brincadeira disse:

– No Irão, só chá e bolinhos.

Despedimo-nos de Marietta e rumámos à fronteira, a pouco mais de 10 km. A passagem da fronteira do lado arménio foi bastante rápida, apenas mostrámos as bagagens, passaportes e os documentos do carro.

Do lado do Irão, as coisas foram bastante mais lentas e complicadas. Quando chegámos à fronteira, o sistema informático estava avariado por isso tivemos que esperar quase uma hora. Quando pensamos que estávamos prontos, os procedimentos do carro foram completamente alucinantes. Para entrar no Irão com carro é necessário um “Carnet de Passage Douane”, conhecido por CPD. Tínhamos tratado disso com o Hussein, o nosso contacto no Irão. Pagámos 450 USD pelos documentos e, supostamente, Hussein teria um colaborador à nossa espera.

Quando passámos a fronteira um rapaz aproximou-se e assumimos que era o tal colaborador. Foi o nosso primeiro erro. O rapaz, de seu nome Hassan, não negou e disse que trabalhava com Hussein. A verdade é que tentou tratar-nos do seguro do carro e indicou-nos os procedimentos. No entanto, ao fim de duas horas desapareceu e deixou-nos na fronteira. Quando tentámos falar com os guardas fronteiriços e com Hussein, por telefone, descobrimos que Hassan nos teria enganado, e que o nosso processo estava bloqueado na fronteira por causa do seguro que ele nos tentou fazer. Depois de tentar desesperadamente pedir ao guarda fronteiriço para nos apressar, o guarda assumiu o controle, tudo em contacto com Hussein e connosco por telefone. Estivemos cinco horas na fronteira, aguardando, parcialmente desesperados sem perceber bem o que estava a acontecer.

Felizmente, toda a gente foi super amistosa connosco. Conhecemos Jacob, um rapaz de Shiraz, que viajava com a filha Aisha, uma menina cheia de vida e feita de liberdade. Aisha brincou com todos nós, jogou à bola, correu, brincou às escondidas, conversou em inglês connosco e ajudou-nos a passar o tempo. Esta família ficará para sempre na nossa memória e fará parte das nossas memórias do Irão.

O nosso plano inicial era chegar de Norduz, na fronteira, até Isfahan, a cerca de 1050 km. No entanto, como só saímos da fronteira às 16h, sabíamos que isso era impossível. Felizmente durante o tempo que estivemos à espera, descobrimos que estávamos um dia adiantados em relação ao nosso programa inicial. Ficámos radiantes e decidimos partir a etapa em duas. Ainda nos enganámos no caminho e fizemos 60 km na estrada fronteiriça entre os dois países, junto ao rio Aras, onde devolvemos o Boris à natureza, uma melancia que viajava com os carapaus desde Itália e que era o “6º passageiro” da “Burra”.

Parámos para almoçar num restaurante de beira de estrada, com a hospitalidade iraniana a tomar conta do nosso coração. Comemos peixe de rio frito, com saladas, azeitonas e pão. O dono não falava inglês mas tinha uma app que traduzia para farsi a nossa conversa animada.

Era hora de seguir viagem. Rapidamente soubemos que a viagem ia correr pelo melhor no Irão. Parámos na portagem e o empregado diz-nos:

– Não precisam de pagar. “We love you”! – Sim, estávamos mesmo no Irão.

Seguimos viagem pelas maravilhosas estradas iranianas até Zanjan, onde encontrámos um hotel com apenas um quarto quíntuplo livre. Os dois velhotes que nos receberam usavam pequenas toucas de renda e comiam uvas com pão sangak na mesa de entrada. Sorriram-nos ternamente. Desconfiados, acedemos ficar no quarto quíntuplo. Estávamos com dúvida se nos deixariam ficar todos no mesmo quarto, especialmente porque eu era mulher e ia dormir com 4 homens. Afinal, o quarto era uma espécie de apartamento, com dois quartos, um duplo e um triplo e uma casa de banho. Pagámos menos de 3 euros por pessoa e a cama era fabulosa e os quartos super limpos. Deitámo-nos e já passava da meia-noite, quando fomos dormir.

Caímos na cama e adormecemos logo. Nenhum de nós ressonou nessa noite. O nosso cansaço ao fim do dia é tal que nunca temos problemas em adormecer. Temos andado a dormir cerca de cinco horas por noite mas temo-nos aguentado firmes na nossa aventura.

Carla Mota

Geógrafa com uma enorme paixão pelas viagens e pelo mundo. Desde muito cedo que as viagens de exploração fazem parte da sua vida. A busca do conhecimento do mundo leva-a em direcção a culturas perdidas e ameaçadas, tentando percebe-las. Hoje é também líder de viagens de aventura na Nomad.

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2 Comentários

  1. Estou a adorar seguir a vossa aventura! Continuem a enviar os vossos relatos! Continuação de boa viagem, beijinho especial para o Zé Oliveira!

    1. Carla Mota diz: Responder

      Obrigada. Entregue. 😀

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