Dia 20 – Sobreviveremos ao deserto do Irão 🇮🇷 tal como os mercadores na Rota da Seda? | Crónicas do Rally Mongol

Dia 20 – Sobreviveremos ao deserto do Irão 🇮🇷 tal como os mercadores na Rota da Seda? | Crónicas do Rally Mongol

O Agostinho desapareceu? O dia começou cedo e cheio de emoção. Depois de nos levantarmos e de nos dirigirmos para a burra, começámos a organizar as coisas para sair e constatámos que o Agostinho estava desaparecido. Tinha-o visto pela última vez em frente ao curral a fazer festas no camelo macho. Depois disso, não o vimos mais. Inicialmente pensámos que seria brincadeira mas vários minutos depois começámos a ficar seriamente preocupados. Percorremos a aldeia de Garmeh a pé e de carro. Berrámos pelo nome do Agostinho desde o curral dos camelos, às ruínas de adobe da aldeia velha, passando pelas ruas empoeiradas e pelos oásis cheios de palmeiras. Não havia sinais do Agostinho. Durante mais de meia hora imaginámos mil e um cenários possíveis mas não sabíamos exactamente o que fazer. Tentámos telefonar-lhe mas ele não atendia. O telemóvel tocava mas não havia resposta. Enviámos mensagens. Nada. Começámos a achar super estranho. Os nossos corações palpitavam e tememos pela segurança do Agostinho.

O Zé resolveu percorrer a aldeia à pé, para cima e para baixo, duas vezes. Eu tentava telefonar-lhe, em vão. O Eduardo e o Rui batiam a aldeia de carro. Nada. Não havia sinais do Agostinho. Tinha desaparecido completamente.

Os raios do início da manhã iluminavam as paredes de abode das casas. Os primeiros aldeões saiam para trabalhar nos campos. Ninguém falava inglês. Agora sinto-me envergonhada, mas na altura ponderei que podesse ter sido raptado ou algo do género. Felizmente, quase uma hora depois aparecia. Estava na entrada da aldeia e tinha caminhado até lá, esperando-nos. Foi aí a nossa primeira discussão. O Rui não aguentou a pressão e “explodiu”. Os minutos seguintes foram de silêncio mas alguns minutos depois já estava tudo resolvido. Seguimos viagem.

A estrada entre Khur e Tabas é verdadeiramente fenomenal. Parámos nas planícies salgadas, uma espécie de deserto de sal, não tão impressionante como o Salar de Uyuni, na Bolívia, mas irrealmente impressionante ao ponto de nos fazer babar de contentamento. Magnífico!

Parámos, corremos, brincámos, rimos, gritámos, atirámos pedras, dissemos asneiras, aliviámos as emoções contidas e as frustrações escondidas. Quinze minutos depois estávamos todos mais leves e com a alma lavada. Voltámos à estrada para parar pouco tempo depois, no deserto de areia, cheio de ergs e dunas de fazer encantar o mais descrente dos mortais.

O calor era tal que a água nos escorria pelo corpo, tornando o nosso dia desconfortável desde o momento em que colocávamos o pé fora das paredes de casa. As máquinas fotográficas não embaciavam, mesmo quando tentávamos bufar-lhes para as limpar. O calor é intenso e a temperatura ao sol há muito que ultrapassou os 50ºC.

Seguimos em direcção a Tabas, onde almoçámos num boteco de beira de estrada, algo como kebab e frango. Mas a verdadeira surpresa veio do mausoléu da cidade. Um lugar verdadeiramente encantador, arquitectonicamente semelhante a Mazar-e Sharif, no Afeganistão. Vesti um chador emprestado por uma das zeladoras do mausoléu e entrei. Fiquei encantada com a devoção.

Era hora de seguir viagem. À hora de almoço redefinimos os nossos objectivos do dia: íamos tentar alcançar Mashhad nessa noite e assim conseguir um dia de avanço em relação ao planificado. Demos tudo por tudo e nesse dia fizemos quase 800 km. Os últimos quilómetros foram percorridos já de noite e o trânsito caótico de Mashhad contrastava com a quietude que tínhamos testemunhado no deserto.

Varis recebeu-nos na sua humilde Guesthouse coberta de tapetes persas. Um pouco mercantilista demais para os padrões iranianos, talvez fruto do facto de ter vivido vários anos na Europa, arranjou-nos um quarto para pernoitar e serviu-nos um belo chá iraniano aromatizado com canela. Uma delícia bem quente para nos aquecer depois de um dia completamente escaldante atravessando o deserto iraniano.

Carla Mota

Geógrafa com uma enorme paixão pelas viagens e pelo mundo. Desde muito cedo que as viagens de exploração fazem parte da sua vida. A busca do conhecimento do mundo leva-a em direcção a culturas perdidas e ameaçadas, tentando percebe-las. Hoje é também líder de viagens de aventura na Nomad.

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