Dias 122 a 125 – WAMENA e Vale de Baliem, um contratempo em Jayapura

Dias 122 a 125 - WAMENA e Vale de Baliem, um contratempo em Jayapura

Pela primeira vez nesta volta ao mundo, não conseguimos fazer aquilo que queríamos fazer, aquilo que tínhamos planificado com tantos meses de antecedência. A região de Wamena e do vale de Baliem é conhecida pelas suas tribos indígenas e era o nosso destino principal na Papua (além de Raja Ampat). Para além do interesse pessoal, também iríamos aí trabalhar no documentário do tema “Água” do nosso projecto “4 Elementos”. Mas o destino não quis que assim fosse, apesar dos nossos esforços.

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O imprevisto às vezes acontece

Quem nos segue sabe que nós planificamos as nossas viagens ao pormenor, preferindo perder um pouco na espontaneidade, mas ganhando na maximização do tempo e dos locais e experiências que queremos viver durante a viagem. E esta viagem de volta ao mundo não foi excepção, sendo que a sua planificação e preparação começou com quase um ano de antecedência. O nosso itinerário está definido até ao fim da viagem e temos voos comprados até quase ao final (falta só o voo de regresso para Portugal!).

Mas, quando se parte para uma viagem de volta ao mundo, e sabendo que esta vai demorar mais do que um ano, tem de se estar preparado para o imprevisto e para que a viagem não corra de acordo com o planificado. Por exemplo, na nossa segunda viagem à Índia, em 2017, tivemos de reformular o último terço da viagem devido às monções, que impediam o acesso aos estados do nordeste indiano. Mas, normalmente, temos tido sorte e a nossa planificação corre exactamente como pensada, como por exemplo no nosso Rally Mongol 2018.

Desta vez, nesta nossa volta ao mundo, tudo tinha corrido exactamente como planeado (embora em Timor-Leste, tenhamos tido que adaptar o itinerário) mas quase a chegar ao fim da Indonésia, seria a Papua a desafiar os nossos planos.

Veja aqui os relatos da nossa viagem da Volta ao Mundo

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Papua, uma região da Indonésia muito especial

Visto de qualquer ponto de vista, a Papua é uma região especial da Indonésia. Geograficamente, é a maior província da Indonésia, e a mais oriental, ocupando cerca de metade da segunda maior ilha do mundo, a Nova Guiné. A Papua tem uma área superior a 4 vezes a de Portugal, mas tem apenas pouco mais de 4 milhões de habitantes. É a única província indonésia que pertence à Oceânia.

Geologicamente, também é diferente do resto do território, pois pertence à placa tectónica australiana, tendo estado ligada por terra ao território que é hoje a Austrália aquando da última glaciação (há cerca de 18000 anos), quando o nível dos mares estava substancialmente mais baixo.

Mas é cultural e historicamente que a Papua se distingue realmente do resto da Indonésia. É uma das regiões com maior diversidade étnica do mundo, com dezenas de grupos tribais, alguns deles ainda incontactados por pessoas exteriores, e centenas de línguas diferentes. No entanto, todos os grupos poderão ser classificados como melanésios, partilhando características (e possivelmente uma origem comum) com os aborígenes australianos, e os habitantes das Ilhas Salomão e Nova Caledónia.

Historicamente, a Papua foi a última província a ser incorporada na Indonésia, sendo que o plano original da Holanda, que administrou a região até 1962, era que a Papua se tornasse um país independente. Mas a forte pretensão da Indonésia a este território, e a teia de interesses da Guerra Fria, ditaram a cedência da Papua à Indonésia em 1963. Desde então, o sentimento independentista não esmoreceu na Papua, muito pelo contrário, apesar de o governo indonésio ter concedido um estatuto de autonomia espacial a esta região em 2003.

A história recente da Papua tem muitas semelhanças com a de Timor-Leste, mas a importância económica e territorial da Papua, que ocupa uma área equivalente a 22% do território indonésio e tem imensos recursos minerais (por exemplo, a maior mina de ouro do mundo!) fazem com que a luta pela independência irá ser, previsivelmente, muito mais difícil do que no caso da pequena ex-colónia portuguesa.

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Wamena a ferro e fogo

É neste contexto que surgiram os tumultos do passado mês de Agosto, coincidindo com o aniversário da independência da Indonésia (1945) e também do acordo que ditou a incorporação da Papua (1962). Nós já estávamos há quase um mês em viagem pela indonésia quando nos deparámos com notícias de manifestações de população de origem papua em diferentes cidades indonésias, e motins violentos em algumas cidades da Papua, com especial incidência em Jayapura e Wamena.

As manifestações foram uma resposta a uma situação de maus-tratos da polícia indonésia a estudantes da Papua, em Surabaya, mas obviamente a tensão subjacente é a insatisfação dos líderes e povo da Papua e o seu desejo de independência. Alguns edifícios governamentais foram destruídos e houve confrontos com polícia e militares, registando-se algumas mortes. Ao mesmo tempo, em Wamena, os “estrangeiros” (leia-se, os indonésios aí residentes) começaram a ser alvo dos habitantes locais e muitos abandonaram a região temporariamente.

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O planeado era nós só entrarmos na Papua no início de Novembro (e começarmos pelo pacífico arquipélago de Raja Ampat), por isso estávamos confiantes que, até lá, a situação acalmasse e não houvesse problemas de maior. E, de facto, a situação acalmou a partir do fim de Setembro, mas não sabíamos se as restrições a viagens na região, tanto para turistas, como para indonésios, que tinham sido implementadas pelas autoridades (assim como um “blackout” na internet), seriam mantidas durante quanto tempo.

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Sem saída em Jayapura

Mesmo antes de chegar a Jayapura, em Sorong, várias pessoas disseram-nos que Wamena estava fechada a turistas, mas como já tínhamos voo de Sorong para Jayapura (e depois de Jayapura para Wamena), resolvemos andar para a frente e descobrir a realidade da situação no terreno.

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Quando chegámos a Jayapura, tivemos a confirmação, na guesthouse onde ficámos alojados, que Wamena estava realmente fechada para turistas, sem data prevista para a abertura. Tínhamos voo marcado para dali a uns dias, mas parecia que não poderíamos embarcar, ou no máximo seríamos mandados para trás no aeroporto de Wamena. Depois de termos feito alguns contactos, confirmámos as informações, e chegámos à conclusão que não valia a pena arriscar embarcar no voo em direcção a Wamena.

Tínhamos uma semana planeada na região de Wamena que, de repente, ficava livre. A região de Jayapura não tem muito para ver nas suas imediações. E, além disso, não há ligações rodoviárias para muito longe da cidade. Estávamos literalmente presos em Jayapura.

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Alternativa a Wamena

As alternativas a visitar Wamena, quaisquer que elas fossem, implicavam voar para fora de Jayapura, e isso significava que teríamos de jogar com o tempo que tínhamos e o orçamento que tínhamos estabelecido para esses dias.

Primeiro, não desistimos da ideia de ir ver povos tradicionais. Tentámos organizar uma tour por uma região a leste do vale de Baliem, conhecida como Korowai, onde também existem povos tribais, como os Yali, com a ajuda da Lina, a gerente da guesthouse onde estávamos em Jayapura. Mas, depois de alguns dias de troca de mensagens e muita (im)paciência, constatámos que não tínhamos o tempo, mas principalmente o dinheiro, que necessitávamos para uma exploração dessa região.

Uma vez o número de pessoas que visita esta região é muito limitado, ficámos com a ideia que os guias que trabalham com estrangeiros aproveitam para inflacionar os preços de forma que umas poucas viagens consigam rentabilizar o ano inteiro de (não) trabalho.

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Ao mesmo tempo que estávamos em negociações para ir a Korowai, fomos fazendo pesquisa de voos para saber que lugares alternativos poderíamos explorar nos dias seguintes. Passou-nos pela cabeça voltar para Raja Ampat (e rentabilizar o passe de entrada com validade de 1 ano), ou para as Molucas (não passámos tempo suficiente nas ilhas Kei!), mas acabámos por optar por não deixar a Papua.

Assim, no final, decidimos visitar um arquipélago ao largo da costa norte da Papua chamado Biak. Ali, poderíamos também encontrar algumas aldeias tradicionais, mas mais ligadas ao mar e à pesca, e poderíamos voltar às praias paradisíacas (das quais já tínhamos saudades!).

Outra vantagem é que havia uma ligação de ferry Pelni entre Jayapura e Kota Biak, que podíamos aproveitar para baixar os custos. No entanto, a viagem de volta teria de ser de avião, pois o dia de entrada na Papua Nova Guiné estava definido e não poderia ser alterado, uma vez que já tínhamos estabelecido contactos e feito planos. Biak seria então o nosso último destino na Indonésia. Será que a Indonésia ainda nos poderia surpreender?

Veja aqui as nossas dicas para Viajar na Papua Ocidental

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ONDE DORMIR EM JAYAPURA

Em Jayapura nós ficamos alojados não no centro da cidade mas na cidade de Waema, na margem do lago Sentani. Optamos ficar numa homestay de uma família de um pastor protestante para ver se conseguíamos informações boas sobre a melhor forma de visitar as tribos. A Homestay Galpera Papua é uma boa escolha pois a família é simpática e a Lina, uma funcionária, muito prestativa. Eles lá têm bons contactos com guias em Wamena e podem dar boas sugestões de locais a conhecer. Foi também através da homestay que arranjamos transporte para a fronteira da Papua – Nova Guiné. Pode usar a cozinha e paga mais 20 000 rupias/dia (coisa que nós fizemos).

Se procura outras opções, mais clássicas de alojamento, nomeadamente hotéis em Jayapura ou nas cidades do lago estas são boas opções:

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Rui Pinto

Físico de formação mas interessado em todos os aspectos da cultura e história da humanidade. As viagens são o meio privilegiado para um aprofundamento do conhecimento do mundo, das suas gentes e do nosso papel na vida.

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