Dia 29 – Trilhos no MONTE BROMO, desde o nascer do sol no King Kong Hill até à cratera

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A qualidade da noite passada esteve ao nível da qualidade do quarto onde estávamos alojados, ou seja, terrível. O único cobertor que tínhamos não era suficientemente comprido, largo e quente para nos livrar de uma noite muito mal dormida com o frio que se fazia sentir dentro do quarto. Mas, vendo pelo lado positivo, e uma vez que nos tínhamos de levantar às três da manhã para ver o nascer do sol no Monte Bromo, a noite foi também curta!

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Morfologia da caldeira do Monte Bromo

Também nos sentíamos ansiosos, pois sabíamos que estávamos junto a uma das paisagens vulcânicas mais espectaculares da Indonésia e do mundo. A aldeia de Cemoro Lawang está localizada no topo de uma falésia que constitui a parede de uma gigantesca antiga cratera vulcânica de forma circular, com vários quilómetros de diâmetro, o que se chama uma caldeira.

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Onde se encontra Cemoro Lawang, a falésia tem cerca de 100 m de altura, mas à volta da caldeira as paredes têm várias centenas de metros de altura. No centro da caldeira, encontram-se as estrelas da companhia, em particular Monte Bromo, um dos vulcões mais activos da Indonésia, e, logo ao lado, Bartok, um vulcão adormecido.

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Existe ainda uma série de outras crateras correspondentes a cones secundários antigos, como os Montes Widodaren e Watagan, que actualmente não mostram sinais de actividade vulcânica. A caldeira em si seria a cratera de um enorme vulcão. Esta paisagem é muito parecida, na sua morfologia e génese, com a da Ilha do Fogo, em Cabo Verde.

O início

Saídos da cama, preparadas as mochilas pequenas com o material fotográfico, e vestida roupa quente, pusemo-nos ao caminho. O plano para o dia era ambicioso. Primeiro, ver o nascer do sol de um promontório de frente para o Monte Bromo, à partida na chamada King Kong Hill, a noroeste de Cemoro Lawang. Segundo, descer as falésias da caldeira e atravessar o fundo da caldeira. Terceiro, tentar subir ao Monte Bromo. Quarto, regressar a Cemoro Lawang. Completaríamos assim um trilho circular que esperávamos que fosse deslumbrante. E as nossas expectativas não foram goradas.

Como tínhamos muitos quilómetros pela frente, e ainda estávamos entorpecidos pelo frio da noite, resolvemos apanhar a boleia de duas motos até ao início da subida para King Kong Hill (a cerca de dois quilómetros de Cemoro Lawang). Nessa curta distância, a estrada era acidentada e os rapazes que conduziam as motas tentavam evitar as pedras maiores.

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Subida para o miradouro da King Kong Hill

Quando chegámos a uma cancela, era tempo de começar a caminhar. A noite era cerrada e os nossos frontais eram as únicas luzes que iluminavam o caminho. Inicialmente, a estrada continuou por algumas centenas de metros, mas depois começou uma subida em escadaria. Passámos por alguns companheiros de caminhada, mas prosseguimos.

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A escadaria vai dar a um miradouro chamado Seruni Point, mas a subida não acaba aí. A partir daí, não há mais escadas, e a subida processa-se a corta-mato, usando uma ravina que resultou do escoamento de água. Embora as escadas também puxassem pelas pernas e pelo batimento cardíaco, este troço é mais exigente do ponto de vista físico pois o terreno não é tão certo, e com o meu frontal a dar as últimas, basicamente ia-me seguindo pela luz do frontal da Carla que seguia à frente.

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Chegados a King Kong Hill

Finalmente chegados à King Kong Hill, começámos a deparar-nos com multidões. O nascer do sol no Monte Bromo parece ser mais uma actividade em alta popularidade. Mas o que aconteceu em Borobudur voltou a acontecer aqui. Quase toda a gente está lá só para o momento, e depois parte, rumo ao Monte Bromo, fazendo parte de uma tour organizada.

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Estas tours têm a vantagem da organização e do facto do transporte facilitar a visita aos pontos de interesse logo nas primeiras horas da manhã. A desvantagem é que se fica com pouco tempo (pelo menos, na nossa perspectiva!) em cada local. A grande vantagem, claro, é que, uma vez que a estrada vai até aos miradouros pelo outro lado da caldeira, não tem que se percorrer quilómetros a pé!

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Nascer do sol no Monte Bromo

Para se conseguir ver o nascer do sol de frente para o Monte Bromo, o segredo é conseguir encontrar um “spot” que seja nosso, sem ter dezenas de pessoas à volta. Não é fácil… Arranjámos um ponto da falésia um pouco mais acima do miradouro da King Kong Hill, mas abaixo do miradouro de Penanjakan, sem ninguém para nos perturbar a linha de visão, e esperámos. O frio fazia-se sentir, de tal forma que ansiávamos pelos primeiros raios de sol para aquecer um pouco.

Dia 29 – Trilhos no MONTE BROMO, desde o nascer do sol no King Kong Hill até à cratera

Mas ainda antes dos raios de sol, a claridade no horizonte começou a revelar o esplendor da paisagem que tínhamos diante de nós. A magnificência e a dimensão da caldeira, e a beleza dos vulcões alinhados, com o Bartok e Bromo em destaque, com o Monte Semeru, majestoso no horizonte, formavam uma visão perfeita. É uma das paisagens mais espectaculares que já vimos.

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Pouco depois do nascer do sol, as multidões começaram a dispersar e quando demos por ela estávamos sozinhos na montanha! Aproveitámos para lançar o drone e captar fotos e vídeos desta paisagem soberba. Mas suspeitamos que nenhuma foto ou vídeo consiga abarcar tudo aquilo que os nossos olhos viam e os nossos corações sentiam.

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Descida para a caldeira do Monte Bromo

Por volta das oito da manhã resolvemos descer. Acompanhámos a estrada asfaltada num percurso muito bonito, com vegetação do tipo mediterrânico (pelo efeito da altitude), e com muita sombra fresquinha. As vistas para a caldeira e para o monte Bartok são fenomenais e parávamos constantemente para registar a perspectiva. Após duas horas de descida, chegámos ao chão da caldeira, cheia de areia e cinza vulcânica, de tal forma que e conhecida como o Mar de Areia.

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Apesar dos constantes convites para boleias de moto, estávamos determinados a fazer o nosso percurso circular na totalidade a pé. Cruzámos o Mar de Areia e lembrou-nos alguns troços do Rally Mongol, a nossa aventura do ano passado. Felizmente a “hora de ponta” na caldeira já tinha passado e cruzámo-nos com poucos veículos e, por isso, também havia pouco pó no ar.

Dia 29 – Trilhos no MONTE BROMO, desde o nascer do sol no King Kong Hill até à cratera
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Chegados perto do Monte Bromo, parámos numas barraquinhas e comemos um almoço antecipado, pois andávamos a carburar quase sem combustível. Umas massinhas chinesas resolveram o problema. Nesta zona, formavam-se remoinhos de vento que levantavam grandes quantidades de poeira e davam um ar surreal à paisagem, algo digno de filmes tipo “Mad Max”.

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Em frente ao Monte Bromo

Depois de almoço, fomos em direcção ao Monte Bromo, não sem antes passar pelo Templo Luhur Poten, um templo hindu que só abre em dias especiais do calendário hindu e que se encontrava fechado. Infelizmente, o acesso ao Monte Bromo também estava fechado, há pelo menos um mês, por razões de segurança.

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A verdade é que se notava, de vez em quando, fumo a sair da cratera, mas de resto tudo parecia calmo. No entanto, não era possível subir à borda da cratera do Bromo. Restava-nos contemplar a beleza de um vulcão activo a partir da sua base.

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Para se ter uma melhor perspectiva do interior da cratera do Monte Bromo, a única opção possível seria subir ao topo do Monte Bartok, mas isso deixaríamos para o dia seguinte.

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O regresso a Cemoro Lawang

Estava na hora de cruzar novamente o Mar de Areia, desta vez em direcção a Cemoro Lawang. Protegemos a boca e o nariz da poeira que andava no ar e caminhámos até chegarmos à parede da caldeira. Faltava a subida final do dia! Que, dado o nosso cansaço, custou bastante. Mas, a subida era curta e rapidamente chegámos à aldeia, não sem antes passarmos por rapazes a cavalo, um meio de locomoção ainda muito usado por aqui.

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Eram três da tarde, e tínhamos percorrido a pé um dos percursos mais bonitos que já fizemos. E totalmente sozinhos, pois aqui o trekking ainda não é popular para quem visita, e as autoridades indonésias também ainda não prepararam o terreno para quem quer conhecer a zona a pé. Mas a caldeira do Monte Bromo tem um potencial enorme para percursos pedestres.

Veja aqui os relatos da nossa viagem da Volta ao Mundo

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Por nós, no dia seguinte, regressaríamos. Por hoje, estava na altura de mudar de quarto para a nossa homestay, com condições substancialmente melhores (um quarto com janelas e com água corrente e quente!), tomar um banho, e trabalhar no blogue. Isto de manter os relatos actualizados ao final do dia, quando se acorda às três da manhã para caminhar 12 horas, não é fácil!

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DICAS PARA VISITAR O MONTE BROMO

Pode visitar o Monte Bromo em tour desde Yogyakarta, de Surabaya ou de Bali. Veja aqui as melhores opções:

  • Se procura tour privado desde Surabaya pode marcar aqui. Este é um tour de um dia e é o mais popular pois é o mais barato dos tours que vai encontrar para o Bromo.
  • Se procura um tour de dois dias, desde Surabaya para ver o pôr-do-sol, com pernoita no Bromo, marque aqui. Este tour também é bem popular.
  • Se procura um tour de três dias que faça Bromo e Monte Ljen, desde Surabaya, marque aqui.
  • Se procura um tour desde Yogyakarta, de 4 dias, que vai ao Monte Bromo, Vulcão Ljen e Borobudur, marque aqui.  Este é um dos tours mais bem sucedidos para quem quer comodidade e fazer o melhor de Java desde Yogyakarta.
  • Também é possível visitar o Monte Bromo e o vulcão Ljen desde Bali, num tour de 3 dias. Pode marcar o seu tour aqui. Este tour é muito popular porque visita os pontos mais populares de Java desde a ilha de Bali. Marque com antecedência.
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Rui Pinto

Físico de formação mas interessado em todos os aspectos da cultura e história da humanidade. As viagens são o meio privilegiado para um aprofundamento do conhecimento do mundo, das suas gentes e do nosso papel na vida.

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