Dias 99 a 115 – À descoberta das Molucas, as ilhas das especiarias | Indonésia

Dias 99 a 115 - À descoberta das Molucas, as ilhas das especiarias | Indonésia

As Molucas são um dos maiores arquipélagos da Indonésia, constituído por mais de 1000 ilhas, que se estendem por uma vasta área. Ilhas vulcânicas, terras de especiarias, são dotadas de uma beleza natural singular, quase intocada pela actividade do homem ao longo de milénios, e em particular quase desconhecida para o turismo, que só agora começa a chegar a esta parte da Indonésia.

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MOLUCAS, as ilhas das especiarias

Historicamente, as Molucas eram as chamadas “ilhas das especiarias”, durante séculos lugares exclusivos no mundo de produção de cravinho e noz-moscada, especiarias cobiçadas nas cortes europeias, mas também na Índia e China. No norte do arquipélago, cinco pequenas ilhas, entre as quais Ternate e Tidore, eram as produtoras exclusivas de cravinho, e a sul, as ilhas Banda eram as produtoras exclusivas de noz-moscada e macis.

Os mercadores árabes e chineses dominaram durante séculos as rotas comerciais marítimas e terrestres, que escoavam as especiarias para ocidente e oriente. Mas no início do século XVI, após a descoberta do caminho marítimo para a Índia e a conquista de Malaca, porto central na região, estava aberto o caminho para os portugueses descobrirem a fonte das especiarias, mantida em segredo durante séculos, e explorar o seu comércio, eliminando os intermediários, e fazendo fortuna. Além disso, a expansão marítima no Oriente permitia também a Portugal manter junto da Igreja Católica o estatuto de nação evangelizadora de povos pagãos longínquos, com o direito de propriedade, sancionado pela autoridade papal, sobre essas terras distantes.

Tendo sido os portugueses os primeiros europeus a atracar nas ilhas das especiarias, e aí permanecido durante quase um século, as Molucas estão indissociavelmente ligadas à história portuguesa, e ainda hoje se podem ver as marcas da presença portuguesa na língua, influência arquitectónica e religião.

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4 Elementos – Terra

Foi em busca das terras das especiarias, do património e da nossa história que resolvemos explorar o arquipélago das Molucas, tendo como objectivo documentar o tema “Terra” do nosso projecto “4 Elementos”, desenvolvido com o apoio de uma Bolsa de Exploração, da qual fomos vendedores no passado mês de Novembro, promovida pelo motor de pesquisa de viagens momondo e pela agência de viagens de aventura Nomad.

O itinerário a que nos propusemos incluía as principais ilhas das especiarias, Ternate e Tidore, a norte, Ambon, ao centro, e Banda e Kei, a sul. Em todas elas fomos em busca das especiarias, e papel que ainda desempenham na economia e vida locais, e do legado da presença portuguesa, nestas terras do outro lado do mundo.

Veja aqui os relatos da nossa viagem da Volta ao Mundo

Sendo assim, dedicámos quase três semanas a viajar pelo arquipélago, num percurso de norte para sul, seguindo as pegadas dos nossos antepassados, os primeiros europeus a navegar estes mares e a pisar estas terras.

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Deixamos aqui um resumo das ilhas que explorámos neste projecto, e publicaremos mais tarde artigos mais detalhados sobre cada uma delas.

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1. Ternate

Ternate era o reino mais poderoso na época das especiarias, e foi o primeiro local onde os portugueses se fixaram de uma forma mais permanente. Foi por isso que escolhemos Ternate como primeira paragem no nosso périplo pelas Molucas. Montámos base na cidade de Kota Ternate, e explorámos a ilha de mota alugada.

Visitámos as ruínas dos fortes portugueses, espanhóis e holandeses, falámos com as pessoas, deslumbrámo-nos com a paisagem natural vulcânica de Ternate, com praias de areia negra, campos de lava, lagoas e, claro, o majestoso Gunung Api Gamalama, o vulcão saído do mar, que atinge 1721m de altitude e que constituí a totalidade da ilha de Ternate.

As especiarias, essas, já não têm a importância de outros tempos. Com a perda da hegemonia do seu cultivo, as Molucas viram as especiarias diminuir o seu valor económico, e a economia estagnar. Hoje, em Ternate, o cravinho e noz-moscada continuam a ser importantes para a população, mas a um nível local, com as famílias a secar as especiarias ao sol, na margem da estrada, à porta de casa.

Pode ver aqui o nosso artigo sobre visitar Ternate.

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2. Tidore

Tidore era o rival histórico de Ternate, competindo comercial e politicamente pelo domínio da região, embora sempre em desvantagem em termos de poder e área de influência. A ilha de Tidore fica mesmo em frente a Ternate, e os seus cones vulcânicos dominam a vista do porto de Kota Ternate. Para lá chegar, basta atravessar o pequeno estreito que separa as duas pequenas ilhas que, outrora, foram palco de disputa entre as principais potências europeias.

Nós explorámos Tidore a partir de Ternate, apanhando o ferry que faz a ligação entre as ilhas, e levando connosco a mota para podermos explorar a ilha. Tidore, ao contrário de Ternate, não tem nenhuma cidade com dimensão apreciável. A capital, Soasio, é uma pequena localidade e a maior parte das outras povoações não são mais do que conjuntos de casas ao longo da estrada que circunda a ilha.

Apesar de ter uma dimensão comparável, Tidore é menos desenvolvida que Ternate e tem um ritmo de vida ainda mais relaxado, e o quotidiano da sua população é mais ligado à pesca e recolha das especiarias. Vê-se mais cravinho a secar na estrada, mas mais uma vez a produção em grande escala é algo do passado.

Em Soasio, concentram-se as ruínas de um forte português, de outro espanhol, e da antiga residência do sultão, e é aí que se sente mais a herança da presença estrangeira na ilha, inclusive na arquitectura dos edifícios da cidade.

Ao longo da costa de Tidore, existem algumas belas praias, mas o que salta mais à vista são os dois cones vulcânicos que dominam o interior da ilha e a visão da ilha de Ternate, do outro lado do estreito. Percorremos também parte do interior da ilha, mas a maior parte da população concentra-se na orla costeira.

Pode ver aqui o nosso artigo sobre visitar Tidore.

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3. Ambon

Das Molucas do Norte, partimos em direcção ao centro do arquipélago, onde se encontra Kota Ambon, a maior cidade das Molucas, centro comercial e logístico da região. Estrategicamente situado entre as ilhas do cravinho, a norte, e as ilhas da noz-moscada, a sul, Ambon teve desde muito cedo reconhecida a sua importância como entreposto comercial.

Hoje, Ambon é uma cidade grande, cheia de trânsito e bazares onde se vende tudo, e com um porto de onde saem barcos para toda a Indonésia. A malha urbana foi crescendo, e com ela foi desaparecendo muito do património histórico e as marcas da presença portuguesa e holandesa.

O forte português foi tomado pelos holandeses, que aí estabeleceram o centro administrativo da Companhia Holandesa das Índias Orientais. Hoje, o pouco que resta da fortificação foi tomado pelo exército indonésio, que aí montou uma base, não sendo possível visitar o interior (e obter imagens do exterior!).

A influência portuguesa e holandesa nota-se na arquitectura de alguns edifícios e na implementação da religião cristã. Pela cidade, pode encontrar-se várias igrejas, católicas e protestantes, e uma boa porção da população é cristã.

Tal como os portugueses antes de nós, escolhemos Ambon como plataforma giratória para explorar o resto das Molucas, e ali voltámos várias vezes nas semanas seguintes. De Pulau Ambon, apanhámos um barco para a ilha maior, Pulau Seram, e aí aproveitámos para conhecer Ora Beach, numa baía fantástica na costa norte da ilha.

Pode ver aqui o nosso artigo sobre visitar Ora Beach.

De lá, voltámos para Ambon, e novamente apanhámos um ferry, desta vez em direcção às ilhas da noz-moscada, as ilhas Banda.

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4. Banda

As ilhas Banda foram, durante séculos, o único lugar no mundo onde se produzia a noz-moscada. É um pequeno arquipélago, constituído por uma dezena de ilhas, com a cidade de Bandaneira como capital, na pequena ilha de Pulau Neira, de frente para o imponente vulcão Gunung Api Banda. Foi ali que desembarcámos, após seis horas de viagem, no ferry, e rapidamente nos demos conta que, finalmente, tínhamos chegado às ilhas que ainda eram as ilhas das especiarias.

Bandaneira é uma pequena povoação dominada pelo porto, que é visitado duas vezes por semana por uma ligação rápida com Ambon e por um barco grande, mais lento, da rede Pelni, que serve toda a Indonésia. A maior parte dos edifícios de Bandaneira (ou o que deles resta) são testemunhos do passado colonial, principalmente holandês, que dominaram a região no século XVII e aí permaneceram até ao século XX.

Tal como nas outras partes do arquipélago, os holandeses venceram militarmente os portugueses, ocupando os fortes e reclamando para si o monopólio do comércio das especiarias. Nas ilhas Banda, a administração holandesa foi particularmente violenta, na implementação à força de um sistema de monopólio, de produção e venda muito controlada das especiarias, e esmagando com brutalidade toda e qualquer rebelião, no que hoje seria classificado como um autêntico genocídio da população local.

Os fortes holandeses em Bandaneira foram construídos por cima das fundações dos portugueses e, hoje restaurados ou em via de restauro, constituem a principal atracção histórica das ilhas Banda. Com a independência da Indonésia, os holandeses partiram, finalmente, mas as especiarias permaneceram, apesar de não terem o peso comercial do passado. No entanto, nas ilhas Banda, o ar cheira ainda, literalmente, a especiarias.

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Visitámos a ilha maior do arquipélago, Pulau Banda Besar, onde as plantações de noz-moscada sobreviveram à partida dos colonos, ainda que em estado meio selvagem. As pessoas continuam a recolher a noz-moscada, e a membrana que a envolve (macis) e a secá-las ao sol, para depois vendê-las a companhias indonésias e chinesas. Ali, as ruínas dos fortes holandeses foram tomadas pela vegetação, mas parecem querer resistir a mais este desafio do tempo.

Explorámos as ilhas de Pulau Run e de Pulau Ai, hoje conhecidas como destinos de mergulho, mas em outros tempos pomos de discórdia e de guerras entre holandeses e ingleses. Ali, a contenda entre as duas potências europeias teve consequências desastrosas para a população local, obrigada a fugir da violência de uns e represálias de outros. Pulau Run, hoje uma ilha adormecida esquecida por todos, chegou a ser trocada por outra ilha no Novo Mundo, Nova Amesterdão, depois renomeada Nova Iorque (Manhattan).

Pode ver aqui o nosso artigo sobre visitar as ilhas Banda.

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5. Kei

De Banda, partimos no ferry Pelni em direcção ao ainda mais remoto arquipélago de Kei, onde atracámos passadas 12 horas de viagem. Para além de ter sido o refúgio da população de Banda, quando fugiu à brutalidade holandesa, estas ilhas não desempenharam grande papel na história das especiarias. Hoje são um destino turístico para os liveaboards, os barcos que percorrem as ilhas Komodo, Banda, Kei e Raja Ampat, destinos de classe mundial para mergulho.

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Aí explorámos a ilha principal, Pulau Kei Kecil, com praias maravilhosas na costa nordeste, como Pasir Panjang, demos um salto a alguns ilhéus no norte do arquipélago, como a ilha Baeer e Pulau Adranan, com águas azuis-turquesa e corais magníficos., ou bancos de areia branca finíssima que são quase submersos na maré alta, como Ngurtavur. As ilhas Kei são um verdadeiro paraíso na Terra, quase desconhecido por todos, e que marcou o fim do nosso périplo pelas Molucas com uma beleza estonteante.

No final da nossa viagem pelas ilhas das especiarias, percebemos muito bem que o que trouxe os portugueses a estas paragens não foi só a procura de fortuna e de especiarias; foi também a busca do desconhecido, do belo, do diferente, do desafio de andar por onde poucos andaram, e o prazer da descoberta da beleza e diversidade dos povos e do planeta que habitamos. E isso permanece tão verdadeiro hoje como há 500 anos.

Pode ver aqui o nosso artigo sobre visitar as ilhas Kei.

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Para mais informações acerca de viajar no Pelni na Indonésia e nas Molucas, consulte o nosso artigo “Viajar nas Molucas”.

Rui Pinto

Físico de formação mas interessado em todos os aspectos da cultura e história da humanidade. As viagens são o meio privilegiado para um aprofundamento do conhecimento do mundo, das suas gentes e do nosso papel na vida.

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