DIAS 68 a 70 – Da Labuan Bajo muçulmana à WAE REBO ancestral na ilha das Flores

DIAS 68 a 70 - Da Labuan Bajo muçulmana à WAE REBO ancestral na ilha das Flores

A nossa viagem pela Indonésia está a chegar quase a meio, e se há algo que aprendemos foi que todas as ilhas têm a sua identidade própria, muitas vezes tão diferentes das suas vizinhas que parece que estamos num país diferente. Nas Flores, queríamos acima de tudo conhecer um pouco da cultura tribal ancestral, que forma ainda a espinha dorsal da identidade dos seus habitantes. Para isso, visitar Wae Rebo, uma aldeia tradicional perdida no meio da floresta tropical, era o nosso principal objectivo dos primeiros dias nas Flores.

Veja aqui os relatos da nossa viagem da Volta ao Mundo

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Labuan Bajo

Em Labuan Bajo ficámos alojados num dive hostel, com um óptimo quarto, e uma piscina onde os mergulhadores aprendizes tinham aulas, mas o mergulho teria de ficar para outra oportunidade. Tínhamos algum tempo para visitar a cidade, mas no dia seguinte partiríamos em direcção a Wae Rebo.

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Labuan Bajo é bastante pequena, mas em rápido crescimento, sendo o porto de mais fácil acesso ao Parque Nacional de Komodo. Quase toda a actividade turística em Labuan Bajo está orientada para o mar ao largo das Flores, mas o nosso propósito era atravessar o interior da ilha e conhecer algumas das culturas ancestrais que ainda estão vivas na ilha.

Em Labuan Bajo, aproveitámos para ir aos correios mandar uma encomenda para casa, e depois demos uma volta pela cidade. A zona mais bonita é a do porto, cheia de barcos de pesca, e com um pôr-do-sol muito bonito. Visitámos o mercado de peixe, e passeámos na marginal.

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Quando o sol poente iluminou o céu de rosa, e se vislumbravam os barcos de pesca em contra-luz, não pudemos deixar de pensar que o cenário não deveria ser muito diferente de quando os portugueses aqui chegaram pela primeira vez há 500 anos.

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À noite, jantámos junto à água, num mercado tradicional de peixe, onde os pescadores grelhavam o pescado ou marisco que nós escolhêssemos. Comemos uma lula grelhada e camarões com molho de alho e manteiga. Uma delícia!

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Preparar a viagem a Wae Rebo

Como os transportes colectivos não existem para Wae Rebo, só tínhamos duas hipóteses: ir de forma autónoma, de moto, ou contratar um carro. A primeira opção implicava atravessar quase toda a ilha das Flores de moto, e isso não estava nos nossos planos. Temos usado muito a moto, mas como meio de exploração de lugares numa zona, e não como meio de transporte em deslocações grandes.

As estradas secundárias das Flores, como iríamos constatar, são fracas, e mesmo as estradas principais, com bom piso, são muito estreitas e com muitas curvas apertadas, e com trânsito de pesados, logo não são muito seguras. Aliás, no hostel onde estamos alojados vimos vários viajantes com mazelas (algumas sérias) e nenhuma delas tinha sido causada pelo mergulho ou surf, mas sim por acidentes de moto. Por isso, jogamos pelo seguro.

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Optámos por contratar um carro que nos irá buscar ao hostel, e nos levará até à pequena localidade de Denge, de onde se inicia o trek até Wae Rebo, onde dormiríamos. No dia seguinte, desceríamos das montanhas e o carro levar-nos-ia até Bajawa, onde continuaríamos a explorar aldeias tradicionais.

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De carro pelas Flores

O carro estava à porta do nosso hostel à hora marcada, e rapidamente saímos da cidade de Labuan Bajo, entrando imediatamente no interior florestado da ilha. A estrada vai serpenteando montanhas acima e abaixo, e os arrozais vão gradualmente dominando a paisagem conforme vamos deixando a costa para trás.

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Parámos num desses campos e estivemos à “conversa” com trabalhadores que colhiam a erva do arroz e a carregavam em sacos. Trabalho duro, ao sol e ao calor, mas nas Flores o calendário das colheitas ainda continua a moldar o dia-a-dia da maioria das pessoas.

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As Flores é, culturalmente, uma ilha heterogénea, com cinco grupos étnicos principais, mas em termos religiosos a religião católica impera, correspondendo a cerca de 80% dos seus habitantes. A população muçulmana concentra-se na costa, principalmente nas cidades de Labuan Bajo e Ende.

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Pelo caminho, fomos reparando nos túmulos que muitas casas têm no seu quintal, com cruzes e figuras de Cristo bem à mostra. Estamos numa zona de maioria católica, e só então é que reparámos no crucifixo pendurado no espelho retrovisor do nosso carro.

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Parámos para almoçar já perto da localidade de Denge, e depois foram apenas alguns quilómetros para estarmos no fim da estrada. Ou quase, pois uns rapazes de moto ofereceram os seus serviços para nos levar até ao início da caminhada. Como não queríamos caminhar muito em asfalto, principalmente a subir, resolvemos aceitar. Dessa forma, o trek até Wae Rebo fica só restrito mesmo à parte em que se caminha por carreiros pela floresta tropical.

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A pé até Wae Rebo

O percurso a pé até Wae Rebo é muito bonito, mas é durinho. A primeira hora é sempre a subir, com a sombra das árvores a proteger do sol, mas a humidade a fazer colar a roupa ao corpo.

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De vez em quando uma pequena clareira permite-nos vislumbrar o que nos rodeia. A floresta tropical ali é verdadeiramente impressionante, cobrindo as montanhas à volta de uma forma imaculada, sem interrupções, como que um manto verde.

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A segunda metade do caminho é mais plana, e até tem troços que descem, pois a aldeia fica a meia encosta. A dada altura, vemos uns telhados cónicos no meio da vegetação, ao longe. Wae Rebo mostrava-se pela primeira vez.

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Após duas horas de caminhada, chegamos finalmente a Wae Rebo, uma aldeia onde a cultura tribal maggarai é que impõe regras, e onde as cerimónias fúnebres católicas convivem com rituais de sacrifício de animais e cerimónias de fertilidade.

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A magia de Wae Rebo

No caminho de acesso à aldeia, passamos por um arco de entrada em madeira, e vemos o centro da aldeia de cima. Sete casas tradicionais, designadas Mbaru Tembong, em torno de um espaço aberto onde se encontra o altar das cerimónias. Uma das casas sobressai das outras, pelo tamanho e pela sua posição central.

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Logo à chegada a Wae Rebo, somos recebidos pelo chefe da aldeia, que realiza um cerimónia de boas vindas. A casa, toda em madeira, e com um enorme telhado cónico, tem um espaço comum, onde somos recebidos, e a parte de trás é reservada aos quartos, onde vivem algumas famílias. A casa é construída sobre estacas, e tem uma estrutura vertical com vários patamares de armazenamento de produtos agrícolas.

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De seguida somos conduzidos à casa tradicional onde vamos dormir nessa noite. Ao longo da tarde vão chegando outras pessoas , quase todas indonésias, mas à noite não seremos mais de vinte no total.

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Deambulámos então pela aldeia, observando o ritmo do quotidiano, totalmente ditado pelo trabalho nos campos, particularmente no cultivo do café. Fomos comprando alguma fruta, e comemos sentados no chão, apreciando o silêncio, a neblina que subia o vale, e as pessoas que desciam dos campos com sacos cheios de café, que depois é estendido ao sol para secar.

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As mulheres tecem as vestimentas tradicionais, ou preparam o jantar. Os homens conversam e vão tentando vender produtos aos poucos turistas que por ali passeiam. As crianças brincam com os cães, e as galinhas passeiam os seus pintainhos.

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Dormir e acordar em Wae Rebo

Conforme a noite ia caindo, o frio ia-se instalando, e os habitantes de Wae Rebo cobriam-se com tecidos ali mesmo fabricados. Recolhemos à nossa casa, e aproveitamos para ler um pouco da história da aldeia, recuperada com a ajuda do governo e de instituições nacionais, interessadas em preservar a cultura e valores étnicos dos maggarai, mas cujo esforço nunca teria saído do papel não fosse o impulso inicial do turismo, e do interesse crescente daqueles que visitam Wae Rebo.

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O jantar é servido de forma comunal, no chão, com as pessoas sentadas em filas, viradas umas para as outras. Sem rede de telemóvel, wi-fi, rádio ou televisão, as pessoas conversam, trocam impressões e partilham histórias. Um regresso a uma forma de vida mais simples.

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Dormimos em esteiras de bambu, com uma almofada e um cobertor. Dentro de casa não se sente frio. Lá fora, o céu parcialmente nublado só deixa espreitar as estrelas.

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De manhã, levantamo-nos com a primeira claridade. A neblina não deixa o sol iluminar a aldeia, e só depois do pequeno-almoço é que os raios de sol emprestam outra cor às casas e às montanhas circundantes. Queríamos ficar mais tempo, mas tínhamos um dia muito comprido pela frente.

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Adeus a Wae Rebo

Fomos dizer adeus ao chefe da aldeia, e agradecer-lhe a sua hospitalidade. Entregamos-lhe um cartão postal da cidade do Porto, como uma recordação dos viajantes de Portugal que visitaram Wae Rebo.

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O percurso para trás é feito mais depressa, pois a maior parte é a descer. Passamos por vários locais que transportam já carga montanha acima. Todos respondem às nossas saudações de bom dia com um sorriso rasgado. A vida ali é simples, mas feliz.

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Quando chegamos a Denge, às dez da manhã, já o nosso motorista nos esperava. Iniciamos então um longo percurso de carro que nos levará até à costa, e depois à cidade de Ruteng. A estrada está em más condições e o nosso motorista segue a um ritmo muito lento.

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Pelo caminho vamos passando por aldeias muçulmanas, junto à água, que alternam com aldeias católicas, situadas mais acima. Pelo que vamos conversando com o nosso motorista, a convivência entre cristãos e muçulmanos nem sempre é perfeita, mas as Flores acabam por ser um caso de sucesso de harmonia religiosa.

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Os campos de arroz em forma de teia de aranha

Ainda antes de chegarmos a Ruteng tivemos tempo para ver os Campos de Arroz em forma de teia de aranha, os Spider Rice Fields, uma forma de produção do arroz também tradicional e específica desta área da ilha das Flores.

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De Ruteng a Bajawa

Ruteng é uma das principais cidades do interior da ilha das Flores, mas nós só lá estivemos de passagem, para arranjar um táxi partilhado que nos levasse à cidade de Bajawa.

Depois de esperarmos um pouco para que o táxi enchesse, iniciámos outra longa viagem de carro, esta feita já parcialmente de noite. Quando chegámos a Bajawa, eram sete da noite. Tinham sido quase nove horas ininterruptas de carro, que nos tinham trazido ali pelo interior da ilha das Flores.

Em Bajawa, era tempo de explorar as aldeias de outro dos principais grupos étnicos das Flores, os ngada.

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Rui Pinto

Físico de formação mas interessado em todos os aspectos da cultura e história da humanidade. As viagens são o meio privilegiado para um aprofundamento do conhecimento do mundo, das suas gentes e do nosso papel na vida.

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