Dia 33 – No cume do MONTE SEMERU (3676m) | Volta ao Mundo

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Equipados com roupa quente (calças em duas camadas e três camadas no tronco mais um casaco windstopper)e depois de tomado um brevíssimo chá quente com uma barra energética, estávamos prontos para começar a subir o Monte Semeru.

Veja aqui os relatos da nossa viagem da Volta ao Mundo

Dia 33 – No cume do MONTE SEMERU (3676m) | Volta ao Mundo

Nas encostas florestadas do Monte Semeru

Seguimos em dois grupos, nós com o Roidil e o Shyam e Rodrigo com o guia. O início da subida é feito ainda embrenhados na floresta. Sente-se a humidade, estamos abrigados do vento e caminhamos sempre a subir. É natural que comecemos a transpirar, mas não vale a pena tirar camadas de roupa pois mais lá para cima vamos precisar delas. Abro um pouco os casacos e deixo o peito refrescar.

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A Carla sente-se cansada e vamos progredindo ao ritmo dela. Roidil mantém-se connosco, inicialmente atrás, mas depois passando para a frente. São muitas as luzes de frontais que vemos na escuridão, pois são várias dezenas de pessoas que tentam chegar ao cume do Monte Semeru nesta noite.

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Ultrapassamos algumas pessoas e somos ultrapassados por outras. A montanha é mesmo assim. Cada um deve encontrar o seu ritmo, um ritmo que consiga manter durante grandes intervalos de tempo, pois não se deve parar frequentemente, porque quando se pára, os músculos arrefecem e começamos a ter frio.

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No cone do Monte Semeru

Após mais de uma hora de caminhada, saímos da floresta e entramos no domínio propriamente dito do vulcão. A partir dali não há vida; só rocha e cinza vulcânicas. Estamos mais expostos ao vento e frio, mas ambos parecem dar tréguas. A subida prossegue lentamente, em ziguezague, pela encosta inclinada do Monte Semeru. É uma elevação de quase mil metros em pouco mais de 3,5 km de distância, ou seja, uma inclinação média de quase 30%.

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Roidil segue à frente; depois a Carla e a seguir eu. A Carla luta com algumas dores musculares e cansaço. O terreno não ajuda; resvala-se muito se não se puser os pés no sítio certo, e muitas vezes é inevitável. Temos de parar algumas vezes para descansar e beber água. Nesta fase, a ordem das pessoas que sobem mantém-se quase inalterada. Quase ninguém nos ultrapassa e não ultrapassamos quase ninguém. Olho para baixo e vejo uma longa fila de luzes de frontal a iluminar a escuridão. Surpreende-me o número de pessoas, já que é uma subida exigente.

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Os nossos companheiros separaram-se; Rodrigo está bem fisicamente e segue sozinho um pouco à nossa frente, enquanto Shyam está a sofrer fisicamente e segue um pouco mais atrás, com a companhia do guia. Eu sinto-me bem, talvez porque esteja a subir a um ritmo inferior ao meu. No entanto, paro muitas vezes e, conforme vou subindo, vou sentindo mais o frio. Em compensação, olho mais vezes em redor e aprecio a paisagem. Em primeiro plano a impressionante inclinação da vertente do Monte Semeru, ao fundo as luzes das cidades próximas e as formas de montanhas em redor.

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No topo do Monte Semeru

A parte final da subida é mais dura. O terreno é mais instável, resvala-se quase constantemente, duplicando o esforço necessário para progredir. Já se vê as cores da alvorada. Tivemos sorte. Mesmo nesta época é comum o Monte Semeru acordar envolto em nuvens. Mas desta vez, somos agraciados com um nascer do dia límpido. Um brilhante laranja anuncia a chegada do astro-rei.

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Chegamos ao topo mesmo a tempo de ver o nascer do sol, após quatro horas e meia de subida. Gritamos e felicitamo-nos, e comemoramos com o carregador. Como sempre, temos noção de que a chegada ao cume é sempre metade da história. Mas, por enquanto, desfrutamos de estar no topo da ilha de Java.

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De repente, ouve-se um estrondo e, instintivamente, corremos na direcção do barulho. Estávamos no topo há poucos minutos e ainda não tínhamos raciocinado onde estava a cratera do vulcão. A verdade é que a cratera activa forma um cone secundário, escondida atrás (vindos de Kalimati) do cume principal.

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Estamos a uma distância de segurança da cratera, suficiente para assistir à erupção (apenas de fumo), mas suficientemente longe para não corrermos perigo, mas ao mesmo tempo também não conseguimos ver o interior da cratera. Algumas pessoas dirigem-se para a cratera, mas os guias não deixam pois é perigoso.

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Penso que o drone ali faria jeito, pois permitiria uma aproximação à cratera por cima, mas rapidamente me dou conta que, com o vento que se faz sentir, não seria possível voar em segurança. Já para não falar no facto de que o teria de carregar até ao topo. Tiramos fotos em todas as direcções.

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Para leste, as cores do sol nascente. Para sul, a caldeira do Bromo (com este escondido) e o topo do vulcão Bartok a espreitar ao longe. Para oeste, a sombra do cone perfeito do Semeru projecta-se sobre a paisagem. Ao mesmo tempo, os carregadores ajoelham-se e fazem a primeira oração do dia. Para norte, a cratera continua em ebulição e faz-se sentir nova explosão, mais pequena, esta sem fazer barulho. Tiramos também fotos juntamente com os nossos companheiros, juntos agora no topo.

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Descer o Monte Semeru

Estamos no topo quase uma hora, mas o tempo parece voar. Ainda temos tempo para um chá servido por Roidil (desta vez morno, mas no topo do Monte Semeru não se pode pedir mais!) e umas bolachinhas. Está frio e a Carla e o Shyam sentem-no mais, parados. Está na hora de descer. Shyam e Rodrigo começam a descer sem avisar o guia. Um erro que pagariam caro.

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Nós descemos, como sempre, com a companhia de Roidil. A primeira fase é espectacular, pois descemos por um canal de gravilha solta e alguma pedra. Tem de se descer com muito cuidado, sempre a olhar para onde se põe os pés, mas pode-se (e deve-se) descer rápido, escorregando com a gravilha. Temos de manter uma distância de quem vai mais abaixo, no entanto, para evitar atingir alguém com pedras que resvalem. É divertido, mas tem de se manter o discernimento.

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A segunda parte da descida é já na floresta, esta coincidindo com o percurso da subida. Descalçamo-nos e tiramos quase um quilo de terra das botas, para podermos andar o que resta sem magoar os pés já massacrados. Rapidamente chegamos ao acampamento. O que demorou quatro horas e meia a subir demora cerca de uma a descer. São sete e meia da manhã e já estamos de volta ao acampamento. Correu muito bem!

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Um pequeno susto

Os nossos companheiros, que partiram antes de nós, ainda não chegaram. Passado pouco tempo, chega o guia, mas sem eles. Começámos a ficar preocupados. O guia refresca-se e volta subir à procura deles. Esperamos que tudo corra bem. Felizmente, passada meia hora, Shyam e Rodrigo chegam sãos e salvos ao acampamento. Tinham-se perdido na descida e só agoram é que chegavam, mais cansados e um pouco desmoralizados. Mas tudo acaba bem quando tudo está bem.

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Depois de descansarmos, e comermos umas laranjas e panquecas, fruto do trabalho dos carregadores que tinham ficado em baixo, estávamos prontos para continuar. O dia ia ser duro, apesar do pior já ter passado. Tínhamos de fazer os 17 km que nos separavam de Ranu Pani. O percurso é a descer, mas também com muitas subidas, e as pernas já não reagiam da mesma forma.

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De Kalimati a Ranu Pani

Sempre com a companhia de Roidil, descemos até ao lago, onde os nossos companheiros já nos esperavam, deitados na erva a apanhar sol. O tempo estava espectacular, e o lago até convidava a um mergulho, mas o nosso cansaço e a qualidade da água ali ao lado diziam-nos o contrário.

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Mais uma vez, almoçámos junto ao lago, desta vez uns noodles fritos algo picantes. Estávamos prontos para prosseguir. Faltavam ainda 11 km e só queríamos chegar para descansar. Este troço custou-nos bastante. Grande parte dele é a subir, apesar da aldeia estar mais abaixo do que o lago. No entanto, o percurso logo a sair do lago sobe bastante, para depois descer. Roidil vem atrás de nós, sempre incansável.

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Paramos em alguns pontos, onde reencontramos os nossos companheiros, invariavelmente um pouco mais à frente. Finalmente, chegamos a Ranu Pani cerca das duas da tarde. Estávamos muito cansados mas igualmente satisfeitos. Recompensámos Roidil com um abraço e uma gorjeta, algo que não costumamos fazer, mas ele fez mais do que muitos guias, sendo apenas um carregador, estando sempre connosco e esperando por nós.

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O fim de uma aventura

Era hora de seguir viagem, de jipe, novamente para a homestay onde tínhamos começado no dia anterior. Quando chegámos, fomos felicitados pelo dono, mas só queríamos descansar. Despedimo-nos dos nossos companheiros, com a promessa de um reencontro em Singapura daqui a uns meses, e fomos para o nosso quarto.

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Sacudimos a roupa poeirenta, tomámos um banho, bebemos um chá e deitámo-nos na cama. Subir ao Monte Semeru quase sem dormir tem destas coisas. Eram sete da tarde e íamos dormir, só para acordar no dia seguinte. Era o descanso dos guerreiros do Monte Semeru.

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Rui Pinto

Físico de formação mas interessado em todos os aspectos da cultura e história da humanidade. As viagens são o meio privilegiado para um aprofundamento do conhecimento do mundo, das suas gentes e do nosso papel na vida.

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