DIAS 37 a 42 – Na CRATERA DE IJEN, convivendo com as chamas azuis e os mineiros de enxofre

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Actualmente, a cratera de Ijen é uma das principais atracções turísticas de Java, sendo que os visitantes, muitos turistas ocidentais, na maioria em tours organizadas de cidades de Java, como Banyuwangi, Surabaya e Yogyakarta, ou até de Bali, mas também muitos indonésios, principalmente aos fins-de-semana, vêem até ali com o propósito de assistir a um fenómeno raro conhecido como “Fogo Azul”.

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Quanto a nós, o principal objectivo de visitar a cratera de Ijen era trabalhar junto dos mineiros de enxofre no nosso projecto “4 Elementos – Fogo”, com o propósito de produzir um vídeo e escrever um artigo no nosso blogue, ambos acerca desta profissão exercida em condições tão adversas.

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Como pano de fundo do trabalho dos mineiros e do nosso, a cratera de Ijen, ou Kawah Ijen, é uma maravilha natural, por si só razão suficiente para visitar o local, e provavelmente a cratera mais bonita de Java, muito pela culpa do enorme lago que enche o seu fundo, de tonalidade verde devida à alta concentração de ácidos clorídrico e sulfúrico na água.

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Este projecto, e todo o trabalho de preparação a ele associado, exigia algum tempo e dedicação, por isso resolvemos destinar uma semana ao trabalho de campo no local. Iríamos ficar alojados em Paltuding ou na casa da família de um mineiro, e iríamos acompanhar a vida diária dos mineiros, principalmente centrados no trabalho na cratera, mas também nos momentos de descanso dos mineiros.

Para a concretização deste projecto, contámos com o apoio de uma Bolsa de Exploração, da qual fomos vendedores no passado mês de Novembro, promovida pelo motor de pesquisa de viagens momondo e pela agência de viagens de aventura Nomad.

Veja aqui os relatos da nossa viagem da Volta ao Mundo

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De Banyuwangi a Paltuding

Levantámo-nos às onze e meia da noite, e à meia-noite estávamos já a carregar as nossas mochilas para o jipe que nos levaria a Paltuding, a pequena aldeia e posto de controlo, perto da cratera de Ijen. Juntamente com o guia, um jovem de tenra idade, o condutor, e dois jovens indonésios, seguimos pela estrada que sobe de Banyuwangi. A nossa ideia original era abordar a cratera de Ijen pelo lado de Bondowoso, mas a senhora da homestay em Tumpang aconselhou-nos a vir por Banyuwangi. E ainda bem que o fez!

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A estrada é recente e com bom piso todo o caminho até Paltuding. Demorámos cerca de uma hora e meia a chegar, e foi aí que, mais uma vez, tivemos um choque e multidões. O fenómeno turístico da cratera de Ijen explodiu a seguir à National Geographic fazer uma reportagem e um fotógrafo ter feito um documentário sobre o fenómeno.

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As chamas azuis na cratera de Ijen

Hoje, são centenas de pessoas (podendo atingir 2.000 nos fins de semana) que visitam a cratera todas as noites para observar as chamas azuis, amontoando-se na íngreme subida a pé de Paltuding até à cratera, que demora entre uma hora e meia a duas horas (com um desnível vertical de cerca de 500m), e ainda mais na estreita (e também íngreme!) descida ao fundo da cratera, junto ao lago, onde se observam as chamas azuis, e que pode ser mais ou menos demorada conforme os engarrafamentos de pessoas a subir e a descer da cratera.

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As chamas azuis resultam da combustão de gases sulfurosos que saem das fendas do vulcão, a alta pressão e temperatura, e que sofrem ignição quando entram em contacto com o ar. O enxofre líquido que escorre pela encosta também pode arder da mesma forma, o que pode dar origem à sensação visual de lava azul. O fenómeno é extremamente raro, sendo apenas conhecido outro local no mundo que se tenha observado algo semelhante, a Depressão de Danakil, na Etiópia.

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No entanto, a espectacularidade e dimensão das chamas varia muito de noite para noite, e não é difícil as pessoas saírem de Ijen decepcionadas se o seu único propósito for o de observar as chamas azuis. Nós descemos à cratera de noite duas vezes, e na segunda noite as chamas ocupavam uma área muito maior, mas nunca alcançando as dimensões de vários metros que se fala na reportagem da National Geographic. São chamas bonitas, mas rasteirinhas, por assim dizer!

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Uma introdução à cratera de Ijen

Mas o nosso objectivo era outro. A cratera de Ijen é também o local de trabalho de dezenas de mineiros de enxofre, e cujo quotidiano nós queríamos acompanhar durante alguns dias. Nós aproveitámos logo a primeira noite, em que viemos com um guia a partir de Banyuwangi, para nos familiarizarmos com o terreno e com a rotina de trabalho dos mineiros. Durante a curta (em comparação com a subida ao Monte Semeru!), mas exigente subida, deixámos de ter contacto com os dois jovens indonésios que nos acompanhavam e o guia também não pareceu muito preocupado.

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Andámos sempre com ele, e foi-nos dando algumas informações sobre a cratera e os mineiros. No mesmo sítio onde se observam as chamas azuis, localiza-se a única zona activa da cratera de Ijen actualmente, sendo que a última erupção data de 1936, mas a libertação de gases sulfurosos e vapores de enxofre é contínua e intensa, provocando o fecho ocasional da cratera a visitantes.

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Apesar de ocupar uma área pequena, em comparação com a área total da cratera, esta zona é suficientemente activa para, muitas vezes, encher completamente a cratera de vapores tóxicos, que se vão dispersando conforme a direcção do vento. É ali que se faz a recolha do enxofre, que de uma forma natural se vai acumulando nas margens do lago.

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No entanto, para acelerar a formação do mineral, a empresa responsável instalou tubos cerâmicos para canalizar os gases que se libertam. Ao percorrer os tubos, os vapores arrefecem e condensam. O enxofre líquido escorre, ainda quente, para o exterior, e acaba por solidificar no chão, onde se vai acumulando na forma de lajes e que, depois de arrefecido, é recolhido pelos mineiros.

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Instalados em Paltuding

Apesar de querermos, logo desde a primeira hora no terreno, acompanhar ao máximo os mineiros, a verdade é que os guias na cratera de Ijen dedicam-se exclusivamente à observação das chamas azuis e, eventualmente, ao nascer do sol do topo da cratera, sendo o trabalho dos mineiros um pormenor secundário.

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Às sete da manhã, tínhamos de estar de volta a Paltuding, por isso o nosso guia estava sempre preocupado com o tempo. E nós tínhamos de voltar com ele, pois tínhamos deixado as mochilas no jipe. Tirámos fotografias e gravámos vídeo, mas sabíamos que aquele dia era apenas uma introdução.

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Descemos a Paltuding, e dissemos adeus ao nosso guia e aos nossos companheiros, com a promessa de um transporte de volta a Banyuwangi dali a uns dias. Aquela hora, as tours começam a regressar à sua proveniência e Paltuding, antes uma confusão, torna-se uma aldeia fantasma, com pouquíssimas pessoas, meia dúzia de restaurantes de beira de estrada e duas opções de alojamento.

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Como ainda não sabíamos se conseguiríamos ficar alojados com os mineiros, resolvemos pagar uma noite na casa de um velhote que tinha uns quartos para alugar. Tudo muito básico, um quarto sem janelas, apenas com uma cama, uma lâmpada e uma tomada; a casa de banho à maneira turca, com um tanque com água de onde se tira com um balde para tomar banho ou para servir de autoclismo.

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Com os mineiros da cratera de Ijen

Nos dias seguintes, a nossa rotina diária tornou-se a mesma dos mineiros. Acordávamos à mesma hora que eles, subíamos à cratera, descíamos ao lago, e seguíamos a extracção do enxofre e o seu transporte de volta até Paltuding.

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No resto do dia, descansávamos, mas o tempo era dedicado principalmente ao download das fotos e vídeos do dia, ao carregamento das baterias do material, e à análise de como deveríamos proceder dali para a frente. No dia seguinte, repetíamos a rotina.

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Apercebemo-nos que a grande maioria dos mineiros não dorme em Paltuding, chegando ali de mota, vindos de aldeias próximas ou até de Banyuwangi. Os poucos que ficam em Paltuding, só vão a casa no dia de folga (por norma, Sexta-Feira) e dormem nuns barracos em madeira que nos fizeram lembrar as condições dos campos de concentração nazis, sem água nem luz, nem qualquer tipo de protecção em relação ao frio.

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Não havia nem lugar, nem condições para nós ficarmos ali; precisávamos principalmente de electricidade para carregar, todos os dias, baterias de máquinas fotográficas, computadores e drone. Resolvemos então ficar alojados numa homestay em frente às instalações dos mineiros, do outro lado da estrada, com condições ligeiramente melhores do que os quartos do velhote da primeira noite.

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A senhora responsável pela homestay era muito simpática, indonésia e casada com um holandês. Passámos belos serões à fogueira, aprendemos algum bahasa (língua indonésia) e ficámos a conhecer um mineiro que trocou o enxofre pelo trabalho na homestay.

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Mas não nos podíamos deitar tarde, pois levantávamo-nos à uma da manhã, para subir à cratera com os mineiros. Todos os dias, sabíamos que tínhamos de contar com uma subida íngreme de 500 m de desnível vertical, até à borda da cratera, que durava aproximadamente 1 hora e meia. Depois descíamos ao fundo da cratera, num percurso rochoso e perigoso com um desnível vertical de mais de 200 m, e era lá no fundo, debatendo-nos com os vapores de enxofre, que acompanhávamos o trabalho de extracção do enxofre.

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A subida era o mais difícil. Os vapores e as máscaras de gás dificultavam a respiração e todo o esforço tinha de ser bem medido. Seguíamos lentamente com os mineiros, que subiam levando a sua carga até à borda da cratera, parando quando eles paravam, avançando quando eles avançavam. Lá em cima, descansávamos um pouco, mas o trabalho do mineiros continuava, descarregando o enxofre, enchendo sacos e carregando os carrinhos de mão. Só descíamos para Paltuding ao fim da jornada de trabalho dos mineiros, em geral por volta do meio-dia, acompanhando o trajecto para baixo e, finalmente, a entrega e pesagem do enxofre.

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Para além de seguirmos de perto os mineiros, também arranjámos tempo de subir ao ponto mais alto da orla da cratera para assistir ao nascer do sol, e para ter perspectivas globais e diferentes da magnífica cratera de Ijen. Aproveitámos para fazer voar o drone, tal como o tínhamos feito no fundo da cratera, para obter outros ângulos de visão.

Foi um trabalho duro, mas recompensador. Regressávamos todos os dias a Paltuding, cansados, mas satisfeitos. E foi ali, no sopé da cratera de Ijen, que montámos a nossa base para viver e trabalhar durante uma semana ao ritmo dos mineiros de Ijen, e é sobre a história deles que escreveremos brevemente.

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De passagem por Tamansari

Depois dos dias passados em Ijen, era tempo de dizer adeus a Paltuding e fazer o percurso de volta a Banyuwangi. No entanto, ainda passámos duas noites em Tamansari, uma das aldeias próximas e de onde alguns mineiros vêem todos os dias.

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Ali, pusemos algum do nosso trabalho em dia, e concentrámo-nos em organizar o material que tínhamos recolhido na cratera de Ijen, assim como avançar com a edição do vídeo documental que iremos fazer sobre os mineiros de Iejn.

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Por estes dias foi celebrado na Indonésia, o Dia da Independência, e aparentemente é uma época propícia a festivais e casamentos. Ainda em Tamansari, tivemos a oportunidade de ser convidados para entrar num casamento tradicional, onde pudemos assistir a uma espécie de boda que dura vários dias (e cuja música ouvimos no nosso quarto desde madrugada até à noite).

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Para além disso, testemunhámos uma espécie de Carnaval local, onde as crianças das aldeias desfilaram com trajes alusivos às regiões da Indonésia e à sua cultura, ou às religiões e profissões. Uma festa genuína e cheia de sentimento, que tivemos o privilégio de acompanhar.

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Estava na altura de dizermos adeus a Java. Foram umas semanas intensas, mas cheias de aventuras e histórias que ficarão nas nossas memórias. É tempo de dizer olá a Bali, o nosso próximo destino na Indonésia.

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Rui Pinto

Físico de formação mas interessado em todos os aspectos da cultura e história da humanidade. As viagens são o meio privilegiado para um aprofundamento do conhecimento do mundo, das suas gentes e do nosso papel na vida.

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