Visitar Gwalior e o seu forte, o símbolo da Índia dos marajás | Índia

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Depois de termos explorado os Himalaias indianos e o vale de Spiti, de Shimla apanhámos o “toy train” até Kalka, e de lá outro comboio até Delhi. Dali, o nosso destino era o coração geográfico da Índia, o estado de Madya Pradesh, o segundo maior estado em área da Índia, onde queríamos explorar a cidade histórica de Gwalior, e o complexo arqueológico budista de Sanchi.

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Gwalior, para nós, era uma paragem obrigatória. Para além das atracções da cidade, das quais se destacam o exuberante Palácio de Jai Vilas, o imponente forte de Gwalior, cujas muralhas enquadram um impressionante conjunto de palácios e templos, e as colossais estátuas jainas escavadas na rocha, Gwalior é uma óptima base para se visitar o complexo de Sanchi. Apresentamos a seguir as maiores atracções da cidade de Gwalior.

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Forte de Gwalior

O forte de Gwalior tem uma história conturbada, tendo sido fundado no século VIII, mas tendo passado sucessivamente de mãos entre diferentes dinastias hindus, sultanatos, mongóis e ingleses, até que ficou na posse da dinastia Scindia dos Maratha (uma sub-casta indiana), marajás de Gwalior a partir do século XVIII.

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O forte encontra-se no topo de uma colina, com um comprimento de 3 km, tendo no seu interior vários templos e palácios. Há duas entradas, mas optámos entrar pelo portão oeste (menos impressionante, mas que nos permitia ver as esculturas jainas), e sair pelo portão principal.

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No interior do recinto, existem templos hindus, um museu arqueológico (num antigo palácio, Gujari Mahal), mas a estrela do espaço é, sem dúvida, o Palácio de Man Mandir, construído no final do século XV, com muros altos e austeros, mas repletos de pinturas e motivos esculpidos na pedra.

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Periquitos, patos, elefantes, e outros animais decoram painéis que reluzem com a luz do sol, e pintam de cor o palácio.

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Para se entrar no recinto do forte não é preciso pagar, mas para se entrar no palácio paga-se 200 rupias. Lá dentro, pode admirar-se salas com colunas esculpidas e janelas trabalhadas, sendo possível também visitar os pisos subterrâneos, que chegaram a ser usados como masmorras, mas o exterior do Palácio de Man Mandir é muito mais impressionante.

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Jahangir Mahal

Um pouco à frente do forte é possível visitar um outro recinto com palácios mais pequenos, templos e uma cisterna, para o qual se paga 250 rupias.

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À saída, pudemos percorrer o caminho (ao inverso) de acesso ao portão principal do forte, Hathia Paur, uma magnífica porta com duas torres encimadas por bastiões redondos e cúpulas, passando por uma sucessão de portões, até chegarmos ao portão de Gwalior, e que dá acesso à cidade.

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Aí, apanhámos um auto-riquexó que nos levou pelo trânsito caótico e ruas cheias de pessoas nos bazares da Old Town. Ainda pensámos em parar, mas nessa noite tínhamos um comboio às 3 da manhã, por isso achámos melhor recolher ao hotel e descansar um pouco.

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Palácio de Jai Vilas

Este palácio é um dos edifícios que definem uma era na Índia. Encomendado pelo marajá de Gwalior a um arquitecto inglês no final do século XIX, conserva ainda hoje uma sumptuosidade capaz de surpreender quem o visita. A Índia dos dias de hoje não é alheia a desigualdades económicas ou contraste social, mas a Índia dos marajás era claramente pior.

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Enquanto a esmagadora maioria da população vivia em condições sub-humanas, os marajás rodeavam-se dos maiores luxos, acrescidos dos confortos e modernidades trazidas pelos ingleses para a Índia.

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Visitar o Palácio de Jai Vilas, em Gwalior, é talvez a melhor forma de viajar atrás no tempo até essa época.

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Diga-se que o palácio continua a ser residência de uma das famílias mais influentes do país, os Scindia, mas parte do edifício foi transformado num museu que pode ser visitado de Terça a Domingo, pagando a módica quantia de 800 rupias. Coches e charretes, salas de banquetes, tigres empalhados (por isso hoje são tão poucos em estado selvagem), carros Rolls-Royce, tudo parece saído de um livro de Kipling, ou de um filme de Indiana Jones.

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O principal salão (durbar hall) tem os dois maiores candelabros do mundo, cada um pesando 3 toneladas e meia e com 250 lâmpadas, e conta-se que o marajá mandou pendurar 8 elefantes do tecto do salão para testar se aguentaria o peso dos candelabros.

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O salão de jantar tem um pormenor delicioso e extravagante: um comboio em miniatura feito em prata, hoje em exposição, circulava em pequenos carris sobre a longa mesa para servir bebidas e cigarros aos comensais.

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Esculturas jainas

Entre o portão oeste do forte de Gwalior, Urvai (ou Urwahi), e a muralha interior, pode admirar-se, de um e do outro lado da estrada que sobe para o forte, um fabuloso conjunto de estátuas escavadas na rocha pertencentes à religião jainista.

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O Jainismo teve a sua génese histórica na Índia, sendo contemporânea do budismo.

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O seu fundador, Mahavira, teve um percurso de vida muito semelhante ao de Siddharta Gautama, o Buda, tendo pregado a não-violência, o não-apego, e a castidade.

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Tal como no budismo, o objectivo é alcançar a libertação (moksha) do ciclo dos renascimentos através da renúncia, sendo os primeiros jainas partidários de um ascetismo extremo.

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De acordo com a tradição jaina, a doutrina foi revelada ao longo de várias eras por mestres chamados Tirthankaras, ou seja, alguém que ensinou o caminho. Na presente era existiram 24 Tirthankaras, sendo que o último desses foi Mahavira.

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As representações nos templos jainas são quase exclusivamente dedicadas a estas 24 figuras. Em Gwalior, as esculturas foram gravadas na rocha entre os séculos VII e XIV, tendo sido bastante danificadas durante o domínio islâmico da região mas, depois de recentemente restauradas, constituem um conjunto magnífico que surpreende os visitantes que vêm a Gwalior com a ideia de visitar apenas o forte da cidade.

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A estátua mais imponente tem quase 20 m de altura e representa Adinath, o primeiro Tirthankar.

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Por isso não perca tempo e vá explorar Gwalior.

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Carla Mota

Geógrafa com uma enorme paixão pelas viagens e pelo mundo. Desde muito cedo que as viagens de exploração fazem parte da sua vida, culminando num doutoramento nos Andes, investigando ambientes glaciares. A busca do conhecimento do mundo leva-a em direcção a culturas perdidas e ameaçadas, tentando percebe-las. Hoje é também líder de viagens de aventura na Nomad.

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1 Comentário

  1. Espetacular, pessoal!!! Desconhecia Gwalior (aliás, tenho de voltar à índia, está visto :))) )
    Abração

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