O vale de Spiti de Kaza a Tabo, passando por Dhankar, Lhalung e vale de Pin | Índia

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Chering, o mesmo motorista que nos tinha levado pelo circuito das aldeias em redor de Kaza, acompanhou-nos neste dia, para nos levar de Kaza a Tabo e, pelo meio, visitar o vale de Pin e Dhankar e Lhalung. A apenas 15 km de Kaza, a estrada bifurca, uma continuando em direcção a Tabo, outra atravessando o rio Spiti, e indo em direcção ao vale do rio Pin, afluente do rio Spiti.

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A estrada que sobe o vale de Pin é verdadeiramente uma obra sempre em constante trabalho, moldada pelos deslizamentos de terra, frequentes em tempo de Verão, quando os glaciares a maiores altitudes derretem a um ritmo maior, alimentando os rios, mas também desestabilizando a consistência das terras.

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O vale é mais encaixado do que o vale de Spiti, e mais escuro, recebendo menos luz do sol. Do lado oposto da estrada, do outro lado do rio, podia ver-se uma pequena casa, um pequeno mosteiro, onde se chegava apenas por um caminho de cabras que seguia pendurado na vertente inclinada da margem, por vezes cortado por deslizamentos de terras.

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Não sabemos se continuava a ser usado, mas aquela pequena casa é a personificação do isolamento físico e religioso desta região, onde os eremitas que vivem na solidão são ainda os homens mais respeitados.

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1. KUNGRI

Depois de cerca de uma hora de viagem, chegámos à aldeia de Gulling, mas a atracção é o mosteiro de Kungri, a poucos quilómetros, de seu nome Ugyen Sangnak Choling Gompa, e com quase 700 anos de idade.

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O mosteiro tem agora um edifício novo, inaugurado pelo Dalai-Lama em 2004, mas ao lado ainda se pode visitar, se as portas estiverem abertas, alguns santuários com centenas de anos, com murais pintados em paredes escurecidas pelo fumo das velas, e no qual os monges continuam a meditar e a reverenciar as divindades tibetanas.

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O mosteiro antigo é um deleite para a visão, com esculturas e pinturas a cobrir as paredes de um edifício que por fora parece um barraco abandonado.

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Dicas

  • A visita aos mosteiros são gratuitas. Pode, no entanto, deixar uma pequena gratificação que será bem vinda.
  • Peça aos monges para lhe abrirem o mosteiro novo e os santuários mais antigos.

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2. DHANKAR

A estrada seguia pelo vale de Pin até à aldeia de Mudh, mas nós voltámos para trás, pois queríamos visitar outras aldeias na direcção de Tabo. De volta à estrada principal, no vale de Spiti, chegámos à aldeia de Dhankar, antiga capital de Spiti.

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Esta tem aquele que é, provavelmente, o mosteiro com a localização mais espectacular desta região (título para o qual tem concorrência de peso).

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A 8 km de Sichling, na estrada Kaza-Tabo, Dhankar é perfeita, e parece tirada de um conto de fadas.

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Enquanto visitávamos o mosteiro de Dhankar, conhecemos uma menina também tirada de um conto de fadas, com uma simplicidade e alegria invulgares, até naquela parte do planeta. Correu em direcção à Carla, agarrou-a pela mão e desarmou o nosso coração. Sorriu. Riu. Pegou na máquina fotográfica e fotografou. Fez-nos parecer tontos, com a sua alegria.

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A menina que não chegamos a saber o nome guiou-nos pelo interior do mosteiro, mostrando os recantos mais escondidos e levando-nos aos patamares superiores, onde encontrámos o monge que vive no quarto mais alto de Dhankar, com uma gruta de meditação escavada na rocha (onde o mosteiro está pendurado).

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O mosteiro de Dhankar já não é habitado pela comunidade monástica, que se passou para o edifício novo, mas continua a ser um ponto fulcral religioso, arquitectural, e geográfico, dominando do alto o vale de Spiti, do qual se têm ali vistas de tirar a respiração (e não, não é efeito da altitude!).

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Dicas

  • Há um café na entrada do mosteiro, com uma esplanada brutal e onde poderá comprar água fresca e comer. É um local simples mas com uma vista de cortar a respiração.
  • Explore o mosteiro antigo, subindo aos seus diferentes patamares e salas.
  • Uma gratificação é bem vinda para ajudar a economia dos três monges que tomam conta do mosteiro.
  • Dhankar é um belo local para se dar uns passeios a pé. Também tem locais onde pode dormir. Pergunte no café.

3. LHALUNG

Lhalung, a apenas 12 km de Dhankar, contém uma das pérolas escondidas do vale de Spiti, uma capela onde se encontra verdadeiros tesouros artísticos e religiosos, na forma de estátuas numerosas de divindades e mestres tibetanos, que se diz terem aparecido milagrosamente ao longo de uma só noite.

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Este é um dos 108 mosteiros tradicionalmente atribuídos à iniciativa de Rinchen Zangpo, uma das figuras cimeiras do budismo tibetano, do século XI, a quem as histórias conferem poderes mágicos e capacidades sobre-humanas, derivadas de uma compreensão profunda da realidade.

O vale de Spiti de Kaza a Tabo, passando por Dhankar, Lhalung e vale de Pin | Índia

Discípulo do mestre indiano Atisha, Rinchen Zangpo foi também responsável pela tradução de inúmeros textos do sânscrito para o tibetano e pela segunda expansão (após o ímpeto inicial levado a cabo pelo Guru Rimpoche, Padmasambhava) do budismo no Tibete.

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A árvore quase milenária em frente ao mosteiro diz-se ter crescido no local onde Rinchen Zangpo enterrou o seu cajado para marcar o sítio onde o mosteiro teria de ser construído. Se há locais que simbolizam o mistério e magia do vale de Spiti, este pequeno mosteiro em Lhalung é um deles.

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Era hora de seguir para Tabo, o local com a mais antigo mosteiro da Índia.

Dicas

  • Só existem dois monges neste mosteiro. Quando lá chegar, provavelmente estará fechado. Não desista e não se vá embora sem o ver. Espere e pergunte por alguém que lhe possa abrir o mosteiro. Não se vai arrepender.
  • Uma gratificação é bem vinda.
  • Nós visitámos estes locais numa viagem de táxi desde Kaza até Tabo, onde ficamos. O táxi custou-nos 3500 rupias.

Veja aqui o video da nossa aventura no Vale de Spiti. 

Rui Pinto

Físico de formação mas interessado em todos os aspectos da cultura e história da humanidade. As viagens são o meio privilegiado para um aprofundamento do conhecimento do mundo, das suas gentes e do nosso papel na vida.

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