Dias 2 a 8 – Viajar no sul da Gronelândia | Volta ao Mundo

Dias 2 a 8 - Viajar no sul da Gronelândia

Depois de deixar Portugal para trás parto em direcção à Gronelândia, uma viajo que faço com a Nomad, durante 15 dias por um dos lugares, para mim, mais especiais do mundo. Costumo dizer que quem vai à Gronelândia são pessoas especiais e cada vez acredito mais nisso. Viajar na Gronelândia não é para todos. O território é inóspito, rude, cru onde se podem atingir temperaturas elevadas no Verão ou ventos gelados e chuvas, passados dois dias. Viajar no sul da Gronelândia é só o principio de tudo.

Veja aqui a crónica do dia 1 desta aventura.

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É aqui, na Gronelândia, que podemos observar o planeta Terra em perfeita harmonia com o ser humano. Onde o homem ainda só tocou levemente na superfície do mais belo pedaço do sistema solar, onde qualquer ser humano sente orgulho de pertencer a este espaço.

Dia 2 a 15 - Viajar na Gronelândia, um mundo de outro planeta

Ainda antes de chegar à Gronelândia encontro-me com os meus novos companheiros de viagem, cinco homens, cinco mulheres, no aeroporto de Copenhaga. Vão ter a árdua tarefa de me aturar nas próximas duas semanas, com bom ou mau humor, com sono e cansada ou energética e sorridente.

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Dia 2

Os primeiros dias a viajar no sul da Gronelândia foram passados em Narsarsuaq, a porta de entrada no sul da Gronelândia. Cidade com cerca de 120 habitantes, deve a sua existência a uma base norte americana aqui criada na II Guerra Mundial. Nessa altura teria mais de 12 mil habitantes algo que rapidamente deixou de ter no final da guerra, transformando-se numa cidade fantasma com edifícios vazios e esquecidos no Árctico. A instalação de uma patrulha da neve permitiu aguentar a cidade que, durante a Guerra da Coreia, em pleno período de Guerra Fria, voltou a florescer.

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Narsarsuaq conserva desses tempos o aeroporto internacional, os edifícios pouco característicos e um ar de faroeste. Mas conserva de tempos bem mais antigos a herança de um passado histórico milenar, de uma Era glaciar, que se despediu do planeta Terra há mais de 10 mil anos. Aqui, o Manto de Gelo da Gronelândia estende-se até bem próximo da cidade e pode ser alcançado a pé.

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O segundo dia a viajar no sul da Gronelândia, primeiro em Narsarsuaq, foi passado a explorar a povoação, preparando a nossa expedição em termos de logística e alimentação para os próximos dias. Invadimos supermercados e surpreendemo-nos com tudo o que aqui existe.


Dia 3

No dia seguinte, a bordo de um barco local, rumámos ao Fiorde Gelado de Qooroot, este ano quase despido de gelo. As Alterações Climáticas estão mais presentes na Gronelândia do que em qualquer outro local da Terra. Apesar da temperatura da Terra, nos últimos 30 anos, só ter aumentado em média cerca de 0,8ºC, na Gronelândia esse aumento foi de cerca de 3ºC. Esta situação tem acarretado diferenças abismais que posso constatar de ano para ano. E este ano, uma especialmente grande: o fiorde gelado de Qooroot está desprovido de gelo.

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Este é um dos mais belos passeios que faço pelo sul da Gronelândia e, este ano, ninguém percebeu porquê. O fiorde está nu, desprovido de gelo, vazio. O glaciar perdeu tanta neve e gelo no final do Inverno e principio da Primavera que agora não tem alimentado o fiorde de icebergs. Sinto-me desolada e percebo claramente que temos cada vez menos tempo para apreciar este planeta.

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Da parte da tarde ainda fizemos um trilho curto, para observar o Manto de Gelo e ver, ao longe, aquilo que veremos de perto no dia seguinte. Não há como tocar nos gelos glaciares para sentir a verdadeira Gronelândia.

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Dia 4

No dia seguinte, rumámos ao Manto de Gelo, num trilho pelas montanhas e vales da Gronelândia, que é um desafio arrojado. Subimos vales glaciares repletos de quedas de água, circulamos lagoas glaciares e descemos ao manto de gelo, que nos espera há milhares de anos para ser pisado.

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Este manto de gelo da Gronelândia é uma herança da última idade do gelo, a última Era Glaciar. É o testemunho de um paleoclima em que as temperaturas eram 6ºC mais baixas que na actualidade. É o testemunho cru de que aquilo que vemos já não é deste planeta. O clima da Terra mudou muito desde essa altura. Atravessamos uma fase de aquecimento, um período interglaciar, e os glaciares tendem a desaparecer.

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Este manto de gelo testemunha a vulnerabilidade deste planeta. Se por um lado os glaciares reservam cerca de 40% da água doce da Terra, por outro são um dos sistemas mais ameaçados do mundo.

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O trilho tem 20 km, em que se sobe e descem por cordas, apoios de mão ou simplesmente progressão. Este ano há calor e a malta não resiste a um banho na lagoa glaciar. Sinais dos tempos….

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Dia 5

No quinto dia de viagem partimos em direcção a um dos meus lugares preferidos na Gronelândia: Tasiusaq. Para ali chegar há que cruzar o fiorde de Eric até Qassiarsuk, o primeiro povoado viking da Gronelândia. Foi aqui que Eric, o Vermelho, chegou quando foi expulso da Islândia e navegou para norte. Aqui chegou com os seus navios e construiu uma quinta.

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Hoje as ruínas da Quinta- Brattahlíð – são património Mundial da Humanidade e são preservadas com orgulho pelos Inuits.

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Dali apanha-se um trilho para Tasiusaq, do outro lado da montanha, cruzando um colo onde se vê de um lado o fiorde gelado de Tasiusaq , do outro lado, o fiorde de Eric. Um lugar tão especial que pede descanso e templo para contemplação. De seguida, desce-se para um dos meus lugares preferidos no mundo. Um povoado com cinco habitantes, um casal e três filhos. Vivem numa quinta, como todas as quintas do mundo, com tractores, cães, fertilizantes e culturas. Mas vivem naquilo que muitos considerariam o “fim do mundo”. Para mim, e possivelmente para eles, é o principio do mundo. Foi em lugares assim que tudo começou.

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Ali chegados fomos fazer kayak, navegando entre icebergs, uma experiência maravilhosa num lugar ainda mais maravilhoso. Pelas mãos de Jesus, o nosso guia espanhol de kayak, explorámos os icebergs à deriva no fiorde. Viajar no sul da Gronelândia é maravilhoso e este é, para mim, um dos seus pontos altos.

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Ao jantar Eviaia, a matriarca da família que vive na quinta, prepara-nos um jantar gronelandês com produtos locais, inclusive baleia. E a melhor vista de qualquer viagem no sul da Gronelândia.

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Dia 6

No dia seguinte regressámos a Qassiarsuk para apanhar um barco em direcção a Itilleq. Na Gronelândia só se viaja a pé e de barco. Aqui quase não há estradas e quando as há limitam-se ao interior das povoações.

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Almoçámos de frente para o fiorde, com um belo dia de sol. Depois do barco cruzar o fiorde, chegamos a Itilleq, um porto apenas, que permite apanhar a estrada do Rei, um trilho de terra batida até Igaliku, provavelmente a aldeia mais bela da Gronelândia.

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Da entrada na aldeia, numa espécie de miradouro natural com um banco de jardim, pode-se contemplar um cartão postal ao vivo e a cores. Verde até perder de vista. Montanhas com cumes gelados como cenário de fundo. Casas coloridas ponteando prados verdejantes. E flores!

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Foi aqui que o melhor amigo de Eric assentou a sua quinta, hoje também em ruínas, a que chamou Gandar. Este ano está cá uma equipa de arqueólogos a fazer escavações.

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Dia 7

No dia seguinte era tempo de mais uma aventura extenuante pelos trilhos da Gronelândia. Fizemos o trilho do Plateau, até ao local de observação do Fiorde Gelado de Qooroot, onde almoçámos com vistas geralmente só acessíveis aos deuses. Chegar ali requer caminhar cerca de 4 horas mas vale bem a pena.

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O almoço é dos deuses e para os deuses. Não há quem consiga colocar por palavras aquilo que nem as câmaras fotográficas conseguem captar. É preciso ir. É preciso viver. É preciso sentir. É preciso cheirar. É preciso amar.

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Depois, descemos vertiginosas escarpas glaciares, em direcção ao Blue Ice Camp, um antigo campo de abrigo destruído no ano passado por uma tempestade.

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Os mais corajosos ainda foram a banhos com os icebergs! Uma prova de amor para com esta beleza natural. Dizem que viajar no sul da Gronelândia é assim!

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Entretanto, um barco resgata-nos na praia. Vamos a caminho de Narsaq, a segunda maior cidade do sul da Gronelândia e onde vamos passar a noite.

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Dia 8

Narsaq recebeu-nos tímida e nublada, com um ar cinzento e triste. Parecia adivinhar que o mar escondia tempestade e que iríamos sair mais tarde do que previsto nessa noite. De manhã explorámos a cidade, colorida, cheia de ritmo e vida, ao estilo gronelandês, claro, e com 1500 habitantes. Vimos supermercados enormes e dezenas de crianças pequenas nas ruas.

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Da parte da tarde preparamo-nos para mais uma aventura, embarcar no Sarfaq Ittuk, o barco de passageiros que liga o sul e o centro-norte da Gronelândia. Mas o barco atrasou. Há tempestade no mar e em vez de ter embarcado às 21h, só saímos já passava da meia noite. Era já noite, efectivamente, a última que veríamos nos próximos dias. E essa aventura ainda vamos contá-la…

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Vê aqui o itinerário da nossa viagem da Volta ao Mundo

Carla Mota

Geógrafa com uma enorme paixão pelas viagens e pelo mundo. Desde muito cedo que as viagens de exploração fazem parte da sua vida. A busca do conhecimento do mundo leva-a em direcção a culturas perdidas e ameaçadas, tentando percebe-las. Hoje é também líder de viagens de aventura na Nomad.

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2 Comentários

  1. Guida diz: Responder

    Deve ser brutal 😍 Ansiosa pela 2a parte.

    1. Carla Mota diz: Responder

      Já está no blogue. 😀

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