Lugares e experiências incríveis na Gronelândia (Groenlândia)

gronelândia

A Gronelândia é um lugar simples, onde os raios solares só aquecem os meses de Verão, enchendo os vales de novas cores e cheiros que chegam com as flores. As populações aproveitam estas bênçãos da natureza. Os icebergs à deriva nos fiordes lembram que estamos no domínio do Árctico, um ambiente com frio polar. Há glaciares nas proximidades e basta caminhar um bocadinho para os descobrir. A Gronelândia é mais do que um dos lugares mais bonitos do mundo, a Gronelândia é um dos poucos locais onde Homem e a Natureza vivem em perfeita harmonia.

Infelizmente visitar este local não é barato mas é possível fazê-lo de forma relativamente económica, quer de forma independente, utilizando tendas, quer em grupos pequenos, como com a Nomad. Mesmo visitando a Gronelândia várias vezes, este território poderá mostrar-se de dezenas de formas distintas, quer no que toca a cor, luz e temperatura. A Gronelândia tem imensos locais encantadores por revelar. Decidi escolher duas mãos cheias de lugares e experiências que só a Gronelândia pode oferecer e que fazem desta viagem uma verdadeira inspiração.

1. Fazer kayak entre icebergs

Numa baía junto a Tasiusaq, repleta de pequenos icebergs, é possível fazer um percurso de kayak. O percurso é feito lentamente e conforme se progride no fiorde e na baía, os icebergues vão sendo mais imponentes e bonitos. É necessário manter sempre uma distância de segurança, pois se um iceberg parte, pode virar-se e cair em cima de um kayak, ou então as ondas resultantes podem virá-lo. Esta é a melhor forma de desfrutar de um cenário absolutamente fabuloso. Uma perspectiva do gelo inigualável.

2. Navegar entre fiordes com população local e perceber o isolamento em que vivem

O Sarfaq Ittuk é um navio que liga o sul e o centro-norte da Gronelândia, percorrendo mais de 1000 km ao longo da costa oeste, desde Narsaq até Ilulissat. A ligação semanal entre Qaqortoq (um pouco a sul de Narsaq) e Ilulissat só é possível de ser efectuada entre Maio e Dezembro, quando os fiordes estão livres de gelo, servindo essencialmente os habitantes locais, uma vez que na Gronelândia não existem estradas que liguem localidades. A via marítima é essencial, por vezes única, na ligação entre cidades, uma vez que só as maiores têm aeroporto ou heliporto. A bordo deste navio é possível testemunhar o isolamento de muitas das povoações, algumas das quais nem o barco consegue alcançar. A pequena cidade de Arsuk é uma delas. Localizada numa região com picos montanhosos de grande dimensão, a maioria exibindo as marcas da passagem do gelo por estas bandas em épocas passadas, o porto de Arsuk é de baixa profundidade, por isso o Sarfaq Ittuk pára a uma certa distância e um pequeno barco é lançado à água para fazer o transporte de passageiros de/para o porto. Este movimento é seguido com atenção pelos passageiros, assim como pelas pessoas no cais de embarque e por algumas que se aventuram em pequenos barcos que se aproximam.

3. Conhecer a importância dos gelos para a sobrevivência das comunidades inuit

Os gelos da Gronelândia fazem parte da história de sobrevivência da população inuit. Os inuits parecem ter vivido em perfeita harmonia com a natureza. Sobreviveram durante séculos aos rigorosos Invernos, pescando nos mares gelados, transportados em trenós de gelo, puxados por cães. Abriam buracos e pescavam aquilo que a placa de gelo ocultava, o peixe que é a base da sua alimentação diária. Os cães do Árctico puxavam os trenós para o interior dos mantos de gelo, onde os inuits também caçavam. Os inuits têm sobrevivido a ambientes climáticos extremos, mas a vida está a mudar. Os gelos são cada vez menos. Grande parte do ano, os mares já não congelam. Os pescadores já não vão pescar nos trenós puxados por cães. Os barcos são agora capazes de navegar nos fiordes durante quase todo o ano. As famílias já não conseguem sustentar uma média de 40 cães por família, como o faziam antigamente. Muitos cães passam fome, as famílias abatem-nos ou simplesmente são soltos. A falta de gelo está a mudar o Árctico e não é só nas suas paisagens, é também as suas características culturais, os seus hábitos, e o modo de vida das suas populações. Conhecer o Árctico é urgente. É uma viagem contra o tempo.

4. Fazer trekking em vales floridos rodeados por gelos glaciares

Os vales do sul da Gronelândia enchem-se de flores rosas, lilases e azuis e até algodão selvagem. Os trilhos de trekking seguem por vales verdejantes e, apesar das subidas de algumas vertentes rochosas e pequenas quedas de água, no decorrer das caminhadas há sempre um excelente miradouro sobre um glaciar. Um dos melhores exemplos é em Narsarsuaq, num trek bem próximo da povoação, onde é possível chegar ao glaciar Kiattuut, como lhe chamam os gronelandeses. Outra opção Qassiarsuk, uma povoação típica da Gronelândia que mais não é do que duas ou três quintas agrícolas, cujos proprietários continuam aqui desde os tempos dos vikings. Este trek permite chegar a Tasiusaq, um povoado ainda mais pequeno, onde só existe uma quinta e três casas e tem uma população de 10 habitantes. É um lugar absolutamente tranquilo e irreal. É encantador e as flores rosa e lilases que ladeiam o caminho dão-lhe um ar completamente idílico. Outro trek memorável é de Itilleq a Igaliku. Alguns quilómetros depois da caminhada chega-se ao miradouro de Igaliku, com uma vista soberba.

5. Sobrevoar mantos de gelo

Em Ilulissat é possível sobrevoar o glaciar homónimo, o glaciar que liberta mais gelo fora da Antárctida e é responsável por cerca de 10 % da descarga total para o mar do imenso manto de gelo da Gronelândia. O voo leva-nos a sobrevoar o chamado “inland ice”, a parte mais interior do manto de gelo, mas que nesta zona, sujeito a elevadas taxas de ablação (fusão e ruptura do gelo), o gelo apresenta uma textura rugosa e cheia de crevasses (fendas), assim como rios e lagos de água cristalina. Para além do voo sobrevoar o manto de gelo, sobrevoa também o fiorde gelado, revelando uma paisagem digna dos deuses.

6. Ver baleias a nadar entre icebergs

“O barco segue por entre as numerosas ilhas e dirige-se para leste num mar sereno quando, de repente, vê-se dois grandes repuxos de ar na água: eram duas baleias!” Foi assim a nossa experiência cruzando os fiordes nas proximidades de Qasigiannguit, o melhor local para observação de baleias na Gronelândia. Esta é uma das melhores zonas do mundo para a observação destes animais. A caminho de Ilulissat ainda vimos mais duas baleias, enquanto passámos por alguns icebergs de dimensão considerável, que chegaram ali flutuando para sul desde a boca do fiorde de Ilulissat, a cerca de 75 km de distância.

7. Navegar fiordes gelados traçando o caminho entre os icebergs

A sul de Ilulissat, no fiorde homónimo, desagua o Kujaleq Sermeq, também conhecido por glaciar de Ilulissat, um dos glaciares fora da Antárctida com maior perda de massa por calving (queda de icebergs).  O calving do glaciar é tão intenso que os glaciólogos estimam que ele perca 35 km3 de gelo por ano, o equivalente a 20 mil toneladas por dia. Um glaciar tão produtivo, a poucos quilómetros da costa, tem necessariamente que libertar estes gigantescos icebergs para o mar. Mas, na parte final do Ilulissat, no chamado Ilulissat Kangerlua, existe uma moreia submarina que reduz a profundidade do fiorde de 1500 m para cerca de 250 m, o que concede características ímpares para a preservação dos icebergs dentro do fiorde. Como os icebergs que são libertados pelo glaciar são gigantescos, eles vão flutuando no fiorde até alcançar a moreia submarina. Nessa altura, porque 9/10 do iceberg está submerso, só os icebergs com menos de 250 m de massa imersa conseguem passar a moreia e entrar no mar. Os gigantescos icebergs concentram-se durante semanas, meses e às vezes anos no fiorde gelado, esperando que se derretam e que atinjam uma dimensão que lhes permita avançar para o mar. Este é um dos lugares mais bonitos do mundo e que deve ser visitado pelo menos uma vez na vida.

8. Cruzar o Círculo Polar Árctico e entrar no domínio dos pólos

O território da Gronelândia cruza o Círculo Polar Árctico, a linha de latitude que marca a entrada no domínio do Árctico, designação atribuída à região em torno do Pólo Norte.  Os cientistas definem o Árctico como a região acima do Círculo Polar Árctico, uma linha imaginária que circunda o globo em 66º33 “N, e marca a latitude acima da qual o sol não se põe no Solstício de Verão, e não sobe no horizonte no Solstício de Inverno.

9. Provar foca e baleia, a base da dieta alimentar dos inuits

Na Gronelândia, sê gronelandês. Pode parecer um atentado à sustentabilidade do planeta Terra mas a verdade é que não é. Há séculos que a baleia e a foca fazem parte da dieta das populações inuits, na Gronelândia. A Gronelândia é um território no Árctico onde praticamente não existem solos férteis, o que não lhes permite cultivar legumes ou frutos. O único tubérculo que ali cresce são batatas. A erva praticamente não cresce durante o Verão e, mesmo nesta altura do ano, a maior parte do seu território está coberta de gelo. No Inverno todo os seu território está coberto de neve e gelo. Isto faz com que na Gronelândia não se possam criar vacas, cabras, porcos, frangos, nem nenhum animal que estamos habituados a ingerir. Os únicos animais que são criados no sul são as ovelhas e bisontes. Assim, a alimentação gronelandesa está quase restrita àquilo que vem do mar. E do mar vem essencialmente peixe, mariscos, baleias e focas. Se estivéssemos a falar de milhões de gronelandeses, provavelmente comer baleia e foca seria altamente insustentável, mas convém realçar que a população da Gronelândia é extremamente reduzida (cerca de 50 mil habitantes) e que a maioria das povoações tem menos de 300 habitantes. Assim, quando um baleeiro caça uma baleia, isso permite alimentar o povoado durante semanas. Rica em proteínas e gordura, a baleia é a uma das carnes fundamentais para as populações gronelandesas. O mesmo se aplica às focas.  A carne de foca e de baleia vende-se nos mercados de peixe e pode ser adquirida e cozinhada em casa.

10. Conhecer as minúsculas povoações coloridas que povoam o território

Igaliku é uma típica povoação do sul da Gronelândia, com 40 habitantes e pouco mais do que uma dezena de casas coloridas. É um lugar lindo, rodeado de campos verdejantes e floridos, na margem do fiorde de Einar, com águas azuis turquesa. Igaliku é apenas um exemplo das povoações gronelandesas com apenas dezenas de habitantes. O seu encanto reside nas pequenas habitações que pontuam os extensos vales sobranceiros aos fiordes. As casas coloridas resultam de uma tradição centenária em que eram pintadas de acordo com a função do edifício. No século XVIII, as casas vermelhas eram edíficios comerciais, as amarelas hospitais, as negras polícia e as azuis fábricas de peixe. Actualmente esta diferenciação já não se usa e cada um pinta a sua casa da cor que mais gosta. Manteve-se, no entanto, a tradição das casas serem pintadas de cores fortes para que sejam bem visíveis durante o Inverno, especialmente quando há tempestades de neve. Todas estas pequenas povoações têm algo em comum: muita cor, montes verdejantes e ovelhas. E pouquíssimas pessoas. A Gronelândia é assim…

11. Assistir a um “quase pôr-do-sol”, o sol da meia-noite

No Pólo Norte, o sol nasce uma vez a cada ano e põe-se uma vez por ano, havendo seis meses de dia contínuo e seis meses de noite contínua. Nas latitudes mais baixas, mas a norte do Círculo Polar Árctico, como é o caso do centro e norte da Gronelândia, a duração de dia e de noite contínua é progressivamente mais curta. Estes fenómenos são o resultado do movimento de translação da Terra e da inclinação do eixo terrestre. Assim, neste território é possível assistir, no Verão, ao sol da meia-noite, uma situação em que o sol nunca se esconde atrás da linha do horizonte.  Os dias de luz perpétua constituem também uma experiência inesquecível.

12. Encontrar frente a frente paredes glaciares com mais de 80 metros de altura

O glaciar Eqi, a norte de Ilulissat, é um glaciar gigantesco e acessível de barco. Com uma frente de aproximadamente 3 km de comprimento e uma altura acima de água que atinge 80 m, é um gigante à escala humana, difícil de descrever. A beleza do local é hipnotizante mas, mais do que isso, o glaciar revela-se como fenómeno dinâmico, interagindo com a água e a paisagem circundante. O verão, com o consequente aumento da temperatura do ar e da água, levam a um maior degelo e fractura do gelo, podendo-se testemunhar ao desmoronar de várias partes do glaciar mesmo à nossa frente.

13. Desfrutar de uma praia repleta de icebergs

Não há muitos lugares no mundo onde se pode ir à praia, estender-nos na areia e termos por companhia dezenas de icebergs atracados na areia e encalhados no meio das águas geladas. Só me recordo de uma baía na Islândia, Jökulsárlón, ou da costa Gronelandesa. Nos fiordes gelados da Gronelândia as praias são assim, repletas de gelo glaciar, onde nas areias abundam lugares para estender a toalha e não há multidões. O sol pode não queimar e aquecer o suficiente para nos fazer tirar a roupa, mas a beleza natural compensa e contentamo-nos com aquilo que temos à frente dos nossos olhos para apreciar. É por isto que a Gronelândia tem as mais belas praias do mundo, porque quem aqui vem desfrutá-las, vem mesmo para contemplar a beleza da sua paisagem.

Carla Mota

Geógrafa com uma enorme paixão pelas viagens e pelo mundo. Desde muito cedo que as viagens de exploração fazem parte da sua vida. A busca do conhecimento do mundo leva-a em direcção a culturas perdidas e ameaçadas, tentando percebe-las. Hoje é também líder de viagens de aventura na Nomad.

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2 Comentários

  1. “Gronelândia é um dos poucos locais onde Homem e a Natureza vivem em perfeita harmonia”, dizem vocês. Acredito. É por isso que continua a ser um destino no radar… que deve passar, o quanto antes, para a o lote das experiências fantásticas nesta vida. Só não sei se ‘conseguirei’ comer foca e baleia… é ‘estranho’ no meu imaginário :)

    1. Carla Mota diz: Responder

      Vais adorar, Rui, a Gronelândia, a foca e a baleia! 😀 eehheheh

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