CRIME NO EXPRESSO DO ORIENTE – CAP III: Mistério resolvido

CRIME NO EXPRESSO DO ORIENTE - CAP III: Mistério resolvido
– O comboio está atrasado 35 minutos. – Afirmou o detective Pinto. – Isto pode ser problemático.
– Estamos aqui há quase duas horas e nem sequer temos reserva para couchette. Estou completamente gelada e já sinto tédio só de olhar para o painel informativo. – Referiu a detective Mota.
CRIME NO EXPRESSO DO ORIENTE - CAP III: Mistério resolvido
Na estação de Sófia os dois detectives tinham os bilhetes na mão. No entanto, não conseguiram reservas para um compartimento com cama. Já haviam tentado por duas vezes comprar as reservas e, nada.
Sentados na enorme estação com um frio insuportável, os dois detectives aguardavam a hora de embarcar com destino a Istambul.
Na estação haviam vários viajantes na mesma situação. O frio era de cortar e só o facto de estarem parados ou sentados era demasiado penoso. Tinham que mover-se com as mochilas às costas de forma a evitar as dores provocadas pelo frio.
CRIME NO EXPRESSO DO ORIENTE - CAP III: Mistério resolvido
O comboio dá entrada na estação de Sófia. Vem de Belgrado. Um casal americano corre em direção ao comboio. O relógio indica com exatidão a hora: 19.40h.
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O revisor conversa com o casal americano. Havia no seu tom algo indescritível que fez com que os dois detectives olhassem para ele com curiosidade. O revisor indica ao casal para avançar.
Tickets, please.
– We have tickets but we don’t have sleeper´’s reservation. We would like two beds, please. Is it possible? – Perguntou a detective Mota.
O diálogo prosseguiu em inglês.
– Queiram acompanhar-me. – Disse o revisor.
O casal americano voltou para trás e tentou usurpar os lugares dos dois detectives. No entanto, a rapidez de pensamento e de movimento dos detectives foi mais eficaz. Tinham conseguido duas camas no compartimento de um casal italiano.
Um solavanco e o comboio inicia a sua marcha. Ambos olham pela janela e vêem a longa plataforma iluminada que deslizava lentamente por eles.
– 10 euros por pessoa. – Disse o revisor.
– Podemos pagar em Lev?
– Isso não tem qualquer valor. Euros.
Era mais do que evidente que não lhes iriam aceitar o dinheiro búlgaro. Depois de efectuar o pagamento e de se acomodarem devidamente, os dois detectives resolveram jantar algo e descansar. Adormeceram rapidamente. O Expresso do Oriente prosseguia a sua viagem de onze horas em direcção a Istambul.
Os dois detectives foram acordados algumas horas depois com um sobressalto. Sabiam perfeitamente o que os tinha despertado: vários gemidos, risos e gritos no compartimento do lado. Alguns gemidos pareciam disfarçar gritos abafados.
– O que estará a acontecer? – Questionou-se o detective Pinto.
– Estranho. – Acenou a cabeça a detective Mota. – Muito estranho.
As luzes acenderam-se e repararam que o comboio parara. Algo se tinha passado no compartimento ao lado.
– Terão todos de sair do comboio. Todos para a plataforma. – Disse o revisor enquanto percorria o corredor da carruagem.
Os dois detectives saíram. O frio era cortante e embora não caísse neve lá fora e a plataforma estivesse resguardada, era bastante incomodativo. O relógio marcava exactamente 2.43 h da madrugada. A detective Mota batia com os pés e abanava os braços para se manter quente.
– O que se estará a passar? – Questionou-se a detective Mota. – Estará relacionado com os sons que nos acordaram?
– Muito provavelmente alguém foi ferido no comboio. – Afirmou o detective Pinto enquanto os sons dos gritos abafados ainda ecoavam nos seus ouvidos.
– Suspeito que possa ter acontecido algo ao casal americano. Repara no ar suspeito do revisor. – Disse a detective Mota.
Vários viajantes circulavam na plataforma.
– Passaportes e vistos. – Grita o revisor apontando para uma porta.
O casal americano continuava desaparecido. Teria tido o mesmo destino que o casal belga? Estariam a raptar casais no Expresso do Oriente?
– Suspeito que o casal americano foi raptado. – Disse o detective Pinto.
– E qual o motivo?
– Vamos reflectir. O casal americano ia à nossa frente. Deveriam ter sido eles a ficarem no nosso compartimento. No entanto, como fomos mais rápidos, ficamos nós no compartimento nº 1 e eles passaram para o compartimento que deveria ter sido ocupado por nós. – Argumentou lentamente o detective Pinto. – Isto poderá significar…
– …que o casal americano foi levado em nosso lugar. – Interrompeu a detective Mota. – Isto é terrível.
Os dois detectives prosseguiram em direcção ao controle alfandegário. Depois de pagarem 15€ pelo visto, os seus passaportes foram carimbados e o revisor ordenou que voltassem ao compartimento. Na estação e no comboio não havia sinal de americanos. Os dois detectives acomodaram-se e passado alguns minutos chegaram os italianos. Pouco tempo depois já os italianos dormiam e os dois detectives mantinham-se em vigilância.
O Expresso do Oriente prosseguia em direcção a Istambul. De repente a detective Mota acorda o detective Pinto.
– Parece-me que vi passar o diabo da Tasmânia. Será possível?
– Ah! Não pode ser. Não o vimos na plataforma quando paramos.
– Estará escondido? Algo muito suspeito se está  passar. Andará o diabo da Tasmânia escondido neste comboio este tempo todo? – Questionou-se a detective Mota.
Durante a noite o calor tornou os corpos relaxados e os dois detectives adormeceram profundamente.
– ISTAMBUL! ISTAMBUL! – Grita o revisor com entusiasmo.
Os dois detectives saltaram imediatamente da cama. Pela janela do compartimento viam o comboio acompanhar o mar da Mármara. Do lado do corredor o comboio acompanhava a muralha da cidade. Estavam a chegar a Istambul. O comboio circulava o Corno de Ouro e o mar da Mármara dava lugar ao estreito de Bósforo. Do outro lado estava a Ásia.
CRIME NO EXPRESSO DO ORIENTE - CAP III: Mistério resolvido
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O comboio chega à plataforma 3 e os dois detectives saíram. Na plataforma despediram-se do casal italiano e enquanto a percorriam, a caminho da entrada da estação, cruzam-se com o casal americano que conversa alegremente. Mais à frente vêem o casal belga que tinha desaparecido no troço entre Budapeste e Belgrado. Os dois detectives respiraram de alívio. Na entrada da estação há um restaurante de seu nome Oriental Express. Lá sentado, fumando um cigarro, estava o diabo da Tasmânia.
Os dois detectives trocaram sorrisos. O Expresso do Oriente chegara a Istambul.
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Carla Mota

Geógrafa com uma enorme paixão pelas viagens e pelo mundo. Desde muito cedo que as viagens de exploração fazem parte da sua vida. A busca do conhecimento do mundo leva-a em direcção a culturas perdidas e ameaçadas, tentando percebe-las. Hoje é também líder de viagens de aventura na Nomad.

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3 Comentários

  1. Anónimo diz: Responder

    Hmm, assim seja. Venha lá istambul 😀

    ps, gostei dois 3 capítulos da saga do crime do expresso do oriente!

  2. ophs… acho que não tenho muito jeito para a literatura! Este era oo último capítulo da "saga" Crime no Expresso do Oriente. Foram só 3 capítulos. Agora falta-nos os posts de Istambul. Devem estar quase a sair…

    🙂

  3. Anónimo diz: Responder

    Para qd o resto da história? estou ansiosa =)*

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