CRIME NO EXPRESSO DO ORIENTE – CAP I: O desaparecimento

CRIME NO EXPRESSO DO ORIENTE - CAP I: O desaparecimento
Eram 22.20h quando os detectives R. Pinto e C. Mota entraram na carruagem 419 a caminho de Belgrado, a bordo do Expresso do Oriente. Para trás ficava a estação gelada de Budapeste. Sentados no comboio, os dois detectives discutiam os factos dessa noite: as tentativas falhadas para comprar bilhetes de comboio de Belgrado para Sofia.
CRIME NO EXPRESSO DO ORIENTE - CAP I: O desaparecimento
Tudo parecia demasiado suspeito no Expresso do Oriente. Um pedido de dois bilhetes no guichet inicialmente aceite. Mas eis que de seguida a funcionaria se levanta e, depois de passar alguns minutos fechada numa sala, regressa e informa o detective Pinto que já não lhe pode vender os bilhetes. O “faro” astuto do detective Pinto farejou logo problemas.
CRIME NO EXPRESSO DO ORIENTE - CAP I: O desaparecimento
O ambiente gelado de Budapeste não dava azo a grandes reflexões. Os mendigos passeavam-se na estação e a detective Mota começava a ficar incomodada.
Uma vez no Expresso do Oriente, e vendo a estação de Keleti ficar para trás, os dois detectives trocam impressões. Teriam sido privados propositadamente da compra dos bilhetes para Sofia? Haveria alguma razão para que estes dois detectives não chegassem à capital búlgara?
CRIME NO EXPRESSO DO ORIENTE - CAP I: O desaparecimento
– Boa noite – disse o revisor.
– Boa noite – respondeu o detective Pinto.
– Estes serão os vossos companheiros de compartimento – disse o revisor apontando para um casal belga que ali se encontrava. – Aqui tem um cadeado para trancar a porta do compartimento durante a noite. Há muitos bandidos por aqui. Os bilhetes, por favor.
Sem mais nenhuma informação saiu do compartimento levando consigo os bilhetes.
CRIME NO EXPRESSO DO ORIENTE - CAP I: O desaparecimento
– Isto parece-me muito estranho – disse a detective Mota. – Porquê trancar-nos aqui durante a noite?
– Começo a ficar deveras intrigado – anuiu o detective Pinto.
O aquecimento tinha sido ligado e, à medida que o comboio cruzava os Balcãs em direcção a Belgrado, tornava-se cada vez mais evidente que o calor era demasiado. Seria uma tentativa para matar os dois detectives?
A 1 h da manhã, na fronteira entre a Hungria e a Servia, a porta teve que ser destrancada para deixar entrar os guardas alfandegários. Os rostos vermelhos e suados dos dois detectives e do casal belga testemunhavam o calor insuportável que se vivia dentro do compartimento. Era mais do que claro que alguém estava a tentar elimina-los e assim impedir que alcançassem Sofia. Qual seria o propósito?
O Expresso do Oriente voltou a arrancar e com a porta do compartimento novamente trancada a sobrevivência estava ameaçada. Os detectives ocupavam os beliches de baixo e estes escaldavam. Manter-se deitados era uma provação, até para dois detectives habituados a situações hostis.
A certa altura da noite, o detective Pinto tomou medidas extremas: abriu a janela. Uma loucura, quando estão 5 graus negativos no exterior.
As condições dentro do compartimento eram insuportáveis. No entanto, com a janela aberta os dois detectives conseguiram dormir.
Zwanzig minuten nach Budapeste – disse o revisor.
– Que estranho, o revisor fala alemão?! – notou a detective Mota.
– Onde estão os belgas? – perguntou o detective Pinto.
Durante a noite o casal belga havia desaparecido do Expresso do Oriente. O cenário era muito estranho. O casal tinha sido visto pela última vez pelas duas horas da manhã. Depois disso, com a janela do compartimento aberta, tudo levava a supor que o casal fugira ou tivesse sido raptado. No entanto, na opinião da detective Mota, a janela aberta era só para  distrair as atenções. Quem quer que tivesse entrado ou saído por ali, teria que o fazer com o comboio em movimento. Apesar das várias paragens em algumas estações, estas foram tão curtas que não dariam tempo para uma fuga pela janela.
– A porta estava trancada por dentro quando o revisor nos acordou à chegada a Belgrado? – interrogou o detective Pinto.
– Não me lembro de a ter aberto. – anuiu a detective Mota.
– Eu também não a abri. – afirmou o detective Pinto.
O mistério adensava-se no Expresso do Oriente. Se a porta estivesse fechada com a corrente por dentro, o casal teria que ter saído pela janela.
– Mas, se a porta estava aberta – referiu o detective Pinto pensativamente – pode não haver homicídio ou rapto.
– No entanto, isso deixa-nos perante duas situações contraditórias – afirmou a detective Mota muito calmamente – ou o casal saiu voluntariamente a meio da noite ou alguém os levou pela janela e aí estaremos perante um crime.
– Boa viagem – disse o revisor despedindo-se dos dois detectives na estação.
R. Pinto e C. Mota deixaram para trás o comboio e embrenharam-se nas ruas de Belgrado. Eram 6 horas da manhã. Os dois detectives precisavam de caminhar e pensar sobre o que lhes tinha acontecido verdadeiramente. Nessa noite, teriam que apanhar o comboio para Sofia e até isso parecia improvável.
CRIME NO EXPRESSO DO ORIENTE - CAP I: O desaparecimento
Estaria o desaparecimento do casal belga associado ao calor infernal que se viveu nessa noite no compartimento? Estaria alguém a impedi-los de chegar a Sofia ou a Istambul? Teriam os dois detectives sido confundidos pelo casal belga?
CRIME NO EXPRESSO DO ORIENTE - CAP I: O desaparecimento
– O assassino pode estar entre nós neste comboio. – referiu o detective Pinto antes de sair do comboio em Belgrado.  

Carla Mota

Geógrafa com uma enorme paixão pelas viagens e pelo mundo. Desde muito cedo que as viagens de exploração fazem parte da sua vida. A busca do conhecimento do mundo leva-a em direcção a culturas perdidas e ameaçadas, tentando percebe-las. Hoje é também líder de viagens de aventura na Nomad.

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3 Comentários

  1. Fico à espera do cap. II!!!
    Onde param os belgas? Puseram-se ao fresco???
    Tanto calor para quê? Pensaram que sois alguns "Pintos" do aviário??? 😀

    Sei que a imaginação e o empreendedorismo vos levam muito longe do que qualquer comboio ou outro meio de transporte!!! 😉

    Continuação de um bom trabalho (prazer) e de umas excelentes viagens!!!
    OS VOSSOS "SEGUIDORES" SÓ TÊM A GANHAR COM ISSO!

  2. isso agora… daria outro livro… 😉

  3. ….eu acho que os detetives tiverem um ataque de sonambolismo e assassinaram o outro casal e esconderam-no debaixo do beliche!!!….

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