Visitar o Observatório Astronómico do Teide | Espanha

Visitar o Observatório Astronómico do Teide | Espanha

A ilha de Tenerife tem muito mais a oferecer, a quem a visita, do que sol e praia. Já escrevemos sobre os lugares obrigatórios a visitar em Tenerife, e os percursos de trekking que exploram as paisagens fantásticas da ilha e os seus vulcões, que estão na origem da formação da ilha, em particular no Parque Nacional do Teide. No entanto, Tenerife também exibe ciência e tecnologia de ponta como um dos seus cartões-de-visita. Isto porque o arquipélago das Canárias é, em conjunto com o deserto do Atacama, no Chile, e Mauna Kea, no Hawai, um dos melhores locais para observar os céus e, assim, descobrir os segredos do Cosmos.

Desde 1964, funciona na ilha de Tenerife o Observatório Astronómico do Teide, operado pelo Instituto de Astrofísica das Canárias, em colaboração com várias universidades e institutos de investigação europeus e americanos, e que se tornou um dos mais importantes observatórios astronómicos do mundo e o mais importante observatório solar do planeta. Para todos aqueles interessados em ciência, e na procura da humanidade pelo conhecimento, é uma visita obrigatória a fazer em Tenerife. A empresa Volcano Teide Experience, especializada em excursões e actividades no vulcão Teide, organiza visitas guiadas ao Observatório Astronómico do Teide, na modalidade de visita simples, ou englobada numa tour. Nós optámos pela segunda.

O transporte da empresa veio buscar-nos perto do nosso hotel, Taoro Garden, por volta das quatro da tarde, e depois de recolhermos outras pessoas noutros pontos de Puerto de la Cruz, dirigimo-nos ao observatório, localizado a 2390 metros de altitude, na estrada TF-24, que liga La Laguna a El Portillo.

O nosso guia, Jesus, começou por nos dar uma explicação das três áreas do Observatório Astronómico do Teide, e o modo de funcionamento dos diferentes telescópios. Os telescópios solares (como o THEMIS, o GREGOR e o VTT) dedicam-se à observação da nossa estrela e da sua actividade, como a ejecções de massa coronal e erupções solares.

Os telescópios nocturnos (como o TCS, o Mons, o IAC-80, e o OGS) dedicam-se à observação do céu, focando-se em estrelas e galáxias, enquanto os radio telescópios (como o COSMOSOMAS e o QUIJOTE CMB) estudam radiação cósmica de fundo de microondas que preenche o universo.

Depois seguimos para um edifício (que já albergou um telescópio, entretanto desactivado) onde vimos um vídeo em time lapse do observatório, e onde pudemos perceber melhor o que é o espectro electromagnético (ou seja, o conjunto de todas as ondas electromagnéticas, umas visíveis ao olho humano, como as cores do arco-íris, e outras invisíveis, como o infravermelho e o ultravioleta), assim como as diferentes gamas de frequência são usadas no estudo da astronomia.

Pudemos também fazer algumas experiências engraçadas com uma câmara de infravermelhos e o calor libertado pelos nossos corpos (que contrastava com o frio que se fazia sentir aquela altitude!).

Dali dirigimo-nos a um pequeno telescópio, equipado com um filtro adequado, pelo qual pudemos observar a fotosfera do Sol, em todo o seu esplendor, mas sem manchas solares, uma vez que o nosso astro-rei atravessa um período de baixa actividade.

De seguida, Jesus levou-nos ao interior de um dos grandes telescópios do Observatório Astronómico do Teide, o Telescópio Carlos Sanchez (TCS), nome dado em honra de um professor da Universidade de La Laguna, e promotor da astronomia e do seu ensino nas Canárias. O TCS, que opera desde 1972, é destinado a observações nocturnas na gama do infravermelho, tem um espelho primário de diâmetro 1,52 m e, apesar da sua já provecta idade, continua a ser um dos telescópios mais produtivos do observatório do Teide. É usado na observação de objectos cósmicos “frios”, como estrelas na sua fase inicial, ou final, de evolução, e, por exemplo, algumas das primeiras imagens em infravermelho do impacto de fragmentos do cometa P/Shoemaker-Levy9 com Júpiter foram tiradas com o TCS.

Impacto de fragmentos de um cometa contra Júpiter, visto pelo TCS.

Depois de observarmos (a olho nu!) o lindo pôr-do-sol por trás do vulcão Teide, encaminhámo-nos novamente para a carrinha da Volcano Teide Experience, que nos levou ao edifício do Teleférico do Teide.

Ali, comemos um pequeno lanche, e depois era hora da observação nocturna de estrelas e constelações. A Lua quase cheia não ajudou mas, mesmo assim, foi muito interessante observar algumas das constelações mais conhecidas, localizar e identificar a Estrela Polar, e observar a Lua, assim como o planeta Saturno, com os seus anéis característicos.

A tour acabou perto da meia-noite, sendo que fomos levados de volta ao nosso hotel. Foi uma experiência muito gratificante, aliando o conhecimento do universo a uma paisagem completamente deslumbrante. O Observatório Astronómico do Teide ficará assim para sempre na nossa memória, e já pensamos qual será o próximo observatório que visitaremos.

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Carla Mota

Geógrafa com uma enorme paixão pelas viagens e pelo mundo. Desde muito cedo que as viagens de exploração fazem parte da sua vida, culminando num doutoramento nos Andes, investigando ambientes glaciares. A busca do conhecimento do mundo leva-a em direcção a culturas perdidas e ameaçadas, tentando percebe-las. Hoje é também líder de viagens de aventura na Nomad.

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