O Budismo Tibetano tem 6 escolas diferentes, fundadas por personalidades diferentes e com teorias, rituais e práticas também diferentes. Uma dessas escolas, Gelugpa (também conhecida como a escola do Chapéu Amarelo), foi fundada por Tsongkhapa (1357-1419), um erudito e perito em técnicas de meditação que reformou uma escola já existente (Kadampa). Este nasceu na província tibetana de Amdo, agora transformada na região chinesa de Qinghai, por isso não será de estranhar que hoje podemos encontrar nesta região alguns dos mais importantes mosteiros do budismo tibetano. Um desses é o mosteiro de Labrang, na cidade de Xiahé.



O mosteiro de Labrang foi fundado em 1709 por um monge que iniciou uma das linhagens espirituais mais importantes do budismo tibetano, 3ª em importância, atrás apenas do Dalai-Lama e do Panchen-Lama. Isto significa que os monges que lideram o mosteiro são considerados budas vivos e são encarados como reencarnações sucessivas do mesmo ser. O que atrai milhares de peregrinos a este mosteiro é, ao mesmo tempo, a reverência a esta linhagem como a manutenção da tradição budista, tão ameaçada pela invasão chinesa do Tibete em 1959.



O mosteiro é na realidade um complexo de edifícios com diferentes funções, que ocupa uma parte significativa da cidade, dividindo a parte chinesa da cidade, mais “moderna” e a parte tibetana da cidade, mais tradicional. Além dos templos propriamente ditos, existem vários edifícios dedicados ao estudo de diferentes áreas do saber, na perspectiva tibetana, nomeadamente medicina, astrologia e estudo de textos clássicos. Em volta podemos encontrar as residências dos monges. No seu auge, este mosteiro chegou a albergar 4000 monges, mas no período da Revolução Cultural foi fechado (sendo os edifícios poupados, no entanto) e actualmente (depois de reaberto nos anos 80) alberga cerca de 1200 monges.


É possível fazer uma visita guiada a alguns templos do complexo, com um monge que fala inglês. O nosso guia era muito simpático e explicativo (apesar das limitações do seu inglês), mas era bastante avesso a fotos! É possível visitar o resto dos templos por conta própria, pelo menos aqueles que se encontram abertos. Os que estão de porta fechada… ficam para uma próxima visita!


O salão maior (o grande salão do Sutra, contendo milhares de livros) é um salão de encontro de todos os monges, à hora das refeições e das meditações diárias, em silêncio ou “cantadas”. É realmente uma experiência inesquecível assistir um momento desses e, melhor ainda, registado em “câmara oculta” pela Carla para deleite dos nossos seguidores (ver vídeo)!


A sul do complexo principal podemos encontrar o Pagode de Gongtang, o qual se pode subir e dos seus cerca de 30 m de altura apreciar uma vista excelente sobre a cidade e o mosteiro. No nosso caso, o tempo bastante nublado enegreceu o panorama, mas continuou a ser uma boa maneira de ter uma perspectiva diferente do complexo.


A visita ao Pagode foi incluída na nossa kora (ou circunvalação do mosteiro), que os peregrinos fazem, girando ao mesmo tempo as rodas de oração, que se diz um meio antigo das pessoas analfabetas poderem recitar as preces. Uma forma ainda mais piedosa de a fazer (e merecedora de maior mérito espiritual) é através de prostrações sucessivas na direcção dos 4 pontos cardeais, tal como pudemos presenciar (ver vídeos).



O mosteiro de Labrang constituiu assim uma magnífica introdução à prática do budismo tibetano fora do Tibete, e quando regressamos ao hotel, debaixo de forte chuva, só esperávamos que os próximos locais a visitar na Rota da Seda fossem tão auspiciosos como este.
