Percorrer a ESTRADA DE CARACÓRUM – Uma breve incursão na morada dos deuses | China

Percorrer a ESTRADA DE CARACÓRUM - Uma breve incursão na morada dos deuses | China

A estrada de Caracórum é a estrada pavimentada mais alta do mundo e, talvez pelo privilégio do tapete de asfalto, é designada pomposa e exageradamente em inglês por “Karakoram Highway” (ou KKH). Liga as cidades de Kashgar (China) e Abbottabad (Paquistão) num total de 1300 km, sendo que na fronteira entre os dois países atravessa o passo de Khunjerab, a 4693 m.

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Construída a partir de 1959, e concluída em 1979 (aberta ao público em 1986), Caracórum foi aproveitado o trajecto de antigas rotas de caravanas que ligavam a actual província de Xinjiang (China) com o sub-continente indiano, constituindo-se assim como uma reencarnação de uma das rotas laterais que constituíam a rede da Rota da Seda.

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No entanto, percorrer a totalidade de Caracórum foi, logo de início, posto de parte na nossa Rota da Seda, pois não tínhamos tempo disponível para esse desvio. Teria de ficar para outra viagem… Mas, uma vez que estávamos em Kashgar, não conseguimos resistir a percorrer, pelo menos, um troço da parte chinesa da estrada. Sendo assim, resolvemos ir de kashgar a Tashkurgan, com pernoita no lago Karakul. Sabíamos que a parte mais espectacular da estrada de Caracórum é a parte paquistanesa, quando esta atravessa a cordilheira que lhe dá o nome, assim como o extremo oeste da cordilheira dos Himalaias e a cordilheira do Hindu Kush) e se têm vistas de montanhas como o Nanga Parbat, a nona montanha mais alta do mundo, mas a parte chinesa, entalada entre as cordilheiras de Pamir e de Kunlun, também tem as suas atracções e era imperdoável não o fazer.

Saindo de Kashgar, a estrada de Caracórum segue para sudoeste em terreno plano durante cerca de 80 km, entrando a seguir progressivamente em terreno mais montanhoso, seguindo o percurso do rio Ghez. Os minerais existentes nas rochas dão tons coloridos às montanhas.

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O vale do rio vai-se transformando em canhão e vai-se estreitando conforme a estrada sobe. O tempo estava bastante nublado, mas nesta secção da estrada de Caracórum era possível ir vislumbrando alguns glaciares que se estendiam pelas encostas e alguns cumes gelados que espreitavam pelas nuvens. As condições da estrada variavam, pois em muitos sítios as chuvas de monção engrossam pequenos riachos que depois invadem a estrada de Caracórum ou provocam desmoronamentos que podem cortar a circulação. Manter a estrada aberta nesta altura do ano é uma tarefa sempre em execução. Ao longo do vale, o movimento de camiões, máquinas e trabalhadores é uma constante, principalmente devido à extracção de areia e à construção do que nos pareceu uma central geradora de energia eléctrica.

Percorrer a ESTRADA DE CARACÓRUM - Uma breve incursão na morada dos deuses | China

Percorrer a ESTRADA DE CARACÓRUM - Uma breve incursão na morada dos deuses | ChinaPercorrer a ESTRADA DE CARACÓRUM - Uma breve incursão na morada dos deuses | China

No fim do vale, o terreno abre para um lago (artificial, resultado de uma barragem) rodeado de montanhas de tom acastanhado e amarelado, chamadas “Montanhas de areia”. A paisagem é belíssima e saímos do carro para tirar algumas fotos. O frio era já intenso e o vento forte fazia-se sentir bastante. Daqui, a estrada de Caracórum voltava a subir em direcção ao lago Karakul. Mais uma vez, o tempo nublado não permitia a visão integral das montanhas em redor.

Percorrer a ESTRADA DE CARACÓRUM - Uma breve incursão na morada dos deuses | China

Tínhamos combinado com o nosso motorista que, quando chegássemos ao lago, se o tempo estivesse nublado, seguiríamos para Tashkurgan e ao final da tarde voltaríamos para dormir nas margens do lago. Assim aconteceu, mas antes ainda demos uma volta pela margem do lago. Este é ladeado por duas montanhas impressionantes, mas delas pouco se via… No entanto, o número de línguas glaciares que conseguíamos vislumbrar indicava-nos que realmente estávamos na presença de gigantes. Só nos restava esperar que quando voltássemos o tempo fosse mais nosso amigo… O lago em si não é muito grande e pareceu-nos menos impressionante do que os lagos que tínhamos visitado no Quirguistão, mas a nossa opinião podia ser toldada pela nebulosidade…

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Um pouco depois do lago, a estrada de Caracórum bifurca, com um ramo seguindo para leste, onde a fronteira com o Tajiquistão se encontra a poucos quilómetros de distância. Seguimos em frente e passamos um posto de controlo. Estamos a entrar na zona fronteiriça com o Paquistão, embora a fronteira propriamente dita ainda se encontre a mais de 100 km de Tashkurgan, onde a nossa incursão termina. Uma pequena vila junto a um vale verdejante, tem como «atracção» histórica as ruínas de , onde foram filmadas algumas cenas do filme “O menino de Kabul”.

Percorrer a ESTRADA DE CARACÓRUM - Uma breve incursão na morada dos deuses | China

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Depois de darmos uma volta pela vila (onde fomos alvo da curiosidade dos locais) e pelas ruínas (em restauro, como quase todas as outras na China, como viríamos a constatar), regressamos em direcção ao lago.

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Não sei se pelas nossas preces, mas o tempo estava ligeiramente melhor. Já se viam algumas abertas e o sol espreitava. Não era um céu limpo mas provavelmente já nos permitiria apreciar um pouco mais da paisagem. E assim foi! Ao aproximarmo-nos do lago, um dos flancos da montanha Muztagh Ata (7546 m) revelava-se quase até ao cume e a visão dos seus deslumbrantes glaciares deliciou-nos. A face da montanha que defronta o lago estava também quase totalmente descoberta e realmente é uma montanha lindíssima… O lago já parecia outro!

caracorum

Esperámos mais um pouco (entrando também numa yurt por causa do frio) e também pudemos apreciar os vários cumes do maciço onde se encontra a Kongur Tagh, que com os seus 7719 m, é a montanha mais alta da província de Xinjiang. Mais uma vez, os cumes e os glaciares debatem-se pela posição de destaque na paisagem… Estava na altura de escolher o nosso local de repouso para esta noite, comer o jantar (feito por uma família local) e recolher à cama no chão da yurt. A noite ia ser fria por isso o aquecimento ia ser necessário, desta vez com base em carvão. Ficamos com um grupo de turistas alemães e canadianos, com os quais tivemos uma conversa animada sobre… viagens, claro! Adormecemos a pensar se a manhã nos ia trazer uma paisagem ainda mais reveladora…

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Mas não aconteceu. A manhã surgiu com muita nebulosidade e com alguma chuva. As montanhas estavam totalmente ocultas… Resolvemos regressar de imediato mas, curiosamente, conforme percorremos a estrada de Caracórum de volta, a paisagem revelou-se um pouco mais do que aquilo que tínhamos presenciado na viagem do dia anterior, especialmente na zona do lago artificial. Daí para baixo, a chuva voltou a cair e mais uma vez ficou ainda mais patente o extraordinário feito de engenharia que foi construir esta estrada e mantê-la em circulação em condições tão extremas. Não admira que haja quem a chame de oitava maravilha do mundo… De regresso a Kashgar, sentimos que percorrer esta estrada, ainda que apenas um dos seus troços, tinha sido uma experiência inesquecível e que nos aguçou ainda mais o apetite para uma futura viagem. Sabemos que voltaremos, não sabemos é quando!

Caracorum

Rui Pinto

Físico de formação mas interessado em todos os aspectos da cultura e história da humanidade. As viagens são o meio privilegiado para um aprofundamento do conhecimento do mundo, das suas gentes e do nosso papel na vida.

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