Dia 38 – A Burra atravessa os campos nucleares do Cazaquistão (em Semey) 🇰🇿 e chega à Rússia 🇷🇺 | Crónicas do Rally Mongol

Dia 38 – Em direcção à Rússia 🇷🇺 , passando por Semey 🇰🇿 | Crónicas do Rally Mongol

Uma vez que as estradas do Cazaquistão se revelavam melhores do que o esperado, o nosso objectivo para o dia era percorrer os quilómetros de território cazaque que nos faltavam, até à cidade de Semey (antiga Semipalatinsk), e atravessar a fronteira para a Rússia. E assim fizemos.

A Burra, nos últimos dias, teima em ter alguma dificuldade em pegar. Não sabemos se é alguma válvula ou estrangulamento de algum tubo, mas parece que a gasolina tem dificuldade em chegar ao motor logo pela manhã. Depois de alguma persistência, começa a trabalhar e durante o dia porta-se de forma excelente. As estradas asfaltadas são um prémio de recompensa para a nossa Burra, que já passou por dias complicados. No entanto, os quilómetros a percorrer por dia continuam a ser muitos, mas até agora tem-se portado muito bem.

A extensão das terras cazaques é mesmo impressionante. Tudo isto é muito longe de Moscovo, e não é de estranhar que, mesmo nos tempos czaristas, o regime tenha mandado para aqui presos políticos para cumprir penas de exílio e trabalhos forçados. Um dos casos mais famosos é o do genial escrito Fiodor Dostoievski, condenado a trabalhos forçados durante cinco anos em Omsk (actual território russo), e a cumprir serviço no exército russo em Semey durante três.

Em Semey, onde parámos para almoçar, aproveitámos para visitar o museu dedicado ao escritor, com objectos pessoais, nomeadamente livros, e fotografias de locais, amigos e família. Infelizmente, poucas são as legendas em inglês. Ao lado do museu, encontram-se preservadas três divisões da casa onde o escritor viveu.

Também tentámos visitar o Museu Anatómico (dentro da Universidade da cidade), onde se encontra uma exposição de fetos e animais com defeitos genéticos provocados por exposição a radiação, mas não conseguimos acesso (a senhora que tinha a chave só regressava ao trabalho no dia seguinte).

Este museu, que por si só poderia parecer insólito, tem toda a razão de ser pois, a pouco mais de cem quilómetros de Semey, encontra-se o complexo de Polygon, com base na cidade de Kurchatov. Ali, entre 1949 e 1989, foram despoletadas centenas de bombas nucleares, e estudados os efeitos, em pessoas e animais, da exposição à radiação. Com a indepedência do Cazaquistão, os testes nucleares passaram à história, mas os seus efeitos continuam a sentir-se e a marcar a vida dos habitantes daquela área.

Hoje encontra-se aí um centro de investigação nuclear e o próprio complexo transformou-se numa atracção turística, com possibilidades de visitas organizadas or agências locais. No entanto, por falta de tempo, não pudemos visitar Polygon. Ficará para uma próxima oportunidade, pois, a par de Pripyat e a central de Chernobyl, são locais importantíssimos para contar a história da energia nuclear, da sua importância, e do cuidado que se deve ter com ela.

Seguimos para a fronteira com a Rússia, junto à localidade de Auyl. Tivemos de esperar um pouco, pois alguns camiões se encontravam à nossa frente, mas os procedimentos foram rápidos, em ambos os lados, e passado pouco mais do que uma hora, estávamos já em território russo.

Dali, rapidamente chegámos à cidade de Rubtsovsk. Ali, após procurarmos um pouco, conseguimos um hotel com bons quartos e com um excelente restaurante. As funcionárias não falavam inglês, o menu era só em russo, mas as fotos e alguma mímica permitiram-nos pedir. E o resultado foi uma das melhores refeições da viagem, com camarões grelhados, e um naco de carne acompanhado de arroz e salada. Somos a favor de experiências culturais, mas depois de mais de um mês a comer, invariavelmente, shashlik, manti e laghman, sabe muito bem saborear comida mais próxima da de nossa casa!

Rui Pinto

Físico de formação mas interessado em todos os aspectos da cultura e história da humanidade. As viagens são o meio privilegiado para um aprofundamento do conhecimento do mundo, das suas gentes e do nosso papel na vida.

More Posts - Facebook - Google Plus

.

PROGRAME A SUA VIAGEM

  Faça as suas reservas através das parcerias do nosso blogue. Você NÃO PAGA MAIS, nós ganhamos uma pequena comissão. Assim conseguimos manter o blogue com opiniões isentas.

      Reserve o hotel no Booking.com e encontre as melhores promoções. Reserve e cancele sempre que necessitar.

 Reserve os seus voos com a Skyscanner. Garanta os melhores preços.

Alugue carro usando o Rent a Car, comparando e escolhendo o melhor preço antes de viajar. Tudo na comodidade de sua casa.

      Faça seguro de viagem na World Nomads ao menor preço do mercado.

     Usamos os guias de viagem da Lonely Planet para preparar as nossas viagens. Se faz o mesmo, pode comprá-los online. Sai mais barato e os portes são grátis a partir dos 35€.

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.