A belaza da Ilha de SANTIAGO – “cábu berdi é sábi” e aqui sente-se! | Cabo Verde

A belaza da Ilha de SANTIAGO - "cábu berdi é sábi" e aqui sente-se! | Cabo Verde

Praia recebeu-nos de braços abertos logo pela manhã. Os primeiros raios de sol brilhavam no céu quando aterramos na capital cabo-verdiana. A Praia, na ilha de Santiago, é a principal cidade do arquipélago, e na ilha concentra-se mais de metade da população do país.

Ilha de SANTIAGO, cábu berdi é sábi | Cabo Verde

Santiago é a maior ilha cabo-verdiana, resultando daí uma grande diversidade paisagística e cultural. Não basta conhecer a cidade da Praia, a ilha tem imensos encantos à espera para serem descobertos. A maioria dos visitantes não se aventura no interior da ilha mas, Santiago, tem imensos motivos que tornam a viagem para o seu interior muito atractiva. Estávamos determinados em explorá-la e tirar o maior proveito possível dos seus encantos. Apesar de não termos muito tempo disponível, sabíamos que o íamos utilizar da melhor maneira.

Ilha de SANTIAGO, cábu berdi é sábi | Cabo Verde

Começamos por procurar alojamento na Praia, no bairro da Achada de Santo António, onde deixámos as mochilas guardadas. Ainda eram oito horas da manhã e por isso não podíamos fazer o check-in. Dirigimo-nos para Sucupira, o bairro do mercado e uma das partes socialmente mais desfavorecidas da Praia. Aí contactamos com a única forma de agressividade que experimentamos em Cabo Verde. Um grupo de homens aproximou-se e, puxando-nos pelos braços e pelos sacos, tentaram levar-nos para dentro dos “alugueres”. Foram tão agressivos que tive que mandar uma lapada no braço de um, já que não me largava e puxava constantemente. Apesar da atracção do bairro ser o mercado africano, a nossa ida ali tinha unicamente a ver com o facto de querermos apanhar o “aluguer” para Assomada, no centro da ilha, e onde se efectuava um mercado semanal (quarta-feira) vívido e mais tranquilo do que o de Sucupira.

Ilha de SANTIAGO, cábu berdi é sábi | Cabo Verde

Para chegar a Assomada, o aluguer demorou cerca de uma hora, percorrendo estradas de piso novo asfaltado, fazendo a carrinha deslizar entre uma paisagem montanhosa coberta de plantações agrícolas, apenas interrompida pelos ocasionais picos rochosos que se erguiam na paisagem. O letreiro de São Lourenço dos Orgãos chamou-nos à atenção. Ali, as mulheres, na beira da estrada, vendiam morangos com aspecto suculento. As frutas enchiam as bacias coloridas de plástico e as bancas de madeira, parecendo um cenário pintado.

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Chegámos a Assomada.  Era domingo de Páscoa e, apesar do mercado semanal não estar em funcionamento, as festas cristãs atraiam à povoação vários vendedores que se aglomeravam à volta da igreja principal. A igreja estava repleta e as multidões estendiam-se até à parte de fora. Para fazer face à forte afluência de fiéis, as orações ouviam-se no exterior. Estivemos aqui pouco tempo, o nosso objectivo final era o Tarrafal, alguns quilómetros à frente, e na ponta norte de Santiago.

Ilha de SANTIAGO, cábu berdi é sábi | Cabo Verde

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Apanhámos outro “aluguer”, não com a mesma agressividade que em Sucupira mas algo semelhante, lembrando-nos, mais uma vez, que estávamos em África, e seguimos viagem. Pelo caminho atravessámos o Parque Natural da Serra da Malagueta, com uma paisagem deslumbrante e fazendo-nos sonhar com mais tempo para sair e experimentar os trilhos pedonais da serra. Teria que ficar para uma próxima oportunidade.

Ilha de SANTIAGO, cábu berdi é sábi | Cabo Verde

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À medida que se subia para a serra da Malagueta, as palmeiras e bananeiras davam lugar a árvores de frutos distintos, como macieiras, marmeleiros, etc. Os legumes, cereais e tubérculos enchiam os campos assim como as cestas das vendedoras da berma da estrada. A maioria das pessoas que entrava e saia do aluguer não falava português. Crioulo, só se fala crioulo por aqui. E nós dizíamos:

– cábu berdi é sábi (Cabo Verde é bom).

Ilha de SANTIAGO, cábu berdi é sábi | Cabo Verde

Chegámos finalmente a Chão Bom, alguns quilómetros antes do Tarrafal. Já tínhamos andado cerca de 70 km desde a Praia e a viagem nos dois alugueres demorara cerca de duas horas. Era quase hora do almoço mas ainda tínhamos algo importante a fazer. Em Chão Bom existe o que resta do Campo de Concentração do Tarrafal, uma prisão política portuguesa durante o Estado Novo. Recebeu-nos Fred, um menino de sete anos que veio a correr ter connosco, com uma bola furada e puída de tanto uso. A sua irmã veio logo atrás. Fred fala português e depois de eu lhe perguntar quantos irmãos tinha, começou a pensar e a contar pelos dedos. Parou nos seis, dizendo que não tinha bem a certeza. Sorri e abracei-o. Aquela inocência era deliciosa.

– Não tens uma bola para mim? – Perguntou-me

Não tinha. Senti-me triste. Queria muito tê-la ali para lha poder dar. Só tinha canetas e foi o que lhe dei. Gostou mas não era bem aquilo que queria. Encolheu os ombros. Prometi-lhe que um dia voltava e lhe dava uma bola nova para que ele pudesse jogar. Perguntou-me imediatamente:

– Quando vens?

– Não sei, um dia destes. – Respondi-lhe.

A irmã, sorriu e disse:

 – E uma boneca?

– Sim, também trago uma boneca para ti.

Senti os meus olhos raiarem de lágrimas. Não porque aquelas crianças precisassem muito daqueles brinquedos ou porque fossem extremamente pobres (algo que eram porque brincavam descalços nas terras quentes). As lágrimas escondidas nos meus olhos deviam-se ao facto de lhes ter feito uma promessa que não sabia se poderia cumprir.

Ilha de SANTIAGO, cábu berdi é sábi | Cabo Verde

Entrámos no Campo de Concentração e visitámo-lo. No final da visita, apanhámos um novo “aluguer” para fazer os cinco quilómetros até ao Tarrafal. Desta vez nas traseiras de uma carrinha.

Ilha de SANTIAGO, cábu berdi é sábi | Cabo Verde

Ilha de SANTIAGO, cábu berdi é sábi | Cabo Verde

O Tarrafal recebeu-nos com um sol e calor abrasador. Sentíamos a transpiração escorrer-nos pelo corpo. Era mais do que horas de almoçar. Escolhemos um boteco e enganámos os estômagos com qualquer coisa. Queríamos mesmo era ver a praia, a única de areia branca da ilha de Santiago.

Ilha de SANTIAGO, cábu berdi é sábi | Cabo Verde

Ilha de SANTIAGO, cábu berdi é sábi | Cabo Verde

Deixámos a praça da povoação para trás e fomos até à praia. O calor do início da tarde tinha afugentado grande parte dos banhistas. Algumas crianças brincavam no mar, sob os olhares atentos dos progenitores. Os barcos dos pescadores, atracados nas areias amarelas, mesmo em frente ao mercado de peixe, pareciam descansar de uma manhã de faina. Contemplámos a beleza do lugar e sentámo-nos um pouco para respirar este ar e sentir o momento.

Ilha de SANTIAGO, cábu berdi é sábi | Cabo Verde

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A praia do Tarrafal é muito bonita, com um mar de azul cristalino, águas tranquilas e um ambiente sossegado e descontraído. Mas, ainda nesse dia íamos regressar à Praia. No centro do Tarrafal arranjámos um aluguer directo até à Praia, que antes de sair andou às voltas durante uma hora, mas que nos deixou de novo na capital cabo-verdiana. Em Santiago ainda queríamos conhecer a Praia e a Cidade Velha mas isso, eram outras estórias.

Ilha de SANTIAGO, cábu berdi é sábi | Cabo Verde

PROCURE ALOJAMENTO NA ILHA DE SANTIAGO

Onde dormir: 

  • Hotel Oasis Praiamar: Ficamos alojados neste magnífico hotel na última viagem para Cabo Verde. Os quartos são magnícos, grandes, espaçosos, limpos com varanda e vista sobre o mar. Tem um belo restaurante com esplanada, magnífico para um jantar especial. O pequeno-almoço é muito bom e cheio de opções saudáveis. É uma opção de alojamento para gama média-alta, com tudo o que isso implica, nomeadamente uma bela piscina e um serviço soberbo. Reserve aqui.

 

  • Santiago Hotel: Optamos por ficar alojados num hotel fora do Plateau. A nossa opção foi ficar na Achada de Santo António porque nos pareceu um bom lugar para conhecer a verdadeira cidade da Praia, longe dos hotéis e restaurantes dos turistas. Foi uma boa opção porque mesmo ao lado haviam várias churrasqueiras com exceente ambinete noturno. O quarto duplo custa cerca de 70 €. Reserve aqui.
  • Hotel Escola da EHTCV: Numa das escalas que fizemos na Praia chegávamos tarde e voávamos cedo, pelo que escolhemos a opção mais barata para dormir. Ficamos no hotel da escola de turismo. O hotel é longe da cidade da Pria porque fica em Palmarejo Grande, a caminho da Cidade Velha. Para quem precisa de um lugar barato é bom porque os táxis e alugueres para lá são quase ao mesmo preço do que para a Praia. Para quem quer um hotel bem localizado no centro da Praia, esta não é uma boa opção. O quarto para duas pessoas custa 22€, com pequeno-almoço. Os quartos não têm casa de banho. Reserve aqui

Carla Mota

Geógrafa com uma enorme paixão pelas viagens e pelo mundo. Desde muito cedo que as viagens de exploração fazem parte da sua vida. A busca do conhecimento do mundo leva-a em direcção a culturas perdidas e ameaçadas, tentando percebe-las. Hoje é também líder de viagens de aventura na Nomad.

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4 Comentários

  1. Luísa Miquelina diz: Responder

    Olá Carla!
    Em primeiro lugar, muito Obrigada pelas Partilhas 🙏
    Estou a pensar ir a Cabo Verde com uma amiga em junho. A nossa última viagem foi à India, portanto muito intensa e cheia de Aventuras e Amor. ADORÁMOS, CLARO!!
    Agora para Cabo Verde, aconselharam-nos Mindelo. Gostamos de pessoas, cheiros, voluntariado e cultura. Será esta a ilha mais indicada?
    Para nós, a opinião da Carla é importante, assim como a forma mais economica de lá chegar (direto ou com voos internos?)
    Muito, Muito Obrigada
    Boas Viagens 🙏
    Luísa

    1. Carla Mota diz: Responder

      Olá Luísa. Mindelo é maravilhoso mesmo mas eu juntava aí Santo Antão. Apanhem o barco no Mindelo e dividam o tempo. Eu gostei mais de Santo Antão. Mais puro, mais rural, mais tradicional. Vão de avião para o Mindelo e depois de barco. Vão adorar. Garanto!

  2. José Freitas Pereira diz: Responder

    Mais um excelente “roteiro”, muito bem narrado! Parabéns…

    1. Carla Mota diz: Responder

      Obrigada

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